domingo, 27 de janeiro de 2008

Aquele engate

Vi a miúda a sair do carro e a precipitar-se entusiasmada para a porta. Eram 10 e tal da noite de sábado. Era parecida comigo, mais ou menos da minha idade possivelmente (se bem que me pareceu qualquer coisa mais nova). Aliás, se a descrevesse no geral, podia estar a descrever-me a mim.

A porta da farmácia afinal não era o objectivo dela, mesmo porque estava fechada. O objectivo dela era a máquina de compra de preservativos e o motivo do sorriso estranho no rosto dela. Sorri a pensar nisso e olhei casualmente para o carro.

Dentro do carro estava um homem com aspecto de ter idade para ser pai dela. E sorria. Mas um sorriso diferente. Um sorriso de triunfo. Não sei se teria sido um sorriso de "eu nem acredito que isto me está a acontecer", mas senti algo de errado naquele sorriso. E pensei que se aquela máquina falasse, teria muito para contar. Afinal, aquelas máquinas são para emergências, e não geralmente para actos deliberados. Já me dirigi a uma porque uma amiga olhava para ela mas não tinha coragem de avançar para lá com tanta gente (2 pessoas) a olhar. Diz ela que lhes deu bom uso e eu acredito. Tudo o resto correu mal, mas ao menos naquela noite ela foi feliz.

Não consegui deixar de pensar na urgência daquela protecção e contracepção e em tudo o que senti que havia de errado naqueles sorrisos. Seria engate ocasional? Seria amor? Seria uma funcionária a tentar subir pelos meios errados? Fosse o que fosse, não me dizia respeito, mesmo porque eu estava só a passar. Toda a cena durou 3-4 segundos mas pôs-me a pensar mais que esse tempo, um pouco porque sim, um pouco por causa de conversas de arrepiar os cabelos que tenho tido e ouvido nos últimos tempos e experiências de amigos. Mulher que pensa é perigosa.

Quem acredita nos homens é verdadeiramente uma pessoa de fé. Eu sou uma pessoa de fé... mas à cautela, desconfio.
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29-1-2008, 00:47

Este post não saiu como eu queria. Para falar verdade, não sei o que é que eu queria com este post, mas não era isto. Não queria ser moralista, sobretudo quando parece ter recaído sobre a mocinha a reputação de Eva. Hei-de voltar mais tarde a isto, mas... isto foi completamente ao lado!

10 comentários:

Manuel Rocha disse...

Essa também me deixou a pensar...

E a desconfiar dos propósitos dela...é que as mulheres, bem...

...:))

Joaquim Simões disse...

Deixa lá, as pessoas que te lêem têm fé em ti...

ZumZumMataMoscas disse...

Aboborinha,

Você também vê mal em tudo.

Repare, a rapariguinha essa noite ia sair com o namorado.
O pai, que vê muita televisão e não perdeu os últimos anuncios da Super-bock, pensou:

"Filha + namorado + saida nocturna => RAPIDINHA"

Então alarmou-se, ele que se considera um pai moderno não podia proibir a filha.
Mais! Se a pequenita da Floribela colocou aquele par de prateleiras, se os jovens de 14 e 15 anos fazem orgias de sexo e drogas, que argumentos é que ele teria!?

Já que não a podia proibir, ele pensou em garantir que ela fosse prevenida, não fosse o estupido do inutil do namorado esquecer-se de levar os preservativos: "Há muita sida por ai e não sei onde é que aquele gajo anda a pôr a coisa dele. O parvalhão não me inspira confiança. Aliás não sei como uma miuda pode gostar daquilo, mas se a minha filha gosta! Mais vale prevenir. Sexo seguro, é o que eles andam para ai a propagandear."

Então chamou a filhinha e com a sensibilidade de um rinoceronte, perguntou.lhe:
- Ó princesa, levas daquilo?
- Daquilo o quê pai?
- Aquilo! Já sabes!
- Ó pai, mas que é que tás a falar? Dinheiro?
- Ó filha, tou a falar de camisas!
- Camisas? mas eu vou de top. Não tá frio.
- Camisas de vénus!!
- Camisas de Vénus?!
- Sim, mais vale levares: Tens?!
- Não.
- Então anda, vamos ali comprar. Eu levo-te.

E foi quando você os viu.

Ela ia toda sorridente pois, depois de bem mais de uma década, já não precisava de continuar a ocultar ao pai que já não era virgem e que fornicava sempre que podia. Além disso, agora que ele começou a patrocionar os tão necessário preservativos, ela ia explorar o filão..

O sorriso do pai suportava-se no pensamento de que a filha já era uma mulher, que dentro de pouco tempo arranjava um gajo, casa e, finalmente, desampara a loja.

E você a imaginar outras coisas!! Devia ter vergonha.

http://zumzummatamoscas.blogspot.com/

Abobrinha disse...

ZumZum

A sua imaginação ainda é mais fértil que a minha. Pior: a sua inocência é praticamente infinita!

Abobrinha disse...

ZumZum

Para um homem casado e pai de filhos você é muito inocente.

ZumZumMataMoscas disse...

Aboborinha,

Eu gosto de pensar bem das pessoas e detesto as más linguas (por vários motivos, incluindo alguns que a minha inocência não me permite revelar).

Veja lá que até penso bem de si?!

http://zumzummatamoscas.blogspot.com

annita disse...

Abobrinha
Se a rapariga era mais ou menos da sua idade, já tem idade mais que suficiente p/ não ser ingénua. Pelo menos, já deve saber ao que vai, mais que não seja pela desenvoltura como se dirigiu à máquina de preservativos ... não deve ter sido a 1ª vez ... Hoje em dia já é tudo "normal" acima dos 16 anos ... ora estamos a falar no dobro da idade, não?

Abobrinha disse...

ZumZum

"Veja lá que até penso bem de si?!"

É o que eu digo: um inocente! Mas tem razão: eu sou óptima pessoa. Especialmente quando não me passa uma coisinha má à frente dos olhos e digo a primeira coisa que me vem à cabeça. Mas olhe que mesmo aí tenho os meus momentos de inspiração.

Abobrinha disse...

Annita

Este post foi definitivamente ao lado! Não sei de que maneira descalçar esta bota, por isso nem vale a pena: estava com um estado de espírito estranho nessa altura, por isso nem vale a pena olhar para a cena de novo.

A questão é: algum dia saberemos o que estamos a fazer? Com 16, 26, 36, 46,... ? Não sei!

annita disse...

Não, mas aí é que está a magia do amor, do sexo, daquilo que lhe queiram chamar ... fazer sem pensar ... se começamos a pensar no que é certo e errado, nunca fazemos nada ... e o tempo passa ...