segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Não acredito, isto não pode ter acontecido

Celebra-se com pompa e circunstância a queda do muro de Berlim. E eu recordo-me da alegria que foi há 20 anos abrir os noticiários e ver (para variar) só gente feliz de martelos e maços na mão para abrir brechas naquela... coisa e derrubá-lo de uma vez por todas! E todos os muros simbólicos que se seguiram, incluindo a morte daquela coisa que foi o casal Ceausescu.

Toda a gente fala do quão maravilhoso foi... e eu só consigo pensar: mas como é que isto foi possível sequer? Cheguei a pensar que aquilo não podia ser, que um país não podia estar dividido em dois por um muro (a face visível de um muro ainda maior entre o Este e o Oeste). Uma vez que eu nunca tinha visto o semelhante, era inteiramente possível (embora algo rebuscado) que o muro de facto não existisse e que aquelas imagens fossem o resultado de uma qualquer teoria da conspiração, como as imagens da ida à lua que (como toda a gente sabe) foram filmadas nos estúdios de Hollywood, porque é um disparate que alguém algum dia tenha posto os pés na lua. Onde é que já se viu o semelhante... homens a ir à lua... disparate!

Essa desculpa deixou de fazer sentido quando eu mesma fui a Berlim e vi os poucos pedaços de muro que restavam, o checkpoint Charlie, o museu do mudo e uma linha metálica que serpenteava pela cidade marcando o percurso do cabrão do muro...

... e mesmo vendo com os meus próprios olhos eu simplesmente não conseguia acreditar...

25 comentários:

Eu Mesma! disse...

concordo contigo...
uma cidade dividida em duas por um muro é algo rebulesco...

e ambos os lados viverem de forma diferente, com regras distintas é estranho... muito estranho...

ainda hoje 20 anos depois da queda fico indignada com tamanha.... estranheza....

NI disse...

Foi possível e continua a ser possível nos dias de hoje com a complacência dos países mais influentes e que dizem democráticos. Falo, claro está, do muro levantado por Israel.

VCosta disse...

A maior parte de nós também levanta os muros das nossas casas acima dos limites máximos por lei.
Infelizmente estamos cada vez mais frios e com pouca paciência para conversas...
Erguem-se muros por tudo e por nada!

JP disse...

Abo,
Se fosse só esse? E os muros que levantam por aí?
Entre nações vários: na Palestina, entre os EUA e o México, no Mediterrâneo... mas pior são os outros, como os raciais.
Por muito que se tente, os muros nunca desaparecerão... mas não deveremos desistir de sonhar que um dia todos eles desapareceram.
Beijos

Storyteller disse...

Tens o muro erguido há pouco tempo no Rio de Janeiro, para isolar duas favelas.
Sem falar nos muros metafóricos que erguemos à nossa volta...

Sim, o nosso mundo é demasiado estranho...

Blondewithaphd disse...

Sim, custou a acreditar... Muito mesmo!

inwhitelight disse...

Tens razão... como é que é possível as pessoas deixarem isso acontecer :/

Pamat disse...

Bem foi tema que deu-me muita alegria na altura, mesmo sendo novo na altura do acontecimento.
Já alguns muros foram aqui colocados(que ainda existem) mas vou escrever um que passa a ser uma vergonha em muitos aspectos, e que pouca gente fala. É o muro com 3000 km, e que em algumas partes desse mesmo muro tem 25 metros de altura, e que fica entre a India e o Bangladesh, e que os guardas têm autorização de atirar a matar e neste ano já foram mostas 147 pessoas.

Por isso um muro ideológico foi derrubado, mas os muros da fome ainda existem!!

francis disse...

deixa lá isso, não te maçes, há coisas piores.

Abobrinha disse...

Eu Mesma

Indignada é uma coisa, mas eu estava (e estou) mesmo é em negação: não pode ter acontecido...

Abobrinha disse...

Ni

Só esse? Se fosse só esse ainda era naquela.

Abobrinha disse...

VCosta

A nível de cidadãos não concordo: cada vez o pessoal conversa mais, mesmo porque cada vez tem mais meios para o fazer.

Quanto a muros, não preciso: vivo no último andar e não tenho praticamente barreiras à frente de minha casa. Mas se tivesse uma vivenda poria muros (a não ser que não tivesse ninguém à minha frente), para que ninguém olhasse para dentro de minha casa.

Abobrinha disse...

JP

Isto vai soar extremamente racista e preconceituoso, mas eu nunca disse que não era uma coisa nem outra (só sou menos que a maioria): os outros muros estão longe e os raciais não os sinto muito porque vivo numa comunidade quase só de brancos. A realidade é essa: a Alemanha é-me mais próxima que esses muros todos.

