Quem me conhece (tipo, quem me conhece a sério, não quem pensa que me conhece) sabe que não sou bairrista. Isto é um aviso para o que vem a seguir, que é para saberem o que NÃO pensar.
Li hoje uma reportagem no Público sobre os anti-Natal e comecei a ler por curiosidade. É uma reportagem ao estilo de tantas outras: entrevistam-se 3 pessoas, cita-se a opinião destes e "prontos", está uma reportagem feita (e 2 páginas de jornal vendidas, quick and easy). O que me chamou a atenção não foi tanto isto como o facto de dois estarem identificados pelo nome e pela origem: são naturais do Porto, a viver em Lisboa há x anos. Da origem do terceiro entrevistado não se diz nada...
Ora quando não se diz nada de alguém é porque é "um dos nossos". Ou seja, um jornal nacional considera "um dos nossos" um que mora ou trabalha em Lisboa mas não um que vem do "Norte". Eu sei que Lisboa e arrebaldes são o maior mercado do país, mas ouvi dizer que também se vende jornais no resto do território continental. Arriscaria dizer que se lê também jornais nas ilhas, mas aí já não juro porque é muito longe e a pessoa nunca sabe se eles moram em cavernas e usam mocas para arranjar esposa ou usam telemóveis e computadores "como nós"!
Não gosto deste centralismo e acho que dá mau resultado. Sendo que neste caso dá só uma leve irritação, mas quando se trata de decisões políticas pode ser extremamente grave. Porque se tomam para "os nossos"... sendo que "os nossos" são o mercado de 2 milhões e tal, extremamente concentrado e com elevado poder de compra. Odeio do mesmo modo o bairrismo e isolacionismo, mas para o caso não é relevante.
Não me levem a mal: sou muito cosmopolita, adoro Lisboa, as pessoas (não "as gentes", que é uma expressão que me irrita porque um bocado campónia) que vivem e trabalham em Lisboa e o bulício que lhe é próprio. Mas há mais país para além de Lisboa e Porto. E é nestas pequenas coisas que se vê a maneira de pensar de muito boa gente. Inclusive de quem molda a opinião pública... e de quem manda!
Para quem ficou a pensar que eu tenho uma molécula de bairrismo no corpo, é favor reler o primeiro parágrafo. Para quem pensa que eu tenho preconceitos contra a Madeira e Açores, declaro solenemente que adoro o que conheço de um e outro arquipélago (que não é suficiente, só porque é longe, mas tenho montes de amigos de um e do outro lado).
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
domingo, 21 de dezembro de 2008
Crise matrimonial
É do conhecimento de quem tem pachorra para ler o meu tasco que há romance e casamento marcado no Abobrinha. E se o compromisso entre uma courgete e um pokemon que não se conhecem de lado nenhum não é o casamento do ano, não sei o que é!
Contudo, este fim de semana pensei que o casamento estaria já ameaçado de morte. Por quê? Pela traição? Não, porque eu mesmo arranjei quem me "botasse" os cornos (no caso, um peixe a saltar de um aquário, também conhecida por menina das alianças ou pelo nick "Eu mesma") e estou a viver um platónico romance lésbico com a minha alma gémea que está na lua e escreve poesia (eu levo também gostar do CSI Las Vegas muito a sério).
Não, o pedido de casamento deu-se na sequência de um ódio de morte pelo Natal e vontade de chacinar pais natal com requintes de malvadez. Ora este fim de semana comecei a pensar que talvez até gostasse do Natal... ... e fiquei preocupada!
Comecei a pensar no que teria motivado aquele pensamento peregrino! Ora aqui a menina foi à baixa do Porto fazer compras e encontrar-se com uma amiga. E a baixa estava cheia de povo! A baixa do Porto parecia um enorme centro comercial, algo mais difuso e sem cobertura! Ora eu gosto de confusão! Gosto muito de confusão! De gente a passear de um lado para o outro, de carros (OK, dispenso a parte de arrancar os cabelos a arranjar onde estacionar), de miúdos e graúdos aos berros, de animação na cidade. As luzes de Natal não pareciam muito de Carnaval, o que é bom (diz que é a crise)! E por um momento pensei: ah, isto de Natal até é fixe!
