sábado, 15 de março de 2008

A verdadeira questão quando se discute direitos de autor

O Ludwig é um pândego! Tem andado a pôr a cabeça de muito boa gente em água com os direitos de autor, com uma série de argumentos (nem vou fazer a ligação a post nenhum, porque ele tem dezenas de posts sobre direitos de autor).

Entre outras coisas, diz o Ludwig que não sei o quê e que quem faz música e filmes deve ser pago à tarefa e não por direitos de autor que eternizam o pagamento. Os autores, actores e técnicos serão pagos em salários e não em suaves e eternas prestações, em função do visionamento e/ou compra de um CD ou DVD ou mp3. E do que eu fui falar! Os CDs e DVDs e ficheiros mp3 são só suportes físicos, não são a obra, que nem devia ser paga às prestações eternas. E não sei o quê com equações diferenciais que agora não interessa para o caso.

Até que recorreu à analogia do jardineiro e do agricultor e eu percebi que ele estava completamente equivocado! Equivocado porque não compreendeu o que vende um músico! O pândego do Ludwig acha seriamente que um músico vende um serviço, um pouco um jardineiro. E não um produto, como um agricultor. Pior: o Ludwig acha que o serviço que os músicos vendem é música e/ou cultura! Mas que engano, rapaz! A Abobrinha, com a lógica que lhe é própria (ou seja: nenhuma) vai provar que muitos músicos vendem produtos mais ou menos palpáveis e perecíveis. Um aviso antes de continuar: algumas imagens poderão provocar taquicardia por um motivo ou outro (mas isso não é necessariamente mau!).

O que vendem as Pussycat Dolls? Música? Não: PERNAS! Pernas desnudas! Um festival de pernas bamboleantes a fazer coisas indescritíveis com cadeiras e a causar aquecimento global (do que vale a pena, não do que dá tão ou mais cabo da neve que apendicites). As pussycat dolls conseguem ainda o feito extraordinário de pôr um mongo com cara de mongo e de nome de mongo (“snoop dog” de sua graça) a avaliar pernas de uma morenaça que faz parar o trânsito de mais perto do que é permitido pela lei de muitos países em que o decoro ainda é cultivado. Música? Sim? E o que é que isso interessa? Não me parece que o produto seja esse!






Patrocínio: vários ginásios + a fortuna que o Snoop Dog pagou para se roçar na Nicole.

O que vende o João Pedro Pais? Não sei! Não é pernas! Não é um rabo musculado e assediável. Não é uma voz decente. Não é certamente um conjunto de letras musicais com sentido. Eu não sei o que vende o João Pedro Pais, mas eu não compro! É música? Não creio! Só se alguém mudou a definição de música enquanto eu me ausentei.

Patrocínio: telenovelas fatelas

O que vende a Kylie Minogue? Muita coisa! A Kylie Minogue vende rabos protuberantes, beiços revistos e aumentados e a ideia de que uma mulher praticamente com 1.50 m pode ser um símbolo sexual (OK, de saltos altos!). Vende ainda a ideia de que se pode fazer um upgrade de uma parolona loura com cabelo aos caracóis parecida com a Luciana Abreu pré-silicone a cantar “I should be so lucky” para uma boazona a roçar-se em vários bailarinos e no gajo que cantou “suicide blonde” (eu não digo que ando senil? Falha-me o nome dele). Não creio que tenha sido ela a dar o mote para o gesto (o suicídio), mesmo porque acho que ele na altura namorava coma Helena Christensen (o que ainda tornaria o gesto mais estranho e disparatado, se isso fosse de todo possível).





Patrocínio: várias sapatarias. Atendendo à contenção na quantidade de tecido dos calções, a indústria têxtil devia andar em crise na altura do vídeo apresentado acima.

O que vende o Ricardo Azevedo? A desilusão de saber que um homem morenaço de olhos de gato também pode ser um parolo a dar-se aos ares de Elvis. O Ricardo é músico? Não, meus filhos: é vendedor de telemóveis (embora tenha desfeito a sociedade, que reabriu com nova gerência) e mediador imobiliário! Pior que isso, não fica bem de calças brancas! Ora eu não discuto opções de carreira de homens que fiquem bem de calças brancas, mas o Ricardo não fica bem de calças brancas (muito menos em cima de um autocarro cor de rosa). Música? Mmmmm... para quê?





Patrocínio: TMN, Millenium, ILGA Portugal

O que vende a Carla Bruni? Aha! A Carla Bruni é a verdadeira vendedora! Depois do anúncio ao novo Lância Muse, o BES anda atrás dela para a nova publicidade ao test price. Mas o Sarkozy apanhou-a primeiro, fez um test drive, fechou negócio, pagou a pronto e respondeu com a pontuação máxima a tudo na satisfação ao cliente. A carreira da moça passou ainda pela moda, o que não deixa de ser extraordinário para uma tábua de passar a ferro com a boca mais feia da história da moda. Onde está a música? Bem, eu não sei o que é que ela canta ao ouvido do Sarko... nem quero saber!





