Quem me conhece (tipo, quem me conhece a sério, não quem pensa que me conhece) sabe que não sou bairrista. Isto é um aviso para o que vem a seguir, que é para saberem o que NÃO pensar.
Li hoje uma reportagem no Público sobre os anti-Natal e comecei a ler por curiosidade. É uma reportagem ao estilo de tantas outras: entrevistam-se 3 pessoas, cita-se a opinião destes e "prontos", está uma reportagem feita (e 2 páginas de jornal vendidas, quick and easy). O que me chamou a atenção não foi tanto isto como o facto de dois estarem identificados pelo nome e pela origem: são naturais do Porto, a viver em Lisboa há x anos. Da origem do terceiro entrevistado não se diz nada...
Ora quando não se diz nada de alguém é porque é "um dos nossos". Ou seja, um jornal nacional considera "um dos nossos" um que mora ou trabalha em Lisboa mas não um que vem do "Norte". Eu sei que Lisboa e arrebaldes são o maior mercado do país, mas ouvi dizer que também se vende jornais no resto do território continental. Arriscaria dizer que se lê também jornais nas ilhas, mas aí já não juro porque é muito longe e a pessoa nunca sabe se eles moram em cavernas e usam mocas para arranjar esposa ou usam telemóveis e computadores "como nós"!
Não gosto deste centralismo e acho que dá mau resultado. Sendo que neste caso dá só uma leve irritação, mas quando se trata de decisões políticas pode ser extremamente grave. Porque se tomam para "os nossos"... sendo que "os nossos" são o mercado de 2 milhões e tal, extremamente concentrado e com elevado poder de compra. Odeio do mesmo modo o bairrismo e isolacionismo, mas para o caso não é relevante.
Não me levem a mal: sou muito cosmopolita, adoro Lisboa, as pessoas (não "as gentes", que é uma expressão que me irrita porque um bocado campónia) que vivem e trabalham em Lisboa e o bulício que lhe é próprio. Mas há mais país para além de Lisboa e Porto. E é nestas pequenas coisas que se vê a maneira de pensar de muito boa gente. Inclusive de quem molda a opinião pública... e de quem manda!
Para quem ficou a pensar que eu tenho uma molécula de bairrismo no corpo, é favor reler o primeiro parágrafo. Para quem pensa que eu tenho preconceitos contra a Madeira e Açores, declaro solenemente que adoro o que conheço de um e outro arquipélago (que não é suficiente, só porque é longe, mas tenho montes de amigos de um e do outro lado).
Mostrar mensagens com a etiqueta Lisboa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lisboa. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Publicidade enganosa e saudades
Toda a gente que tem a falta de juízo de ler este tasco sabe que a minha especialidade não são rapidinhas. Mas de vez em quando até podem saber bem! É o caso: vou deixar uma rapidinha ainda da minha visita a Lisboa.
Aqui vê-se um exemplo claro de publicidade enganosa: fufas no Bairro Alto? Nah! Elas andam é pela Expo, como podem ver aqui e verão mais tarde num post que ainda não me apeteceu escrever! Esta foto foi tirada algures no famoso Bairro Alto, perto de um bar onde só vi meninos agarrados a meninos. E não me pareceu que a motivação fosse o frio, porque até estava bastante bom tempo! Isto é motivo para chamar a ASAE, digo eu! Mas não, eles tinham que se concentrar em sex shop, que são perfeitamente inocentes!

Aqui vê-se um exemplo claro de publicidade enganosa: fufas no Bairro Alto? Nah! Elas andam é pela Expo, como podem ver aqui e verão mais tarde num post que ainda não me apeteceu escrever! Esta foto foi tirada algures no famoso Bairro Alto, perto de um bar onde só vi meninos agarrados a meninos. E não me pareceu que a motivação fosse o frio, porque até estava bastante bom tempo! Isto é motivo para chamar a ASAE, digo eu! Mas não, eles tinham que se concentrar em sex shop, que são perfeitamente inocentes!
Desafio os preclaros leitores a comentarem este boneco que está algures na Baixa.
E esta foto, tirada num miradouro que não sei o nome é mesmo só... por saudades...
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
O tamanho é importante. Mas às vezes o pequeno é que impressiona!
"Fogo, a maior parte do pessoal não consegue fazer isso em grande e você consegue em pequenino" - disse o moço do restaurante New Wok quando eu fiz isto.
De facto não tinha reparado que era para dobrar as instruções de origami com aquele papelão enormesco que fez de base ao meu almoçinho (excelente) no New Wok. É que fazer origami com um papel tão grande é de certo modo contra-natura! E depois, eu tenho algum jeitinho com as mãos...
Para maior clareza, acrescentei esta imagem.
Size matters, mas nem sempre do modo mais óbvio!
Eu já vi isto em qualquer lado...
Ainda não acabei as minhas crónicas de Lisboa. Cá vai outra!

É curioso porque Lisboa começa a ser uma cidade familiar. Aliás, parte do objectivo destas férias era ganhar essa familiaridade, porque não me parecia bem tê-la com outras cidades e não com a capital do meu país e uma das cidades mais bonitas do mundo. Familiar pelo que já conheço e pelas pequenas coisas que reconheço.
Por exemplo, eu já fiz um post sobre este... esta... o... esta loja de productos de "desporto e lazer". E passei por ela! Asseguro que a ASAE não os f.... echou.
Um pouco mais à frente fiquei a olhar para os grafittis... e apercebi-me de onde estava!
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
As lisboetas têm os tomates descaídos!!
Isto é grave! Eu tinha mencionado o problema já detectado aqui no norte dos tomates pelos joelhos, mas constatei que o problema é mais grave em Lisboa*. É que por aí os tomates das mulheres andam descaídos até aos tornozelos!
Como estou preocupada com a saúde pública das gajas em geral e tenho grande afecto pelas lisboetas (afinal, são umas oferecidas e deixam-me dar umas voltas as preços módicos!), decidi que tinha que lançar este alerta. O alerta às mulheres lisboetas de tomates e aos homens lisboetas de pepinos. É que isso de lhes chamar alfacinhas não é motivo para deixar cair a tomatada! Além de ser um atentado à virilidade, estas coisas são atentados à moda!
Esta cidadã, por exemplo, é jeitosinha, magrinha e bem torneadinha, mas aquelas calças são mais próprias dos e das esquerdistas cabeludos e participantes em manifs convocadas pelo Bloco de Esquerda no Porto. Exemplares destes poderiam ser facilmente encontrados na pouco participada mas amplamente divulgada ocupação do Rivoli! Azar a porra da praça mostrou a real dimensão da manif (muito fraquinha!), mas ainda deu para mostrar o fraco sentido de moda. Mesmo assim, as tripeiras têm os tomates ou no sítio ou só a descair pelos joelhos, no que estão claramente mais alerta que as alfacinhas.

