domingo, 3 de fevereiro de 2008

O verdadeiro drama do assédio sexual moderno e suas implicações na retoma económica

Meus lindos, mas especialmente minhas lindas

Depois do sussexo do consultório sexual e de um post que não era para qualquer um, a Abobrinha retoma a badalhoquice... direccionada desta vez para as gajas, que constituem uma parte importante do meu público. Ao contrário do que pensam os gajos, existe solidariedade feminina e este blogue é a prova viva. E a todas as "sisters" e aos meninos que estejam dispostos a aprender qualquer coisinha e tenham capacidade de encaixe, deixo aqui o ponto de vista feminino sobre a real problemática que envolve hoje em dia o assédio sexual e suas implicações na retoma económica. Claro que este post é meu, pelo que NADA do que aqui se diga deve ser levado a sério por qualquer pessoa com um QI acima de 10.

Assédio sexual é a vontade (nem que hipotética) de saltar à espinha de um colega de trabalho ou de quem nos está a prestar um serviço. De cair em tentação. De pecar! De comer o fruto proibido (os legumes, para ser mais concreta). O pecado é o motor do mundo, pelo que se não há pecado não há evolução. Se não há tentação, não há consumo, não há mercado, o dinheiro não circula e a economia implode.

Porque é que se ouve falar de assédio sexual de homens a mulheres e não de mulheres a homens? Porque as mulheres têm padrões, e o Adão moderno é uma regra geral uma porra, pelo que a Eva moderna não se tenta assim por qualquer coisa! A Eva moderna apresenta decotes, mini-saias, calças justas, cores garridas, guarda-roupa cuidado, maquilhagem, cabelos cuidados. O Adão típico apresenta fatos escuros que não lhe assentam bem (quando não estão sem passar a ferro), com barrigas que ainda lhe ficam pior, camisas horríveis e gravatas capazes dar medo ao susto. Quando o quadro não vem composto com dentes podres ou falta deles, pele gordurosa e cabelo a precisar de uma séria manutenção e mau hálito, menos mau! Um Adão sem estes últimos predicados pode chegar ao extremo de ser considerado um bom investimento, porque a luz apagada disfarça muitas misérias e pode revelar talentos escondidos.

Estão a ver este Adão? Não é um Adão: é um Mark e fica muito bem de fato... de facto fica! E com uma preocupação ecológica: poupa energia porque não precisa de engomar camisas! Para falar verdade, poderia perfeitamente dispensar a roupa, que não haveria queixas por aí além. Minhas pelo menos não!



Assim não dá! Se ainda por cima apanhamos um Adão incompetente a olhar-nos pelo decote abaixo com luxúria ou desinteresse, a vontade é de pegar no manual de instruções da Lorena Bobbit, na lâmina de barbear do Sweeney Todd e agir em conformidade. E o pior de tudo é que o grunho muito provavelmente já teceu comentários pouco abonatórios com metade dos outros machos no trabalho e arredores acerca das nossas mamas ou do nosso rabo. Que não as quer: são verdes! Que há melhor. O que é possivelmente verdade, porque de facto para o nosso lado a concorrência é forte, mas para o lado deles é uma pobreza franciscana. Ora a pobreza é mau motor para a economia.

Quando a Eva moderna avalia um macho de cima abaixo, este por norma não sabe onde se há-de meter. E se isto pode revelar um encantador Adão tímido (e eu adoro homens tímidos e maus rapazes!), pode revelar também um Adão que tem receio de que a Eva seja capaz de fazer o que eles tenta de cada vez que faz o mesmo: tirar a roupa só com os olhos. E alguns homens de cuecas são uma vergonha!

Este homem de cuecas não só não é uma vergonha como não é um Adão: é um outro Mark! Os Mark estão claramente em dia sim! Ohhhhhhhhhhhhh siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!!!


Meninas, para eu me queixar, a coisa anda mesmo mal: eu tenho um radar muito apurado, que consegue detectar todos os homens bonitos num raio de 2 km (apesar de ser míope e um pouco distraída). Quando acompanhado de uma mulher que pareça estar comprometida com ele, o olhar fica mais nublado e o interesse é nulo, mas registo a ocorrência. É que nunca se sabe: a vida dá muitas voltas e o que foi não é necessariamente sempre da mesma maneira (e olhar não tira pedaço). Sempre fui assim: na Faculdade consegui detectar todos os gajos bonitos do meu curso em 15 dias (infelizmente os dedos de uma mão chegaram e sobraram), pelo que tentava variar as vistas e de cada vez que mudava de paisagem fazia um reconhecimento da zona, com precisão militar à procura de... armas de destruição maciça. Acho que não é o radar que está descalibrado. O problema é o mesmo que o GPS em dias de nevoeiro: há interferência a mais, e perde o sinal.

