sexta-feira, 13 de julho de 2007

A exploração sensorial pela via óscular – ou como deixar o parceiro nas núvens sem recorrer a substâncias legais nem ilegais

AVISO: Posta de prosa longa de carago!!!

Já cantava a Sher

Does he love me, I wanna know,
how can I tell if he loves me so?
(Is it in his eyes)
oh no you'll be deceived
(is it in his sighs)
oh no he'll make believe.
If you wanna know
if he loves you so
it's in his kiss

A Sher sempre teve aspecto de quem percebeu destas coisas. Disso e de botox, mas isso não vem agora ao caso, além de que acho muito bem que a rapariga se cuide. Gaja que é gaja tem que fazer o que lhe apetece. Sobretudo se pode pagar por isso e se sente bem ou isso contribuirá para tal.

De qualquer modo, numa canção como poético nome “shoop shoop song” (por certo algum nome derivado da metafísica pessoal da filologia científica evolutiva da génese do plistocénio) encerra em si grandes verdades, das quais só esta pequena amostra dá uma ideia.

Senão, vejamos: será que se sabe como a pessoa é pelos olhos. Se olharmos para a Lena Coelho vemos já que não: ela não tem olhos verdes, do mesmo modo que a Paris Hilton não os tem azuis (mas ao menos tem dinheiro e sabedoria para adquirir umas lentes de contacto convincentes). Está-se mesmo a ver que só por aqui uma pessoa não pode confiar nos olhos da outra criatura. Mesmo porque depois há o pequeno pormenor de que os horrorosos que não são míopes começam entre os 45 e os 50 a perder a visão ao perto.

De modo que se a maneira de se conhecer a outra pessoa for mesmo pelos olhos, o (horroroso, indecente, imoral) indivíduo que não tenha sofrido na pele as agruras da miopia durante uma vida inteira, não poderá mesmo olhar a outra pertinho nos olhos a ver se aquilo são lentes de contacto ou não. E não creio que seja assim particularmente romântico afastar a pessoa a uns 50 ou mais centímetros para conseguir ver alguma coisa (ou ir buscar os óculos de ver ao perto), olhar a pessoa nos olhos e dizer: aha, os teus olhos afinal são de outra cor! Sua mentirosa!

Um míope tem essa vantagem: a miopia compensa a perda de visão ao perto. Para os mais desatentos, eu sou míope e estou à espera de capitalizar o “investimento” daqui a uns 15 anitos.
Pelos suspiros também não me parece que se conheça a pessoa. Mesmo porque suspeito fortemente que só lá foi posto na canção para que sighs rimasse com eyes. Mas isto sou eu aqui a conjecturar.

Não entrando no resto da canção, e defendida que está a honra dos míopes (os estrábicos estão representados hábil e magistralmente pelas preferências do Guru Jorg Fiel e os que sofrem de hipermetropia que se desenrasquem), entremos no beijo. Pelo beijo conhece-se muito da pessoa. Se não se sabe beijar em condições, não pode haver ali grande talento.

Claro que uma gaja não pode chegar assim à campeão ao pé de alguém interessante e PIMBA: ouve lá, acho-te giro e tal, mas só se conhece mesmo bem um tipo pelo beijo, por isso espeta cá os beiços! Mmmm… pensando bem, é uma abordagem interessante. Um dia destes tenho que fazer um ensaio no terreno. Posso definir as variáveis, uma metodologia científica, o método aleatório ou não da amostragem, uma amostra significativa da população masculina, um seguimento pós-experiência… mas na volta não seria pior ir directa ao assunto. Assim como assim, vou distorcer as conclusões à minha conveniência, por isso não vale a pena dar-me a tanto trabalho para uma coisa cujas conclusões já conheço à partida.

Um beijo é das melhores maneiras de avaliar se um gajo fuma, lava os dentes ou tem boa higiene oral. Do ponto de vista evolutivo, parecendo que não, é importante. Sabe-se que as gajas procuram os melhores genes para transmitir à sua descendência, pois o número de óvulos que carregam é limitado, mas o número de espermatozóides dos gajos além de brutal está em permanente renovação, salvo casos médicos, que vão tendo solução. Claro que para algumas, o “hálito” da carteira pode com eficácia anular o do tabaco ou o daquele dente podre lá ao fundo, mas isso já é outra história e não me interessa particularmente.