Homens lisboetas, cuidem dos tomates das vossas gajas!
Já agora, a foto ficou assim ranhosa porque eu não usei flash (foi tirada à sucapa nas escadas rolantes do metro).
*Entretanto já vi calças destas por aqui (exactamente iguais, para falar verdade), mas não digam a ninguém para não dar cabo do impacto e do título.
Como estou preocupada com a saúde pública das gajas em geral e tenho grande afecto pelas lisboetas (afinal, são umas oferecidas e deixam-me dar umas voltas as preços módicos!), decidi que tinha que lançar este alerta. O alerta às mulheres lisboetas de tomates e aos homens lisboetas de pepinos. É que isso de lhes chamar alfacinhas não é motivo para deixar cair a tomatada! Além de ser um atentado à virilidade, estas coisas são atentados à moda!
Esta cidadã, por exemplo, é jeitosinha, magrinha e bem torneadinha, mas aquelas calças são mais próprias dos e das esquerdistas cabeludos e participantes em manifs convocadas pelo Bloco de Esquerda no Porto. Exemplares destes poderiam ser facilmente encontrados na pouco participada mas amplamente divulgada ocupação do Rivoli! Azar a porra da praça mostrou a real dimensão da manif (muito fraquinha!), mas ainda deu para mostrar o fraco sentido de moda. Mesmo assim, as tripeiras têm os tomates ou no sítio ou só a descair pelos joelhos, no que estão claramente mais alerta que as alfacinhas.
Homens lisboetas, cuidem dos tomates das vossas gajas!
Já agora, a foto ficou assim ranhosa porque eu não usei flash (foi tirada à sucapa nas escadas rolantes do metro).
*Entretanto já vi calças destas por aqui (exactamente iguais, para falar verdade), mas não digam a ninguém para não dar cabo do impacto e do título.
As lisboetas são umas oferecidas!!!
Eu sou uma mulher sensível! Sensível às palavras, aos sentimentos e extremamente sensível ao toque. Como toda a gente, suponho, mas eu falo por mim! Apesar de tudo, e ao contrário do que possa parecer, eu sou uma gaja recatada e tímida (OK, só recatada... um bocadinho!) e não ando por aí a pedir que me toquem, à vista de toda a gente.
Pois é isso precisamente que andam a pedir as lisboetas! Em plena entrada do metro andam uma série de lisboetas a pedir com a maior das latas “toque-me”! Em público, com a maior das naturalidades!
Não sei se é um bem pedido ou se será mais uma sugestão ou mesmo uma ordem. Sei que toquei numa na segunda-feira e introduzi-lhe com os dedos uma coisa numa racha. Como resultado, pediu-me dinheiro e deixou-me dar várias voltinhas. Por €3.70 tive aquela lisboeta ao meu serviço durante 24 horas e com muito convívio!
Pelo preço não foi mau! Há quem cobre fortunas por 1 hora ou só por uns minutos e até achei que para o serviço e o convívio estava um preço justo. Gostei e repeti na quarta-feira. Depois não foi que desgostasse mas não estava com estaleca para mais 24 horas (e não me apeteceu estar a entrar e sair de buracos) e passei a comprar só rapidinhas. Ou seja, a cada voltinha metia-lhe a coisa na racha e dinheiro só suficiente para uma vez.
Claro que a lisboeta de que estou a falar é a máquina de venda de bilhetes para o metro e carris, mas suponho que já lá tenham chegado e que a coisa é o bilhete recarregável Lisboa Viva... mas continuo a achar extraordinário tanto oferecimento!

