quinta-feira, 19 de junho de 2008

Como eu ontem molhei as calças, não me importo muito que se saiba e até mostro no blogue

Ontem depois do trabalho fui a Espinho à praia. Porquê? Porque podia e me apetecia! Não tinha ninguém à minha espera, não tinha compromissos a essa hora e não me estava a apetecer ir ao ginásio. Estava inteiramente livre. Livre para ir mais para cima, um pedaço mais para baixo, para o interior se quisesse.

Claro que também estava inteiramente livre para me enfiar pelo mar adentro sem que ninguém se desse sequer conta tão cedo. Não haveria muita gente que me sentisse a falta e não passaria de uma nota de rodapé na vida de todos. É o destino de muita gente não passar de uma nota de rodapé na vida dos outros (ou menos), mas se se vai pensar assim quando tal as praias mais parecem o garrafão da ponte 25 de Abril em hora de ponta, para o pessoal se atirar ao mar. Se bem que eu ainda não tenha percebido porque é que tem um garrafão numa ponte, sobretudo quando o pessoal bêbedo pode cair da ponte abaixo com mais facilidade.

Não sou regra geral mulher de mar, sou mais de rio, de mato e de serra. O ruído do mar não me acalma. A dada altura, quando andei no Reiki (long story...), disseram-me para ir para o pé do mar meditar. Ao fim de 5 minutos vim-me embora porque estava a ficar nervosa com o “basqueiro” do mar a bater contra as rochas. Não sou grande coisa a meditar. E desisti do Reiki. Mas de vez em quando gosto e aprecio o vento a soprar-me nas trombas, a pôr-me o cabelo em desalinho e o cheirinho a sal.

Não tenho grandes momentos mágicos na praia. Com excepção de quando eu e uns amigos no 11º ano planeamos passar a noite na praia para ver o nascer do sol. Para passado 1 hora ganharmos juízo porque estava um frio de morrer e fomos para casa onde estava quentinho e conversamos a noite toda.

Mas tenho um momento mágico ao pé do rio. Um momento em que o tempo parecia suspenso enquanto eu ouvia o rio correr e o telemóvel toca e era quem eu queria que estivese ao pé de mim. Naturalmente a magia seria maior se a presença não fosse só com um romântico "pi-pi", de aviso de mensagem, mas cada qual é o que merece. Mas foi real e foi mágico. Mas já passou.



O plano inicial era fazer a minha caminhada no passadiço de madeira que vai de Espinho até Valadares e substituir assim a hora e tal de ginásio a que me tinha baldado, mas depois olhei para uns meninos a jogar vólei na praia e apeteceu-me meter os pés na areia. Que não tenha reparado se eles eram assediáveis indicia que estou em baixo de forma.



Tirei os sapatos e caminhei em direção à rebentação. Lá está, não aprecio a areia seca por aí além, mas estava a saber-me bem. Gosto declaradamente da areia molhada e firme e da sensação de massagem nos pés. E de olhar para a sombra e ter a ilusão que tenho as pernas tão compridas.



Nessa altura arregacei as calças e deixei que as ondas me viessem molhar os pés e os tornozelos. E foi aqui que molhei as calças, como é óbvio: uma onda mais atrevida e menos bem calculada “chapiscou” o rolinho que tão cuidadosamente tinha feito para cima. Mas não faz mal: nem sempre é mau que uma mulher esteja molhada. Pelo menos é o que diz a Cosmopolitan, mas eu ainda não entendi muito bem o que é que isso quer dizer.



E caminhei na direção em que caminharia no passadiço. A praia só para mim. Uma espécie de SPA privativo à vista de toda a gente. Fui e vim, a tirar fotografias a mim e só ao acaso. Fui e voltei depois de uma caminhada relativamente longa, sempre de casaco vestido porque estava já frio.

Apetecia-me entrar no mar, que estava sereninho. Claro que entraria para sair. Mas como o mar no Norte é muito forte, não tinha quem me acudisse em caso de dificuldade e eu não tenho intenções suicidas, deixei-me estar onde estava. E depois, não tinha fato de banho, por isso as opções seriam toda vestida ou de cuecas. Nenhuma das quais me agradava por aí além. Mas aceita-se piadas acerca da espuma das ondas que me banhavam os pés.

