sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Dois destaques para dois cientistas nacionais

Costumo acompanhar os blogues dos dois com prazer e interesse e acho que a cada visita saio mais sabedora (ou pelo menos menos burra qualquer coisinha, o que já é importante). Ambos estão listados aqui à esquerda.

Ontem, por acaso, ambos optaram por posts light. Ou seja, que não engordam (mesmo quando consumidos em excesso), o que é excelente para a altura do ano que se avizinha. Não que os light deles sejam menos interessantes que os outros, mas só hoje me apeteceu fazer a ligação. Abobrinha é de humores... mmm... deixem-me mudar isso para temperamental, porque se coaduna mais com um gesto de diva que tive um dia destes mas que não é relevante para o caso. E de qualquer modo é mais compatível com a fama de refilona.

Assim, o Luís faz aqui uma incursão no humor sem perder o rigor e simultaneamente mostrando a sua sabedura. E diz ele que isto foi uma rapidinha!

Pode-se argumentar que o Ludwig descobriu aqui uma nova espécie vegetal... bem... mais ou menos! De qualquer modo, é um vegetal de categoria! Posso assegurá-lo por experiência própria, se bem que posso estar a ser tendenciosa.

Com argumentos destes, posso afirmar categoricamente que o que é nacional é bom. Claro que não é por estes posts em particular, mas por tudo o resto.


Aviso à navegação: estes dias prevejo que isto vá estar paradote, mas não se preocupem porque é só por bons motivos. A parte boa é que o badalhocómetro está... a marinar... a marinada é uma técnica culinária que dá resultados deliciosos... ... ...

10 comentários:

Joaninha disse...

São bons blogs são sim senhora. Gente muito sabida. Os meus dois neuronios não entendem metade mas adoram ;)

Ludwig Krippahl disse...

« é um vegetal de categoria! Posso assegurá-lo por experiência própria»

Vá lá, conta os detalhes ;)

Krippmeister disse...

Também pões os ditos vegetais a "marinar"?

Joaquim Simões disse...

