sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Abobrinha também é cultura

Ora isto não é um paradoxo??





Se é proibida a afixação, não devia incluir este aviso??? Ou sou eu que não tenho mais em que pensar??

12 comentários:

Nuno Coelho disse...

Cara abóbora,

Concordo, em absoluto, com a abolição da auto-referência. Abaixo as frases como "todas as generalizações são abusivas, incluindo esta", mate-se o barbeiro que faz a barba a toda a gente, menos aos que se barbeiam a si próprios, rasgue-se a folha cujas duas faces dizem "veja do outro lado", e, acima de tudo, morte aos cartazes de "proibida a afixação".

Respondendo seriamente à tua pergunta, trata-se apenas da ejaculação de um cretino. Mas, considerando que o porto fica bem dentro do território naconal, e que já tens um pouco mais de 16 anos, certamente que não te estou a dar qualquer novidade. No entanto, tu perguntaste..

Hors-concours, gostaria de te dizer que simpatizo bastante contigo. Não me levas isso a mal?

Abobrinha disse...

Olá Nuno

Mas simpatizas comigo por eu estar sempre a debitar badalhoquices ou pela maneira como eu me safo delas? Qualquer das respostas é boa, incluindo achar piada à abóbora no blogue. Como o meu Guru Jorge Fiel, sou sensível à bajulação, mas também não tenho problemas nenhuns em que me defrontem. Levar a mal? I'm a people person!

Ao contrário de algumas pessoas, que fazem o possível por serem desagradáveis, eu tento que gostem de mim, sem desistir de ser como sou (isso nem é opção). Nem sempre funciona, mas isso é porque há gente que tem muito mau feitio.

Excepção: reuniões de condomínio. Aí cheguei ao ponto de fazer o possível por irritar algumas pessoas. Consegui mesmo que um deixasse de ir às reuniões, o que nem foi bom nem mau, muito pelo contrário (outro meio paradoxo). Objectivo: irritar o administrador ao ponto de ele se pôr a andar! Não está fácil! Está mais para eu me pôr a andar de lá. Mas isso é outra história!

Tenho um niquinho mais de 16 anos: tenho 33, mas às vezes sou da idade da minha sobrinha (6)... ou menos! Até ela já se deu conta, mas isso é porque é inteligentíssima e uma querida! Acho piada ao ano que me calhou nascer: 1974... e nasci dias depois da revolução!

Mas isto não é no Porto: é em Espinho, que é o equivalente do deserto aí de Lisboa. Ou seja, margem sul! Será o equivalente à Costa da Caparica, mas mais antiga. E com um vento medonho, que chega a ser desagradável.

Vai aparecendo!

Krippmeister disse...

Mas olha que afixar uma placa a proíbia a afixação é muito zen. Com um toque de sabedoria popular do género de "só sentimos falta de alguma coisa quando não a temos" (parece-me óbvio.

1974, um excelente ano para se nascer.

rds disse...

Claro que é cultura , acabei de ler que, Cultura no sentido restrito, referente à produção de arte e outras manifestações culturais, a cultura é uma forma de expressão que atrai pessoas por um tipo específico de produção, ou de possibilidade de acesso a ela.
Mas será que neste muro, ou parede não poderia existir um grafite?!para alegrar.
que lugar esquisito.

Abobrinha disse...

Herr Krippmeister

Se eu disser que o facto de termos ambos nascido em 1974 torna esse ano um ano vintage, soo muito convencida? Outra questão: e por acaso eu quero saber que me considerem convencida?

Olhem, não sei se discordo ou concordo com os "afixação proibida". Lembram-se da foto do Alvim a sodomizar a girafa? Era de um cartaz que foi afixado nas colunas de um edifício! E como aquele, havia mais! O condomínio daquele edifício deve ser ainda pior que o meu (mas se me pagarem, posso "dinamizar" as reuniões).

Tenho que dizer que aquela plaquinha de proibição é antiquíssima. Um dia destes mostro uma (essa sim, no Porto), com a grafia antiga (prohibido). E que proibir... adianta muito, realmente!

Abobrinha disse...

Raiodesol

Isso da cultura conversamos amanhã, com o meu post sobre a exposição em Serralves. Mas estou convencida que o carnaval e as caras feias que eu fiz à volta do meu desagrado com a exposição eram mais cultura que um radiador a óleo colocado na parte de fora da Casa de Serralves. Esqueci-me foi do nome da obra, mas concluí que a minha sobrinha sabe apreciar arte: não gostou daquilo e achou aquilo uma patetice!

Eu só pensava: será a isto que o Herr Krippmeister chama conceptual ou será mesmo só burrice??

rds disse...

Mas não gosta de Grafite?

Abobrinha disse...

Raiodesol

Grafite é bom. Carvão não é pior como material, mas não dá jeitinho nenhum para escrever. Contudo, o Herr Krippmeister é capaz de argumentar que o carvão desta ou daquela marca são excelentes para desenhar e tal.

Em termos de material, não gosto de diamante (outra forma de carbono puro), porque é um bocado insípido em termos de cor: a vida é a cores! Mas não me importo nada das "folhas de couve roxa" (aka notas de 500 euros) que me pode render um diamante. Embora não dê mesmo jeitinho nenhum para escrever, dá para comprar muuuuuuuuuuuito material de escrita, por isso faz bem as vezes.