O sol passou de dourado e intenso a laranja, até que se extinguiu. Sentei-me a observar essa passagem e tirei fotografias que sei perfeitamente que não são de todo fieis ao momento, porque são é precisas técnicas especiais para fotografar o sol. Mas é o que há e nem ficou muito mau. As fotografias que tirei de mim com a luz certa têm uma cor dourada que gosto, mas essas não as ponho aqui. Também não ficaram muito bem, por isso não punha na mesma.

Fiquei na praia até ser praticamente noite. E já sei qual vai ser o ginásio improvisado meu ponto G fechar para férias. Só não vou nadar: a mensalidade daquela piscina grande deve ser caríssima!

Voltei para casa com os pés frios, cheios de areia e com aquele formigueiro característico de ter andano na areia. De novo apeteceu-me chorar, mas consegui afastar esse sentimento. Mais uma vez.



Nota: Não tive nada que ver com isto!

18 comentários:

annita disse...

Não a estou a reconhecer ... que história é essa de agora andar sempre c/ a lágrima no olho? Chorar até pode fazer bem e não há dúvida que alevia o espirito ... mas toca a animar, tá? Há que pensar nas coisas boas da vida, rir, sonhar, amar, etc.,etc. Força Amiga!

Anónimo disse...

Até me enganei a escrever "alivia" ... bj

Joaninha disse...

Abobrinha,

As praias do norte são as melhores para esses passeios, a areia é mais grossa sustenta melhor e o mar é mais bravo faz mais barulho. O que é bom para calar aqueles outros barulhos que não interessam nem ao menino Jesus.
As fotografias estão lindas

Abobrinha disse...

Annita

Andar com a lágrima no canto do olho pode ser só sinal de sensibilidade. Ou melancolia. Melancolia não é o mesmo que tristeza.

Um passeio à beira-mar sozinha é melancólico por natureza. Acompanhada seria romântico.

rds disse...

rsrsrrsrsrsrs, que lindas fotos!

Nuno Coelho disse...

"Um passeio à beira-mar sozinha é melancólico por natureza. Acompanhada seria romântico"

E quando já não se tem a certeza de distinguir bem uma coisa da outra, escrevem-se posts no blog. Ou escrevem-se comentários nos posts. Não ligues, acho que hoje também estou melancólico. Ou então romântico. Se é que há diferença.

Um aplauso pela esforçada tentativa de introduzir alguma badalhoquice no texto. Não resultou, é claro, mas foi só porque não podia resultar. Este texto é sobre outra coisa, e é bastante melancólico. E romântico.

É tão diferente dos outros, aliás, que se torna necessário algum esforço para ver com nitidez que a autora, a mão por trás das palavras, é precisamente a mesma. Refiro-me, evidentemente, à autora dos outros.

Parabéns pelo texto, e obrigado por teres aqui colocado essa bela nesga de retrato (é claro que não estou a falar dos bonecos).

Abobrinha disse...

Joaninha

Os outros barulhos podem afastar-se mas é só por um tempo. Eles acabam por voltar. É bom às vezes silenciá-los só por um bocadinho para poder respirar um pouco, mas é mesmo só temporário. Os ruídos enfrentam-se. Mas não pode ser tudo de uma vez.

Abobrinha disse...

Nuno

Este post é um pouco uma manta de retalhos. Porque foi assim o passeio em termos de sentimentos.

Não creio que a melancolia seja tristeza. O romantismo pode ser melancólico, mas o facto é que eu estava sozinha, o que invalida o romantismo. E senti-me sozinha, claro! Como podia eu não sentir? Eu sinto muito fortemente as coisas. Demais. Daria posts enormes, mas consumir-me-iam, expor-me-iam e a outros (o que não está certo).

E para quê? Para qualquer voyerismo de leitores que não conheço (e alguns não quero conhecer), quando não revelo o que sinto a muita gente muito mais próxima. Por vezes nem a mim.