Abobrinha:
Para atenuar a ressaca de uma semana de stress e assim melhor poder entrar no espírito das Aventuras da Abóbora Minorca no País da Badalhoqueira, nada como o efeito de um almoço tardio de sábado regado por um bom tinto de Palmela, rematado por um quadradão de chocolate preto do Equador, a acompanhar um café de pacífica estirpe arábica. Na sequência do que, entrando na boémia que este preliminar requer, aqui te deixo o comentário que te salvará, a ti e ao resto do mundo. A partir de hoje já poderás escrever sobre arte e fufas com muito mais segurança e propriedade.
Começo, como a manutenção das aparências recomenda, pelas artes, embora já se saiba onde a coisa, como sempre, irá dar.
Desde sempre que a tradição ocidental, via tradição ariana, da visão como o sentido nobre me cheirou mal. Nenhuma visão idílica de um Paraíso, com ou sem odaliscas, supõe que jamais nele se possa passear ou frui-lo no meio de odores a esgoto ou a lixeira. Daí que a máxima surrealista de que “a beleza é para comer” me tenha feito imediatamente sentido quando a li pela primeira vez.
O problema é que gente como o Andy Warhol promoveu a comida sopa enlatada e menus do McDonald’s, que isto, para sacar os carcanhóis necessários a ter um apartamento prateado no centro de NY, vale tudo. E como, além disso, nada nele se projectava para as mulheres, até a pobre da Marilyn misturou naquela caldeirada (em lata). Se calhar foi esse o motivo mais fundo que levou a tal célebre lésbica profissional do jet-set a entrar-lhe pela casa dentro e a meter-lhe umas quantas balas no canastro…
A partir daí, promovida a fast-food a comida respeitável, instalou-se uma cadeia que vende de tudo como tal, aproveitando mesmo o lixo sem qualquer tratamento, assim, ao natural, para alimentar os espíritos ávidos da nova droga: a cultura, uma espécie de mistura entre o Prozac e o Viagra, que lhes promove a auto-estima e proporciona momentos de profundo convívio, poupando-lhes a desorientação e o pânico que sentem perante o vazio que são. Experimental tornou-se sinónimo, em 95% dos casos, de burla qualificada feita pelo mais puro matarruanismo genuinamente urbano ou pelo provincianismo desesperado pela falta de estatuto cosmopolita, com a agravante de já não terem consciência nem dela nem de que o são, tal o abuso que fizeram do produto. Espíritos vestidos de ecológica lã ou de duro cabedal sintético, que colocam indispensável e cientificamente a tradição em pratinho de barro e a servem com colheres de pau, convictos de isto tenha sido, para o povinho, alienado da cultura (deles), pau para toda a obra. E que associam Florbela Espanca ao arcaísmo da indústria corticeira, a qual só adquire significado enquanto produto biológico se associada ao formalismo mutante do metro-sexualismo. Numa palavra e parafraseando o Nietzsche, gente que se quer profunda quando ainda nem plana consegue ser.
Ora isto de beleza comestível leva, inevitavelmente, às gajas, que aí ninguém, a começar pelo Freud, tem pejo em usar o termo comer. Daí às fufas é um pequenino passo, bem como ao mistério dos transportes espirituais experimentados pela “esmagadora maioria” da homenzarrada ao ver o mulherio noutros arroubos que não aqueles que a sagrada religião e a sagrada ciência lhe determinaram.
O que é visto como um sector obscuro da natureza humana que a dita ciência virá um dia a iluminar; um mistério da queda da vontade dos crentes e dos divinos desígnios para o senhor prior; e um forte recurso eleitoral para louçãos exemplares do já referido urban matarruanism ou para tipos armados de Machados para acabarem de vez com o pensamento - porque eles não o têm e não querem discriminar ninguém -, repito, o que parece um mistério não é, para mim, porém, mistério nenhum. Assim, numa rapidinha:
Como diziam os empoados senhores do século XVIII, quis a sábia natureza que o ser humano se distinguisse dos restantes seres vivos pela posse da consciência de si e correspondente linguagem;
Quis também a sábia natureza, ao contrário de quase todas as restantes espécies, que os atributos de maior sedução e beleza se concentrassem no representante feminino da nossa;
Quis, em consequência, a sábia natureza que, tomando consciência de si e, portanto, da sua beleza, as mulheres pudessem avaliar os seus próprios atributos;
Para os poder avaliar, é necessário sentir a sua força - que a sedução não é meramente quantitativa, mas qualitativa e a qualidade não se mede, sente-se, prova-se;
Não existe, portanto, mulher alguma que não saiba quando ela ou a “outra” estão desejáveis, “comestíveis” e, por isso, as mulheres sempre se detestaram ou aconselharam umas às outras nesse sentido;
Daí até ao resto, fez-se a evolução das espécies num salto de passarinha, até porque não foram só os homens que apreciaram devidamente as glândulas mamárias das suas mãezinhas, as mulheres também;
Portanto, quando um macho vê aquele molhinho de concentrado de sedução, assim tudo em duplicado e a ferver, bem, como é que querem que ele resista?! Aquilo é puro êxtase de beleza e um gajo, se é artista, só pode amandar-se e chamar-lhe caldeirada (mas o Warhol não percebia nada desta).
Do ponto de vista científico e filosófico, pouco mais haverá a dizer. Do ponto de vista religioso, aconselho os crentes a falarem com Deus, porque só Ele os poderá esclarecer sobre se interpretaram correctamente a doutrina. Eu limito-me aos factos.
Já estou a ouvir uns zunzuns acerca dos amores masculinos. Pois, gajo que é gajo também se apaixona por gajos. Apaixona-se, mas gajo que é gajo apaixona-se pelo car…ácter do outro, pelo grau de consciência do outro, pelo seu grau de dignidade como ser humano, porque do resto não dotou a sábia natureza o outro e aquilo não há ali nada que o entusiasme, a começar pelo cheiro. Do que daí se segue, já o Mário de Sá-Carneiro falou n’ A Confissão de Lúcio, é só lerem, que o rapaz merece, e escuso eu de estar para aqui a perder tempo.
Então mas os outros, os que se entusiasmam mesmo com esse pouco? Amigos, o ser, como lembrava o Aristóteles, diz-se de muitas maneiras e não apenas de uma, e nem ninguém é ou tem que ser igual a ninguém, nem temos que eliminar as classificações por causa disso. As classificações são instrumentos de orientação, de correlatividade, tal como o termo maioria é correlativo do de minoria. Uma amiba, uma ténia ou um caracol são, do ponto de vista do modo como são sexuados, diferentes do ser humano e de outros seres. São o ser que são e desejáveis por quem os considerar atraentes para o seu próprio modo de ser. Não podemos é entrar na paranóia monstruosa da normalização e dizermos que eles são assim pela atribuição de papéis porque, no fundo, somos todos iguais e chamar a ASAE para higienizar tudo. Eu, como gosto mais da diversidade da superfície do que da amálgama informe das profundezas, digo que eles são assim porque são, e pronto! É apenas o ser dito daquela maneira! Não lhes atribuo é a classificação de gajos, enquanto mais marcadamente machos, porque o não são! O mesmo em relação àquelas desgraçadas que, complexadamente e por efeito da tirania do pensamento politicamente correcto, acabam por se travestir de camionistas ressabiadas, quando, em circunstâncias normais, seriam seres sem aqueles trejeitos ridículos, apenas com um lado feminino menos predominante, comendo mais da beleza que lhes seria devida do que acabam deste modo por comer.
Pronto, já acabei!
(O whisky era a única coisa de má qualidade e fez efeito por pouco tempo)