Portanto concluo que ou ando em sítios muito mal frequentados ou a norte do Mondego a crise vai para além do sector têxtil e do calçado (a cortiça também está a passar maus bocados). Portanto os homens assediam as mulheres pelo mesmo motivo que os cães lambem os tomates: porque podem! As mulheres das duas uma: ou não têm o que assediar ou então quando detectam alguma coisinha que valha a pena assediar têm que ser rasteirinhas e discretinhas para não espantar a caça. Porque há quase tantos homens bonitos e disponíveis como linces ibéricos... sim, é assim tão mau, não sou só eu a ser exagerada!

O drama! O horror! Os homens não se cuidam e quem paga somos nós! Temos que iniciar o movimento pró assédio sexual de gajos por gajas! Isto ajudará indubitavelmente a desenvolver a economia, dado que o movimento do gajedo à volta de lojas de roupa e acessórios e ginásios aumentará não só o consumo interno como a produtividade das gajas (que são quem verdadeiramente trabalha neste país). Estas por sua vez presumarão ainda mais no aspecto, criando um efeito bola de neve na economia e bem estar nacionais. É que a teoria da mini-saia já foi chão que deu uvas! E então com o aquecimento global, pior ainda.


O nosso primeiro-ministro apercebeu-se disso mesmo e tentou iniciar um movimento de estilo de vida saudável ao não deixar ninguém fumar em espaços fechados (o que teve também como efeito eu poder levar os meus sobrinhos ao café) e fazer jogging... mas ele de cuecas é uma vergonha! Ia estragando tudo! Neste sítio pôs as mulheres todas com os olhos em bico (que isto seja na China é irrelevante para o caso). Por coincidência (ou talvez não, pouco depois desta visita o mercado imobiliário oriental fez "pum". Ora eu não acredito em coincidências. A intenção foi boa, mas o resultado ia sendo um desastre. É o que dá pôr um homem a pensar! Porque toda a gente sabe que um homem só consegue pensar com uma cabeça de cada vez (ou menos).



Meninas, é imperativo que comecemos a olhar os nossos colegas de trabalho e mesmo anónimos (não acompanhados de companheira, porque esses são perigosos) com luxúria! A bem da economia nacional e mesmo do mundo! Para que volte o pecado às nossas vidas! Oh, e que belo pecado!



P.S: Eu não digo que escrever para gajas é mais complicado? Demorei horas a escrever isto e nem sequer estou satisfeita com o resultado! Se fosse um post de fufas, tinha sido uma rapidinha!

25 comentários:

Anónimo disse...

Mas foi adorável a escrita!
Gostaria de complementarcom a necessidade de estarmos à porta da Universidade e estacionarmos em um pequeno grupo e olharmos avidamente os gajos que desfilam, já que o fazem conosco.
Há que se fazer igual!

Abobrinha disse...

Querida anónima

Ora aqui está um assunto sobre o qual vale a pena fazer um post: como observar um gajo - estratégias de grupo e individuais. De novo a Abobrinha ao serviço da economia nacional e internacional e com preocupações ecológicas.

Só uma coisa: não podemos fazer igual aos homens mas sim fazê-lo MELHOR!!!

Obrigada pelo elogio (na volta não gostei do post por ter demorado tanto tempo e não me ter saído tão espontâneo) e pela sugestão.

Joaninha disse...

mas olha o post pode não te ter saido como querias mas o gajos são bem jeitosos ;)
Assim sim é abobrinha para meninas!

antonio disse...

Tem escrita atrevida e sentido de humor a Abobrinha. É a irreverência das tias solteironas. Sempre tão ciosas dos seu rabos gordos e vigilantes de mãos alheias.

Confirmam-se sempre as piores suspeitas às tias solteironas. Tomando-se de azedumes sempre que se julgam surpreender avanços inusitados de meninos pouco recomendáveis.

Existe um sentido ecológico nestas tias.

Abobrinha disse...

Joaninha

Não te preocupes que, depois de um pequeno impasse a arranjar imagens (sabias que "naked men" gera quase só imagens e sites gay?), tenho arranjado umas coisas. Mas estou à procura de mais.

