domingo, 7 de junho de 2009

Indiferença

Indiferença como sentimento é o oposto da neutralidade que parece indicar a palavra. É não querer saber, colocar o que for no caixote de perdidos e achados e nunca mais para ele olhar. É reduzir alguém a pó e espirrar por outra qualquer comichão no nariz, espalhando com esse espirro esse pó, que ainda sente como se fosse ainda um corpo inteiro, até à imaterialidade. E nem se lembrar.

Há três pessoas a quem dou importância de momento e que me votaram à indiferença.

Um fala comigo mas não quer saber. Sou-lhe de tal modo indiferente que nem o sabe. E se soubesse não quereria saber.

O outro não quer saber de mim. Não quer saber dos meus sentimentos embora esteja de algum modo convencido que com a sua indiferença me libertará da toxicidade do que sinto por ele. Agradeço a sua bondade, mas não foi isso que lhe pedi. Não lhe pedi nada (só dei), mas não devia ser este o resultado. Claro que a minha opinião não foi tida em conta no processo. Ou melhor, foi, mas para ser ela também ignorada.

A outra deixou de me atender o telefone, literalmente de uma hora para a outra. Não sei porquê, não lhe fiz mal nenhum, e não parece interessada em dizer-mo.

Já consegui esquecer pessoas de tal modo que a lembrança delas só me faz uma ligeira comichão, que passa com o mero pensamento esboçado de a coçar. Hei-de esquecer estas também. Só a mim parece fazer impressão tratar as pessoas assim, mas tenho que perder a mania de tentar ser boa pessoa.

Faço bem o luto dos mortos porque compreendo que nunca mas mesmo nunca mais voltarão. E que se eu quero continuar viva tenho que deixar os mortos onde estão e não evocando para sempre a sua memória e a sua saudade. Sou das poucas pessoas a quem dá ataques de riso em velórios e funerais porque de repente me vem à memória uma cena engraçada envolvendo o morto. Claro que choro e muito. Mas enterro a pessoa assim que possível depois da descida à terra e entrego-me ao sentimento de estar viva.

Os vivos custam mais a enterrar. Não porque se debatam no processo, mas porque não o fazem e isso mete-me confusão. Quem há-de querer ser enterrado vivo e nem sequer lhe fazer diferença? In-di-fe-ren-ça... há-de ser o meu mantra. A oração dos mortos vivos. Dos enterrados pela própria vontade no mundo que é a minha vida.

37 comentários:

Boop disse...

Isto soa-me a tudo menos indiferença...
Da tua parte... nemhuma!

Da deles... -será?
Quem não te atende o telefone... não é por seres indiferente... o teu nº está lá, chama... não te querem atender vão dar uma volta!

Eh pá já é tarde, não consigo pensar como deve de ser!
Volto depois!

Mas tu não me és indiferente e eu nem te conheço, pá!

Joaninha disse...

Então o que se passa? Estás com os Blues outra vez?

Upa linda, o sol brilha, a vida é linda e...(pronto é certo que o sol anda um bocado parvo, mas é porque eu finalmente consegui tirar férias) tu és linda :)

beijos

Storyteller disse...

Abobrinha do meu coração (apesar dos boatos, eu tenho um),
não ligues. Posso contar-te uma pequena história? Que aconteceu há dias com a minha pipoca fêmea?
Então... cá vai:
Há duas semanas elea entra no carro e eu perguntei-lhe como é que tinha diso o dia dela na escola. Ela respnde «A Margarida já não quer ser minha amiga». E eu, como sei que a Margarida é a melhor amiga dela, fiquei cheia de pena e pensei que a minha pipoca estaria destroçada (o que aconteceria com o irmão, se tal se tivesse passado com ele). E perguntei «E que é que lhe disseste?». E ela respondeu «Disse-lhe que se ela não quer ser minha amiga, há mais quem queira!».
Grande lição da pipoca!
E isto é também para ti. Essas três pessoas não querem ser tuas amigas? Há mais quem queira!
Eu quero! E estou como a Boop: e nem te conheço!

Tilt disse...

Tal história faz-me lembrar que toda a gente sabe o nome de Pontius Pilatus, mas não os nomes dos carrascos...

Pensa que os melhores momentos estão para vir. Aqueles que não se preocupam connosco não merecem mais esforço da nossa pessoa.

Catwoman disse...

É incrivel como as pessoas são capazes de desiludir.. entendo bem este post..nem momento entendo bem demais até.. enfim resta erguer a cabeça e seguir em frente!!