Beijar um gajo que fuma não deve ser bem como lamber um cinzeiro (mesmo porque eu nunca lamberia um cinzeiro mas já beijei fumadores). Contudo, há poucas coisas mais desagradáveis que uma boca imediatamente depois de um cigarro ou de uma cerveja. A cerveja acredito que não seja consensual, mesmo porque eu não gosto do sabor, mas mesmo assim desaparece ao fim de pouco tempo.

O tabaco deixa um sabor desagradável, que pica na língua mas de todas as maneiras erradas, possivelmente semelhante à sensação de meter a boca num tubo de escape de um daqueles motores a diesel antigos, barulhentos e poluentes. Devo dizer que também nunca meti a boca num tubo de escape mas também não recomendo. Por este motivo, faço um apelo: meninos, deixem de fumar. As meninas podem ou não deixar porque eu também não gosto de gajas na óptica do utilizador. E depois, se a moda da boca limpa e fresca pegar… ficam mais para mim!

Depois, um beijo é um pouco o prelúdio das “bedside manners” de um gajo, ou em americano, bons modos na cama (ou noutros sítios da vossa preferência, que isto cada qual faz onde lhe dá mais jeito). Um gajo que saiba adequar o beijo à ocasião e seja jeitoso a distinguir as ocasiões, em princípio sabe uns truques. Digo eu! O inverso é geralmente também verdade: se beija como se fosse para despachar trabalho, não deve saber grande coisa “na óptica do utilizador”. Ou seja, o trabalhinho não deve ser grande coisa.

As crianças privilegiam a boca como meio de exploração sensorial muito jovens. Sabe disso quem tem que andar com 4 pares de olhos a fazer a sua vidinha e a impedir que as criaturinhas comam velas, botões ou o rabo do gato (que nem devia ali estar por causa dos pelos) e outras coisas que desgraçadamente se deixou ali no chão (possivelmente por nas 50 noites anteriores não se ter dormido em condições).

Ora as crianças ensinam-nos muitas coisas (o filho do Beckham ensinou o pai a fazer contas na escola primária, mas isso já é outra história), por isso mais vale aproveitar. Explorem o outro com a boca. De cima a baixo! Não deixem grande coisa por explorar e beijar. A sovaqueira e a planta do pé e outros sítios menos nobres podem perfeitamente ser poupados, mas isso sou eu. Afinal, também há tabus! Tratem dos vossos lábios e da vossa boca. A bem da nação e da reputação do amante latino.

Como o assunto é de grande importância, há já manuais pronto-a-usar, como o site http://www.videojug.com/film/how-to-kiss-someone-passionately, que em vídeo detalha uma série de questões importantes. A saber: o que fazer com a língua, cuidados com os dentes, posição das cabeças e o que fazer com as mãos. Aborda ainda os beijos em algumas outras partes do corpo, mas achei essa parte muito fraquinha, muito incompleta.

Para ter sucesso nesse particular, é preciso saber onde o outro tem cócegas, o que envolve tempo, paciência e método. E se não tiver cócegas… há que arranjar maneira de as provocar. Ou arrepios, que ainda é melhor! É possível, mas exige dedicação, tempo, ambiente e que o outro esteja para aí virado. Se não é o caso,também pode querer dizer que não será muito sensível. Nesses casos é preciso conquistar a criatura. Fazer com que queira, aos poucos, com jeitinho. Ou desistir!

Normalmente depois de bons beijos há bom sexy time, o sistema imunitário reage favoravelmente, o QI aumenta e as probabilidades de ganhar no euromilhões sobem exponencialmente. OK, exagerei ligeiramente os benefícios do beijo, mas é mais ou menos essa a ideia. Exagerar nos beijos é bom e não faz mal a ninguém.

Os beijos são bons para o ambiente porque diminuem as emissões de CO2, dado metade do dióxido de carbono emitido por uma pessoa é inalado pela outra, numa espécie de reciclagem estranha e sensual. Claro que eu inventei esta à pressão, mas é defensável. E se não for… é agradável na mesma.