Não para ti, que sabes de certeza, mas para quem não sabe, os Mark eram o Mark Vanderloo e o Mark planete-dos-macacos Wahlberg. O Sócrates é o Sócrates (mas ao menos aqui não aparece a fumar). O Mark Vanderloo deve estar aí com 40 e poucos anos, reformado da moda. Ora aí está um reformado que eu não enjeitava: bem conservado, poucos quilómetros, relativamente poucas mãos de livrete e garantia de (minimamente) 20 anos... para um modelo usado e descontinuado parece-me bom negócio. Melhor que muitos novos e sem garantia que andam para aí!

De facto escrever para mulheres é mais complicado, quer toque na lamechice quer na badalhoquice. Mas mais desafiante.

Abobrinha disse...

António

Continuas sem perceber nada e a chutar completamente ao lado da baliza (o que, como toda a gente sabe, não dá golo).

Mais do que extraordinário torna-se patético. Chega a dar pena, mas depois vejo o teu nick: sem penas. Sendo assim, tu é que mandaste: vai apalpar o rabo da tua mulher e ver se é gordo. A não ser que a tia solteirona que pensas morar deste lado do computador seja realmente aquilo que vês reflectido no monitor quando desligas o computador. Isso é um caso grave de identificação com o terapeuta... e eu não sou terapeuta de ninguém.

Bizarro disse...

Acho que este post merece que a minha mente bizarra de uma resposta, vamos a ver se a minha mente não bizarra tem tempo para deixar a minha mente bizarra escrever...

E fica já um preludio, eu tenho barriga e gosto muito dela!

Abobrinha disse...

Bizarro

Esqueceste-te do mote deste blogue: aqui não se aprende nada! mas nada mesmo! De vez em quando escrevo um post sério para desenjoar, mas fora isso é tudo altamente exagerado. Põe exagerado nisso!

Espero pelo teu post para lhe responder, mas ficas já a saber que o truque é fazer seja quem for gostar da ti não pela tua barriguinha ou pelos teus outros defeitos... mas apesar deles. Ou com eles. Porque um homem (como uma mulher) não são só uma coisa: são muita coisa ao mesmo tempo. Mas na net todos os gatos são pardos (e depois temos os aristogatos).

Crestfallen disse...

As mulheres não acediam? Ainda no final do ano passado fui a tribunal por causa disso. Eu nem sabia que ela existia e ela viu em mim a presa fácil com muito a perder, que lhe poderia pagar para evitar a má publicidade que daria à imprensa.

Elas assediam sexualmente, tal como o homem o faz. A diferença é que o homem assedia a mulher bonita com o corpo esbelto em que o objectivo é o sexo. A mulher assedia o homem com dinheiro e poder, onde o objectivo é o dinheiro.

Adão ou Eva. Homem ou Mulher. No meio das nossas diferenças, temos mais semelhanças do que queremos acreditar.

Abobrinha disse...

Crestfallen

Esqueceste-te de ler a parte de cima: aqui não se aprende nada! Isto é um post exagerado com um único objectivo: a javardice! E fazer queixa de quem desdenha dos nossos atributos para ter mau aspecto e não querer saber sequer. E... colocar umas figuras de uns meninos com bom aspecto.

Tens que ler os posts das fufas ou do Pai Natal para ter a certeza que aqui não se aprende nada.

Abobrinha disse...

Mas conta lá isso do assédio e do tribunal. REcordando a série "Dear John", "where there anyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy... sexual problems?

Gipsy Queen disse...

Como em tudo na vida, é sempre mais complicado e desafiante satisfazer uma mulher! Digo eu...

Bem, eu tenho a dizer que infelizmente nunca tive nenhum colega de trabalho que me desse vontade de o assediar! Nunca me apareceu nenhum Mark! (As imagens foram particularmente bem escolhidas!) Quando é que passam a aderir em massa ao dito metrosexualismo?!

Abobrinha disse...

Gipsy

As mulheres sempre foram um mercado mais exigente. O que é bom, senão tudo se resumiria a cerveja e futebol.

As imagens... filha, de onde vieram essas há mais!

Pois o meu drama é o da falta de homens a quem dê vontade assediar. Não vou tão longe como o metrossexualismo, mas um bocadinho de cuidado no vestir, no falar e no corpo não acho que seja pedir demais.

Mas já me apareceram Marks...

Crestfallen disse...

Não se aprende nada?

Ainda hoje aprendi que o amor são sapatos azuis!

Abobrinha disse...

