quarta-feira, 14 de maio de 2008

O drama pouco conhecido das etiquetas gigantes das cuecas

Porto, Rua Sá da Bandeira, dia 3 de Maio do ano da Graça de 2008. Fermosa e não segura (estava de saltos altos e a rua é bastante inclinada) descia a rua um vegetal com forma fálica na sua forma de duas patas e sem um computador à frente.

O incómodo dos sapatos altos e a atracção fatal por outros da mesma raça ou outra diferente levaram-me a espreitar para dentro da montra da Fly London. E lá estavam eles: diferentes e confortáveis. E lá estava ele: um naco de carne com duas patas, sentado a experimentar sapatos. Um homem seguro da sua sexualidade, que não se importa de estar de rabo para a rua porque não tem medo de ser enrrabado. Gosto de homens seguros, mesmo que sejam nacos de carne com uma gordurinha a mais e mesmo com um bocadinho de nervinho. Ou seja, que tenham qualquer coisinha para trincar (músculos firmes de preferência, mas não sou esquisita).

Seguro da sua sexualidade, experimentava sapatos. E foi aí que se desenrolou o drama: ao debruçar-se para calçar um sapato mais apertado ou mais trabalhoso eis que a vejo! Triunfante, livre! A etiqueta MONSTRUOSA das cuecas do naco de carne acena-me furiosamente! Não pensei mais em sapatos e passou-me a dor nos pés!

Como interpretar este acenar? Não será como o da criancinha (15 mesitos) que um dia destes muito de manhãzinha na rua me acenou o caminho todo, sorridente. A mãe nem notou porque a menina estava virada para trás e só nós as duas naquele minuto ou dois é que existíamos. Fez-me ganhar o dia! Este era um acenar diferente, sem dúvida.

Analisemos o cenário: peludo! Muito peludo! Um tufo de pêlo também me acenava! Isto era se havia dúvidas que o homem e o macaco são primos. Via-se do pedaço de rabo pertencente ao pedaço de carne mais do que está estabelecido nas normas ISO 69 de higiene e saúde rabal. Se a ASAE entrava no estabelecimento naquela hora íamos ter um problema.

Ocorreu-me que fosse um aceno de triunfo. Uma afirmação: EU SOU! Nem que "eu sou" seja uma etiqueta de cuecas claramente sobredimensionada, o que é importante é ser-se quem se é e assumi-lo perante o mundo! Não era sequer uma etiqueta anónima mas uma etiqueta saída do armário. No caso, da gaveta.

Seria o aceno só um cumprimento efusivo? Um cumprimento normalmente implica um rosto, o que não acontecia naquele caso. Dito isto, na falta de um rosto completo havia ali elementos de um rosto. No caso, bochechas: duas, para ser exacta (o único olho estava escondido). É então possível que o produto que se me apresentava (a etiqueta) fosse só um efusivo cumprimento. Sendo assim, trata-se de um produto de nicho: um cumprimentador de rectaguarda, para salvaguardar os casos em que o proprietário não consegue satisfazer as solicitações à frente e à rectaguarda. Ou seja, podia a desinibição ser afinal simplesmente uma tendência sexual que não me interessa (não na óptica do utilizador).

Podia ser um apelo à eutanásia: quem é que quer viver num sítio daqueles? Passar a vida a interrogar-se sobre quando é que o gajo vai mandar uma bujarda? Ir à máquina de lavar quando é suposto ser lavado à mão! A vida de uma etiqueta de cuecas é perfeitamente pouco compreendida pela Sociologia moderna, se forem bem a ver! Um drama académico!

É um mistério o acenar das etiquetas gigantes das cuecas!

Eu sou uma mulher de causas. E decidi abraçar a causa das etiquetas gigantes das cuecas (eventualmente também um ou outro pedaço de rabo correspondente que valha mais a pena). No fundo, resumidamente (pois...) este é o drama pouco conhecido das etiquetas gigantes das cuecas: para que servirão, se manifestamente nem para limpar o rabo são úteis? E sim, eu sei que acabei de criar uma ocasião excelente para uma piada acerca da possibilidade de eu ter um rabo grande (pelo menos para quem ainda não desistiu de ler!). Mas aviso já que tenho uma caçadeira apontada e não tenho medo de a usar.

Uma mente convencional dirá que uma etiqueta de roupa tem como função indicar a composição, origem, marca e instruções de lavagem. Um par de cuecas não passa de uma peça de roupa. Mas parece-me muito convencional para um peça com tanto potencial (quer vestido, a aconchegar o que deve, quer no meio do chão). Assim sendo, tenho as seguintes sugestões para futuras utilidades das etiquetas das cuecas:

1. Servir de caderninho de apontamentos. Nessa altura será eventualmente útil ter uma caneta por perto. Assim tipo um moleskine íntimo! Grande obras de literatura dali sairiam, não?!

