quinta-feira, 3 de abril de 2008

... mas pelos vistos agora fui promovida a víbora!

Eu tenho que protestar: então eu debito badalhoquices e ninguém me liga e agora falo de coisas sérias e estou com a caixa de comentários a abarrotar? Mau! Bem, mas este é um blogue que segue uma lógica de mercado, e de momento isto parece estar a vender. E se alguém compra, eu vendo (mas vou ver se ajavardo isto em breve, que assim não pode ser!)

Um anónimo deixou-me um miminho num post já antigote e que eu não queria deixar passar. Achei-o mais provocatório que o costume e excessivamente defensivo. Vou deixá-lo, junto com a minha reposta.

O comentário era este

"Que conheça profundamente o funcionamento da escola/professores, duvido?
Que tece considerações globalizadas, baseada em informações parcelares (a sua experiência e de próximos) parece-me óbvio. Fica-lhe mal, e é sinal de falta de rigor científico.
Que há muito de víbora nos seus dizeres também.
Nunca vi nenhum estagiário perder muitos quilos. Nervosos? Sim, como é lógico, quando estão em jogo centenas de quilómetros nas colocações posteriores.
QUe por vezes não há a relação ideal entre orientador/estagiário ? Sim, claro.
Que não há aluno que seja mais abusado pelo sistema que um aluno universitário, tb me parece óbvio. "

Anónimo

Não entendo e/ou discordo da quase totalidade do que escreve. Vamos por partes:

"Que conheça profundamente o funcionamento da escola/professores, duvido?"

É verdade, mas não preciso de conhecer tudo. Sei o resultado. Chega e sobra!

"Que tece considerações globalizadas, baseada em informações parcelares (a sua experiência e de próximos) parece-me óbvio. Fica-lhe mal, e é sinal de falta de rigor científico"

Duas coisas: e vou basear a minha experiência em quê? Em relatórios de eduqueses, que deram a porcaria que se sabe? Em coisas que tentaram esconder, como o ranking das escolas secundárias? Eu baseio as minhas opiniões no que observo e no bom senso, e não no encarneiramente atrás da opinião da moda. Todo o conhecimento é parcelar. Só me fica mal ser acéfala e acrítica. Quanto a ser pouco científica, também o é quem é pago para isso. Eu diria que o meu bom senso é mais metódico que os métodos que se criaram para alegadamente organizar a escola. Estes útimos vão frequentemente contra todo o senso.

"Que há muito de víbora nos seus dizeres também."

Dado o panorama do seu comentário, vou levar isso como um elogio.

"Nunca vi nenhum estagiário perder muitos quilos. Nervosos? Sim, como é lógico, quando estão em jogo centenas de quilómetros nas colocações posteriores."

Isto ganhou o prémio de provocação mais absurda do comentário. Só quem não sabe ler não se dei conta que me referi a casos particulares que me ocorreram. Calhou serem pessoas que emagreciam com o stress (comigo acontece o oposto). O que o preclaro não se deu conta é que me referia a um caso particular de uma somatização de um estado de stress extremo.

Trata-se de pessoas com cursos superiores quase terminados, que sabem trabalhar e que se desunharam em cadeiras muitíssimo mais difíceis mantendo a sanidade mental e mais ou menos o mesmo peso corporal.

Mas a provocação absurda nem é essa: a provocação absurda é comparar a situação de regras do jogo difusas que é o estágio pedagógico com uma situação que qualquer recém-licenciado normal (e não só) reconhece: deslocação em busca de onde há emprego. Eu não tenho culpa, nem o Estado que não haja lugares no ensino ao pé da porta de toda a gente. E é aberrante pessoas que sabem que não há vagas no ensino de determinada área insistirem em ir exercer "a sua vocação". Isto não convence ninguém!

"QUe por vezes não há a relação ideal entre orientador/estagiário ? Sim, claro."

Quem está agora a dar mau aspecto e a ser pouco científico? E pouco solidário! Eu, que nunca dei aulas, senti pena de colegas de Faculdade pelos maus tratos psicológicos que sofreram. E não foi falta de "relação ideal": foi pura e simples falta de humanidade. E esta falta de solidariedade estende-se a todas as situações em que há um elemento mais fraco na cadeia. Os professores só parecem ser solidários... quando se lhes vai ao bolso, quando lhes mexem nos direitos adquiridos e quando se trata de faltar como se não houvesse amanhã! Em todos os problemas de indisciplina com os alunos não são nem nunca foram. E depois eu é que sou uma víbora!

"Que não há aluno que seja mais abusado pelo sistema que um aluno universitário, tb me parece óbvio. "

Isto não me parece nada óbvio. Sendo verdade em alguns (muitos?) casos, não é generalizável nem é a norma. Cheguei mesmo a ver um mesmo um certo companheirismo entre alunos e professores, repeito mútuo. Não em todas as Faculdades, claro. E pareceu-me que (por exemplo) na FLUP (Faculdade de Letras da U. do Porto) com alguns professores e alguns cursos só seria possível lidar mesmo à bofetada! Mas eu não andei lá.



Deixo à vossa consideração esta troca de mimos. Só duas consideração finais:

1. Atacar-me de "ah, e tal, e tu não percebes nada de educação" parece-me o argumento de quem está centrado demais no seu próprio mundo. Mas eu tenho provas: a prova é que não foi permeável à minha visão do assunto. Que obviamente é parcelar e pouco científica. Mas é real! Não está escrita nos manuais, mas é real. Possivelmente por não estar escrita nos manuais é que é mais real: porque saiu de observação bruta e não foi amenizada por um qualquer discurso pedagogicamente lixiviante e minimizante.

