domingo, 8 de fevereiro de 2009

"O meu filho não gosta de estar preso com o cinto"

Na minha experiência como cidadã e tia tenho arrancado cabelos e resistido à vontade de esbofetear pais por deixarem crianças soltas no banco de trás. O filho "não gosta" de estar preso com o cinto. E depois, "é só para ir ali". Também resisti hoje à tentação de esbofetear um pai que por pouco (e por estupidez) quase deixou o filho fugir para a estrada (apanhou-o mesmo no limite), onde passavam muitos carros. Não se safou de uma boca, mas acho que nem ouviu.

Hoje, na auto-estrada (a caminho de uma saída à noite), comecei por ver um fuminho. Pensei que alguém tinha o carro a precisar de ir à oficina, mas demorei 2 segundos a ligar os quatro piscas e aperceber-me que oficina nenhuma quereria aquele carro: tinha acabado de capotar e embater contra o separador central e alguém estava a sair de lá a custo.

Fui a terceira pessoa a parar e agarrei no telemóvel para chamar o 112. Entretanto várias pessoas pararam, estava a mãe cheia de sangue (cortes superficiais, parece-me) com duas crianças ao colo e várias pessoas forçavam a porta do carro para tirar o condutor que eu pensei estar ferido. Não estava, pelo menos que se visse.

Olhei para as crianças, que a mãe agarrava como se se agarrasse à vida. E se agarravam a ela do mesmo modo, o que até era verdade. Não tinham um arranhão! Não sei como é que aquela mãe as arrancou do carro às avessas, mas também não interessa: estavam inteiras, só com pingos do sangue da mãe! Os pais daquelas crianças não tiveram pressa de sair de casa e não cederam à tentação fácil do "o meu filho não gosta de estar preso com o cinto". Os pais, que espatifaram o carro para além de qualquer reparação, tinham salvo as suas crianças. E foi muito fácil!

Estabilizei a menina de 4 aninhos que gritava descontrolada, convenci-a de que a mamã estava bem (e o melhor é que era mais verdade que mentira piedosa) e de que os senhores da ambulância é que iam limpar o sangue da mamã, porque era assim que se fazia. Entretanto outra senhora chegou-lhe o casaco de um filho porque ela estava com frio e ficou com ela enquanto a mãe desmaiava por causa mais do choque que do ferimento. Quando vi que estava a mais, fui-me embora. Dizendo ao pai "isto nem correu muito mal".

No geral, foi um acidente sem consequências: umas nódoas negras, uns cortezitos, um susto e um carro para o lixo. Carros há muitos! Mas não aconteceu nada às crianças, que são únicas e insubstituíveis! E não creio que o seguro pague crianças. Já carros, paga.

A história seria inteiramente diferente se as crianças não tivessem cadeirinha, por isso POR FAVOR, coloquem sempre as crianças correctamente na cadeirinha em TODAS as viagens que façam! Os acidentes acontecem e não precisam de ser tragédias! Não precisam mesmo! Este não foi: foi mesmo só um miserável acidente! E eles acontecem!

14 comentários:

leandroribeiro disse...

A29?

Abobrinha disse...

Yup! Também viste?

Boop disse...

Pois é.
Eu nunca percebi porque é que há sequer a opção de não levar o cinto!
Tem de ser e pronto!
Há coisas que não são discutiveis!
Os meus só têm autorização para tirar o cinto quando desligo o motor!

NI disse...

Confesso que nesta matéria sou mais intransigente que tu. Porque se há coisa que não entendo é a estupidez humana.

Não concebo, por exemplo, que no Verão alguns pais achem piada em ter os filhos de 5-6 anos atrás, em pé, de cabelos ao vento.

É como a Boop afirma: "Há coisas que não são discutíveis". Tão simples quanto isto.

Nota - No dia em a A29 não iver um acidente é um milagre.

inwhitelight disse...

às vezes o facilitar só complica. E não é só com as crianças. O cinto é obrigatório e prronto!

Eu mesma! disse...

bem..... what a night!

tadinhas das crianças mas realmente ainda bem que os pais delas eram conscenciosos.....

ninguem gosta de estar com o cinto atrás... eu propria sinto o mesmo.... mas realmente existem pequenos detalhes que fazem a diferença e cinto.... é um deles....