Força!! Beijinhos :)

Catwoman disse...

*neste momento hihi

Abobrinha disse...

Boop

Pois isto é tudo menos indiferença da minha parte. Aí é que está o problema! É que este post é um recado a mim mesma (mesmo porque os visados não fazem ideia do que eu escrevi e que é para eles).

E eu sei que há muita gente que se interessa com o que se passa comigo. Estes três é que não.

Quanto à menina (é uma menina) que não me atende o telefone, não sei se é falta de juízo ou falta de educação. Mas não demora muito para que nem queira saber sequer. Para que eu mesma a vote à indiferença.

Abobrinha disse...

Joaninha

Com os Blues? Sim e não ao mesmo tempo. É que este é um dos dois posts que eu era para escrever, mas tive preguiça e falta de inspiração para escrever o segundo. Se sabia que ia estar tanta gente à coca, preocupada comigo, tinha-o escrito. Mas eu pensava que estaria tudo de férias...

A parte extraordinária é que consigo ter este sentimento de blues, mas só em segundo plano. Porque em primeiro plano estou cansada. Mas de um fim de semana bem passado! Em que o sol não brilhou, mas só porque a menina se deitou inesperadamente às 5 da matina no sábado quando era para se ter deitado cedo. E deitou-se a essa hora porque apareceram amigos de todos os lados e eu não tive outra "opção" que não fazer-lhes companhia e divertir-me! A minha vida tem destas coisas!

Obrigada pela preocupação. Mas se sabia que te ias preocupar, tinha tido o cuidado de acrescentar que estava óptima!

Bruxinha disse...

Realmente por vezes a indiferença ( quando justificada ) é o melhor e no meu caso sabes ao que me refiro ..
Quanto a ti , é um pouco por aí, se não querem ser teus amigos,como eu costumo dizer, "temos pena" concerteza não merecem o que foste para eles :)

Beijinhos

Abobrinha disse...

Storyteller

Nunca me enganaste: eu sabia que tinhas um coração. E eu pensei como a tua pipoquinha. Mas custa-me ter que arrumar pessoas para um canto. Custa-me mais ainda que tenha eu sido arrumada. Mas é assim!

E há mais quem queira ser meu amigo, eu sei! Tenho é que fazer o luto dos que não querem mais rápido!

Obrigada de qualquer modo!

Abobrinha disse...

Tilt

Pois custa-me não fazer o esforço. E faço-o. E não adianta! Este post foi mesmo o meu apontamento mental para isso mesmo: NÃO ADIANTA! É seguir em frente!

Abobrinha disse...

Catwoman

Sim, isso e sair de casa e conhecer mais gente. E ficar em casa e conhecer-nos mais a nós mesmas. Eu era para ter optado pela segunda hipótese este fim de semana, mas a minha própria vida tinha outros planos... e cheguei a casa às lindas horas que contei no comentário à Joaninha!

E sabes que mais? Foi brutal! Adorei!

Tisha disse...

Definitivamente era bom podermos estalar os dedos e ficarmos indiferentes a estas pessoas... mas não conseguimos! E se queres saber, mesmo quando doi muito, mesmo quando custa e demora até chegar essa indiferença, a verdade é que prefiro ser assim "boa pessoa"... e também prefiro que o sejas! :)

Grande Lição da Pipoca, mesmo! Se ela pudesse não crescer e ser sempre assim prática e feliz era muito bom... :)

Beijinhos pa todos **

Abobrinha disse...

Bruxinha

Precisamente. Era uma coisa que eu já sabia, mas que tive que fazer (mais uma) nota mental para ver se não me esquecia. Era este o propósito deste post e não queixar-me da minha vida que, considerando tudo, está óptima (mas não teve direito ainda a um outro post).

Em relação a eu sei quem te referes, tens que interiorizar a indiferença. Como eu também estou a fazer um esforço.

Abobrinha disse...

Tisha

Isto é como dizem os outros da fama: "it takes 20 years to be an overnight success". Ou seja, um dia vamos estalar os dedos e ser indiferentes. Mas há o esforço por detrás.

E eu começo a ficar cansada de ser boa pessoa. De tratar os outros como queria que me tratassem. E eu não quero enterrar ninguém vivo, mas vou ter que começar a fazer isso mais vezes. Senão não vivo, porque vivo agarrada a quem não me quer. Mas isso não é ser má pessoa, suponho. Tenho é que ser muito mais rápida a fazer julgamentos das pessoas, isso tenho...

