segunda-feira, 30 de maio de 2011

O momento filosófico do dia

Constatava eu hoje em conversa que tenho tido muitas desilusões com amigos, o que dói sempre bastante, embora menos do que no passado (parecendo que não, vai-se ganhando couraça). E depois veio o momento filosófico do dia:

"Mas pronto, também se estão a acabar as pessoas com as quais tinha ilusões, por isso a coisa está mesmo resolvida."


Et voilá, um instantâneo da minha vida. Não vale de nada, ou seja, tem igual valor que o resto do blogue. Não sei se me apetece aprofundar o assunto. Na realidade, acho que a frase fala por si...

35 comentários:

Eu Mesma! disse...

Não concordo...

As ilusões nunca desaparecem... o ser humano tende de uma forma drástica a retirar toda a ilusão da vida quando está desiludido mas... quando a ferida sara ... lentamente... as ilusões voltam...

não é certo nem errado ... é apenas ... a vida por si...

o estarmos iludidos não significa sermos iludidos...

significa sim ... que não perdemos a capacidade de ainda termos uma réstia de magia e sonho ....

Eu Mesma! disse...

Correndo o risco de ser cliché... mas porque já passa da meia noite e provavelmente eu já virei abóbora mesmo....

"Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança."

Até amanha :)

JP disse...

"Abo",
não te preocupes que eu levo avanço... sou mais velho que a Menina, como tal já dei chuto a muita gente. A vida está cheia desses pequenos nadas... com mais ou menos desilusão tudo passa.
O que não falta por aí é gente boa à espera que as encontremos.

Uma nota final... vocês pelo norte não têm mais nada para conversar? Que gente mais careta, livra! ;-)

Beijinhos

Mais uma nota... vai dormir "EM!" ;-)

Abobrinha disse...

EM e JP

Este não foi um post deprimido: foi um post realista mesmo, desapaixonado. Um pouco calculado mesmo.

A realidade é que não tenho mais grandes ilusões, só uma grande dose de realidade e tantas situações colecionadas que já consigo dizer a tudo "é tudo normal". Mas não é o meu normal, não é a minha norma, não é a minha maneira de agir. Não sou santa nenhuma, mas sou do melhor que há por aí e sei-o. Dizer que não merecia certas coisas não adianta nada porque é um facto, pelo que só me resta aceitar o normal dos outros, ser antropóloga amadora. E não colecionar ilusões mas observações e realidades. E tentar ser melhor. Por mim, não pelos outros.

E a realidade é que se me acabaram as pessoas com as quais tinha ilusões. Sobram-me as reais, e essas são bastantes. Agora é tentar fugir das ilusões e agarrar-me às realidades, que são mais... reais. Viver as realidades, que podem não ser tão ideais como as ilusões, mas ao menos existem e têm muita coisa boa.

Em português, chama-se aproveitar o que se tem.

Ana disse...

Concordo com o JP. Ilusões e desilusões vão haver sempre, o que interessa é não nos perdermos muito nelas e deixarmos de olhar para outras coisas à nossa volta.

:-)

Abobrinha disse...

Ana

Isso não perdi: a capacidade de olhar em volta. É devido a essa capacidade que também tenho realidades, boas realidades. E dou-lhes valor, acredita. Cada dia mais.

Abobrinha disse...

Já agora, não se dorme, é?

Abobrinha disse...

JP

Já agora, foi maioritariamente com pessoal do sul. Boa gente...

NI disse...

Eu sou suspeita porque sempre defendi a postura da Eu Mesma e do JP. Mas passei à fase de a defender para dar ânimo a outros. Eu, desde o ano passado que passei a encarar a vida com aquela realidade cínica que nos faz estar sempre à espera de levar um "cachaço pelas costas". Principalmente daqueles que menos esperámos.

Mas, já alguém dizia, a vida é bela. Eu cá tenho a certeza que ela é cinzenta mas eu faço questão de dar umas pinceladas de cor só para chatear.

Eu e aminha célebre mania da contradição.

:)

Joaquim Simões disse...

'Bobrinha:
O que é ilusão não presta, porque... é ilusão. A realidade é muito mais rica e interessante, até porque tu és real - a realidade e tu estão em pé de igualdade, ao contrário do que sucede com essa enfatuada snob que é a ilusão.
Ela pode é não corresponder aos teus anseios ou ao que julgas, certa ou erradamente, serem as tuas necessidades. Da parte de outrem, também nenhum de nós é a realidade ideal. As coisas constroem-se - ou não. Metaforicamente: não se é padeiro sem se ter as mãos sebentas; e o amor é como o pão, tem que se fazer todos os dias (as metáforas não são minhas). E ele há maior realidade, realização e satisfação do que um trabalho bem feito?
Mas atenção: nem toda a farinha está capaz de ser transformada, isso é que é ilusão.
Bjinhos

GATA disse...

Como diria o Prince, "Sign 'o the Times'...

Presentemente as relações de amizade são comerciais: só sou tua amiga, enquanto tu servires os meus interesses! Eu já senti isso na pele (curiosamente, ou não, tais criaturas eram de Leis...), pelo que hoje sou muito reservada e desconfiada nos meus relacionamentos. Mas, sendo felino, sou um ser solitário por natureza.