Como se não bastasse, na Byblos uma máquina pedia que se lhe tocasse de graça! Mas aqui não toquei: preferi manipular os livros com os dedos, senti-los, cheirá-los. É que eu não cedo a tudo o que cheire a oferecimento! Afinal, não sou como muitos homens. Nem é bom nem é mau: sou assim e sou relativamente feliz deste modo!
Pois é isso precisamente que andam a pedir as lisboetas! Em plena entrada do metro andam uma série de lisboetas a pedir com a maior das latas “toque-me”! Em público, com a maior das naturalidades!
Não sei se é um bem pedido ou se será mais uma sugestão ou mesmo uma ordem. Sei que toquei numa na segunda-feira e introduzi-lhe com os dedos uma coisa numa racha. Como resultado, pediu-me dinheiro e deixou-me dar várias voltinhas. Por €3.70 tive aquela lisboeta ao meu serviço durante 24 horas e com muito convívio!
Pelo preço não foi mau! Há quem cobre fortunas por 1 hora ou só por uns minutos e até achei que para o serviço e o convívio estava um preço justo. Gostei e repeti na quarta-feira. Depois não foi que desgostasse mas não estava com estaleca para mais 24 horas (e não me apeteceu estar a entrar e sair de buracos) e passei a comprar só rapidinhas. Ou seja, a cada voltinha metia-lhe a coisa na racha e dinheiro só suficiente para uma vez.
Claro que a lisboeta de que estou a falar é a máquina de venda de bilhetes para o metro e carris, mas suponho que já lá tenham chegado e que a coisa é o bilhete recarregável Lisboa Viva... mas continuo a achar extraordinário tanto oferecimento!
Como se não bastasse, na Byblos uma máquina pedia que se lhe tocasse de graça! Mas aqui não toquei: preferi manipular os livros com os dedos, senti-los, cheirá-los. É que eu não cedo a tudo o que cheire a oferecimento! Afinal, não sou como muitos homens. Nem é bom nem é mau: sou assim e sou relativamente feliz deste modo!
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Em Lisboa há mais convívio
O pessoal diz que Lisboa é muita confusão, muita gente e mais não sei quê. Pois se há grande densidade populacional é normal. Grande densidade populacional, como o nome indica, significa que há muita "populacional" por unidade de área. Como cada "populacional" só por si causa confusão, grande densidade populacional significa que haverá grande confusão por unidade de área. Se juntarmos a isto o facto de a área de Lisboa e grande Lisboa ser assim uma coisa já para o respeitável, então é uma festa!
E sabem que mais? Eu gosto de confusão! Gostava era que menos "populacionais" andassem de carro que era para eu estacionar mais à vontade, mas pronto, não se pode ter tudo! E depois, eu gosto de andar de transporte público!
Gosto particularmente do metro. Há quem diga que o metro do Porto é sóbrio e mais não sei quê, mas eu chego a pensar que é desconsolado, austero demais. Não tem estações tão bonitas como as de Lisboa, mas suponho que vem da sua juventude: há mais que tempo para enfeitar uma obra que é muito boa, funciona muito bem e é muito confortável. Claro que não tem a dimensão do de Lisboa, mas isso nem é bom nem mau: é assim mesmo e é adequado! De outro modo seria estupidamente megalómano e andaria às moscas. E há-de estender-se ao resto dos arredores sedentos de acessibilidades e de deixar de depender do automóvel (o que nem é grave porque o gasóleo está baratíssimo).
No metro encontra-se todo o tipo de pessoas. Pessoas prestáveis e carantonhas. Uma dessas pessoas prestáveis encontrei-a na estação da Alameda e deu-me muito jeito: fui atrás do rebanho quando mudei de estação e assaltou-me de repente a dúvida de se estaria no cais certo para ir para Baixa-Chiado. A senhora foi muito prestável e não só me disse que sim como me mostrou o mapa (o que não era preciso, mas foi uma querida). Ou seja, o próximo que me disser que os lisboetas são antipáticos e pouco prestáveis leva um murro nas trombas.
Tinha feito uma amiga! Depois apercebi-me como a amizade é uma coisa preciosa. Isto porque alguns (bastantes) membros do povo a quem o Silvio Berlusconni anda a tirar impressões digitais (aka ciganos) estavam do meu lado da carruagem e os que estavam no meio dirigiram-se a eles e a mim. Um deles dirigiu-me um grande sorriso. Mais amigos? Adoro mais amigos! Sou um animal social por natureza!
Acontece que eu sou muito aberta a novas amizades e tal, mas às vezes desconfio que algumas pessoas se aproximam de mim por interesse. E depois, se o rapazinho estava tão interessado em meter conversa comigo não se iria pôr atrás de mim, pois não? Claro que podia estar a tirar medidas ao meu rabo, mas eu também não gosto de amizades só baseadas no aspecto físico. Resumindo e baralhando: à cautela apertei a bolsa e a máquina fotográfica.
A minha amiga de há pouco fez-me um sinal como quem diz "tem cuidado". Ao que eu sorri e dei a entender "eu dei-me conta". O metro parou e eu fui para o meio da carruagem, deixando os meus novos amigos desiludidos. Não percebo porquê: às vezes temos que dar espaço aos amigos! Não podemos sufocá-los com a nossa presença e as nossas necessidades. Quer sejam de um carinho, de ajuda com problemas sentimentais, quer de uma Sony digital vermelha e com bolsa rígida e uma carteira com 50 e tal euros e cartões. Acho que adultos devem compreender estas coisas e não fazer cenas. Isto porque dois desses meus amigos tentaram ir de novo atrás de mim e uma delas dirigiu-me o que eu penso que eram palavras desagradáveis numa língua que não reconheci.
Ora se há coisa que eu detesto são amuados e acho falta de educação falar em "estrangeiro" quando o outro não compreende! Vai daí, sentei-me ao pé da minha primeira amiga, que estava quase a ter um colapso nervoso porque tinha visto os meus outros amigos a tentar abrir a bolsa de uma outra moça. Os meus agradecimentos ainda ao Metro, que me tinha avisado dos carteiristas. Ou seja, falsos amigos, amigos por interesse.
Moral da história: em Lisboa há muito mais convívio. Fui assaltada duas vezes no Porto no espaço de meio ano. Sempre por solitários, o que não me parece bem. Podia discorrer longamente sobre a solidão dar origem ao crime, mas obviamente os amigos do Berlusconi não tinham problemas desses, por isso não sei bem o que diga. De qualquer modo acho salutar o esforço, o trabalho de equipa que ali se desenvolveu. O trabalho de grupo é muito necessário. No meio escolar é sobretudo necessário para um ou dois coleguinhas se sentarem à sobra de outros, mas não vamos entrar nesses pormenores tristes e que agora não interessam nada. E de qualquer modo, anda meio mundo a roubar outro meio mundo, por isso não vejo o problema!
Só fiquei preocupada quando me disseram mais tarde que corri o risco de ser agredida e ninguém me acudir. Não por falta de interesse mas por receio de levar um tiro... isto é grave! Também é grave que eu tenha compreendido.
E sabem que mais? Eu gosto de confusão! Gostava era que menos "populacionais" andassem de carro que era para eu estacionar mais à vontade, mas pronto, não se pode ter tudo! E depois, eu gosto de andar de transporte público!
Gosto particularmente do metro. Há quem diga que o metro do Porto é sóbrio e mais não sei quê, mas eu chego a pensar que é desconsolado, austero demais. Não tem estações tão bonitas como as de Lisboa, mas suponho que vem da sua juventude: há mais que tempo para enfeitar uma obra que é muito boa, funciona muito bem e é muito confortável. Claro que não tem a dimensão do de Lisboa, mas isso nem é bom nem mau: é assim mesmo e é adequado! De outro modo seria estupidamente megalómano e andaria às moscas. E há-de estender-se ao resto dos arredores sedentos de acessibilidades e de deixar de depender do automóvel (o que nem é grave porque o gasóleo está baratíssimo).
No metro encontra-se todo o tipo de pessoas. Pessoas prestáveis e carantonhas. Uma dessas pessoas prestáveis encontrei-a na estação da Alameda e deu-me muito jeito: fui atrás do rebanho quando mudei de estação e assaltou-me de repente a dúvida de se estaria no cais certo para ir para Baixa-Chiado. A senhora foi muito prestável e não só me disse que sim como me mostrou o mapa (o que não era preciso, mas foi uma querida). Ou seja, o próximo que me disser que os lisboetas são antipáticos e pouco prestáveis leva um murro nas trombas.
Tinha feito uma amiga! Depois apercebi-me como a amizade é uma coisa preciosa. Isto porque alguns (bastantes) membros do povo a quem o Silvio Berlusconni anda a tirar impressões digitais (aka ciganos) estavam do meu lado da carruagem e os que estavam no meio dirigiram-se a eles e a mim. Um deles dirigiu-me um grande sorriso. Mais amigos? Adoro mais amigos! Sou um animal social por natureza!
Acontece que eu sou muito aberta a novas amizades e tal, mas às vezes desconfio que algumas pessoas se aproximam de mim por interesse. E depois, se o rapazinho estava tão interessado em meter conversa comigo não se iria pôr atrás de mim, pois não? Claro que podia estar a tirar medidas ao meu rabo, mas eu também não gosto de amizades só baseadas no aspecto físico. Resumindo e baralhando: à cautela apertei a bolsa e a máquina fotográfica.
A minha amiga de há pouco fez-me um sinal como quem diz "tem cuidado". Ao que eu sorri e dei a entender "eu dei-me conta". O metro parou e eu fui para o meio da carruagem, deixando os meus novos amigos desiludidos. Não percebo porquê: às vezes temos que dar espaço aos amigos! Não podemos sufocá-los com a nossa presença e as nossas necessidades. Quer sejam de um carinho, de ajuda com problemas sentimentais, quer de uma Sony digital vermelha e com bolsa rígida e uma carteira com 50 e tal euros e cartões. Acho que adultos devem compreender estas coisas e não fazer cenas. Isto porque dois desses meus amigos tentaram ir de novo atrás de mim e uma delas dirigiu-me o que eu penso que eram palavras desagradáveis numa língua que não reconheci.
Ora se há coisa que eu detesto são amuados e acho falta de educação falar em "estrangeiro" quando o outro não compreende! Vai daí, sentei-me ao pé da minha primeira amiga, que estava quase a ter um colapso nervoso porque tinha visto os meus outros amigos a tentar abrir a bolsa de uma outra moça. Os meus agradecimentos ainda ao Metro, que me tinha avisado dos carteiristas. Ou seja, falsos amigos, amigos por interesse.
Moral da história: em Lisboa há muito mais convívio. Fui assaltada duas vezes no Porto no espaço de meio ano. Sempre por solitários, o que não me parece bem. Podia discorrer longamente sobre a solidão dar origem ao crime, mas obviamente os amigos do Berlusconi não tinham problemas desses, por isso não sei bem o que diga. De qualquer modo acho salutar o esforço, o trabalho de equipa que ali se desenvolveu. O trabalho de grupo é muito necessário. No meio escolar é sobretudo necessário para um ou dois coleguinhas se sentarem à sobra de outros, mas não vamos entrar nesses pormenores tristes e que agora não interessam nada. E de qualquer modo, anda meio mundo a roubar outro meio mundo, por isso não vejo o problema!
Só fiquei preocupada quando me disseram mais tarde que corri o risco de ser agredida e ninguém me acudir. Não por falta de interesse mas por receio de levar um tiro... isto é grave! Também é grave que eu tenha compreendido.
domingo, 4 de maio de 2008
Dei uma rapidinha a Lisboa - parte 6
Na zona de Belém fiz o óbvio: comer um pastel de Belém!

