segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Feriadologia

Quando era pequenina os feriados eram de dois tipos: ou se ia à missa ou não. Não se ia à escola em nenhum dos casos, mas o primeiro tipo era levemente irritante porque a manhã era perdida entre vestirmo-nos para ir à missa, ir à missa, chegar a casa e trocar de roupa, ficando parte do dia comprometido. Um feriado ao sábado era particularmente irritante porque, embora não houvesse catequese, havia... missa. Que era programa que habitualmente não fazia parte de um sábado de manhã.

Fico por saber o que é que de tão interessante eu tinha para fazer quando era catraia: a vida nos subúrbios do Porto nos anos 80 não primava pela excitação e não havia telemóveis, internet nem mesmo grandes cafés (e eu só comecei a beber café na Faculdade, para verem como eu era atrasada). Em contrapartida tinha primos e vizinhos com fartura e o pessoal arranjava programa de uma maneira ou outra, mesmo porque se podia brincar no meio da rua ou ir para o campo ou o mato de uma das famílias.

A prova de que havia programa era que os mais irrequietos arranjavam sempre um ferimento ou outro, ou porque saltavam de algum sítio mais ousado ou porque tinham andado à porrada uns com os outros, cimentando e eternizando assim a salutar rivalidade ou mesmo inimizade entre famílias vizinhas. Uma seca, resumindo! E saltávamos à corda, imaginem só! E nenhuma das meninas tinha Barbies porque eram muito caras: na altura os chineses não eram como agora e parece que as Barbies não eram tóxicas.

Belos tempos esses, em que o drama de um feriado era ter que ir à missa e não. Tempos em que eu obedecia à minha mãe e nem ela nem eu tínhamos cabelos brancos. Tempos em que eu não tinha um blogue de que ninguém sabe com um consultório sexual a que ainda não respondi porque ainda não me inspirei devidamente (fica para hoje à noite) .

Fica a dúvida de porque é que se festeja mesmo os feriados: ninguém quer saber do significado (hoje festeja-se o 25 de Abril, certo?) mas só do dia de folga/compras. Nem o facto de ter que ir à missa parece muito relevante. Ou seja, já que os feriados não têm significado e não, podia-se perfeitamente semeá-los mais irmamente pelo ano em vez de os concentrar todos. Quem realmente quisesse que o dia tivesse significado, tirava férias! Mas quem me manda a mim ser lógica?

Claro que há pior ainda: há quem fique doente não só num domingo mas num domingo véspera de feriado! Gugui... desculpa, mas parece-me que o teu sentido de oportunidade é só ligeiramente pior que o meu. Ou eu sou tão ruim que nem a gripe quer nada comigo (é capaz de ser mais isso!). As melhoras, miúda! E há feriado para a semana. Mas esse é de ir à missa, se é que isso te faz diferença (a mim não faz)!

E perguntam vocês: mas que merda de post é este? Para já, quem pensou isso revela grande fé na minha capacidade de escrever mais que disparates (um erro!). E grande valentia em ter aguentado ler isto até este ponto! Já agora fica o esclarecimento: é que destinei o dia de hoje a arrumar a casa e... apetece-me tanto arrumar como nos outros dias: não apetece! Vai daí, estou a fazer tempo! Mas tem que ser... e tem que ser mesmo!

Voltarei à antena quando a casa estiver em melhor estado e eu inspirada para responder ao consultório sexual. E perguntam vocês: e o que te poderá possivelmente inspirar para escrever badalhoquices? O cabo da vassoura? Naaaah! É mesmo a minha mente porca, activa em qualquer situação!

Até jáaaaaaaaaaaaaaaaa!

8 comentários:

Anónimo disse...

contente que fico por te saber a ir à missa, mesmo que no seculo passado. Até antevejo os soquetes brancos encimados por rendinhas e aquelas sandalias/sapatos ingleses com uma tirinha de cabedal sobre o peito do pé..... ai ai... saudades.
Como não 'postaste' ao domingo, imagino que estiveste pla missa e eventualmente a repor as asas de anjinho , não vá a pascoa chegar mais cedo.
Neste papel de 'mata borrão' que absorve toda a tinta..
dedicado
Valetorno

info-excluído@pessoa disse...

Viva.
Porque é que de vez em quando dizes que não percebes porque é estás a postar 'isto'?
A minha ideia de feriado não é muito diferente da tua (e está gira aquela do 'feriado com missa e feriado sem missa).

Aposto que o consultório sexual vai ser um sussexo.
Ciao

NI disse...

Bola, parece que acabei de correr a maratona. É certo que tenho o mesmo nome de uma maratonista medalhada mas já não idade para estas correrias.

Posto isto,

Também passei o dia em arrumações.

E, sim, também nunca tive uma barbie e para mim era feriado quando conseguia arranjar dinheiro para comprar um pirolito (para quem não saiba era um rebuçado que trazia um autocolante que eu e as minhas irmãs tratávamos de colar nos azulejos da cozinha o que tirava a minha mãe do sério).

Mas que raio, mesmo sem barbies e afins divertíamo-nos como tudo (e agora já me sinto um autêntico velho do restelo)....

:-)

Beijos

Eu mesma! disse...

Bem...
tens toda a razão... quando eu era pequena também existia a questao do... ir para a igreja ou ficar em casa...

por acaso... confesso que prefiro o ficar em casa do que me enfiar dentro de uma igreja mas também te digo... nem sei exactamente que feriado é hoje....

sei que passei o dia inteiro em ronha profunda enfiada em mantas....

está um frio do caraças!

Jinhos

P.S. Obrigado pelo teu post... és uma querida! já te respondi :)

Abobrinha disse...

Valetorno

Hiiiiiiii, já me tinha esquecido dos sapatinhos ingleses e das soquetes! E os meus primos de calção, porque só eram promovidos a calça comprida mais velhinhos! A moda era muito cruel nessa altura!

Nunca mais eu vou ter asinhas: já não adianta!

PApel mata borrão absorve pixeis? Curioso!

Abobrinha disse...

Info-excluído

EU digo com frequência que não faço ideia porque posto isto ou aquilo porque... é verdade: os meus dedinhos têm vontade própria nestas alturas. Noutras também, mas não vamos entrar em badalhoquices!

Abobrinha disse...

NI

Claro que nos divertíamos! Mas agora a criançada tem mais opções e cabe-nos a nós orientá-los para as aproveitarem. Sem controlar demais, claro!

Engraçado, pensei que um pirolito era uma bebida. Um dia destes tenho que retomar a memorábilia de trintona!

Abobrinha disse...

Eu mesma!

Bem, a igreja na altura para mim tinha muito "cumbíbio", de modo que não era muito mau. Hoje em dia é que já não me diz muito o ritual em si: acho muito... olha, não se
aprende grande coisa!

E sim, está um frio de rachar! MAs se não estivesse esta chuva e não tivesse que arrumar, tinha ido passear. Acho que vou procurar umas calças impermeáveis para poder passear à chuva sem risco de ficar doente. É que, parecendo que não, estamos no Inverno!

VOu já ver o que respondeste.