Sadeek disse...

Dica importante, ó minha amiga. Pois claro que os vivos custam mais a enterrar. Porque dão luta. E, parecendo que não, levar com sete palmos de terra em cima não deve ser agradavel.

Toma nota disto que só te vou ensinar uma vez. Experimenta dar-lhes uns tiros nas articulações (sim, tornozelos, joelhos e cotovelos) até que percam o controle nos membros. Vais ver que se torna muito mais fácil.

BEIJOOOOOOOOOOOOOOOOOO (e anime-se que tristezas não pagam dívidas...)

Abobrinha disse...

Sadeek

Lá está, eu não estou desanimada: isto é mesmo só um lembrete para mim mesma. Não estava era a contar com tanta gente a ler e preocupar-se! Parece que afinal há bastantes pessoas para quem não sou indiferente. Curiosamente, são pessoas que eu SEI que tiram tempo para me conhecer. Pelo menos um bocadinho, o bocadinho que eu dou a conhecer na blogosfera.

Mas essa ideia dos tiros nas articulações... mmmm... vou escrever no meu bloquinho de apontamentos, para não me esquecer! É que eu às vezes sou um bocadinho sádica!

ManUel disse...

tratamentos de silêncio é a maneira mais fácil de uma pessoa se desligar da outra. já me fizeram isso (e sem razão aparente).

eu tambem nao consigo manter-me sério num velorio ou funeral. e não é por nao ter respeito...sou mesmo assim humpf

Pulha Garcia disse...

Tu é que tens que gostar de ti própria. A partir daí os outros têm que acertar o passo ou simplesmente procurem-se outras opções...

Abobrinha disse...

Manuel

Pode ser a maneira mais fácil, mas também é das mais cobardes. Há uma série de atitudes e omissões que são de uma cobardia e crueldade desnecessárias. Mas pronto, o que é que se vai fazer?

Em relação aos funerais, considero os meus ataques de riso mais respeitosos que os de choro. Mas chorar para quê? Para mostrar que gostava da pessoa? Isso era óbvio quando a pessoa era viva, não depois de morta! E respeito é também esse continuar a viver.

Abobrinha disse...

Pulha Garcia

Eu sei. Eu sei. Eu sei. Também tenho que fazer apontamentos mentais disso o tempo todo. Mas, querendo ou não, a pessoa valida-se um pouco pelo que os outros pensam de nós e de como agem em relação a nós. Mesmo sabendo que há pessoas que não são em condições de ter um cãozinho e contudo têm um companheiro ou companheira maravilhosa. Mesmo sabendo que alguém que achamos que não merecia ter amigos ter um bando deles.

Ultimamente dei por mim a fazer uma lista de coisas que ME fariam ter respeito por MIM mesma. A lista está na minha cabeça (mas devia passá-la a papel). E agora tenho que a seguir!

Obrigada pelas tuas palavras de qualquer modo.

francis disse...

siga a marinha.

Abobrinha disse...

Francis

Pois... tenho que chegar a esse ponto mais rápido. Não faz sentido de outro modo.

Ia dizer que não se pode obrigar ninguém a gostar de nós, mas isso foi-me dito num contexto que eu achei cobarde, por isso não vale!

Cor do Sol disse...

A mim é uma coisa que me afecta imenso. Que me magoa e deppis não sei dar nem receber indiferença.

Força ;)

Pétala disse...

Isso é a selecção natural em acção, os que “não prestam”saem para dar lugar a outros melhores!!!
Vês, saíram três e já tens três amigas virtuais a querer esses lugares!!!

Mas doa o que doer, não mudes, não deixes de ser boa pessoa! Quando isto acontece tens que te mimar mais ainda, isto é, tens que ser tu a tua melhor amiga!!!

Eu gosto de ti
Beijinhos

Abobrinha disse...

Cor do sol

E quem dá indiferença, saberá o quanto ela magoa? Nem sei qual será a melhor resposta. Mas tens que treinar (e eu também) o varrer certas pessoas da ideia. Não pode ser de outra forma. Olha que eu não hoje consegui ser suficientemente rápida e... deu merda!

Abobrinha disse...

Pétala

Eu conseguia ficar com estes três e ainda ter mais cinco e seis e sete novos amigos. Mas pronto, não pode ser! E um ficou riscado de vez hoje!