Não dei a viagem por perdida, porque andei numas zonas fixes e noutras menos fixes (acho que andei, por exemplo, pelo casal ventoso). Fui dar a uma paragem ao pé do aqueduto. Depois de constatar que teria que pagar comboio para ir ter a sete rios (lisboetas, já repararam como é que dizem "rio"?) e daí de metro, decidi voltar para trás no mesmo autocarro. Em vez disso o condutor disse-me para apanhar um outro até ao Marquês e daí o metro para o Oriente.
De novo um belo passeio com motorista particular. Isto é atendimento VIP! Passei pelo Centro Comercial Amoreiras e pelo jardim da Estrela. No Marquês já me orientei perfeitamente para ir para o Oriente. E senti que não saia mais burra de Lisboa: ao menos o sentido de orientação tinha sido obrigado a trabalhar!
O resto do dia foi passado na Expo, a gozar de novo os rendimentos.
The end!
Considerações finais:
1. No outro dia doíam-me os chispes porque andei de carago. Fiz as contas e devo ter gasto mais ou menos o mesmo que para uma mensalidade de ginásio, mas a paisagem foi mais gira.
2. Não há lisboetas na rua, mas só nos centros comerciais... assustador... e faz-me pensar no meu próprio comportamento para os meus lado.
3. Não sei porque é que não tirei mais fotografias.
4. Não foi um relato por ai além. Talvez por a visita não ter sido por aí além: eu sei porque fui eu que a fiz. Mas soube-me bem e cumpriu o objectivo. Nunca calhou ter vivido em Lisboa nem ter estado lá mais que de passagem. Gosto de viajar e conhecer sítios, por isso não me parece bem que não conheça a cidade mais importante do país. Hei-de voltar por mais uns dias e connhecê-la a sério. De transporte público, com calma e um roteiro mais ou menos definido.
E passeei. Não muito, porque os meus pés tinham inchado um pouquinho por causa do calor e da catrefada de quilómetros que tinha andado.
Descobri que há um acordo ortográfico... diferente... para os lados de Belém. Acabei por me recolher lá numa sombrinha e gozar os rendimentos a ler um livrinho.
Ao voltar para a zona da Expo houve um pequeno problema que se deveu à minha impaciência: devia ter apanhado o autocarro 28 para o Oriente, mas a placa com o tempo de espera do 28 indicava 16 minutos. Uma pessoa normal teria esperado, mas eu comecei a bufar e a pensar em alternativas.
Como o meu objectivo era mesmo passear de transporte público, achei que era razoável apanhar um qualquer com 3 dígitos até uma paragem que não me lembro do nome e apanhar o metro daí, mesmo sendo uma grande volta (mas mesmo grande!). Pois aí é que a coisa falhou: a paragem não fazia interface com o metro mas com o comboio! E eu não tinha bilhete válido para o comboio!
Pelo caminho descobri que o Instituto Nacional Naval de Guerra fica no nº 69 A... gostava de saber o que tem no 69 B...
Não dei a viagem por perdida, porque andei numas zonas fixes e noutras menos fixes (acho que andei, por exemplo, pelo casal ventoso). Fui dar a uma paragem ao pé do aqueduto. Depois de constatar que teria que pagar comboio para ir ter a sete rios (lisboetas, já repararam como é que dizem "rio"?) e daí de metro, decidi voltar para trás no mesmo autocarro. Em vez disso o condutor disse-me para apanhar um outro até ao Marquês e daí o metro para o Oriente. De novo um belo passeio com motorista particular. Isto é atendimento VIP! Passei pelo Centro Comercial Amoreiras e pelo jardim da Estrela. No Marquês já me orientei perfeitamente para ir para o Oriente. E senti que não saia mais burra de Lisboa: ao menos o sentido de orientação tinha sido obrigado a trabalhar!
O resto do dia foi passado na Expo, a gozar de novo os rendimentos.
The end!
Considerações finais:
1. No outro dia doíam-me os chispes porque andei de carago. Fiz as contas e devo ter gasto mais ou menos o mesmo que para uma mensalidade de ginásio, mas a paisagem foi mais gira.
2. Não há lisboetas na rua, mas só nos centros comerciais... assustador... e faz-me pensar no meu próprio comportamento para os meus lado.
3. Não sei porque é que não tirei mais fotografias.
4. Não foi um relato por ai além. Talvez por a visita não ter sido por aí além: eu sei porque fui eu que a fiz. Mas soube-me bem e cumpriu o objectivo. Nunca calhou ter vivido em Lisboa nem ter estado lá mais que de passagem. Gosto de viajar e conhecer sítios, por isso não me parece bem que não conheça a cidade mais importante do país. Hei-de voltar por mais uns dias e connhecê-la a sério. De transporte público, com calma e um roteiro mais ou menos definido.
Dei uma rapidinha a Lisboa - parte 5
Da Graça subi mais pouca coisa, mas comecei a ficar aborrecida e decidi fazer uma coisa que raramente faço: seguir a multidão. No caso a multidão dirigia-se a um eléctrico que fazia o percurso inverso ao que eu fiz a pé. Como dizia nos Lusíadas "oulá Veloso amigo/ aquele outeiro é mais fácil de decer que de subir" (é possivelmente a única parte dos Lusíadas que me lembro de memória). E olhem que o Veloso amigo nem sequer tinha o eléctrico. Só aí me apercebi do que tinha andado.
Definitivamente a Praça do Comércio é um problema: chegada lá fiquei na dúvida de novo para onde diabo deveria seguir. Para cima já tinha ido, para trás não me parecia opção por aí além. Para a frente metia-me rio adentro e não estou suicida. Restava uma opção: para o outro lado, na direção de Belém.
Fui a pé, durante um tempo só paralela o rio e depois comecei a ziguezaguear. Entrei mesmo no urbanismo da Lisboa mais antiga e gostei francamente. Já fiz posts idênticos acerca do Porto (sigam a etiqueta "Porto" e encontram um par deles). O meu plano era dizer-vos o que tinha encontrado, por ordem, mas não tenho memória para tanto. Sei que seria capaz de reencontrar o que vi, mas só se estivesse mesmo lá: o meu sentido de orientação é in situ.
Encontrei a loja Paris:Sete... um perigo... para a carteira... e lembrei-me da Allanah e do seu gosto pelo design. Allanah: não vás lá! É um perigo! A minha sorte é que estava fechada. E eu não estava com vontade de gastar dinheiro: ando um bocado choca.
E agora vem a parte de fotografia urbana!
Parte 3 (e última) de "até para ser cão é preciso ter sorte"... o que é que tem na cauda daquele cão????