Perigo! O meu casamento está em perigo! Antes de saltar para um casamento que pode ser um erro, comecei a pensar nas reais motivações para tal pensamento peregrino! Afinal, ainda estou a tempo para recuar sem ter que abandonar o noivo no altar (ou de ser abandonada no altar)!
Concluí que realmente era a animação da cidade que me atraía. O facto de os pais terem coisitas para mostrar às crias, de terem que calcorrear os espaços tradicionais da cidade à procura de qualquer coisa baratinha para dar à sogra (não merece mais), umas meias para o filho da vizinha (para não gastar muito dinheiro, que a vida está cara!) e um pratinho nos chineses para a colega de trabalho (só para não dizer que não se dá nada). De apreciarem um dia de relativo bom tempo fora da cobertura de um centro comercial, como deviam fazer fora da época de Natal.
Fez-me pensar em ir à baixa ainda mais vezes. O frio e o Inverno não são desculpa, muito pelo contrário: o Porto é frequentemente cinzento de dia, mas à noite tem uma iluminação e uma dinâmica recente que lhe dá um carácter muito próprio. Mas mesmo de dia e mesmo cinzento, dá gosto calcorrear as ruas da baixa e tropeçar em pessoas que não se fecham em centros comerciais! E no Rui Reininho (mas isso é outra história).
Mesmo assim, considerei seriamente se o Natal não seria o motor de toda esta minha felicidade. Até que... vi pessoal com gorros de Pai Natal e vestidos de Pai Natal... ... e aí sorri e fui assaltada por pensamentos homicidas! Aí tive a certeza que este casamento estava certo! Mais ainda quando o meu noivo me deixou esta prendinha no meu tasco: matei o gajo várias vezes! Bacardi... o casamento mantém-se! Temos é que fazer os preparativos!
Contudo, este fim de semana pensei que o casamento estaria já ameaçado de morte. Por quê? Pela traição? Não, porque eu mesmo arranjei quem me "botasse" os cornos (no caso, um peixe a saltar de um aquário, também conhecida por menina das alianças ou pelo nick "Eu mesma") e estou a viver um platónico romance lésbico com a minha alma gémea que está na lua e escreve poesia (eu levo também gostar do CSI Las Vegas muito a sério).
Não, o pedido de casamento deu-se na sequência de um ódio de morte pelo Natal e vontade de chacinar pais natal com requintes de malvadez. Ora este fim de semana comecei a pensar que talvez até gostasse do Natal... ... e fiquei preocupada!
Comecei a pensar no que teria motivado aquele pensamento peregrino! Ora aqui a menina foi à baixa do Porto fazer compras e encontrar-se com uma amiga. E a baixa estava cheia de povo! A baixa do Porto parecia um enorme centro comercial, algo mais difuso e sem cobertura! Ora eu gosto de confusão! Gosto muito de confusão! De gente a passear de um lado para o outro, de carros (OK, dispenso a parte de arrancar os cabelos a arranjar onde estacionar), de miúdos e graúdos aos berros, de animação na cidade. As luzes de Natal não pareciam muito de Carnaval, o que é bom (diz que é a crise)! E por um momento pensei: ah, isto de Natal até é fixe!
Perigo! O meu casamento está em perigo! Antes de saltar para um casamento que pode ser um erro, comecei a pensar nas reais motivações para tal pensamento peregrino! Afinal, ainda estou a tempo para recuar sem ter que abandonar o noivo no altar (ou de ser abandonada no altar)!