Não vejo grande heroísmo no sofrer. E no entanto sofro e o meu sofrimento consome-me e não consigo fazer as coisas de outra forma. A isto chama-se não fazer sentido. MAs sinto tudo o resto com a mesma intensidade.

Contudo senti-me bem nesta voltinha pela praia. Brinquei com a água, com a areia e com o vento. Não brinquei mais porque estava relativamente frio e não estava vestida para poder brincar e sujar-me. Senti-me tão bem que vou repetir a brincadeira de novo noutra altura. E eu não sou de praia. Ou então não sou das multidões da praia e do sol forte que dá escaldões e manchas na pele. Mas gosto da areia molhada debaixo dos pés e todas as outras melancolias que aqui escrevi.

Mas obrigada pelo comentário.

Abobrinha disse...

O que eu não acho normal é que ninguém tenha dito qualquer coisa como "pensei que tinhas feito chichi nas calças"!!

Karin disse...

Adoro passear na praia e já tomei banho no inverno (de quecas e camisola interior) e no verão (nua).
Para a próxima vez não tenhas problemas: dá um mergulho sempre que te apetecer, nua ou não, garanto-te que faz bem à alma. E se fores nua, fazes bem não só à tua como à alma dos outros.:)
bjs

Abobrinha disse...

Karin

Quando eu disse que não tinha instintos suicidas queria dizer isso mesmo! É que nas praias aqui por cima o mar é muito bravo e eu corria sérios riscos de ficar lá mesmo e só darem conta da minha falta ao outro dia. Não estava mesmo a ser dramática, mas só a proteger a minha integridade física. DIto isto, também não seria suposto eu passear numa praia absolutamente sozinha, mas eu estou a escolher os medos que devo calar.

Por acaso depois lembrei-me que tinha ainda no carro o bikini que tinha comprado no dia anterior. Mas ir tomar banho de roupa "anterior" ou menos... não tenho à-vontade para isso! E sou velha demais para mudar. E àquela hora estava frio para essas acrobacias.

Karin disse...

Abobrinha,
no que concerne a segurança, tens toda a razão. Quando dei esses mergulhos não estava de facto sózinha.
Mas quanto ao seres velha demais para mudar, vai-te lixar! Para já, não és velha, e depois, uma pessoa como tu tem sempre a capacidade de mudar.
bjs

Abobrinha disse...

Karin

Sou velha demais para umas coisas e nova demais para outras. Mas não tenho 20 aninhos nem ilusões de que os tenho. Para o bem e para o mal.

Quanto ao assunto do skinny dipping... tenho vergonha...

O que me recorda a minha visita a Berlim há uns anos para fazer um curso no Goethe. O professor pergunta ao pessoal o que tinham feito no fim de semana e um italiano diz que foi a um lago tomar um banhinho.

O professor começou a puxar por ele a perguntar se ele tinha achado algo estranho ou fora de vulgar no sítio. Ninguém estava a entender até que o italiano fica de todas as cores e diz com uma vozinha sumida "eles estavam todos nús... famílias inteiras. Só eu é que tinha fato de banho". Há que reconhecer que é prático...

Joaninha disse...

Karin,

Bem mandado sim senhora :)

Requiem disse...

pensei que tinhas feito chichi nas calças!!!!! :P :P :P :P :P

Abobrinha disse...

Requiem

Agora já é tarde. MAs pronto, fica a intenção.

Abobrinha disse...

Karin

Por falar em intenção, reparaste que escreveste que tomaste banho "de quecas e camisola interior". O que é que andaste a fazer na praia, mulher?

Gipsy Queen disse...

Só tenho a dizer (tarde e a más horas, eu sei!) que acho indecente estares a mostrar assim a minha praia como se não houvesse amanhã e a deixares aqui a ciganita roidinha de "inbeija"! Eu definitivamente não sou uma mulher de praia, mas morar em frente ao mar tem definitivamente as suas vantagens! Uma delas é poder ir descarregar emoções para lá, ao fim da tarde, quando já voltou tudo pa casa! :) Estou mesmo a precisar...