Aqui se ensinava há muito tempo como funcionar com uma cabeça de cada vez. Escola masculina... pá, só se o ensino fosse gratuito mesmo!

Isto é deprimente! Não pela mensagem, mas pelo conteúdo "sê tu mesmo" vê-se que o autor é o Marco do Big Brother (pena que "ele mesmo" seja um canastrão que não se ensaia nada em bater em mulheres) mas pelo veículo: então no tempo dos novos poetas e artistas urbanos este tipo cola um autocolante tipo cromo? Até fiquei envergonhada!

Estes tipos estão mais evoluídos qualquer coisinha e já escrevem em paredes. Mas no Porto eles usam stencil ou outras coisas menos em série mas muito mais aceitáveis que um escrevinhar primitivo. E a própria mensagem é assim um pouco... pá... fraquinha!

O povo pode ser mudo, mas cego não é. Não tem é latas de tinta para tapar estas porcarias. Mas depois entendi: isto é a rua das gaivotas. Uma vez que as gaivotas não foram competentes para cagar esta rua, as pessoas encarregaram-se disso!

Mais à frente fiquei deprimida com a toponímia alfacinha: isto é o típico caso de um "s" mal estacionado. Ou o verdadeiro empata-fo... então "travessa dos pecadores" não seria muito mais fixe? Eu acho!