Concluí que realmente era a animação da cidade que me atraía. O facto de os pais terem coisitas para mostrar às crias, de terem que calcorrear os espaços tradicionais da cidade à procura de qualquer coisa baratinha para dar à sogra (não merece mais), umas meias para o filho da vizinha (para não gastar muito dinheiro, que a vida está cara!) e um pratinho nos chineses para a colega de trabalho (só para não dizer que não se dá nada). De apreciarem um dia de relativo bom tempo fora da cobertura de um centro comercial, como deviam fazer fora da época de Natal.
Fez-me pensar em ir à baixa ainda mais vezes. O frio e o Inverno não são desculpa, muito pelo contrário: o Porto é frequentemente cinzento de dia, mas à noite tem uma iluminação e uma dinâmica recente que lhe dá um carácter muito próprio. Mas mesmo de dia e mesmo cinzento, dá gosto calcorrear as ruas da baixa e tropeçar em pessoas que não se fecham em centros comerciais! E no Rui Reininho (mas isso é outra história).
Mesmo assim, considerei seriamente se o Natal não seria o motor de toda esta minha felicidade. Até que... vi pessoal com gorros de Pai Natal e vestidos de Pai Natal... ... e aí sorri e fui assaltada por pensamentos homicidas! Aí tive a certeza que este casamento estava certo! Mais ainda quando o meu noivo me deixou esta prendinha no meu tasco: matei o gajo várias vezes! Bacardi... o casamento mantém-se! Temos é que fazer os preparativos!
domingo, 4 de maio de 2008
Rapidinha a Serralves
Nem só de rapidinhas a Lisboa vive uma Abobrinha: também dei uma rapidinha a Serralves. É que, como tenho o cartão de amiga de Serralves, posso entrar e sair quando quero e me apetece, pelo que fui gozar os rendimentos para os jardins.
Ainda pensei em visitar a exposição, mas pensei que os 15 minutos que ia dedicar àquilo seriam demais para um dia tão bonito lá fora e fui tomar um chazinho à casa de chá do Siza. Um bom investimento: os anti-oxidantes e o sossego hão-de ter-me acrescentado mais uns minutos de vida. Pena estar nervosa porque tinha o computador sem bateria e perdi irreparavelmente a discussão no blogue do Ludwig, pelo que a vantagem se anulou.
Ou seja, fica a exposição para a próxima. Em princípio para o próximo fim de semana e vou ver se peço os meus sobrinhos emprestados para ter a perspectiva de duas crianças que ainda por cima são como a tia: sem papas na língua!
De qualquer modo fica a fotografia que demonstra que o Porto está claramente à frente de Lisboa (e do mundo!) em termos de design: depois do descapotável, apresento-vos o descaportável! Ou seja, sem tejadilho nem portas! Digam lá se não é muito à frente! Meus amigos, portas é para os parolos!
domingo, 27 de janeiro de 2008
Ode ao Piolho - parte 2
O Piolho era frequentado por pessoal de várias Faculdades e de nenhuma. Conheci pessoal muito interessante (e outros que não interessavam ao menino Jesus). E tinha umas aves raras curiosas.
Havia o Ulisses (ou outro nome de um herói grego, não me lembro), de quem se dizia que tinha começado a tirar Letras mas se tinha enamorado de uma fulana que o fez sofrer e enlouqueceu (possivelmente a história não era nada disso). Passava sempre por lá a tentar vender um poema. Que era sempre o mesmo (esqueci-me do título, um dia destes lembro-me). Algum pessoal dava-lhe uma moeda de vez em quando, a ver se ele largava e se se enchia de cerveja ali ou noutro sítio qualquer.
Havia as "meninas", que faziam do jardim da Cordoaria o seu local de trabalho. O jardim era fechado, com muitos recantos. Mudou também, para uma coisa aberta e sem seguredos. Muito agradável.