Crestfallen

Não, filho: sapatinhos azuis em saldos são luxúria (mas tenho mais giros). Ainda ninguém foi capaz de negar que o amor é azul e tem 20 cm. Mas eu digo que é!

Crestfallen disse...

Explico neste textode 17 Nov 2007, intitulado "Cabra calculista!"

http://so-me-apetece-cobrir.blogspot.com/2007/11/cabra-calculista.html

Abobrinha disse...

Crestfallen, meu filho

Eu ri-me do teu post porque aqui não terias esse problema: a justiça demora tanto que era provável que entretanto a cabra ficasse velha e carunchosa (por acaso, sendo lei laboral a coisa era capaz de andar mais rápido).

Eu estou metida em dois processos de momento e tenho receio de quando a coisa chegar a julgamento eu já não me lembrar. Um dos casos pode vir a ser aqui escalpelizado, como única maneira de fazer algo parecido com justiça. Mas ainda não decidi.

A outra coisa que era capaz de acontecer era o juíz perguntar quantos centímetros abaixo dos tornozelos tinha a saia, se a cabra calculista respirava nesse dia e outras atitudes provocadoras. É que perguntaram algo parecido a uma criança (!!!!!!) que foi assediada... por um homem que já tinha cumprido prisão por sodomizar um menino.

Estás a ver onde é que eu estou a chegar com os brandos costumes, certo? Mas tu já sabias isso.

Assumindo que tudo o que dizes é o que aconteceu (não te conheço, só posso concordar porque não tenho outros dados) digo que a defesa dos direitos das mulheres é susceptível de criar estas situações. Poder-se-ia argumentar que houve casos de verdadeiro assédio antes, mas uma coisa não justifica a outra: séculos de dominação masculina não justificam que sejam agora as mulheres a abusar. Só porque sim.

Nesse país pode ter havido também um elemento de xenofobia: ah, e tal, o tipo deve ter fama de latino, deixa ver se o encravo! Seja como for, enerva. E se foi como disseste, digo eu que fizeste tudo como manda a lei: a do país e a da consciência. Sobretudo a parte de repor o teu bom nome com um desmentido. Porque o nome não se repõe com 150 000 euros (e às vezes nem com uma porra de um desmentido).

O que não me dá vontade de rir é que te tenhas queixado com 2 meses de um processo a arrastar-se. Um dos meus eu já nem sei há quanto tempo se arrasta (e até me rio só de pensar no tempo que demorará o outro, sem necessidade).

Mas este post era sobre o assédio "light": querer olhar para o rabo do colega, sentir vontade de sentir se é firme, querer respirar-lhe na orelha a ver se acontece alguma coisa. E nesse aspecto... miséria!

Crestfallen disse...

abobrinha minha mãe,

"a justiça demora tanto que era provável que entretanto a cabra ficasse velha e carunchosa"

O problema é que se fosse em Portugal teria de abandonar a empresa para evitar perdas de clientes e a possível falência. Pois isso acontece, por estes motivos. O bitterfly effect.

"Estás a ver onde é que eu estou a chegar com os brandos costumes, certo? Mas tu já sabias isso."

Portugal é o único país do mundo que mudou a lei de abuso sexual. No final dos anos 90, a violação de mulheres passou a ter penas mais pesadas e a violação de menores, penas mais leves. A razão dada foi que uma criança, tem mais tempo para recuperar do trauma e uma mulher poderá perder emprego e vontade de viver.

Eu não acho que a violação de uma mulher seja um crime, que mereça menor pena, mas pelo menos uma mulher adulta tem a possibilidade de se defender, de apresentar queixa e uma criança não. Ambas têm a sua vida destruida, mas uma mulher, tem mais facilidade de recuperar por ser adulta.

Poucos anos depois, rebenta o escândalo de pedofilia em Portugal... e esta alteração à lei, deixou-me a pensar em todos os poderosos envolvidos.

"digo que a defesa dos direitos das mulheres é susceptível de criar estas situações."

É, pois sabem que a maioria dos homens pagam pelo silêncio, mesmo que seja mentira, pois tem muito mais a perder. O alvo destas mulheres, nunca é o homem das limpezas, nem o porteiro, que de facto são os gajos que mais babam pelas secretárias, mas aos quais elas nunca instauram processos, pois um ordenado de 800 a 1,000 não lhes proporciona lucros que justifiquem a queixa.

"séculos de dominação masculina não justificam que sejam agora as mulheres a abusar. Só porque sim."

Mas é um facto, desde o culto da imagem, ao uso do corpo em vez do intelecto, até às vantagens retiradas em divórcios. Os homens só perdem.