Patrocínio: Lância, presidência francesa

O que vende o Paulo Gonzo? Mmmm... não sei! Mas se ele vier vender à minha porta eu não compro! Aliás: não vou estar nesse dia! Dada a concorrência, o Ricardo Azevedo até fica bem de calças brancas. Mais que não seja por não ter piercings que lhe ficam mais que mal.

Patrocínio: nenhum, por falta de interesse.

O que vendem as Spice Girls?

A ideia de que 4 gajas que não sabem cantar “parabéns a você” numa festa de putos podem ter uma carreira musical muito lucrativa, desde que devidamente promovidas. Essa ideia infelizmente pegou e elas nem sequer foram as originais (nem as últimas). Afinal, quatro vozes menos que fraquinhas, mas todas juntas, fazem monte (e alguma edição de som ajuda). Saber que não ler livros poderia ser um item importante no currículo de uma esposa de um futebolista galáctico (eu já estava desconfiada, para falar verdade) e com voz de menina. Que não se pode ser demasiado rica nem demasiado magra (um conceito já conhecido vindo mais ou menos de Inglaterra) nem demasiado parva (um conceito que começa a vingar). Saber que muito dinheiro não compra bom gosto a vestir, nem que se queira muito.



Patrocínio: Uma qualquer editora discográfica, LA Galaxy, fabricantes de sapatos de plataforma, lojas de roupas usadas

O que venderam os ABBA? O kitsh! O festival eurovisão da canção. Mas convenhamos: a música ainda hoje é muito aceitável.

Patrocínio: a costureira experimental deles, Madonna

E podia continuar por aqui adiante! Como vês, Ludwig, o produto de nenhuma destas criaturas é a música. Como isso não se pode inscrever num CD nem trocar em torrentes de bits, não faz grande diferença a pirata... digo... a troca livre de informação. O problema é quando a música é de facto um dos produtos principais! Os mediocres da música não vão desaparecer se os direitos de autor (ou copyright) forem banidos para os infernos. Isto porque pelos vistos o único produto que não se compra (assim, a pagantes!) ultimamente é mesmo música (só se copia). Em contrapartida, para o mercado de pernas, telemóveis, sapatos e outros que tais .... preveem-se dias animados e de alta no mercado. Porque isso o pessoal compra!

5 comentários:

Ludwig Krippahl disse...

Concordo que o produto não é a música. E nestes casos nem será tanto o serviço de a compor.

Mas, infelizmente, as pussycat dolls não vendem as pernas. Vendem apenas o serviço de as abanar. Não é mau, mas não chega para justificar o copyright.

Agora se vendessem mesmo o produto em si...

Abobrinha disse...

Ludwig

O serviço (ou produto) de abanar as pernas faz com que as Pussycat Dolls não tenham que se preocupar grandemente com o copyright. Afinal, enquanto o abanar de pernas vender, há revistas a comprar o abanar de pernas, entrevistas pagas para analisar o abanar de pernas, participações bem pagas em programas patrocinados, marcas que pagam trabalho de modelo de pernas bamboleantes, concertos para ver o abanar de pernas e outros meios de lucrar com um abanar de pernas acompanhado por música.

Se conseguires ser um mongo com cara de mongo e nome de mongo, está visto que podes comprar a Nicole. Feliz ou infelizmente não te tomo por tal... pá, não se pode ter tudo (dito isto, quer-me parecer que a tua mulher tem mau feitio, por isso não é inteiramente mau...).

O problema é quando o serviço ou produto ou o que for é exclusivamente a música, porque as pernas não acompanham o talento e a voz. São esses e não os mediocres que serão ultrapassados, porque não tirarão lucro suficiente da actividade. E ninguém lhes pagará porque não existe um par de pernas lucrativo.

leprechaun disse...

A Carla Bruni do belíssimo, belíssimo Raphael !!!

Ora, mas para um blog aboborado tenho algo bem mais antigo e ousado! ;)

Um original de Brassens... p'ra ouvir hoje e amanhã!!! :)


Carla Bruni - Lulu Abobrinha


Pois, é mesmo de ficar à banda...

Rui leprechaun

(...co'a Abóbora Fernanda! :))

Allanah disse...

LOL, adorei a parte sobre o Joao Pedro Pais, lololol, nao teria dito melhor!! Eu tenho verdadeira aversão a cantores e cantoras ou bandas que nao são famosas pela sua musica fantástica mas antes pelos seus belos rabos e movimentos de anca... QUEREMOS MUSICA e não olhar para um bando de anormais, todos musculados, mas anormais mesmo assim... ai ai... e que n cantam nada...

Anónimo disse...

LAVEM A BOCA ANTES DE FALAR DO JOÃO PEDRO PAIS...