sexta-feira, 28 de março de 2008

Como eu a dada altura me envolvi na prática do 69 com as Finanças e quase apanhei tampa

E o que é mais extraordinário é que é absolutamente verdade! O que não deixa de ser uma prática sexual bizarra para se ter com as Finanças, já que o mais comum é mesmo ser enrabado! Para falar em bom português, sem mariquices de politicamente correcto e de acordo ortográfico.

O Jorge Fiel debruçou-se recentemente (se bem que o acto não seja bem o de debruçar) sobre a problemática do 69. Eu não quis ficar atrás! Mesmo porque se eu ficar atrás do Jorge Fiel e ele não se debruçar, não se vê nada porque ele é menino para 1.80 e pouco e eu só com saltos de 10 cm é que chego ao 1.70 m! E olhem que, ao contrário do que dizem as más línguas, 10 cm é muito, desde que se seja competente com o que se tem!

Claro que eu tenho a inspiração para estes posts (que não interessam a ninguém) nos sítios mais improváveis. E desta vez não foi excepção!

Dirigi-me eu outro dia a uma repartição pública na Loja de Cidadão no Porto para tratar de um assunto que tinha que ser tratado sem mais demoras e para o qual tinha tirado um dia de férias. Cheguei cedo: 11:30 h é cedo (no Brasil, por exemplo, ainda são aí umas 7:30 h na boa a essa hora!). Tirei senha e... reparei que tinha o número 247! O que não seria grave se a essa hora não estivesse a ser atendido o 55!

Suspiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiro! Mas que dia tão longo! O que fazer? Bem, inventar! O que é que há na loja do cidadão? Estranhamente há muito sítio onde gastar dinheiro mas não há lojas, o que torna o nome "Loja do Cidadão" algo parvo e mesmo publicidade enganosa.

Estou em condições de garantir que o IVA podia baixar aí para 10% se se concedesse o direito de exploração de umas tabancas ali dentro ao Belmiro de Azevedo (ou a mim, por exemplo, juntamente com uns empréstimos a fundo perdido). É que o tédio é tanto que eu seria capaz de comprar qualquer coisa só para ter o que fazer. E porque não um duty-free, como nos aeroportos nos tempos em que havia mesmo lojas em condições nos aeroportos?

Pois já que não havia lojas, eu tive a brilhante ideia de ir fazendo qualquer coisinha, já que estava lá e estava mesmo. Ainda com a ilusão que ia ser uma rapidinha (e sabendo vocês que eu não me dou muito bem com rapidinhas), decidi correr as várias "lojas" e ver a quem é que estava caloteira. Tirei várias senhas e fiquei com um olho no burro e outro no cigano. Burros vi muitos (se eu tivesse um espelho na altura acrescentava ainda mais um à lista) e ciganos também, por isso foi complicado e eu tive que apertar a carteira.

Como é óbvio, o 69 com as Finanças foi o número da senha que me calhou, como podem ver na fotografia abaixo. Abaixo podem também ver a coleção que fiz de senhas, incluindo o recibo do café. Não as usei todas, claro, e não se vê a famosa 247 porque não ma devolveram. O motivo porque quase apanhei tampa foi porque quando a senhora queria fazer o 69 comigo (leia-se: atender-me) o sistema informático tinha ido abaixo. Mas fui atendida mais tarde, ainda com o 69... quem gosta, gosta e não é um computador que o impede!!


Corri várias repartições, na ilusão de estar a fazer algo de útil. Paguei vários "calotes" e quase subornei a senhora da EDP para me dar uma 2ª via de uma factura que ainda não me tinha chegado às mãos. Estão a ver que não é todos os dias que se tem clientes destes, ansiosos por pagar coisas. O tédio é excelente para fazer as pessoas gastarem dinheiro! Aliás, parte do capitalismo actual assenta na base de que só nos parecemos sentir vivos quando compramos qualquer coisinha. Mas isso é conversa para outro dia.

Enfim, entre outras coisas tirei um passaporte de que não precisava! Toda descabelada, porque quando fui atendida (à segunda investida, porque tinha deixado passar a vez quando me distraí) já estava muito cansada. E também por causa do estranho interesse do Governo Civil no Porto nas minhas orelhas e interesse nenhum nos meus dentes. É que as instruções que tive para tirar a fotografia foi para caçar o cabelo atrás das orelhas, olhar para a câmara de modo a ver-se ambas as orelhas e sorrir de modo a não se ver os dentes! Bem... para uma fotografia a preto e branco parece-me muita mariquice! Mas não estou convencida de que essa não seja uma maneira encapotada de o governo não fazer os cidadãos repararem que o SNS não tem dentistas. Dito isto, a esta hora já era um pensamento muito profundo!

Entre outros eventos que envolveram andar de um lado para o outro sem fazer nada e tentar ler uma revista e umas coisas de trabalho que tinha na carteira (em vão, porque concentrar-me no meio daquilo era impossível) fui lá fora e senti pena dos fumadores. E olhem que em mim isso não é muito normal! É que fumar do lado de fora da torre das Antas (onde fica a Loja do Cidadão) não é para humanos, mas para sub-humanos ou pessoas com muito pouco juízo: com aquele vento, ir fumar lá fora só mesmo por degredo!

Fui atendida às 16:34 h... eu já quase a cair para o lado e a funcionária praticamente fresca e a atende-me a 1000 à hora. De onde se conclui que não podia ser humana, porque uma pessoa com aquela carga de trabalho e aquele barulho não podia humanamente estar assim! Mas olhem que enganava bem!

Um dia tão interessante, sem dúvida! A não repetir! Mas resolvi o assunto e escrevi ainda mais um post com muito pouco interesse e nenhuma carga badalhocal. O que é uma pequena vingança por os preclaros ainda não terem colocado uma única questão no consultório sexual.



NOTA: Como falei de tédio a dada altura, para enfatizar o tempo que gastei na Loja do Cidadão, posso ter dado a ideia de que não se trabalha lá ou não se trabalha bem. Não é o caso: trabalha-se e muito, mas a afluência de pessoas é absolutamente avassaladora. Aliás, os funcionários não só trabalham muito como são muito eficientes e diligentes: a preocupação de uma esgotadíssima funcionária a dada altura era reiniciar a distribuição de senhas para atender mais criaturas... e isto não é normal! Por isso a minha homenagem ao pessoal da Loja do Cidadão do Porto. São em regra muito bons, mas em algumas repartições são mais que isso: são heróis!

1 comentário:

leprechaun disse...

Finanças?! Tschhh... isso é conversa muito adulta, cá por mim só conheço esses sítios de ouvir falar... e chega!

Ora então temos a mesma altura, ó Sininho! Aliás, na floresta as fadas querem-se pequeninas, autênticas miniaturas ou bonsais... minimais!

Mas Loja do Cidadão aqui não há...

Rui leprechaun

(...só o bazar do Noddy... oh la la! :))