Encontrei ainda o museu de arte antiga. Acho que estava fechado, mas também não me apetecia estar fechada num edifício, por isso não tentei sequer entrar. Fiquei com a nítida sensação que estaria no Príncipe Real, pelo que o Museu de História Natural estaria perto. Mais tarde confirmei que tinha razão, mas para a próxima já sei. A vista da zona do Museu de Arte Antiga era linda, mas estranhamente não tirei fotografias. Não sei explicar porquê.
Nesta altura começou a doer-me as pernas... muito! Desci a escadaria e andei de novo paralela ao rio até dar de trombas com o Ministério da Educação. Quando me meti numa paragem de autocarro é que me apercebi de que tinha andado de carago: é que estava ao pé da ponte 25 de Abril!
Meti-me no autocarro até Belém. (continua)
Definitivamente a Praça do Comércio é um problema: chegada lá fiquei na dúvida de novo para onde diabo deveria seguir. Para cima já tinha ido, para trás não me parecia opção por aí além. Para a frente metia-me rio adentro e não estou suicida. Restava uma opção: para o outro lado, na direção de Belém.
Fui a pé, durante um tempo só paralela o rio e depois comecei a ziguezaguear. Entrei mesmo no urbanismo da Lisboa mais antiga e gostei francamente. Já fiz posts idênticos acerca do Porto (sigam a etiqueta "Porto" e encontram um par deles). O meu plano era dizer-vos o que tinha encontrado, por ordem, mas não tenho memória para tanto. Sei que seria capaz de reencontrar o que vi, mas só se estivesse mesmo lá: o meu sentido de orientação é in situ.
Encontrei a loja Paris:Sete... um perigo... para a carteira... e lembrei-me da Allanah e do seu gosto pelo design. Allanah: não vás lá! É um perigo! A minha sorte é que estava fechada. E eu não estava com vontade de gastar dinheiro: ando um bocado choca.
E agora vem a parte de fotografia urbana!
Parte 3 (e última) de "até para ser cão é preciso ter sorte"... o que é que tem na cauda daquele cão????
Aqui se ensinava há muito tempo como funcionar com uma cabeça de cada vez. Escola masculina... pá, só se o ensino fosse gratuito mesmo!
Isto é deprimente! Não pela mensagem, mas pelo conteúdo "sê tu mesmo" vê-se que o autor é o Marco do Big Brother (pena que "ele mesmo" seja um canastrão que não se ensaia nada em bater em mulheres) mas pelo veículo: então no tempo dos novos poetas e artistas urbanos este tipo cola um autocolante tipo cromo? Até fiquei envergonhada!
Estes tipos estão mais evoluídos qualquer coisinha e já escrevem em paredes. Mas no Porto eles usam stencil ou outras coisas menos em série mas muito mais aceitáveis que um escrevinhar primitivo. E a própria mensagem é assim um pouco... pá... fraquinha!
O povo pode ser mudo, mas cego não é. Não tem é latas de tinta para tapar estas porcarias. Mas depois entendi: isto é a rua das gaivotas. Uma vez que as gaivotas não foram competentes para cagar esta rua, as pessoas encarregaram-se disso!
Mais à frente fiquei deprimida com a toponímia alfacinha: isto é o típico caso de um "s" mal estacionado. Ou o verdadeiro empata-fo... então "travessa dos pecadores" não seria muito mais fixe? Eu acho!
Encontrei ainda o museu de arte antiga. Acho que estava fechado, mas também não me apetecia estar fechada num edifício, por isso não tentei sequer entrar. Fiquei com a nítida sensação que estaria no Príncipe Real, pelo que o Museu de História Natural estaria perto. Mais tarde confirmei que tinha razão, mas para a próxima já sei. A vista da zona do Museu de Arte Antiga era linda, mas estranhamente não tirei fotografias. Não sei explicar porquê.
Nesta altura começou a doer-me as pernas... muito! Desci a escadaria e andei de novo paralela ao rio até dar de trombas com o Ministério da Educação. Quando me meti numa paragem de autocarro é que me apercebi de que tinha andado de carago: é que estava ao pé da ponte 25 de Abril!
Meti-me no autocarro até Belém. (continua)
Dei uma rapidinha a Lisboa - parte 4
Cheguei à Praça do Comércio sem um botão comprado e ainda sem cafeína na veia. Isso pode justificar a minha incapacidade para me orientar na rede de autocarros. Mas isso seria se eu não vos confiasse que eu tenho dificuldades com esse particular em qualquer cidade, seja Berlim seja mesmo o Porto.
De novo duvidei da existência real dos lisboetas porque toda a gente que ali estava tinha aspecto de estrangeiro e/ou um mapa e guia na mão. Mesmo assim, seria um pouco inútil perguntar indicações quando a minha dúvida era mesmo: para onde é que eu quero ir?
Assim sendo fiz o que vim fazer a Lisboa: perder-me! Mas a pé! E comecei a caminhar sem destino.
Subi, subi, subi, venci hordas de turistas e continuei a subir. Encontrei uma igreja que me pareceu familiar de uma ou outra visita com os meus primos, mas continuei a subir. Indicações para o Castelo de S. Jorge, mas não era ali que me apetecia ir. Desviei-me e continuei a subir. Encontrei um miradouro familiar (mas falha-me o nome) e abanquei numa esplanada com vista para o rio para descansar os pés e finalmente comi qualquer coisa e injectei vestígios de cafeína na corrente sanguínea.
O tempo estava agradável e o ambiente também até que se sentaram uns turistas ruidosos ao pé de mim. O ruído não me incomodou nem um bocadinho e pareceram-me romenitos (percebia uma palavra por outra no meio de qualquer coisa que parecia pronúncia russa ou portuguesa). O que me fez desandar dali foi mesmo uma cigarrilha mal cheirosa do que estava colado a mim. De vez em quando penso que a proibição de fumar em espaços fechados foi excessiva, mas este tipo de "respeito" por quem não fuma nem quer põe-me no sítio.
E subi, subi até que tirei a fotografia do gatinho que coloquei na parte 1 desta rapidinha. Subi mais um bocadinho e fui ter à igreja da Graça. Igrejas são como os chapéus: há muitas, por isso fui sentar-me no miradouro onde tirei esta fotografia à paisagem. A fotografia é uma merda porque não faz justiça à paisagem. Mas dá para ver que o dia não estava assim tão glorioso. Mas também me mete alguma confusão: o que é que justificava a ausência de lisboetas? Ocorreu-me que andem tão cansados da cidade que não a apreciem. E Lisboa é linda.

No miradouro tem uma esplanadinha onde me dei conta de uma estranha dinâmica entre pombos, pardais e humanos: os humanos fazem migalhas que são disputadas por ambas as espécias de pássaros. E eu vi claramente visto um pardal a roubar uma batata frita a um pombo em voo picado enquanto este via a banda passar (fotografia nem pensar: foi muito rápido!).
Para tirar esta fotografia de um pardal a banquetear-se com as migalhas desta mesa foi um problema. Tanto que só apanhei o bicho já em pleno voo, e no canto da fotografia.

Este pombo é que anda a fumar um bocado demais. Ainda bem que não frequenta ambientes fechados, senão ia ser um problema. Aqueles pulmões devem estar mais pretos que o carvão!