A dona Rosa era uma delas. Não tinha dentes à frente. Um amigo meu achava que era de se ter dedicado muito ao "trabalho", mas eu achava que ela não era uma delas mas a (mmmm...) gerente de tempos e métodos (métodos não sei, mas de tempos devia ser). A dona Rosa era PS (lembro que eu entrei para a Faculdade no fim do Cavaquistão) e tinha um ódio de morte ao Cavaco Silva e ao PSD. A dada altura foram as eleições que opuseram o Sampaio ao Cavaco (toda a gente sabe como acabou o embate) e o Sampaio foi ao Porto. No beija-beija das eleições, estávamos curiosos para ver se ela conseguia dizer ao pobre Jorginho todo o amor que dizia à nossa frente que lhe tinha. A sorte foi que alguém (Deus??) deve ter protegido o Jorginho de tanto amor. Como canta o outro "too much love will kill you/just as sure as none at all".
Alguém no Piolho tinha decerto lido Sun Tzu e a parte do "mantém os teus amigos perto e os teus inimigos mais perto" (eu estou a brincar, mas de certeza que alguém tinha lido isso e mais). Não sei se tentou explicar isso à dona Rosa, mas deu-lhe um autocolante do Cavaco Silva e pediu para ela o colocar, o que a confundiu um bocadinho. Mais tarde veio ter com essa pessoa e disse que realmente tinha optado por colocar o autocolante do Cavaco. E passou a demonstrar. Foi nessa altura que quem estava ao pé dela ficou a saber que ela não usava cuecas, não fazia a depilação e possivelmente não se lavaria por baixo. Político sofre!
Os empregados também tinham a sua piada. A um deles um grupo era capaz de pedir um café curto, um café forte, um café cheio, um muito cheio, um café normal, um numa chávena escaldada e um não muito queimado. Ele assentia com o ar mais concentrado do mundo. Para chegar ao balcão e pedir "7 cimbalinos".
Um outro contou a mim e a um amigo que o irmão tinha estado preso pela PIDE e tinha chegado a estar numa cela com um metro cúbico e uma das paredes a escorrer água. Bem, ao fim de muito tempo eu e o meu amigo decidimos que ou um metro cúbico era 1 m de altura por um de largura por um de comprimento, ou tínhamos feito mal as contas ou ele se tinha enganado. Ele jurou que era verdade. E que as contas estavam bem feitas.
Ainda se estuda no Piolho, mas as Faculdades já voaram dali (acho que sobra um instituto de não sei o quê de saúde onde era Engenharia). Agora tem muitos estrangeiros, coisa que não havia na altura. As coisas mudam. Não é bom nem mau: é assim. O meu tempo de Piolho de dia e o tempo do Piolho tão só de estudantes e de "meninas" já passou. Mas continua lá e é lindo.
Havia o Ulisses (ou outro nome de um herói grego, não me lembro), de quem se dizia que tinha começado a tirar Letras mas se tinha enamorado de uma fulana que o fez sofrer e enlouqueceu (possivelmente a história não era nada disso). Passava sempre por lá a tentar vender um poema. Que era sempre o mesmo (esqueci-me do título, um dia destes lembro-me). Algum pessoal dava-lhe uma moeda de vez em quando, a ver se ele largava e se se enchia de cerveja ali ou noutro sítio qualquer.
Havia as "meninas", que faziam do jardim da Cordoaria o seu local de trabalho. O jardim era fechado, com muitos recantos. Mudou também, para uma coisa aberta e sem seguredos. Muito agradável.
A dona Rosa era uma delas. Não tinha dentes à frente. Um amigo meu achava que era de se ter dedicado muito ao "trabalho", mas eu achava que ela não era uma delas mas a (mmmm...) gerente de tempos e métodos (métodos não sei, mas de tempos devia ser). A dona Rosa era PS (lembro que eu entrei para a Faculdade no fim do Cavaquistão) e tinha um ódio de morte ao Cavaco Silva e ao PSD. A dada altura foram as eleições que opuseram o Sampaio ao Cavaco (toda a gente sabe como acabou o embate) e o Sampaio foi ao Porto. No beija-beija das eleições, estávamos curiosos para ver se ela conseguia dizer ao pobre Jorginho todo o amor que dizia à nossa frente que lhe tinha. A sorte foi que alguém (Deus??) deve ter protegido o Jorginho de tanto amor. Como canta o outro "too much love will kill you/just as sure as none at all".