"ah, e tal, o tipo deve ter fama de latino, deixa ver se o encravo!"

Mas de facto seria mais fácil com um Alemão, dezenas disseram-me para pagar pelo silêncio dela, em nome da empresa e do meu futuro.

"Sobretudo a parte de repor o teu bom nome com um desmentido. Porque o nome não se repõe com 150 000 euros (e às vezes nem com uma porra de um desmentido)."

O valor pedido, foi mais para forçar o desmentido. O problema é que mesmo com um desmentido, apesar de ficar de cara limpa profissionalmente e a empresa não ter sido prejudicada. A fama foi-me dada e isso estará sempre na mente de certas pessoas, na sua maioria Portugueses.

Um gajo acusado de homicidio que vai a tribunal e prova a sua inocência, terá para sempre a sua imagem manchada, pois a opinião publica duvidará sempre.

"O que não me dá vontade de rir é que te tenhas queixado com 2 meses de um processo a arrastar-se."

2 meses é imenso tempo, quando os negócios são diários e há ordenados a pagar todos os meses. Dezenas foram suspensos, até à decisão final, 90% daqueles em que estava envolvido.

Por estes lados, se eu coloco um processo a alguém, dentro de uma semana há uma audiência, para marcar o julgamento. Não arrastamento judicial. Até porque os Juizes não têm 2 meses de férias mas sim 6 semanas como todos os trabalhadores na Alemanha. E só 25% do juizes podem estar de férias ao mesmo tempo.

"Mas este post era sobre o assédio "light": querer olhar para o rabo do colega, sentir vontade de sentir se é firme, querer respirar-lhe na orelha a ver se acontece alguma coisa. E nesse aspecto... miséria!"

Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque, com a malta do trabalho, só mesmo um cafézito no bar da empresa e um almoço para não comermos sozinhos e mesmo assim não é com qualquer um que isso acontece.

Abobrinha disse...

Crestfallen, filho

"O problema é que se fosse em Portugal teria de abandonar a empresa para evitar perdas de clientes e a possível falência."

Por assédio sexual? Estás louco! Pois se nem por facturas falsas ou corrupção! Bem, se assediasses a filha do canastrão da empresa à frente, aí era outra história, mas isso era porque ele teria uma caçadeira e mau feitio.

"Ambas têm a sua vida destruida, mas uma mulher, tem mais facilidade de recuperar por ser adulta."

Eu dar-me ia ao trabalho de concordar contigo se houvesse sequer punição de jeito para estes crimes. Como não é o caso (há sempre atenuantes e perdões e lentidões) nem me esforço.

"e esta alteração à lei, deixou-me a pensar em todos os poderosos envolvidos."

Estás a ver a minha definição de brandos costumes, certo?

"O alvo destas mulheres, nunca é o homem das limpezas, nem o porteiro"

Óbvio! Mas em Portugal isto é raro (mesmo porque a justiça não funciona). Mesmo porque os homens que de facto assediam (e eles existem) sabem fazer as coisas às escondidas. E assim sendo, tem que ser o irmão ou o pai ou a mudança de emprego a resolver a coisa.

"Mas é um facto, desde o culto da imagem, ao uso do corpo em vez do intelecto, até às vantagens retiradas em divórcios. Os homens só perdem."

O culto do corpo pode ter duas vertentes: satisfação da própria mulher ou satisfação do homem que a vê como objecto. Não estou a ver em que é que o homem sai desfavorecido.

As vantagens tiradas nos divórcios são também relativas: as mulheres por norma prescindem de mais quando casam, pela perspectiva de serem dois rendimentos. Mas só com filhos é que se retiram (em teoria) vantagens, porque são elas que normalmente ficam com os filhos e têm que os manter em casal.

Outra coisa é usar os filhos como moeda de troca. Aí sim, é ser má para o pai e para o filho. Isso sim é ser cabra!

"Mas de facto seria mais fácil com um Alemão, dezenas disseram-me para pagar pelo silêncio dela, em nome da empresa e do meu futuro.

"A fama foi-me dada e isso estará sempre na mente de certas pessoas, na sua maioria Portugueses."

Caga nisso! Já sabes que as pessoas adoram um bom escândalo e meias verdades. Mas não vai afectar os negócios nem a maneira como as pessoas em condições se relacionam contigo. Ora lá está: uma boa maneira de fazer selecção natural (que é um processo doloroso).

"Dezenas [de salários] foram suspensos, até à decisão final, 90%daqueles em que estava envolvido."