(Continua)
De novo duvidei da existência real dos lisboetas porque toda a gente que ali estava tinha aspecto de estrangeiro e/ou um mapa e guia na mão. Mesmo assim, seria um pouco inútil perguntar indicações quando a minha dúvida era mesmo: para onde é que eu quero ir?
Assim sendo fiz o que vim fazer a Lisboa: perder-me! Mas a pé! E comecei a caminhar sem destino.
Subi, subi, subi, venci hordas de turistas e continuei a subir. Encontrei uma igreja que me pareceu familiar de uma ou outra visita com os meus primos, mas continuei a subir. Indicações para o Castelo de S. Jorge, mas não era ali que me apetecia ir. Desviei-me e continuei a subir. Encontrei um miradouro familiar (mas falha-me o nome) e abanquei numa esplanada com vista para o rio para descansar os pés e finalmente comi qualquer coisa e injectei vestígios de cafeína na corrente sanguínea.
O tempo estava agradável e o ambiente também até que se sentaram uns turistas ruidosos ao pé de mim. O ruído não me incomodou nem um bocadinho e pareceram-me romenitos (percebia uma palavra por outra no meio de qualquer coisa que parecia pronúncia russa ou portuguesa). O que me fez desandar dali foi mesmo uma cigarrilha mal cheirosa do que estava colado a mim. De vez em quando penso que a proibição de fumar em espaços fechados foi excessiva, mas este tipo de "respeito" por quem não fuma nem quer põe-me no sítio.
E subi, subi até que tirei a fotografia do gatinho que coloquei na parte 1 desta rapidinha. Subi mais um bocadinho e fui ter à igreja da Graça. Igrejas são como os chapéus: há muitas, por isso fui sentar-me no miradouro onde tirei esta fotografia à paisagem. A fotografia é uma merda porque não faz justiça à paisagem. Mas dá para ver que o dia não estava assim tão glorioso. Mas também me mete alguma confusão: o que é que justificava a ausência de lisboetas? Ocorreu-me que andem tão cansados da cidade que não a apreciem. E Lisboa é linda.
No miradouro tem uma esplanadinha onde me dei conta de uma estranha dinâmica entre pombos, pardais e humanos: os humanos fazem migalhas que são disputadas por ambas as espécias de pássaros. E eu vi claramente visto um pardal a roubar uma batata frita a um pombo em voo picado enquanto este via a banda passar (fotografia nem pensar: foi muito rápido!).
Para tirar esta fotografia de um pardal a banquetear-se com as migalhas desta mesa foi um problema. Tanto que só apanhei o bicho já em pleno voo, e no canto da fotografia.
Este pombo é que anda a fumar um bocado demais. Ainda bem que não frequenta ambientes fechados, senão ia ser um problema. Aqueles pulmões devem estar mais pretos que o carvão!
(Continua)
Dei uma rapidinha a Lisboa - parte 3
A primeira parte da viagem foi fácil porque as opções eram muitas e variadas: ou ia do Oriente à Alameda ou do Oriente à Alameda. Escolhi ir do Oriente à Alameda, o que me pareceu uma opção acertada.
Lá chegada a opção recaiu sobre a direção do rio e de um nome conhecido: Baixa-Chiado. Compras são sempre apelativas! Pensava eu, mas não foi bem assim. E precisava de um café. A brasileira seria um sítio decente para um café, mas dada a multidão desisti. Há algo de profundamente errado em ter tanta gente na rua às 10 e tal da madrugada!
Curiosamente, os únicos portugueses que lá tinha eram uns que estavam a vender um ramo de espigas de trigo e um movimento que estava a tentar sacar a minha assinatura para formar um novo partido político. E eu com pouca paciência para os aturar. O que me fez lembrar uma cena há uns anos, em que saí com os meus pais e uma "funcionária pública" (não sei o que era, podia ser limpadora de retretes) estava a tentar angariar assinaturas para se candidatar a Presidente da República.
Como cidadãos tentamos obter informações acerca do posicionamento da criatura em relação a um par de temas. A posição era qualquer coisa como "o que é importante é dar-se com todos". Mas quem eram todos? Quando lhe perguntamos se "todos" era mais este ou aquele político ela foi vaga. Quando chegou a vez do Putin a senhora olhou para nós com incredulidade. Quem era o Putin? Suponho que não será preciso dizer-lhes que não houve assinatura para ninguém!
Já agora, alguém me sabe explicar porque diabo devia eu ter comprado um raminho de espigas de trigo?
Ainda pensei que deveria ver um sindicalista por outro (era 1 de Maio!), mas não vi nada! O máximo que vi foi ao fim do dia um com um boné do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas e com os joelhos todos lixados, possivelmente de uma grande caminhada. Vai mal o sindicalismo em Portugal!
Sem cafeína o meu cérebro começou a fraquejar: para onde iria eu? Fiquei meia perdida, porque raras vezes me vi em Lisboa completamente sozinha, sem primos tios ou amigos para me orientar e fui parar à rua Augusta, onde se deu a parte 1 de duas do drama "até para ser cão é preciso ter sorte".
Sucede que estava eu meia perdida no meio de uma mole de gente anónima quando um cãozinho me dirigiu um sorriso (de cão) enorme e se precipitou para mim como se fôssemos grandes amigos desde há muito. Só a trela o impediu, claro! Era lindo, castanho cor de mel, pêlo curto e bem tratado (acho que não era labrador: era muito esguio) e claramente novinho. Os olhinhos dele pareciam os de uma criança e tinham a alegria de uma criança. Como a que um dia destes no Porto, ao colo de alguém que atravessava a rua no sentido oposto a mim apontou para mim e se riu como que a dizer-me que queria brincar comigo. Como eu não só não tinha trela como excesso de liberdade de movimentos e estava a precisar de um amigo, abri um sorriso ao cãozinho e dirigi-me a ele para lhe fazer uma festa.
Não me apercebi imediatamente porque é que o bicho estava a ser puxado e ele ainda conseguiu meter as patas às minhas pernas e eu consegui fazer-lhe uma festinha. Pensei que o dono tinha pensado que eu não queria fazer festinhas ao bicho ou que me incomodaria que ele saltasse para cima de mim, o que objectivament era uma parvoíce porque eu tinha-me dirigido ao animal. Mas as dúvidas ficaram desfeitas quando às inteções do dono quando ele se debruçou sobre o bicho para o afastar de mim. Nem para mim olhou e estava visivelmente aborrecido.
Quando um animal destes (o de 2 patas) tão ostensivamente me rejeitou um carinho de um animal racional (o de 4 patas), fiz a única coisa que podia: caminhei no sentido em que ia em primeiro lugar, pela rua Augusta abaixo. Olhei para trás 2 ou 3 vezes, umas das quais porque o animal (de 4 patas) ganiu porque o de 2 patas lhe tinha batido. O de 2 patas continuou debruçado sobre ele um monte de tempo. Não sei se o animal de 2 patas era assediável (para falar verdade, só reparei que era mais ou menos tão alto como eu e branco), mas com esse tipo de atitude nem valia a pena. Até para ser cão é preciso ter sorte!
Mais abaixo a parte 2 do mesmo drama: um cigano tocava acordeão com um cãzinho bebé com uma lata pendurada nos dentes. Não era o mesmo que tinha tentado sacar-me dinheiro no metro com o cão empoleirado no acordeão. Mas o que acontecerá aos cães quando forem grandes demais para empoleirar no acordeão? Na volta é melhor nem pensar!
Lá chegada a opção recaiu sobre a direção do rio e de um nome conhecido: Baixa-Chiado. Compras são sempre apelativas! Pensava eu, mas não foi bem assim. E precisava de um café. A brasileira seria um sítio decente para um café, mas dada a multidão desisti. Há algo de profundamente errado em ter tanta gente na rua às 10 e tal da madrugada!
Curiosamente, os únicos portugueses que lá tinha eram uns que estavam a vender um ramo de espigas de trigo e um movimento que estava a tentar sacar a minha assinatura para formar um novo partido político. E eu com pouca paciência para os aturar. O que me fez lembrar uma cena há uns anos, em que saí com os meus pais e uma "funcionária pública" (não sei o que era, podia ser limpadora de retretes) estava a tentar angariar assinaturas para se candidatar a Presidente da República.
Como cidadãos tentamos obter informações acerca do posicionamento da criatura em relação a um par de temas. A posição era qualquer coisa como "o que é importante é dar-se com todos". Mas quem eram todos? Quando lhe perguntamos se "todos" era mais este ou aquele político ela foi vaga. Quando chegou a vez do Putin a senhora olhou para nós com incredulidade. Quem era o Putin? Suponho que não será preciso dizer-lhes que não houve assinatura para ninguém!
Já agora, alguém me sabe explicar porque diabo devia eu ter comprado um raminho de espigas de trigo?
Ainda pensei que deveria ver um sindicalista por outro (era 1 de Maio!), mas não vi nada! O máximo que vi foi ao fim do dia um com um boné do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas e com os joelhos todos lixados, possivelmente de uma grande caminhada. Vai mal o sindicalismo em Portugal!
Sem cafeína o meu cérebro começou a fraquejar: para onde iria eu? Fiquei meia perdida, porque raras vezes me vi em Lisboa completamente sozinha, sem primos tios ou amigos para me orientar e fui parar à rua Augusta, onde se deu a parte 1 de duas do drama "até para ser cão é preciso ter sorte".
Sucede que estava eu meia perdida no meio de uma mole de gente anónima quando um cãozinho me dirigiu um sorriso (de cão) enorme e se precipitou para mim como se fôssemos grandes amigos desde há muito. Só a trela o impediu, claro! Era lindo, castanho cor de mel, pêlo curto e bem tratado (acho que não era labrador: era muito esguio) e claramente novinho. Os olhinhos dele pareciam os de uma criança e tinham a alegria de uma criança. Como a que um dia destes no Porto, ao colo de alguém que atravessava a rua no sentido oposto a mim apontou para mim e se riu como que a dizer-me que queria brincar comigo. Como eu não só não tinha trela como excesso de liberdade de movimentos e estava a precisar de um amigo, abri um sorriso ao cãozinho e dirigi-me a ele para lhe fazer uma festa.
Não me apercebi imediatamente porque é que o bicho estava a ser puxado e ele ainda conseguiu meter as patas às minhas pernas e eu consegui fazer-lhe uma festinha. Pensei que o dono tinha pensado que eu não queria fazer festinhas ao bicho ou que me incomodaria que ele saltasse para cima de mim, o que objectivament era uma parvoíce porque eu tinha-me dirigido ao animal. Mas as dúvidas ficaram desfeitas quando às inteções do dono quando ele se debruçou sobre o bicho para o afastar de mim. Nem para mim olhou e estava visivelmente aborrecido.
Quando um animal destes (o de 2 patas) tão ostensivamente me rejeitou um carinho de um animal racional (o de 4 patas), fiz a única coisa que podia: caminhei no sentido em que ia em primeiro lugar, pela rua Augusta abaixo. Olhei para trás 2 ou 3 vezes, umas das quais porque o animal (de 4 patas) ganiu porque o de 2 patas lhe tinha batido. O de 2 patas continuou debruçado sobre ele um monte de tempo. Não sei se o animal de 2 patas era assediável (para falar verdade, só reparei que era mais ou menos tão alto como eu e branco), mas com esse tipo de atitude nem valia a pena. Até para ser cão é preciso ter sorte!
Mais abaixo a parte 2 do mesmo drama: um cigano tocava acordeão com um cãzinho bebé com uma lata pendurada nos dentes. Não era o mesmo que tinha tentado sacar-me dinheiro no metro com o cão empoleirado no acordeão. Mas o que acontecerá aos cães quando forem grandes demais para empoleirar no acordeão? Na volta é melhor nem pensar!
Dei uma rapidinha a Lisboa - parte 2
Antes de mais, a planta na imagem no post anterior é de uma plantinha espetada na grelha de um carro. Não sei o nome técnico da planta, mas aqui chamamos-lhes "maios". E porque é que a criaturinha enfeitou o carro com aquela merda? Porque de 30 de Abril para 1 de Maio as bruxas andam por aí só não entram se tiverem os maios a impedi-las... ... ... isso era o que me diziam quando eu tinha 5 anos, 2 canais de televisão, não sabia ler nem escrever, não havia internet e era um bocadinho mais parola. No século XXI isto justifica-se tanto ou menos que racismo. E é só para vocês verem que eu estou rodeada de parolos.
A minha visita a Lisboa foi planeada ao pormenor. O plano era: não há plano! Ou melhor, era um pouco mais detalhada: comboio para baixo, transporte público+sapatos para Lisboa e comboio para cá. Fácil, não? Não tinha plano, não tinha destino. Não fui sequer a este site ver a cobertura de rede de metro. Para quê? Se eu não tinha destino, qual era a utilidade?
Chegada ao Oriente fui logo para a estação de metro, onde tirei um cartão Lisboa Viva, válido por 24 horas na rede de metro e de autocarro. Não resisto a mostrar esta fotografia que demonstra a minha capacidade avançada de planeamento: há quem diga que para ir do Porto a Lisboa é preciso passaporte! À cautela levei o meu! Bem, na realidade ele ainda está estacionado na carteira porque tenho tido preguiça de o tirar desde que ele foi emitido, mas isso não tinha tanta piada, pois não? A fotografia foi perfeitamente acidental: guardei o cartão na mesma parte da carteira e só depois me apercebi da piada.