Alguém no Piolho tinha decerto lido Sun Tzu e a parte do "mantém os teus amigos perto e os teus inimigos mais perto" (eu estou a brincar, mas de certeza que alguém tinha lido isso e mais). Não sei se tentou explicar isso à dona Rosa, mas deu-lhe um autocolante do Cavaco Silva e pediu para ela o colocar, o que a confundiu um bocadinho. Mais tarde veio ter com essa pessoa e disse que realmente tinha optado por colocar o autocolante do Cavaco. E passou a demonstrar. Foi nessa altura que quem estava ao pé dela ficou a saber que ela não usava cuecas, não fazia a depilação e possivelmente não se lavaria por baixo. Político sofre!
Os empregados também tinham a sua piada. A um deles um grupo era capaz de pedir um café curto, um café forte, um café cheio, um muito cheio, um café normal, um numa chávena escaldada e um não muito queimado. Ele assentia com o ar mais concentrado do mundo. Para chegar ao balcão e pedir "7 cimbalinos".
Um outro contou a mim e a um amigo que o irmão tinha estado preso pela PIDE e tinha chegado a estar numa cela com um metro cúbico e uma das paredes a escorrer água. Bem, ao fim de muito tempo eu e o meu amigo decidimos que ou um metro cúbico era 1 m de altura por um de largura por um de comprimento, ou tínhamos feito mal as contas ou ele se tinha enganado. Ele jurou que era verdade. E que as contas estavam bem feitas.
Ainda se estuda no Piolho, mas as Faculdades já voaram dali (acho que sobra um instituto de não sei o quê de saúde onde era Engenharia). Agora tem muitos estrangeiros, coisa que não havia na altura. As coisas mudam. Não é bom nem mau: é assim. O meu tempo de Piolho de dia e o tempo do Piolho tão só de estudantes e de "meninas" já passou. Mas continua lá e é lindo.
Ode ao Piolho - parte 1
A quem não entendeu, isto não faz parte da saga "baratas, carraças e bananas" (que está à espera de mais inspiração, que de momento me foge). Para falar verdade, não tem nada que ver com nada disso: é um post exclusivamente urbano. Já agora, aviso que poderá ser um bocado seca, por isso quem está à procura de figuras e badalhoquices bem pode desligar (bem, vai ter uma badalhoquice).
Ontem fui dar uma das minhas voltas sem destino nem percurso ao Porto. Não vi o Pedro Abrunhosa no Majestic, mas desta vez se ele fosse de óculos de sol veria qualquer coisa: é que estava um dia de sol lindíssimo: uma luz linda, que faz adivinhar a Primavera. Inevitavelmente andavam casalinhos de mão dada e um ar lamentavelmente apaixonado. Ou seja, são animais de sangue frio, como as cobras e as lagartichas: saem para a rua com o calorzinho.
Também fui à livraria Lello, que recomendo a toda a gente. Lembrei-me de um cientista honesto, o Luís, porque escreveu este post (e muitos outros). Lamentavelmente tinha a máquina fotográfica no carro, por isso não tirei uma única fotografia.
A dada altura fui desaguar ao Piolho, aka Âncora de Ouro, que eu conhecia de gingeira dos meus tempos de Faculdade.
Entrei e fiz o que sempre fazia (já sem pensar) quando entrava lá: olhei para todos os lados a ver se encontrava alguém conhecido. Só que isso foi há mais de 10 anos, por isso não havia ninguém lá conhecido.