Pessoalmente prefiro outras pedras preciosas e semi-preciosas. Tenho a minha preferência por granadas (as pedras côr de vinho, não aquelas coisas que fazem "pum" e deixam o chão vermelho fluido), águas-marinhas e esmeraldas. É natural que goste de outras, mas a minha ignorância em calhaus é muito vasta (conheço um par deles de 2 patas que pagaria para não conhecer).

Aquela parede pode ter sido riscada com grafite, mas estou convencida que é mesmo a passagem do tempo, a proximidade do mar, o trânsito e a falta de uma pinturinha de vez em quando.

Quanto a grafittis, não gosto que se vantalizem paredes, particularmente quando são no meu prédio e são palavrões. E sou eu a pagar a porra da pintura! Há uns valentes posts, mostrei grafittis a que achei piada (mormente porque não são na MINHA parede), mas... nem tudo é arte!

Nuno Coelho disse...

Bem, sabes que simpatizar é assim um bocado como amar, não dá para exigir razões. Não deixo todavia de as ter, e desvendo-tas com inteira franqueza: simpatizo contigo, por seres como és. E, para além disso, porque sim.

Dado que ergueste o teu blog sob a égide da badalhoquice, é imperativo furtar-me às más interpretações, pelo que passo a explicar-me: gosto de uma pessoa que consegue fingir-se badalhoca quando fala de coisas sérias, sem se privar de, vez por outra, ocultar a sua badalhoquice sob uma fingida seriedade. Não contesto que é complicado, mas é coisa que em nada diminui a minha simpatia. Eu sou tão guloso na vida como na comida, e gosto das pessoas como dos bolos: com muitas camadas.

Comecei por te ler com alguma condescendência, tomando-te prima facies, mas hoje reconheço em ti uma pessoa muito interessante. Pode parecer um pouco seco, dito assim, uma pessoa interessante, por isso vou dizer-to em alentejano, que é uma língua mais calorosa: gosto de ti, porra.

Isto é um comentário inócuo, que apenas nasceu da necessidade de justificar um comentário anterior, e que, a ter uma motivação, tem apenas a de te oferecer a minha amizade. Não porque pense que os teus 33 anos ainda compram banha da cobra, não porque alimente segundas intenções a respeito da tua proclamada badalhoquice, mas apenas porque me pareces uma pessoa de quem, tudo considerado, eu gostaria de me considerar amigo. A proposta não é inocente, confesso que gostaria que o sentimento fosse recíproco.

Já falei de mais (todos temos os nosso defeitos, e esse é o meu), pelo que fico por aqui, e me subscrevo,

Com amizade,

Nuno Coelho.

Abobrinha disse...

Olá Nuno

Falar demais??? Eu não falo demais: sou uma matraca autêntica, por isso estás em casa, filho! Se até o Jorge Fiel reconhece isso, deve ser verdade!

Também temos outra coisa em comum: não preciso 3 cópias do "currículum vitae", certificados de habilitações (devolvo o original depois), 2 cartas de referência de duas pessoas idóneas (dá-se preferência a pessoas registadas no clube de amigos, mas por vezes há promoções) e por aí adiante para considerar alguém amigo. "Porque sim" costuma chegar e é um excelente critério!

Também gosto de pessoas com muitas camadas (ou por outra, não gosto tanto de pessoas só com uma, mas não é por aí que o gato vai às filhoses). Quanto aos bolos, já tenho que evitar: fui feita para sobreviver a fomes e não há nenhuma prevista para breve (ainda bem). Assim sendo, gasto calorias como posso ou como me deixam... if you know what I mean!

Só queria que voltasses à condescendência por 5 segundos: tenho uma porrada de primos, mas nenhum facies (acho eu, mas não juro). Claro que podia sempre ir ver ao diccionário, mas isso não tinha metade da piada!

Krippmeister disse...

Estranho é a colocação da plaquinha... Tá muito alta e refundida lá em cima. Se tivesse no meio da parede desencorajava mais eficazmente a afixação, por outro lado é como a abobrinha diz, colocar uma placa no meio duma parede para ninguêm afixar merdas nessa mesma parede derrota um bocado o propósito da placa.

"Se eu disser que o facto de termos ambos nascido em 1974 torna esse ano um ano vintage, soo muito convencida?"
74 foi o melhor ano para se nascer, basta ver por nós, duas excelentes espécimes representativas do culminar de milhões de anos de evolução humana.

"Eu só pensava: será a isto que o Herr Krippmeister chama conceptual ou será mesmo só burrice??"
Os "artistas" que fazem guito a vender essas merdas não têm nada de burro.
Acho que o mundo da arte é 75% charada. Grande parte da arte que se produz é merda, e grande parte da malta que compre essa merda finge que é genial para ganhar guito a revender a merda, ou ganhar estatuto por ter a merda na parede da sala.
Saem todos a ganhar com a charada menos a arte em si.

Abobrinha disse...

Herr Krippmeister

Uma revelação bombástica: inspirada pela exposição de Serralves decidi que o meu próximo post vai ser arte na vertente sintética e animal. A vida e a morte do objecto transformado em artista. Depois penso melhor no assunto, que tenho que ir andando.

Xau!