PS: Hum... para ti "pessoal do sul" é tudo o que esteja abaixo do Porto ou abaixo do Tejo? É só para saber se te dou uma unhada na testa ou não!

Abobrinha disse...

Ni

Eu sonho em abstrato, isso não deixei de fazer. Para tudo o resto prefiro a realidade. É um pouco como o que não tem preço, e para tudo o resto há o visa, e precisamente com o mesmo espírito.

A vida não é só cinzenta, tem também cores. É só uma questão de saber observar.

Abobrinha disse...

Joaquim

Sábias palavras. Muito haveria a dizer sobre a farinha. Há farinha que, mais do que não querer ser trabalhada, está mesmo bem assim ou então serve para outras coisas. Ou para nada!

Bah, ao menos a realidade é boa. Não é tudo o que queremos, mas as coisas raramente o são.

Abobrinha disse...

Gata

Curiosamente tenho ouvido muito essa música! Adoro o Prince!

Pois, às vezes é por interesse, mas o desinteresse é o que por vezes mais magoa. Olha, é o que há, e tem que se viver com o que há. Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos. Mas hoje há conquilhas!

A minha definição de sul varia conforme as circunstâncias (eu também me localizo a sul do Douro), mas neste caso até queria dizer mesmo maioritariamente nas redondezas de Lisboa. Eu bem me queria parecer que embirrava com a Geografia por bons motivos!

Eu Mesma! disse...

Bom dia gente gira :)

GATA disse...

MAU!!! Se dizes Lisboa, levas uma unhada na testa! TOMA!!! :-)

PS: não gosto de conquilhas, volto amanhã!

JP disse...

"Abo"
O sul começa a partir do rio Tejo... Lisboa encontra-se a norte. :-)
Para além de mim... em Lisboa não conheço boa gente. Como tal... rifava-os. ;-)

Ai a realidade... e o que é a realidade? ;-)

Beijitos

JP disse...

"EM!"
Pela parte que me toca... obrigado! :-)
Beijo

JP disse...

*- Lisboa encontra-se a norte do rio.

OCorvo disse...

Amigo não é aquele que te levanta quando cais.
É o que dá uma chapada no filho da puta que te empurrou.

Blondewithaphd disse...

És sempre igual a ti própria!!! Fabulástico!!!

Abobrinha disse...

Corvo

Eu era dessas e deixei-me disso: concluí há muito que esse amigo que caía no chão mais tarde era capaz de me empurrar também...

Abobrinha disse...

Gata

Hoje há rojões ;-)

Abobrinha disse...

Blonde

Realista. Sim, isso sou eu, sem dúvida.

GATA disse...

Também não gosto de rojões!

Abobrinha disse...

Gata

Não faz mal: hei-de ter um dia em que te agrade o prato do dia ;-) Entretanto o importante é que continues a vir ver o que há de "morfes".

Tinta Permanente disse...

Eu gosto de conquilhas e de rojões! Venha tudo!
E amigas também!

Mas a Gata mia bem: "só sou tua amiga, enquanto tu servires os meus interesses". Infelizmente a maior parte não presta. Temos pena.

Djinn disse...

Está bem visto sim senhora...quando se acabam as pessoas com as quais temos ilusões, acabam-se as desilusões...e esta hem? ;)

Hmmm...vou cogitar sobre o assunto!

Di Almeida disse...

Ahahahaha Sabes, às vezes o assunto está tão batido que nos faltam as palavras e nem é por mal. Realmente desilusões eu acredito que as tenhas e muitas, vamos ter sempre e imagina quantas vezes vais ouvir isto até à senescência! :D
Amanhã vai aparecer outra desilusão (espero que não mas enfim...) e outra, e outra, blablabla
Eu gosto de pensar que as pessoas que me rodeiam são sempre boas até me provarem o contrário. ;)

Abobrinha disse...

Tinta

Lá está: há que saber reconhecer a minoria e não criar ilusões com pessoas fora da minoria. De preferência não criar ilusões com ninguém.

Quanto ao interesse, isso sempre foi assim desde que o mundo é mundo: aposto que muito Neanthertal só se dava com o vizinho que até era vesgo e cheirava mal do sovaco porque ele sabia pintar nas cavernas, pelo que tinha alguma influência com os deuses. Triste mas verdade. Embora, como se saiba, as pinturas das cavernas não adiantavam nada... mas, havendo conquilhas, não havia antibióticos...

Abobrinha disse...

Djinn

Ora cogita, mulher.

Abobrinha disse...

Di

Claro que vou ter mais desilusões. As mais crueis comigo mesma, claro. Mas hoje tenho-as menos do que há uns anos, e daqui a uns anos tentarei ter menos ainda, fruto de maior antecipação da desilusão (porque o comportamento já há muito que o consigo antecipar). Serei menos feliz com menos desilusões.

Não perdi ainda a capacidade de dar oportunidades às pessoas, mas as expectativas já são mais calculadas e controladas... mesmo muito mais...

Cacarol disse...

Sim a frase fala por si...Poir bem ou por mal...

Abobrinha disse...

Cacarol

:-)

T disse...

hummmm continuas viva !