Sentei-me na mesma e comecei a recordar e a observar. O café está diferente: está maior, porque a parede que o separava da parte onde se faziam refeições foi deitada abaixo. Não se pode fumar lá dentro, o que tem como consequência um ar respirável e o chão a já não parecer o "cinzeiro grande", onde eram sepultadas as beatas e pedaços de cinza que caíam de estudantes boémios e outras companhias (lá iremos). As casas de banho também passaram a ser melhores um pedaço. Aliás, passaram a ser mesmo bastante boas! E tem televisão: dois ecrãs XPTO, o que era mais ou menos escusado porque o atractivo do Piolho não são os bonecos a duas mas a três dimensões e com alma que por lá param.
Está igual nos espelhos que o forram, nas colunas com acabamento dourado, nas lamentáveis placas (coisa tão kitsh!) de cursos vários ao longo do tempo e ainda no mais importante: as mesas corridas.
Quando alguém chegava muito cedo (chegou a ser o meu caso, por horários de aulas desencontrados dos do autocarro) abancava em qualquer lado. Depois disso entrava um, entrava outro e outro e outro. Depois saía um, saía outro, depois entrava e por aí adiante. Um sistema dinâmico, em que se conhecia amigos de amigos de amigos de amigos de conhecidos. Para mim um rosto conhecido era o suficiente para abancar. Meio conhecido também.
Foi no Piolho que me viciei em café. Sim, eu viciei-me em café aos 18 anos, ou seja, depois de velha. O mais curioso é que não fui eu que comecei a ir para lá: as chocas das minhas coleguinhas é que na altura emburraram para lá porque "era mais académico" (ainda hoje não entendo bem o que é que isso quer dizer). Eu achava o café sujo (e era!) e ruidoso. A última parte acabei por apreciar; a primeira aprendi a ignorar.
(continua)
Ontem fui dar uma das minhas voltas sem destino nem percurso ao Porto. Não vi o Pedro Abrunhosa no Majestic, mas desta vez se ele fosse de óculos de sol veria qualquer coisa: é que estava um dia de sol lindíssimo: uma luz linda, que faz adivinhar a Primavera. Inevitavelmente andavam casalinhos de mão dada e um ar lamentavelmente apaixonado. Ou seja, são animais de sangue frio, como as cobras e as lagartichas: saem para a rua com o calorzinho.
Também fui à livraria Lello, que recomendo a toda a gente. Lembrei-me de um cientista honesto, o Luís, porque escreveu este post (e muitos outros). Lamentavelmente tinha a máquina fotográfica no carro, por isso não tirei uma única fotografia.
A dada altura fui desaguar ao Piolho, aka Âncora de Ouro, que eu conhecia de gingeira dos meus tempos de Faculdade.
Entrei e fiz o que sempre fazia (já sem pensar) quando entrava lá: olhei para todos os lados a ver se encontrava alguém conhecido. Só que isso foi há mais de 10 anos, por isso não havia ninguém lá conhecido.
Sentei-me na mesma e comecei a recordar e a observar. O café está diferente: está maior, porque a parede que o separava da parte onde se faziam refeições foi deitada abaixo. Não se pode fumar lá dentro, o que tem como consequência um ar respirável e o chão a já não parecer o "cinzeiro grande", onde eram sepultadas as beatas e pedaços de cinza que caíam de estudantes boémios e outras companhias (lá iremos). As casas de banho também passaram a ser melhores um pedaço. Aliás, passaram a ser mesmo bastante boas! E tem televisão: dois ecrãs XPTO, o que era mais ou menos escusado porque o atractivo do Piolho não são os bonecos a duas mas a três dimensões e com alma que por lá param.
Está igual nos espelhos que o forram, nas colunas com acabamento dourado, nas lamentáveis placas (coisa tão kitsh!) de cursos vários ao longo do tempo e ainda no mais importante: as mesas corridas.
Quando alguém chegava muito cedo (chegou a ser o meu caso, por horários de aulas desencontrados dos do autocarro) abancava em qualquer lado. Depois disso entrava um, entrava outro e outro e outro. Depois saía um, saía outro, depois entrava e por aí adiante. Um sistema dinâmico, em que se conhecia amigos de amigos de amigos de amigos de conhecidos. Para mim um rosto conhecido era o suficiente para abancar. Meio conhecido também.