Joaquim Simões disse...

Porra! O que eu me fartei de escrever!

Com tranquilidade disse...

Abobrinha,

Pelo "pequeno" comentário que li dirigido ao "joaquim simões" vejo que já tem o tal livro pronto. Basta enviá-lo agora para o editor.

Um comprador já tem.

Bjs (a minha idade já me permite estas intimidades)

Abobrinha disse...

Joaquim

CARAGO!!! Ainda bem que o wisky não era grande coisa! Imagino se fosse!

E logo tinhas que escrever isto nestes dias que eu estou meia loura! Isso exige uma resposta, mas não agora. Tenho que me inspirar. Mas eu vou desviar-me levemente do tema das fufas... mas só ligeiramente... e vai na mesma ser dirigido ao mesmo público-alvo: gente que gosta de badalhoquices!

Abobrinha disse...

Ludwig

Francamente! Um homem casado e pai de filhos!

Os meus detalhes não são para qualquer um. A não ser, claro, que estejas a falar do meu NIB! Mas só aceito transferências de 4 dígitos para cima.

Quanto ao resto, é preciso falar-me ao ouvidinho com voz de podcast e muito jeitinho. De preferência ao colinho e com a mãozinha no meu joelho, mas nesse aspecto sou flexível e adepta das novas tecnologias.

Abobrinha disse...

Herr Krippmeister

Se por marinar estás a pensar no mesmo que eu... completamente, filho!

Abobrinha disse...

Com Tranquilidade

Já tenho um público fiel, mas exigente: hoje o sitemeter está pela hora da morte, e estou em crer que é por falta de posts novos, carago! Uma gaja não se pode descuidar!

Nesse aspecto tem razão: um livro está escrito, está vendido e acabou! A manutenção depois é mesmo só tirar-lhe o pó e promover a venda (no caso, umas "pole dancers" seriam o evento de marketing mais adequado, não acha?).