quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Redacção - A Natureza

Hoje lembrei-me de voltar à escola primária e fazer uma redacção sobre a Natureza. Vem a propósito do meu fim de semana prolongado. Ora cá vai!

A Natureza é muito bonita. Mas é preciso andar muitos quilómetros para chegar à Natureza. O que é um disparate, porque bastaria andar uns metros para lá chegar, mas o que há a uns quilómetros tem mais estatuto e mais organização e mais entretenimento. Ou seja, para ter uma actividade ambiental emiti muito CO2 (não fazer confusão com outro tipo de emissões de que falo abaixo) porque queimei muito gasóleo. Quer dizer, eu não: o meu carro! Mas eu não discuto com ele, porque se não o deixo queimar gasóleo ele teima em não me levar a lado nenhum. Olha: cada tolo com a sua mania!

A Natureza não tem casa de banho. Dito de outra maneira, a Natureza é uma casa de banho. Grande, mas sem assento nem papel higiénico. Os bichos de 4 patas que usam a Natureza não têm grandemente a noção de ir a um cantinho fazer o que a Natureza os manda ao fim de umas horas de digestão e prrrrrrrrrrr... cagam em qualquer lado, inclusive no meio do caminho! Daí que posso dizer que o meu fim de semana prolongado foi merdoso. Caso raro, disse isto no bom sentido!

A Natureza tem muitos animais: cães, pássaros, gatos, javalis, gatos domésticos e selvagens, cavalos e burros... de 4 patas e de 4 rodas. Uma pena não deixarem caçar os de 4 rodas quando à solta na Natureza: não estão em extinção de todo e infestam a Natureza e a estrada de rodados e da sua burrice e falta de respeito pelo que está. Os camelos de 4 rodas são essencialmente urbanos e ficam para outro post.

A Natureza faz doer as pernas e o rabo. Falo por experiência, depois de horas de caminho. Mas estou em relativa boa forma, o que muito me agrada. Podem fazer piadas sobre doer-me o rabo, mas recordo que ainda não tive tempo de ir mexer no aparato que faz guarda ao livro de reclamações.

A Natureza não tem ar condicionado. Ou por outra, até tem, mas alguém deixou as janelas todas abertas, o que dá um bocado cabo do efeito. Além de tudo, deixei instruções específicas para ter solzinho, mas o S. Pedro não me liga nenhum. Estou desconfiada que é de me ver a frequentar blogues de ateus empedrenidos (vamos assumir, por absurdo, que antes disso ele me ligava algum).

A Natureza pica. E muito! Estou com as pernas todas arranhadas de plantas várias. As mãos também têm umas mazelas.

A Natureza morde. Felizmente não tive oportunidade de comprovar experimentalmente esta faceta, mas lembrei-me do Herr Krippmeister (por todos os motivos errados) quando um aracnídeo me trepava pela perna acima. C'os diabos, não é que as carraças afinal são parecidas com o Pavilhão Atlântico?? Mais patinha, menos patinha (não contei, mas dizem-me que são 8, o que é manifestamente excessivo), era arredondada e sobretudo enormesca como o Pavilhão Atlântico!

Estou convencida que a carraça não dá para fazer concertos e outras cenas multi-usos, como o Pavilhão Atlântico, mas também não creio que o Pavilhão Atlântico dê para sacudir daquela maneira das minhas calças. O que é bom, porque sacudir uma coisa daquele tamanho não seria pêra doce e sabe-se lá onde iria parar. Se bem que estou convencida de que o Pavilhão Altântico não me ferraria, chuparia o meu sangue e me provocaria uma doença que potencialmente me causaria a morte. Ou seja, seria melhor que me trepasse um Pavilhão Atlântico para a perna. Sobretudo se não me esmagasse (se só estivesse em cima das calças de ganga e não da perna estou convencida de que não teria mal).

Claro que não sei como é que o Pavilhão Atlântico iria ter às minhas pernas ou mesmo às minhas calças, mas isso agora não interessa nada: o que interessa é que aquela carraça nojenta estava na Natureza e ficou na Natureza, onde pertence. Mas ainda me assombra os meus sonhos... que nojo!

A Natureza cheira às vezes mal e tem muita lama. Às vezes a mesma coisa, dependendo da composição da lama.

Na Natureza dá para fumar. Tem mais que 100 m2 e a exaustão dá nitidamente para o exterior. Em ambientes de interior já não dá para fumar, o que é bom. Mas não há regulamentos quanto ao hábito do flato (talvez para Janeiro de 2009). Que não é na maioria das vezes inodoro, como verifiquei experimentalmente (se bem que não tivesse significado estatístico, graças em parte a eu ter abandonado a experiência quando ainda era cedo ou ao facto de a refeição abundante ter feito estragos só na primeira hora de 2008).