Foi no Piolho que me viciei em café. Sim, eu viciei-me em café aos 18 anos, ou seja, depois de velha. O mais curioso é que não fui eu que comecei a ir para lá: as chocas das minhas coleguinhas é que na altura emburraram para lá porque "era mais académico" (ainda hoje não entendo bem o que é que isso quer dizer). Eu achava o café sujo (e era!) e ruidoso. A última parte acabei por apreciar; a primeira aprendi a ignorar.
(continua)
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Naturezas vivas
Depois das naturezas mortas e da morte em si, naturezas vivas num fim de tarde no Porto. Já agora, se alguém viu uma maluca nos Aliados a tirar fotografias a tudo à volta das 7 da tarde de hoje, era eu!
Este é o administrador do BCP. Não dá para ver se é o Paulo Teixeira Pinto se o Jardim Gonçalves a esta distância, pelo que não ligo já ao Joe Berardo.

Este pombo da esquerda fez horas extraordinárias no escritório, mas o da direita saiu 5 minutinhos mais cedo. Ia tão rápido que a imagem ficou tremida! Para verem o que eu sofro pela arte, arrisquei-me a apanhar umas cagadelas de pássaro, porque estas fotos foram tiradas debaixo de uma árvore onde eles costumam recolher à noite! Artista sofre!
Mais um que anda a comprar plantas comedoras de paredes (ao centro). Espero que não sejam da raça da que comprei no IKEA... senão estou lixada!
Em baixo, um cão simpático e apressado!
Este é o administrador do BCP. Não dá para ver se é o Paulo Teixeira Pinto se o Jardim Gonçalves a esta distância, pelo que não ligo já ao Joe Berardo.

Este pombo da esquerda fez horas extraordinárias no escritório, mas o da direita saiu 5 minutinhos mais cedo. Ia tão rápido que a imagem ficou tremida! Para verem o que eu sofro pela arte, arrisquei-me a apanhar umas cagadelas de pássaro, porque estas fotos foram tiradas debaixo de uma árvore onde eles costumam recolher à noite! Artista sofre!
Mais um que anda a comprar plantas comedoras de paredes (ao centro). Espero que não sejam da raça da que comprei no IKEA... senão estou lixada!
Em baixo, um cão simpático e apressado!
Herr Krippmeister, tinhas a tua razão: o IKEA promove não só o clube da placenta como também a clonagem!
domingo, 19 de agosto de 2007
A bonecada antes da seca
Conforme é do vosso conhecimento, fui ontem a Serralves... mas esqueci-me da máquina fotográfica! Ou seja, antes de escrever o que me parece que será uma seca de post, sem figuras, vou mostrar as fotos que tirei HOJE antes e durante o meu passeio à Foz.
Não sei se seria pelo dia lindíssimo, pelas mudanças recentes na minha vida, pelo marasmo relativo da cidade em Agosto ou por ir ter com uma boa amiga que já não via há um tempo, mas hoje tudo me parecia particularmente bonito. Não costumo frequentar muito a zona da Foz nem da Avenida da Boavista abaixo do viaduto que passa por cima da auto-estrada, mas de facto ando a perder qualquer coisa interessante.


Não sei se seria pelo dia lindíssimo, pelas mudanças recentes na minha vida, pelo marasmo relativo da cidade em Agosto ou por ir ter com uma boa amiga que já não via há um tempo, mas hoje tudo me parecia particularmente bonito. Não costumo frequentar muito a zona da Foz nem da Avenida da Boavista abaixo do viaduto que passa por cima da auto-estrada, mas de facto ando a perder qualquer coisa interessante.
Claro que o romantismo acabou aqui mesmo: tenho uma reputação (e um estómago) a manter. Mas fica a ideia de que redescobri ou descobri partes do Porto lindíssimas!