Mmmmm... se isso aconteceu por algo que não foi provado, o sistema judicial é falheiro. E um processo de assédio sexual não pode deitar uma empresa abaixo.


Até porque os Juizes não têm 2 meses de férias mas sim 6 semanas como todos os trabalhadores na Alemanha."

Estou convencida que nem que não tivessem férias a coisa mudava por cá. A nível de justiça precisamos de uma revolução mesmo. E depois, há MONTES de funcionários judiciais, fora os juízes.


"Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque"

Eu disse só vontade teórica, filho! Passar das palavras aos actos é outra história. No meu caso teria (se houvesse tentação) outros factores. Mas isso é aqui comigo.

Crestfallen disse...

"Por assédio sexual? Estás louco! Pois se nem por facturas falsas ou corrupção!"

Mas se os clientes são Alemães, deixam de negociar com uma empresa em qualquer ponto do mundo. Estes casos são muito falados e os Alemães saltam fora destas más publicidades.

Refiro-me, se a empresa fosse a mesma, mas com sede em Portugal. A lentidão da justiça Portuguesa, causaria danos graves em negócios internacionais.

"O culto do corpo pode ter duas vertentes: satisfação da própria mulher ou satisfação do homem que a vê como objecto. Não estou a ver em que é que o homem sai desfavorecido."

No caso dos divórcios é claro. Ela leva metade do que é dos dois e metade do que é dele. Ele dá metade e não leva nada. Felizmente aqui na Alemanha isso irá acabar e as divorciadas vão deixar de poder viver à cust dos ex´s.

""Dezenas [de salários] foram suspensos, até à decisão final, 90%daqueles em que estava envolvido.""

Dezenas de negócios, os salários não podem ser congelados na Alemanha, só caso de falência.

"Mmmmm... se isso aconteceu por algo que não foi provado, o sistema judicial é falheiro. E um processo de assédio sexual não pode deitar uma empresa abaixo."

A justiça aqui é rápida, mas demora sempre umas semanas. Se o caso é público muita gente, suspende o contácto com a empresa. O que não falta é concorrência.

Abobrinha disse...

Crestfallen

"Mas se os clientes são Alemães, deixam de negociar com uma empresa em qualquer ponto do mundo."

"Se o caso é público muita gente, suspende o contácto com a empresa. "

Ora bem, isso parece-me quase tão injusto como não fazer caso, mesmo porque um pingo de bom senso e capacidade de observação revelariam que há abusos destes. Parece-me um caso sério de politicamente correcto.

É tão grave ou mais que o arrastar da justiça por cá e uma perversão grave da presunção de inocência. No nosso país isso foi acautelado EM TEORIA com o segredo de justiça (ou seja, não se sabe nada enquanto não houver factos comprovados em vez de suspeitas). Na prática é o que se sabe: fugas de informação para a comunicação social até não poder mais.

"No caso dos divórcios é claro. Ela leva metade do que é dos dois e metade do que é dele. Ele dá metade e não leva nada. Felizmente aqui na Alemanha isso irá acabar e as divorciadas vão deixar de poder viver à cust dos ex´s."

O caso dos divórcios só tem que ver com o culto do corpose o homem casou com um pedaço de carne (estou a fazer um post sobre isso, mas ainda não consegui inspirar-me).

Tudo isto é perverso: casa-se na presunção de ser para sempre (não casar não é solução, dado que o pressuposto é mais ou menos o mesmo). Regra geral é a mulher que faz concessões. Um homem tem que saber que isto lhe pode custar! Mas (em teoria) quando se casa não se pensa nessas coisas: não se parte para uma relação com a presunção de que a coisa vai correr mal.

Dito isto, os meus primos mais novitos andam a casar com separação total de bens. Eu já achei isso disparatado, mas começo a ver virtudes na coisa. Entre outras coisas, o aspecto dos bens é logo posto de parte.

Em Portugal a lei é muito mais equilibrada se não se opta por separação de bens: o regime que é usado se nada é dito em contrário é o de comunhão de ADQUIRIDOS. Ou seja, o que cada um leva para o casamento é do próprio, mas o que se adquire durante o casamento é de ambos. Parece-me mais ou menos bem.

Num divórcio, em Portugal, ninguém vive à custa de ninguém: faz-se a partilha dos adquiridos e acabou. O que se passa é que se há filhos dos dois, são os dois a mantê-los. E acabou!