Mas tens razão: tenho que me mimar. E mimei: fui às compras e liguei a uma amiga a sério.

Não vou deixar de ser boa pessoa. Mas vou ter que deixar de fazer algumas coisas que, repetidas, deram sempre o mesmo resultado: mau resultado. E fizeram-me sofrer.

Bem... aprendi com tudo isto! E espero não repetir o mesmo erro para a próxima!

E eu também gosto de ti... mas não gosto da Mafalda Veiga!

Caranguejo disse...

Infelizmente acho que em alguma parte da nossa vida somos confrontados com uma situação assim onde pessoas que gostamos e estão perto de nós se afastam pelas razões mais parvas. Mas em caso de nem querem dar uma explicação e ainda acharem que estão com a razão , eles que fiquem com ela pois tu ficas de consciência tranquila e certa da pessoa que és.
A própria vida vai escolhendo os que connosco fazem o seu caminho ficam os melhores , os outros são apenas isso …..outros.

Kiss

Abobrinha disse...

Caranguejo

A dada altura disse à Ni num post dela que "porque sim" é uma resposta aceitável para muita gente. Curioso como eu mesma me esqueci disso. E não posso, mesmo porque já me fizeram isso mais que uma vez (a mim e a toda a gente).

Olha, agora a frio é mesmo aceitar e seguir em frente. E pensar o menos possível no assunto. Afinal, tenho móveis para montar, o que me vai manter ocupada um tempo (e queria ver se não tinha que chamar reforços!).

Mas obrigada pelas tuas palavras. E de toda a gente: eu de vez em quando preciso de um miminho!

Ana disse...

Não é nada fácil tratar com indiferença aqueles que não nos são indiferentes, e muito mais difícil é lidar com a indiferença que nutrem por nós. Doi e magoa. Mas aí entra o nosso amor-próprio que nos vai fazer perceber que existem outras pessoas á nossa volta que nos merecem muito mais.

JPVale disse...

Abo!
Entendo-te mas estás a dar importância a pessoas que não merecem.
Tou com o Francis:
“siga a marinha”

Um grande fim-de-semana prolongado com amizade a rodos
J

Abobrinha disse...

Ana

Lá está: agi com pouco amor-próprio! É daquelas coisas que tenho que trabalhar todos os dias. Devia pôr uma placa por cima da porta para que quando saísse me lembrasse que tenho que ter amor-próprio! Não me posso mais esquecer disso. Mesmo porque tenho uma vida bonita e a que nem sempre dou o valor devido.

A indiferença e a opinião dos outros não pode mais doer desta maneira!

Abobrinha disse...

JP

Sobretudo dei pouca importância a mim mesma. Esse é que foi o grande mal. Mas já passou! Não posso é deixar que aconteça de novo!

Eu Mesma! disse...

Minha linda....
sim... fazer luto dos vivos é dificil.. e talvez aquilo que eu considero como o mais dificil da nossa propria vida mas....

sabes que eu penso que tudo na vida acontece por uma razão e que o que não nos mata torna-nos mais fortes....

tb já passei por demasiadas situações de lutos por vivos e cada vez mais faço menos tempo de luto....

é a minha....
vamos aprendendo com as nossas proprias limitações...

e eu conheço-te e sim...

ADORO-TE!!!!!!!!!!!!!!!!!!
és uma grande mulher que eu descobri do outro lado da A1.....

:)

mantêm-te sempre fiel a ti propria .... nunca mas nunca desistas de ti propria....

os outros vão e vêm mas tu... és a pessoa mais importante desta pequena viagem chamada a porra da nossa vida!

beijos grandes minha linda!

Abobrinha disse...

Eu Mesma

VEM A MEUS BRAÇOS, QUERIDA!!!

Sim, o meu tempo de luto tem diminuído muito. Ainda terá que diminuir mais, mas uma coisa de cada vez.

Tenho tomado consciência de que sou mais importante do que aquilo que eu mesma me considero. Mas isso está a mudar, acredita! Baby steps, mas tenho mudado. E é assim que funciona... e tu tens-me ajudado, querida! VEM A MEUS BRAÇOS!!!

E eu não sou só excelente do outro lado da A1: também sou o máximo do outro lado da linha do comboio!!! N'est-ce pas?

Eu Mesma! disse...

Completamente minha linda!

Tu dominas o conceito do Inter Cidades!!!!!!!!!!

:)

Abobrinha disse...

E do alfa!!!