terça-feira, 18 de novembro de 2008

Uma explicação racional

No Expresso:

"Os motivos que levaram Margaret Bernstorff, 94 anos, a manter os cadáveres dos três irmãos em casa durante mais de vinte anos ainda não são conhecidos. A polícia já apurou que os três idosos morreram de causas naturais mas, embora esteja "lúcida", a "simpática senhora Bernstorff ainda não foi capaz de dar qualquer explicação racional" às autoridades para a sua atitude."

Alguém é capaz de adiantar uma explicação racional para uma coisa destas? Há uma explicação racional?

"Sobre os irmãos Bernstorff pouco se sabe: nenhum casou nem teve filhos, sempre viveram juntos, mudaram-se para aquela casa em Evanston nos anos 20 e por ali ficaram, com uma vida social praticamente nula. [...] Por isso mesmo, a atitude de Margaret com os cadáveres dos irmãos pode ser entendida como "normal", dizem os especialistas. "Quando não se tem um rede de suporte cai-se facilmente em situações irracionais de dependência como esta", explica Celie Berdes, professora de saúde em Chicago. "

Quê? É esta a explicação racional? Ainda por cima é normal? Eu não acho normal!

POrra, se a falta de vida social faz isto... ainda bem que eu gasto gasóleo para a ter! Entre outras coisas, cheira menos mal que um cadáver!

Nota mental: sair este fim de semana, esteja ou não melhor da garganta!

9 comentários:

Sadeek disse...

É nisto que dá a crise...uma pessoa tem fome e tal...não tenho dinheiro pró bife do lombo...

Ao que isto chegou... :P

NI disse...

às vezes questionámos-nos se os loucos não somos nós.

Blondewithaphd disse...

Ele há razões que a razão desconhece. Mas nessa das redes sociais estou absolutamente de acordo: há que mantê-las e estimá-las. São elas as nossas âncoras. O que seria da Blonde sem rede social? No idea, mas, de certeza, muito triste!

Salto-Alto disse...

Nunca pensei que a minha vida social fosse tão importante para os que me rodeiam! Veja-se o caso! ;)

Beijocas!

Abobrinha disse...

Sadeek

Não: no caso era uma alimentação puramente "acompanhal". Digo eu que para serem iguais vivos ou mortos, os homens não deviam falar muito. E ainda não me convenci como é que: 1. Ninguém deu pela falta deles naquela vintena de anos e 2. Como é que ao fim de 20 anos não cheiravam mal (é que a notícia não diz como é que eles foram preservados, porque naturalmente tiveram que ser preservados).

Pode argumentar-se que isto não é para rir, mas se um gajo não ri, está lixado!

Abobrinha disse...

NI

Boa pergunta: estaria louca a senhora ou os vizinhos que não deram por aquela miséria humana em tantos anos? Tudo bem, ela não frequentava a igreja, mas a malta da igreja era assim tão totó que não viu a solidão da senhora? Loucos, distraídos ou mesmo só crueis?

É que não me parece que isto fosse um grande centro em que as pessoas não se conhecem! Dizem-me que aconteceu num edifício (com muitos habitantes) onde eu vivi uma idosa morrer em casa sozinha, mas ao menos os vizinhos ou família deram por falta dela!

Abobrinha disse...

Blonde e Salto-Alto

O homem, como muitos outros animais, é um ser de grupo. A individualidade é isto e aquilo, ser diferente e ser aceite é essencial (mesmo porque cada uma das individualidades é profundamente enriquecedora para o grupo), mas... se somos postos fora do bando por um motivo ou outro, é o fim da macacada.

Mesmo porque não passamos de macacos com um bocadinho menos de pêlo (ver o post com o rabo do Sadeek).

Há experiências sociológicas com animais e o efeito do isolamento com resultados devastadores. E ainda experiências humanas involuntárias, como as crianças criadas por animais. Coisas que nos demonstram a nossa força e fragilidade enquanto indivíduos e como grupo.

Por isso... tratem bem o bando e exijam o mesmo tratamento!

André Couto disse...

Embora não tenha a menor intenção de fazer algo similar penso que a senhora em questão pode ter feito o que fez para fugir á solidão. Poderá ter sido uma forma de conservar perto de si aqueles que amava e ia perdendo.
Embora estando muita longe de ser idoso, ou velho sequer, imagino que possa ser extremamente penoso sobreviver às pessoas que fazem parte da nossa vida e com isso ficando cada vez mais desamparado, cada vez mais só.
Não sei se serve de explicação, mas parece-me bastante racional.

Sadeek disse...

Não é para rir?! Eu acho que só dá para rir...que é diferente...AHHAHA

BEIJOOOOOOOOOOOOOO