quarta-feira, 30 de julho de 2008

Em Lisboa há mais convívio

O pessoal diz que Lisboa é muita confusão, muita gente e mais não sei quê. Pois se há grande densidade populacional é normal. Grande densidade populacional, como o nome indica, significa que há muita "populacional" por unidade de área. Como cada "populacional" só por si causa confusão, grande densidade populacional significa que haverá grande confusão por unidade de área. Se juntarmos a isto o facto de a área de Lisboa e grande Lisboa ser assim uma coisa já para o respeitável, então é uma festa!

E sabem que mais? Eu gosto de confusão! Gostava era que menos "populacionais" andassem de carro que era para eu estacionar mais à vontade, mas pronto, não se pode ter tudo! E depois, eu gosto de andar de transporte público!

Gosto particularmente do metro. Há quem diga que o metro do Porto é sóbrio e mais não sei quê, mas eu chego a pensar que é desconsolado, austero demais. Não tem estações tão bonitas como as de Lisboa, mas suponho que vem da sua juventude: há mais que tempo para enfeitar uma obra que é muito boa, funciona muito bem e é muito confortável. Claro que não tem a dimensão do de Lisboa, mas isso nem é bom nem mau: é assim mesmo e é adequado! De outro modo seria estupidamente megalómano e andaria às moscas. E há-de estender-se ao resto dos arredores sedentos de acessibilidades e de deixar de depender do automóvel (o que nem é grave porque o gasóleo está baratíssimo).

No metro encontra-se todo o tipo de pessoas. Pessoas prestáveis e carantonhas. Uma dessas pessoas prestáveis encontrei-a na estação da Alameda e deu-me muito jeito: fui atrás do rebanho quando mudei de estação e assaltou-me de repente a dúvida de se estaria no cais certo para ir para Baixa-Chiado. A senhora foi muito prestável e não só me disse que sim como me mostrou o mapa (o que não era preciso, mas foi uma querida). Ou seja, o próximo que me disser que os lisboetas são antipáticos e pouco prestáveis leva um murro nas trombas.

Tinha feito uma amiga! Depois apercebi-me como a amizade é uma coisa preciosa. Isto porque alguns (bastantes) membros do povo a quem o Silvio Berlusconni anda a tirar impressões digitais (aka ciganos) estavam do meu lado da carruagem e os que estavam no meio dirigiram-se a eles e a mim. Um deles dirigiu-me um grande sorriso. Mais amigos? Adoro mais amigos! Sou um animal social por natureza!

Acontece que eu sou muito aberta a novas amizades e tal, mas às vezes desconfio que algumas pessoas se aproximam de mim por interesse. E depois, se o rapazinho estava tão interessado em meter conversa comigo não se iria pôr atrás de mim, pois não? Claro que podia estar a tirar medidas ao meu rabo, mas eu também não gosto de amizades só baseadas no aspecto físico. Resumindo e baralhando: à cautela apertei a bolsa e a máquina fotográfica.

A minha amiga de há pouco fez-me um sinal como quem diz "tem cuidado". Ao que eu sorri e dei a entender "eu dei-me conta". O metro parou e eu fui para o meio da carruagem, deixando os meus novos amigos desiludidos. Não percebo porquê: às vezes temos que dar espaço aos amigos! Não podemos sufocá-los com a nossa presença e as nossas necessidades. Quer sejam de um carinho, de ajuda com problemas sentimentais, quer de uma Sony digital vermelha e com bolsa rígida e uma carteira com 50 e tal euros e cartões. Acho que adultos devem compreender estas coisas e não fazer cenas. Isto porque dois desses meus amigos tentaram ir de novo atrás de mim e uma delas dirigiu-me o que eu penso que eram palavras desagradáveis numa língua que não reconheci.

Ora se há coisa que eu detesto são amuados e acho falta de educação falar em "estrangeiro" quando o outro não compreende! Vai daí, sentei-me ao pé da minha primeira amiga, que estava quase a ter um colapso nervoso porque tinha visto os meus outros amigos a tentar abrir a bolsa de uma outra moça. Os meus agradecimentos ainda ao Metro, que me tinha avisado dos carteiristas. Ou seja, falsos amigos, amigos por interesse.

Moral da história: em Lisboa há muito mais convívio. Fui assaltada duas vezes no Porto no espaço de meio ano. Sempre por solitários, o que não me parece bem. Podia discorrer longamente sobre a solidão dar origem ao crime, mas obviamente os amigos do Berlusconi não tinham problemas desses, por isso não sei bem o que diga. De qualquer modo acho salutar o esforço, o trabalho de equipa que ali se desenvolveu. O trabalho de grupo é muito necessário. No meio escolar é sobretudo necessário para um ou dois coleguinhas se sentarem à sobra de outros, mas não vamos entrar nesses pormenores tristes e que agora não interessam nada. E de qualquer modo, anda meio mundo a roubar outro meio mundo, por isso não vejo o problema!

Só fiquei preocupada quando me disseram mais tarde que corri o risco de ser agredida e ninguém me acudir. Não por falta de interesse mas por receio de levar um tiro... isto é grave! Também é grave que eu tenha compreendido.

7 comentários:

rds disse...

LindinhA.. estavas vestidinha tipo "italiana" coisa e tal e chamastes com seu Visual estes amigos interessados em ti.

Joaquim Simões disse...

Consegues escrever isto tudo ou sequer "isto", às 9:42??!!
Quem és tu, oh! ser misterioso?

Joaninha disse...

Joaquim,

esqueceste-te de um pormenor, ela consegue escrever isto tudo, as 9:42 estando de férias.

Não é misteriosa é estranha mesmo ;)

Abobrinha,

Não leves a mal linda, mas estar a pé as 9:42 durante as férias é estranho...hihihihi

Blondewithaphd disse...

Interessante, o único sistema de metro onde eu alguma vez me perdi foi... Lisboa! O único sistema de metro onde quase fui assaltada (não tivera eu entalado o amigo meliante e queria ver como tinha sido) foi... Lisboa!
Enfim, choses de la vie!

Abobrinha disse...

Raiodesol

Tipo "italiana"? Mmmm... não sei. Os sapatos não eram italianos: eram portugueses, quase rasos porque foi um dia interessantíssimo em que caminhei de carago! Aliás, tenho caminhado muitíssimo, o que me faz bem à mente e aos espírito.

Os meus amigos estavam mesmo interessados na bolsa e na máquina. E eu não gosto que se interessem por mim pelo que eu valho em termos materiais. Sou uma mulher mais espiritual (a minha máquina fotográfica e a minha carteira são espirituais mas só para mim).

Abobrinha disse...

Joaquim e Joaninha

Eu não tenho culpa de a luz por estes lados ser tão intensa que acordo quando está já forte. E depois, tenho-me deitado entre a meia-noite e a uma da manhã! Só um dia destes é que de facto acordei aí às 8 para depois me rebolar para o lado e voltar a acordar às 10 porque me tinha deitado "cedo"... às 4 da madrugada é cedo, não é?

Abobrinha disse...

Blonde

Eu sou muito mais avançada: sou capaz de me perder em qualquer lado. Não és capaz de me imitar: é um talento muito próprio e o sentido de orientação de uma galinha. Estupidamente só fui assaltada no Porto. Possivelmente por ter baixado a guarda, por causa do hábito.