2. Quanto ao carácter científico de muitos estudos de ciências de educação, parece que o método de alguns consistem em escrever a introdução teórica e as conclusões primeiro e a observação experimental depois. O real esforço estará em ajustar as observações às conclusões pré-existentes. (E estranhamente acho que já li isto em qualquer lado. Não sei é se fui eu a escrevê-lo!)

12 comentários:

leandroribeiro disse...

É uma reacção natural. O professor é uma criatura obtusa e melindrável* e ainda há pouco tempo 100 mil espécimes reuniram-se num passeio que demonstrava 1) isso mesmo e 2) que gritam sem saberem muito bem o quê.

* Sim, generalizar é feio, mas há coisas bem piores - como bananas muito verdes, por exemplo.

leprechaun disse...

Olha quem cá apareceu!!! Provavelmente professor... mas não eu! ;)

Humm... talvez não... obtuso e melindrável não deve ser ganha-pão... :)

Ei! E já somos 2 Serpentes...

Rui leprechaun

(...Abobrinha, linda gente! :))

leandroribeiro disse...

Embora tenha passado uma larga temporada desde a última vez que interagimos, atrevo-me a dizer que és, provavelmente, a criatura mais omnipresente que conheço. Da próxima vez que estiver com a Paula digo-lhe que te re-encontrei :)

leprechaun disse...

Omnipresente? Claro!!! Pois se eu me identifico com esse princípio divino... omnisciente destino! :)

Ah! Conheces então essa mamã?! Bem, reencontrei-a há algum tempo no tal novo espaço excitado ou clube de amigos restrito. Será que também andavas por lá?! Não dei conta, mas esse clube demasiado selectivo não é mesmo para pelintras... no bolso e no miolo! ;)

Já te teria escrito, caso tivesses mail público lá no blog, como esta nossa adorável anfitriã! Não sabes do tal debate criacionista em Braga? Queres ir lá?

Eu gostava de voltar a contactar o Daniel... remember?!

Bem, eis o meu contacto no MSN: rui_leprechaun@hotmail.com

E como eu adorava que a jovem Cinderela dissesse "Olá!" à janela...

Rui leprechaun

(...mas passam os dias e "Cadê Ela?!" :|)

Abobrinha disse...

Leandro

Benvindo! Tenho que me debruçar sobre o drama das bananas verdes! Mesmo porque são mais a minha especialidade que professores (ou pessoas em geral) com falta de capacidade crítica e de encaixe.

Mas estou com uns posts em atraso e uns milhentos na cabeça, por isso não estou a ver quando é que isso vai ser.

O problema não é os professores serem melindráveis: são é melindráveis quando lhes cheira! Essa é que é essa!

A respeito da omnipresença... eu já me dei conta.

Abobrinha disse...

Leprechaun

A Abobrinha diz olá à janela de quem quer e como quer e quando quer. Não quando a forçam.

leandroribeiro disse...

Os professores são melindráveis quando se fala de professores. Quando se fala de alunos já não ligam muito. Não obstante, voltarei a concorrer este ano :)

leprechaun disse...

Puxa! Mas que Abóbora tão independente... quem lhe quer filar o dente! :)

Sim, já sabemos isso... está visto!

E sonhos, dás-lhes importância? Há um comentário atrás que me fez lembrar um sonho interessante que tive hoje...

Anyway... há sempre aquilo a que se chama a ocasião certa, ou nem antes nem depois. Ou um pouco como as oportunidades que surgem sempre na nossa vida e que podem ser aproveitadas ou desperdiçadas.

Bem, vou contar o meu sonho à outra jovem, sendo voluntária deve ser também mais caridosa...

Rui leprechaun

(...que uma Abóbora maldosa! :))

leprechaun disse...

Ah! Bem me parecia que andava por aí algo de professoral... ;)

E como é, ó João Ratão?! Pões-me como a Carochinha no caldeirão?! :)

Vá lá, usa esse mail para dizer algo, em especial se o puderes fazer quanto aos bracarenses! Não sei mesmo de ninguém que me possa dar essa informação e tu e ele até são amantes dos fotoblogs!

Ah! Quanto a mim, prefiro ser preceptor a professor. Digamos que é mais individual e mágico. Além do mais, avô honorário fica bem a um Gnomo...

Rui leprechaun

(...palachito e rei Momo!!! :))

leandroribeiro disse...

Vaz, eu não uso messenger, mas o meu email é público e está bem exposto no meu blog.

Não te punha num caldeirão, mas um biqueiro para o outro lado do arco-íris ensaiava-se 8-)

leandroribeiro disse...

E para encontrar o Daniel basta perguntar ao Google: http://www.danielcamacho.net/

leprechaun disse...

Palachito... what is that?!

Algum neologismo que me serve bem!

Olha, conheces a história da noz e da abóbora?! Ou do ateu que criticava Deus por ter posto um fruto tão pequeno numa árvore tão grande e outro enorme numa planta rasteira?!

Pois, mas quando lhe caiu uma noz na tola ele pensou que talvez não estivesse tão mal assim a tal distribuição... ;)

Driving force... ter essa motivação que nos faz mexer, tantas vezes só a necessidade extrema o consegue.

Logo, não tenho apetência pelo que está perto e à mão e sonho com o mais longínquo e irrealizável...

Olha!!! Acabo de ler que o teu blog foi muitíssimo apreciado por essa linda mamã... omelete na sertã!!!

Eu bem lhe dizia como a tua escrita era desconcertante e divertida...

Rui leprechaun

(...Menina cheia de vida! :))


PS: Ah! verdade, ó Leandro mui malandro?! Certo, vou ver melhor e já te ligo, ó doutor! :D

Uáu!!! É isso, mas tinha-me esquecido do apelido... nice!!!!!