2. Depois do E-book e do audio-book, o cueca-book. Isto seria particularmente útil para quem sofre de prisão de ventre, esse outro drama pouco conhecido! Em suma, uma merda!

3. Manual de instruções. Esta valência tem muito potencial! Não são os homens sempre a queixar-se que as mulheres não têm manual de instruções? Ora lá está: meninas, detalhem o modo de proceder! OK, isto é manifestamente um exagero (entraríamos no campo dos lençóis, e isto para cuequinha fio dental não dá). Assim sendo, coloquem só as instruções da vossa posição ou prática preferida... e renovem o stock de cuecas de vez em quando... depois de usarem e abusarem das outras... até ficarem beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem gastas! Oiéeeeeeeeeeeeeee!!

4. Kama Sutra. Isto é uma oportunidade para a indústria têxtil e um bom exemplo da cooperação entre a indústria e o Governo: o sussexo comercial faria o que as medidas governamentais não conseguem a nível de incentivos à natalidade.

E por aí adiante! Apelo a mais sugestões!

Já agora partilho convosco um detalhe que nunca revelei: o destino das etiquetas das minhas cuecas. É fácil: tesoura com elas!


E, meninos... ficam a saber que não é inteiramente mau ter receio que alguém vos ataque por trás. Sobretudo se tiverem calças com a cintura demasiado descida! Se forem primos de um macaco, então esperem até as luzes estarem mais baixas (ou até ela tirar os óculos ou lentes de contacto). Outra coisa: se quiserem construir parques infantis, prefiram o suor do corpo que vem do trabalho honesto e não cedam à tentação fácil da pornografia soft... pelo menos não antes de me enviarem umas provas para eu avaliar...

20 comentários:

rds disse...

pornografia soft é pos- contemporaneo!
Bem normal na medida em que existem modelos vivos para aulas de pintura e escultura, que são mais apreciados que exposições de arte contemporanea, vide post sobre arte!
Mas nada como o "Olhar" inquieto sobre e sob as coisas, de uma etiqueta a um jardim de Museu.

Joaninha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joaninha disse...

Sim hoje em dia dá para escrever o Guerra e Paz do Tolstoi nas etiquetas, hehehehe!

Osvaldo Lucas disse...

Possivelmente numa qualquer NP99999/2000 haverá referências a que o consumidor deve ser informado que
a) Não contém chumbo
b)deve ser lavada periodicamente
c)tem na constituição x% de algidão, etc
d) deve ser enviada para reciclagem após a vida útil e ser colocada no contentor am...(?)
e)o nome do fabricante, NIF, morada, país de origem das fibras,etc
f).......

Por outro lado, como a informação deve ser acessível a pessoas com deficiência (NP 123456/19999), o tamanho da letra deve ser Times New Roman, tamanho 18...

A explicação para o tamanho da etiqueta é pois absolutamente normalizada.

Abobrinha disse...

Joaninha

O Guerra e Paz... mmmm... boa ideia! Além de ajudar quem sofre do drama da prisão de ventre a passar o tempo, aumenta a cultura geral do povo.

E que tal cuecas descartáveis? Cuecas-jornal, com as notícias impressas. Era uma maneira de o pessoal andar com as notícias em dia. Isto tem um potencial tremendo! Imagina as publicações gratuitas sob a forma de cuecas! E como as notícias são descartáveis, seria a forma de muito boa gente mudar de cuecas todos os dias!

E que dizer do velho hábito de limpar o rabo ao jornal? Com uma média três diários gratuitos a serem distribuídos nas grandes cidades, um gajo pode perfeitamente ir à casa de banho, mudar de roupa interior de cada vez que lá vai e ainda estar informado!

É todo um mundo isto da roupa interior!

Abobrinha disse...

Osvaldo... ba-da-lho-qui-ce... o que se pede neste blogue é badalhoquice! Pois a composição já eu a sei! Vá, consegues fazer melhor!

Osvaldo Lucas disse...

Pois, é que rabos masculinos não me despertam especial interesse...

Joaninha disse...

Mas Osvaldo,

Aquilo que aqui se menciona pode ser facilmente levado para o universo feminino, basta que mudes o genero do rabo porque as etiquetas são igualmente gigantescas :)

Osvaldo Lucas disse...

Joaninha... e os pelos hã?

Infelizmente a Abobrinha tem uma visão muito dirigida e não notou a larga T-shirt da empregada que diligentemente se debruçava, e cuja frontaria certamente faria inveja à Carla Matadinho!!

Abobrinha disse...