Salto-Alto disse...

É bem verdade, a mim também me irrita gente que ou não pensa nas consequências ou pura e simplesmente confia que o pior não acontece porque só acontece aos outros! É mesmo pura idiotice!
Beijocas e bom fim-de-semana!

leandroribeiro disse...

Mais que ver: no sentido contrário ao do acidente os carros desataram a abrandar. Comentei que este "abrandar" para espreitar o acidente do outro lado era uma estupidez provinciana: provoca engarrafamentos desnecessários e multiplica os acidentes. No exacto instante em que comentava isto a minha amiga, que ia a conduzir, é obrigada a levar o pé ao travão por causa dos idiotas da frente. O carro que vinha atrás de nós também devia estar distraído com o acidente do outro lado e não teve tempo de travar -bateu-nos por trás.

Hoje acordei com o pescoço dorido, mas fora isso ninguém se magoou.

Abobrinha disse...

Meninas

Pronto, não há discussão possível: cinto e cadeirinha. Sempre soube as consequências teoricamente, mas desta vez vi ao vivo e a cores (o que teria dispensado, sinceramente).

Aqueles pais também tiveram bom senso e não só não morreram (não acredito que tivessem saído de lá com saúde sem cinto) com não mataram os filhos. Como eu disse, foi só um acidente e não uma tragédia.

Considerando tudo, foi uma boa noite.

Abobrinha disse...

Leandro

Não vi o acidente em sentido oposto porque na altura o trânsito nesse sentido nem tinha adensado sequer (do meu lado foi imediatamente, porque se bloqueou uma faixa). Mas é a tal coisa: ninguém se aleijou e o seguro vai pagando!

Ficas a saber que do lado do acidente aparatoso também não se passou grande coisa, graças ao bom senso do casal. Felizmente o pessoal que parou ajudou efectivamente, em vez de ficar só a olhar. E, como eu, quando repararam que estavam a mais, desapareceram para não estorvar.

Estou como a NI: dia em que naquela maldita auto-estrada não haja acidentes não é dia! E tenho visto cada um que não te passa! Sinceramente não sei o que causou este, porque o homem despistou-se sozinho e a estrada nem molhada estava.

Mas pronto, está tudo bem menos os carros. Podia ter sido bem pior!

Bruno disse...

Pergunto-me: como é que alguém, não sendo um Schumacher, um Löeb, um Tiago Monteiro, como é que alguém, não sendo um desses manfios do volante, consegue pôr um carro de pernas para o ar?

Será que o pessoal não tem cabeça para pensar que às vezes mais vale perder um minuto na vida? E será que não pensam duas vezes quando dão à chave e levam crianças dentro do carro? Anda muita gente a pensar muito pouco.

Gostei da pertinência e da frontalidade do texto.

Abobrinha disse...

Bruno

Bem, ao menos este pai para a próxima pensa duas vezes. E porquê? Porque pode! Porque a coisa não correu mal. Por isso escrevi este post: para quem se saiba que se salvaram 4 vidas com o cinto e a cadeirinha.

VCosta disse...

Infelizmente os azares batem à porta de todos, ou mehor, nos carros de todos...
Uso cinto regularmente, as vezes esqueço-me m..., regularmente uso e peço sempre ao povo que circula comigo p usar...
Na teoria, o uso do cinto, salva vidas, e é pela teoria que todos devemos seguir, pois são feitas a partir de probabilidade, e com crianças a bordo concordo convosco é essencial (embora sinta saudades daqueles passeios com os meus pais no banco de trás à "porrada" com o meu irmão pela conquista do lugar central (que é só o mais perigoso).
Quanto a acidentes, os carros são tão seguros e robustos e ao mm tempo tão fregéis, simplesmente acontecem!!!
Don't drink and drive, smoke and fly!!! ... afinal voar é bem mais seguro que andar de carro!!! hehehe

Abobrinha disse...

V

Não te esqueças nunca! Não vale a pena!

Nesse aspecto de robustez/fragilidade, os carros são um pouco como as pessoas...