Estou convencida de que alguns dos fumadores que frequentaram o mesmo espaço interior que eu se abandonavam ao pernicioso hábito do flato a coberto do cheiro do tabaco. Ora correu mal. Bem, ao menos não fui para a cama com o cabelo a cheirar a peido, enquanto que com o tabaco o aroma seria garantido! Mas também não identifiquei o dador (os dadores?) de tão aromática (yuuuuuuuuuuuuk!) manifestação sonora, dado que não o ostentavam propriamente nos dedos ou no... bem, noutro sítio qualquer horrível! O que nos leva (estranhamente) ao rei de Espanha, mas isso é para outro post! Na Natureza ao menos, flato e fumo dissipam-se com pouco prejuízo ambiental. E os peidos não provocam indêndios (acho eu!).

A Natureza tem sinal. Sim: tinha mais sinal na Natureza que na vilinha onde estive. E onde estive só tinha Optimus (daí a piada da Estância Optimus no blogue da Joaninha) e mesmo assim só onde lhe apetecia. Dado que o meu acesso à internet é por uma placa TMN, não faria sentido levar o computador.

Na Natureza são aceitáveis tracção às 2, às 3 e às 4. A tracção às 2 será a norma, às 3 uma emergência (orgulho-me de dizer que só a ela recorri numa emergência) e às 4 de uma falta de dignidade total (não apliquei esta experimentalmente)!

A Natureza dá banho. Não tem sabonete, gel de banho nem amaciador (e água quente nem pensar!), mas estranhamente o meu cabelo ficou mais brilhante depois de um passeio a sério! Acho que daqui se conclui que não sou ave de aviário mas de voo livre: a liberdade fica-me bem (apesar das carraças).

A Natureza não tem indicações. Deus abençoe o GPS! Não me interessa o que dizem os ateus! Mesmo porque o blogue é meu e quero cair nas boas graças do S. Pedro de novo.

A Natureza não tem contra-indicações. Está recomendada para todas as idades e admite vários níveis de preparação física. É muito boa e recomenda-se!

Ora bem, é tudo. Obrigada a quem rezou por mim durante a minha ausência. E obrigada pelas sugestões para 2008: serão todas levadas em consideração!

8 comentários:

antonio disse...

E a Abobrinha é uma força da natureza, faltou-te esta... vejo que não sou o único a inspirar-me na natureza, embora eu seja menos lamechas!

Olha miúda está atrasada uma série de posts lá do meu lado e todos muito bons e depois temos aquele assunto lateral a resolver entre nós, lembras-te?

Abobrinha disse...

António

EU??? Lamechas??? Há confusão, meu amigo: o lamechómetro está desligado há um tempo e não queria ligá-lo tão cedo (mas ele é um bocado imprevisível)!

Eu reparei que há uma porrada de posts novos (e comentários!!!). Cum carago, aquilo é que foi produzir!

QUanto a pensamento lateral, ainda não pensei seriamente no assunto (fiquei perturbada com a carraça).

antonio disse...

A ideia é mesmo perturbar, que das fracas mentes não reza a história!

Abobrinha disse...

Actualizei o post com mais 2 parágrafos. Fica-me a ideia que tinha mais qualquer coisa para escrever, mas não me lembro do que era: ano novo, memória antiga! Demiolada como sempre!

Joaquim Simões disse...

Excelente! Uma verdadeira abóbora da Natureza!

Abobrinha disse...

Joaquim

Oiéeeeeeeeeeeeee! A vantagem da abóbora é que não ficaria com dores nas pernas. Ou por outra, ficaria com elas em bolo de abóbora (já agora, uma das especialidades da minha mães é bolo de cabaça! Delicioso!).

Krippmeister disse...

Uma carraça a subir-te pelas pernas lembrou-te de mim? Bem, suponho que pudesse ser pior, podias ter-te lembrado de mim no capítulo A Natureza não tem Casa de Banho.

Por outro lado podia ser bem melhor e lembravas-te de mim no capítulo A Natureza faz doer o rabo. hehehe

Abobrinha disse...

E quem é que te disse que não me lembrei de ti em outras ocasiões (ou nessas)?

Por outro lado, não apreciaste a dimensão real do "a subir pela perna acima", por isso não me vou alongar! Cada qual leva só o que merece! E tu já tens muitos créditos!