Na figurinha à esquerda em cima, podem ver o que custa ser cegueta: 2 pares de óculos graduados! Acrescentem lentes de contacto + óculos de sol não graduados e podem ver que ser pitosga não é para quem quer mas para quem pode! Posso ter olhos de gato, mas de gato míope.
À direita em cima temos o produto das minhas compras de ontem no IKEA: um saco azul (por favor, não chamem as finanças!), uma plantinha que achei curiosa e um caneco (saladeira?) que achei giro! No IKEA fiquei ainda a saber que estou a perder qualidades: gaja que é gaja não se cansa de ver montras. Só digo isto porque a coberto do anonimato, mas eu confesso que a dada altura já não podia ver compras à frente! Velhice, é o que é!
O IKEA é giro, mas as madeiras são regra geral muito fraquinhas, o que é contra a minha religião. Para a minha casa nova sou capaz de não comprar lá nada. Mas tirei ideias para coisas que quero mandar fazer! Nada de plágio: eu sou original!
Não sei se o dono da casa na foto do centro-esquerda comprou aquela planta no IKEA, mas a dita cuja parece que lhe engoliu a casa! Nem eu gosto de tanto verde! Parece uma figura de uns desenhos animados que eu via quando era pequenina e não me lembro do nome (e continuo pequenina, que 1.60 m não é propriamente uma mulher grande!). Era qualquer coisa como a lixeira, mas não me recordo.
Não sei se o dono da casa na foto do centro-esquerda comprou aquela planta no IKEA, mas a dita cuja parece que lhe engoliu a casa! Nem eu gosto de tanto verde! Parece uma figura de uns desenhos animados que eu via quando era pequenina e não me lembro do nome (e continuo pequenina, que 1.60 m não é propriamente uma mulher grande!). Era qualquer coisa como a lixeira, mas não me recordo.
Ao lado da casa comida pela planta assassina está um emprego que nunca considerei seriamente (falta-lhe um certo je ne sais quoi)... até hoje: não me importava de aceitar um part-time como mulher do lixo das praias da Foz, se me deixassem conduzir aquele carrinho!!
Em baixo de tudo temos uma convenção de gaivotas. Mais que 3 é plenário, daí que acho que isto é mesmo uma manif! Ou mesmo uma revolução! Ou então estão todas de férias e foram a banhos. E eu juro que estava uma a tomar banho numa poça de água! As gaivotas são supreendentes! Nem mais uma gaivota para as Berlengas!
O que é mais giro (mas eu não mostro) é que estou a sair da minha versão transparente para a versão castanha clara. A versão castanha escura (e eu em pequenina ficava preta ao sol) já não é opção, dadas as consequências a nível de envelhecimento cutâneo (alguém faz uma piada sobre o envelhecimento cutâneo?)!

Como estamos com o espírito de Abril (apesar de ser Agosto), quero partilhar convosco uma canção de intervenção ilustrada:
Uma gaivota voava, voava...
Filha da p***, nunca mais parava!!!
Ora bem, a língua inglesa é muito traiçoeira: alguém se enganou e nesta publicidade a presevativos está escrito "sex senses" quando decerto queriam dizer "six senses" (o que é curioso é que eu ia jurar que só haviam 5 sentidos, mas de certeza que houve muita investigação a este respeito!).
Ou então não foi gralha mas uma pêga (ou uma gaivota, dado que há ali muitas) e o mundo está todo às avessas. A avaliar pela placa de zona de banhos, é bem capaz de ser verdade.
Finalmente, achei por bem partilhar convosco um cão ridículo (ou um dono ridículo??).
Finalmente, achei por bem partilhar convosco um cão ridículo (ou um dono ridículo??).Agora vou tentar escrever um post sobre arte... da qual não percebo nada, obviamente como as criaturas que fizeram a exposição em Serralves. A isto chama-se ser consistente!
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