Acredito que haja perversões. Acredito que um casamento desinteressado se torne num contar de cifrões: isso sempre aconteceu! As pessoas sempre mudaram, mas uns acomodavam-se, outros resignavam-se e outro ainda reagiam. Antigamente as mudanças normais eram de um namorado extremoso para marido violento ou de uma namorada jeitosa para uma matrona descuidada, cheia de filhos, gordura em todos os sítios errados e mais preocupada com os filhos que o marido.

Hoje as questões são diferentes e as cabronices podem vir de ambos os lados. Parece-me justo no sentido em que ambos os membros do casal estão mais alerta (não no sentido necessariamente de a mulher ter ganho a dianteira da cabronice, o que não é sequer o caso).

As coisas estão mais equilibradas, mas mesmo assim o homem ainda fica maioritariamente por cima, só por ser homem.

Agora a parte maternal: não partas com desconfiança para as coisas, mas também não faças como algumas pessoas que mergulham de cabeça antes de ver a profundidade da água. Sobretudo, não te tornes amargo. Eu faço esse esforço todos os dias.

Crestfallen disse...

Abobrinha:

"Ora bem, isso parece-me quase tão injusto como não fazer caso, mesmo porque um pingo de bom senso e capacidade de observação revelariam que há abusos destes."

Mas é um facto. Por exemplo eu cancelei todos os meus donativos após os missinários Franceses terem sido presos por rápto. Não é por acreditar que fosse por motivos pedófilos, mas sim porque rapto é rapto. Se se provar que foi tudo legal, aí volto a apoiar a iniciativa.

"fugas de informação para a comunicação social até não poder mais."

Neste caso a fuga de informação foi feita pela queixosa num jornal diário de Hamburgo.

"Tudo isto é perverso: casa-se na presunção de ser para sempre"

Muitos casamentos não são assim, são casamentos para obter nacionalidade, vistos de permanência e/ou lucros financeiros.

"Dito isto, os meus primos mais novitos andam a casar com separação total de bens."

O que não vale de nada. Essa separação não inclui os adquiridos. Imagina que é homem, trabalhaste imenso e tens um futuro promissor. Casas e sobes ao topo da tua empresa. Ora, mesmo com separação de bens, o teu sucesso passa a ser um adquirido, logo ela tem direito a metade. A única coisa que previne é um contrato pré-nupcial.

"Em Portugal a lei é muito mais equilibrada se não se opta por separação de bens: o regime que é usado se nada é dito em contrário é o de comunhão de ADQUIRIDOS."

Comunhão de adquiridos e separação de bens, dois nomes com o mesmo resultado. A pensão irá sempre existir independentemente dos filhos.

"Num divórcio, em Portugal, ninguém vive à custa de ninguém: faz-se a partilha dos adquiridos e acabou. O que se passa é que se há filhos dos dois, são os dois a mantê-los. E acabou!"

Nada disso. Se a mulher deixou de trabalhar durante o casamento, tem direito a uma pensão que não é fixa, mas sim que depende do nivel de vida a que ela estava habituada (ordenado do marido). A pensão dada à esposa é superior à dos filhos.

"As coisas estão mais equilibradas, mas mesmo assim o homem ainda fica maioritariamente por cima, só por ser homem."

Por cima? Olha, se eu tenho 5.000 Euros e tenho de dar 2.500 à minha mulher, é pá que se lixe. Mas se eu tenho 10 milhões e tenho de dar 5, fico fodido!

"não partas com desconfiança para as coisas" "Sobretudo, não te tornes amargo."

Nada disso, só não concordo com uma mulher que recuse um acordo pré-nupcial, usando o argumento "não confias em mim? Não me amas?", isto é merda, não é argumento, pois se eu amar realmente uma mulher rica, assinaria qualquer acordo, pois o que quero é estar com ela e não, passar a ter o que é dela.

Abobrinha disse...

Crestfallen, filhinho

"Muitos casamentos não são assim, são casamentos para obter nacionalidade, vistos de permanência e/ou lucros financeiros."

Isso não é um casamento: é um emprego ou um negócio, dado que o objectivo é ter lucro e não envolver-se com alguém emocionalmente.

"O que não vale de nada. Essa separação não inclui os adquiridos."

FIlho, a diferença entre separação total de bens e comunhão de adquiridos é só no pós casamento. Assim se casares em comunhão de adquiridos, se um ganha 10 e o outro 1000, o casal ganha 1010, pelo que no caso de divórcio (sem filhos) cada qual leva 505; o que cada um levou para o casamento não é questão. Em separação total de bens, quem ganha 10 tem 10 e quem ganha 1000 tem 1000.