Dito isto, sou sensível a todos os que falas, alguns muito intensamente, mas não com a proximidade do muro de Berlim. E mesmo porque a separação das duas partes foi algo de... estranho! E não sei explicar porquê, mas sempre gostei da Alemanha.

Os muros não são para derrubar: são para ir derrubando. Sendo que há 20 anos ter telejornais cheios de gente feliz soube muito bem!

Abobrinha disse...

Storyteller

Esse muro no Rio é para meninos: o que é giro é passar os indesejáveis a fio de navalha a tempo para os Jogos Olímpicos. Isso é que é!

Abobrinha disse...

Blonde

Pois, eu li as histórias no teu blogue. A acrescentar às que ouvi em Berlim e tinha lido já e visto na televisão... e continuo a não acreditar que isto tenha MESMO acontecido!

Abobrinha disse...

Inwhitelight

Por isso é que não gosto de História: acabo por não entender nada à mesma!

Abobrinha disse...

Pamat

O Expresso tinha uma lista de muros no site, mas já não sei onde está. Isso da Índia e do Paquistão... o muro não é de todo o maior problema deles! Mas é o que digo: é mais longe e menos familiar. Pelo menos até o nosso mundo ficar mais pequeno porque conhecemos pessoas de vários países do mundo e quando acontece uma catástrofe conseguimos pensar no destino de alguém que conhecemos.

Mas, apesar de tudo (e não gostando de História), acho que vivemos num mundo melhor que há uns anos.

Abobrinha disse...

Francis

Eu sei! Já viste que o Benfica já desaprendeu a golear e ainda falta um monte de tempo para o Natal? Isso sim, é uma tragédia!

Caranguejo disse...

Pois isso é tudo muito bonito ainda bem que caiu e bla bla bla. Mas e os outros que ainda hoje se constroem esses ninguém quer saber em derrubar porque será?
O principal muro a derrubar é o da mentalidade para que assim a liberdade pura e dura chegue a todos os povos coisa que querida Abo. está muito...muito longe de acontecer.


Bolasm que hoje estou um bocado rabugento :)

Chinook disse...

Pois é, mas os muros continuam a surgir com uma velocidade estonteante: ISRAEL; EUA-México; ...

Os muros que cada um tem e constrói acabam por influenciar os muros que cada grupo faz e assim sucessivamente.

Era bom que os autoinfligidos se pudessem derrubar facilmente pois só assim os outros teriam alguma hipótese de irem no mesmo caminho...

Kisses

Pamat disse...

Abobrinha não é o Paquistão é o Bangladesh, que como deve sabe(s) é também mulçumano;).

É mais facil de contruir um muro com este pais do que com o Paquistão por causa da orografia do terreno, por isso mete-se canhões.

Abobrinha disse...

Caranguejo

O próprio facto de tu conheceres e te preocupares com pessoas que vivem num universo diferente do teu (apesar de partilharmos o mesmo mundo) implica que os muros estão mais baixinhos. Agora eu nunca disse que este mundo estava perfeito. E também não disse que não demorava.

Abobrinha disse...

Chinook

É o que eu digo: são mais longe, menos familiares. Mas sim, eu sei que estão lá. Mas nós sabemos que lá estão e protestamos.

Contudo este muro foi diferente porque separou o que era o mesmo país e era um símbolo de separação física entre dois blocos políticos tão miscíveis como a água e o azeite. O único que me ocorre que separe semelhantes é o que separa a "cidade" da favela no Brasil... e daí, nesse caso são os pobres de um lado e os "normais" do outro, ou seja, não são bem o mesmo povo...

Abobrinha disse...

Pamat

No meio de tanto muro confundi-me. E conheci um moço do Bangladesh, embora não tivesse conversado muitas vezes com ele. Na realidade, depois de ler o tal artigo do Expresso fiquei mesmo surpreendida com a quantidade de muros que há por esse mundo fora... e ainda dizem que a construção civil está em crise!

Chinook disse...

minha querida, em termos raciais, judeus e palestinianos são exactamente a mesma raça (a definição é parva na medida que não existe variabilidade suficiente em termos genéticos na raça humana para separar tipos), mas no caso em questão eles são geneticamente idênticos...
mexicanos e americanos da Califórnia (quando a Califórnia tem mais latinos que caucasianos) são, hoje em dia, o mesmo povo...
o primeiro caso é política e água e azeite...
o segundo caso é pobres e pobres e não os juntar...
e posso citar o Chipre (sempre é mais próximo) e tantos outros...
portanto não sei não...