Osvaldo

Folgo em saber que não aprecias rabos masculinos. É francamente um alívio, como podes constatar nas mensagens anteriores e respectivos comentários.

Não estou a ver que rapariguinha T-shirt larga estás a falar. Será a que usava aquela camisola justíssima com um decote até ao umbigo e que deixava ver metate das mamas e adivinhar a outra metade? Aquela que a empregada vestiria com umas calças justíssimas, de cintura descida e que dava para ver uma cuequinha fio dental com uma rendinha, vermelhas, a combinar com os sapatos com salto agulha também vermelhos?

Não, Osvaldo, era mesmo um rapazinho obeso com ar de apreciador de acenadores traseiros suplentes que estava de serviço. A rapariguinha, aliás, só existe na minha imaginação (e na do Hugh Heffner). Um dia destes aconteceu-me não ter o cuidado suficiente com um "debruçanço", mas isso agora não interessa nada (e não faço frente à Carla Matadinho).

Abobrinha disse...

Osvaldo

Tenho dois posts acerca da importância dos pêlos. Este e este... não juro é que depois disto continues a frequentar o tasco...

Tenho mesmo que fazer o post com o título "Como pô-lo KO na primeira noite". O problema é que tenho que o preparar. Mas aviso já que o discuti com a Joaninha e ela corou!

Abobrinha disse...

Joaninha

És uma querida, mas partes de um princípio absurdo: que os homens têm imaginação. A realidade é que se tem que lhes explicar tudo! É o equivalente badalhoco de dar a papinha na boca! Ou seja, são bebés até muito tarde!

Osvaldo Lucas disse...

Falta de imaginação?
É por imaginarmos que as raparigas preferem os bonitos, encantadores e não gays que Bragança tem muita freguesia...

Abobrinha disse...

Osvaldo

Há muitos motivos pelos quais Bragança tem muita freguesia. Um dos quais porque muitos homens não se dão ao trabalho de serem lindos, sensíveis e inteligentes para conquistarem uma mulher. E de a fazerem ir à lua e vir.

Ou então para disfarçarem a sua incompetência: pago elas dizem sempre que é bom!

Joaninha disse...

Osvaldo,

Isso dos pelos já deixo a tua imaginação, que se for do genero masculino normal tratará de todos os aspectos menos esteticos que a descrição sa abobrinha possa ter.

abobrinha,

estás enganada os homens tem mjuita imaginação especialmente quando toca a imaginar mulheres ;)

Abobrinha disse...

Joaninha

Pois imaginam. Possivelmente mulheres imaginárias mesmo, não as reais. Ou seja, têm pouca noção da realidade.

Há um tempo, num dia em que estava com tempo para ver televisão em casa dos meus pais, vi num programa da Tyra Banks uma reportagem em que três homens diziam saber e acertar 9 em 10 vezes que tipo de roupa interior uma mulher usava só por olhar para ela. Fizeram o teste e aí em 15 tentativas acertaram 3 (no total!).

Osvaldo Lucas disse...

Opiniões politicamente correctas da Abobrinha!?
Cruzes, credo, canhoto!!!

Abobrinha disse...

Osvaldo

Como é???? EU???? Politicamente correcta? Queres apanhar ou quê?

Estou a brincar: eu não sou politicamente correcta nem incorrecta. Isto tem implicações importantes, nomeadamente que ninguém sabe bem em que caixinha me há-de por. Por exemplo, um dia destes tenho a certeza que um dia destes os olhinhos que me miravam tinham escrito "esta gaja é fufa", para a seguir dizer "mmmm... afinal é homofóbica". Claro que eu não vou dizer do que se tratava, que senão não tinha piada nenhuma!

O motivo porque não sou nem uma coisa nem outra é que sou muitas coisas ao mesmo tempo. É complicado seu eu! Eu mesma me vejo à rasca e às vezes queria despedir-me do cargo, mas parece que é vitalício! A parte boa é que raramente me aborreço. Mas também sou velha demais para ser outra coisa qualquer.

Em relação ao assunto em si, mantenho o que disse. Fantasiem, mas tenham a noção da realidade. É por essas e por outras que as mulheres têm a perfeita noção de que envelhecem e os homens só se apercebem disso mais tarde. Às vezes tarde demais, quando são criancinhas de 60 anos a brincar às bonecas.

Krippmeister disse...

"...quando são criancinhas de 60 anos a brincar às bonecas."

Se há homens (que não o Hugh Heffner" que aos 60 anos ainda têm bonecas com quem brincar, então o futuro parece-me muito mais sorridente do que eu pensava :-)

Abobrinha disse...

Herr K

Por um lado merecias uma murraça pela falta de consideração em relação a mulheres como eu.

Por outro lado, já sei o que te vou dar para o teu aniversário.