A verdadeira porra começa com as dádivas (essencialmente de pais): os pais dão ao casal! Ou seja, imagina que casas e os pais dela lhe dão uma casa. Ora não dão a ela: dão ao casal. Legalmente tens meia casa, porque os sogros também to deram. Ouvi duas versões em relação a heranças, mas faz mais sentido que a herança não seja "adquirido". Mas aqui não ponho as mãos no fogo.

A pensão em Portugal não é para o cônjuge, mas para os filhos. Mesmo no caso de a mulher ficar com a casa porque fica com os filhos, acho que é ela que paga a prestação. O que dá apertos fenomenais.

Outra: o pai só é obrigado a pagar a educação do filho até à maioridade. Se quiser estudar depois disso, que se desenrasque!

"Nada disso. Se a mulher deixou de trabalhar durante o casamento, tem direito a uma pensão que não é fixa, mas sim que depende do nivel de vida a que ela estava habituada (ordenado do marido). A pensão dada à esposa é superior à dos filhos."

Estás possivelmente a confundir com a Alemanha. Um primo meu teve quase sempre a mulher em casa e divorciou-se. Ela não teve direito a nada. O que tem a perversão de ela se ter dedicado a ele aqueles anos e não ter tido mais contrapartidas que uns pés quentes (e um par de cornos). Por outro lado, a nossa sociedade assume que uma mulher trabalha e se desenrasca.

"Por cima? Olha, se eu tenho 5.000 Euros e tenho de dar 2.500 à minha mulher, é pá que se lixe. Mas se eu tenho 10 milhões e tenho de dar 5, fico fodido!"

Mmmmm... metade é metade! Os 2500 até doem mais!

"só não concordo com uma mulher que recuse um acordo pré-nupcial, usando o argumento "não confias em mim? Não me amas?", isto é merda, não é argumento"

Não sei. Em princípio concordo contigo mas cada caso é um caso. A realidade é que é difícil manter um casal por motivos profissionais: há sempre concessões e normalmente quem as faz é a mulher. Mas de facto casar para depois chular o marido não me parece bem. Por outro lado o marido ter o nível de vida dos dois faz com que tenha um poder desproporcional. Ou seja, há mais que o simples acordo nupcial em questão. Mas repito: em princípio concordo contigo.

Crestfallen disse...

O problema coloca-se quando se sobre na vida após o casamento, pois é isso que acontece. Um beneficia do trabalho do outro no divórcio. Acordo pré-nupcial, sempre!

"A pensão em Portugal não é para o cônjuge, mas para os filhos. Mesmo no caso de a mulher ficar com a casa porque fica com os filhos, acho que é ela que paga a prestação. O que dá apertos fenomenais."

Só se os advogados forem um merda. A mulher se não trabalhar fica com a casa, o marido paga a prestação e dá pensão a ambos.

"Outra: o pai só é obrigado a pagar a educação do filho até à maioridade. Se quiser estudar depois disso, que se desenrasque!"

A pensão ao filho é enquanto ele receber abono de família, ou seja, até à maioridade ou após, se estudar.

A pensão que a ex recebe (se tiver um bom advogado), só deixa de existir se ela voltar a casar.

"Estás possivelmente a confundir com a Alemanha. Um primo meu teve quase sempre a mulher em casa e divorciou-se. Ela não teve direito a nada."

Tinha um péssimo advogado, a minha mãe teve um excelente advogado.

"Mmmmm... metade é metade! Os 2500 até doem mais!"

Isso é relativo...

Abobrinha disse...

Crestfallen

A mulher do meu primo até podia arranjar um excelente advogado, mas nem este ultrapassaria um facto: o meu primo, não obstante o que ostenta, é um teso (em dois sentidos). Tem outros defeitos, mas isso agora não interessa nada.

Bem, os casos que tenho visto não foram assim, mas se tens um caso tão próximo não te quero chamar mentiroso. Simplesmente, podem não te ter dado os factos em condições. Mesmo porque não faz sentido. Mas de facto não estou a ver casamentos de alta manutenção que tenham chegado ao fim, pelo que não posso opinar.

Continuo a não concordar com a quebra de 5000 para 2500 ser mais grave que de 1000 para 500 pelo seguinte: 1000 aproxima-se mais do nível de sobrevivência. Dê lá por onde der, podes mais depressa prescindir de mais umas viagens ou jantares fora do que de manter o carro que precisas para ir trabalhar e da casa de que precisas para morar.