Os artistas sempre viram no beijo matéria-prima para grandes obras de arte. Não duvido que alguns tenham visto na prima (ou no primo) matéria para outras coisas, mas isso já não é comigo, que tenho os meus primos como meus irmãos e irmãs. Além de que maluca por maluca já chego eu (e os meus primos ainda são piores que eu!). Não é preciso consanguinidade a ajudar à festa, que ela já é animada. Na fotografia, na pintura, na escultura e no cinema o beijo foi sempre assunto nobre.

Quem não se lembra da sequência final do “Cinema Paraíso”, com a sequência de beijos que tinham resultado dos cortes do padre púdico? Até que veio o beijo da sonsa da Floribella e do ainda mais sonso Frederico, que abalaram a instituição beijo até às fundações. Estão a ver aquele beijo? Não tem nada a ver! É completamente o oposto do que se deve fazer! Se o vosso beijo se assemelha àquele, comprem um manual de instruções novo e não saiam de casa antes de o ter lido de fio a pavio e feito uns exercícios práticos!

Restaurar a instituição do beijo é dever nacional. Empenhem-se, meus senhores e minhas senhoras! E agora no Verão, até apetece. Não esquecer de ter uma garrafinha de água ao pé para humedecer a boca.

Homens e mulheres deste país: beijai-vos!

Depois ainda temos o beijo do Richard Gere à Shilpa Setty, o Princípio KISS, o “Kiss” do Prince e a banda Kiss, nos horríveis anos 80. Mas isso são cenas de outros episódios.

8 comentários:

Anónimo disse...

Phoska-çe cubejo demora cumó camandru...
...f. ?????

Anónimo disse...

Repito.

PHoska-çe cubêju demora cumó kamandru....
...f...de ??????

Anónimo disse...

éi o mutor de arranke.

...f..?????????

Abobrinha disse...

Boto muita faladura, não é??? He, he, he!

Já tinha este texto há muito tempo. É para ir apreciando, não é para comer todo de uma vez!

rds disse...

..bom sobre o beijo está bem melhor...mas também não adinata beijar só por beijar ... tem música, olhar ... algo de química.
bijm

Abobrinha disse...

Raiodesol

Para mim um beijo é um beijo: é química mais que suficiente e já me põe nas núvens. Não há "meios beijos": ou é ou não é! Ou então é um beijo de fugida (uma promessa, uma provocação) ou um beijo fraternal.

Estou a ver que tenho que voltar ao tema. Mas enfeitar demais um beijo é como embrulhar uma prenda em muitas caixas: a dada altura perde-se a paciência, e no fim às vezes é só uma brincadeira.

ZumZumMataMoscas disse...

Aboborinha escritora

Esqueceu-se de referir que o acto de beijar queima calorias e provoca a libertação de produtos quimicos que fazem bem ao corpinho (tipo pele e cabelo mais brilhantes, etc ...).
O beijo também tem efeitos psicológicos bastante positivos, pois eleva a moral e ajuda na recuperação do ego (seja lá o que isso for, mas que serve de desculpa para muita coisa).
Já agora não esqueça o dito popular que acabo de inventar "Quem muito beija, pouco fraqueja".

Por último os anos 80 não foram nada horriveis, podem ter sido para si que se calahar ainda não tinha descoberto o lado bom da ilha, mas para mim foram bastante divertidos.

Kisses,

Abobrinha disse...

ZumZum

A teoria do lado fixe da ilha nos anos 80 tem a sua razão de ser. Eu acordei e descobri-me nos anos 90. Os anos 80 foram os dos complexos e da inocência. E de moda lamentável, seja por que perspectiva se olhe para a coisa! Pior ainda que os anos 70! Mas em termos de música, só o deserto actual permite melhor como os anos 80 foram ricos! Mesmo os putos de hoje ouvem a nossa música.

Quanto ao beijo, nunca são demais. E não precisam de muitos enfeites. Oscular é preciso! Muito!

O ditado popular fresquinho tem a sua razão: quem tem segurança para beijar em condições é porque sabe ums truques... pelo menos é uma boa desculpa! E rima!