Já agora, o cartão é válido por 1 ano, por isso vou continuar com ele na carteira a ver se lhe dou uso (e se não der, ele é lindo de qualquer modo, por isso não parece mal). Com sorte entretanto lembro-me de guardar o passaporte noutro lado qualquer. Já agora, Ludwig, ficas a saber que eu também me vi um bocado aflita com a porra do sensor numa ocasião. Não esfreguei, mas enervei-me um bocado quando aquela porra me começou a apitar no autocarro e eu com a certeza de que tinha um bilhete válido.
A minha visita a Lisboa foi planeada ao pormenor. O plano era: não há plano! Ou melhor, era um pouco mais detalhada: comboio para baixo, transporte público+sapatos para Lisboa e comboio para cá. Fácil, não? Não tinha plano, não tinha destino. Não fui sequer a este site ver a cobertura de rede de metro. Para quê? Se eu não tinha destino, qual era a utilidade?
Chegada ao Oriente fui logo para a estação de metro, onde tirei um cartão Lisboa Viva, válido por 24 horas na rede de metro e de autocarro. Não resisto a mostrar esta fotografia que demonstra a minha capacidade avançada de planeamento: há quem diga que para ir do Porto a Lisboa é preciso passaporte! À cautela levei o meu! Bem, na realidade ele ainda está estacionado na carteira porque tenho tido preguiça de o tirar desde que ele foi emitido, mas isso não tinha tanta piada, pois não? A fotografia foi perfeitamente acidental: guardei o cartão na mesma parte da carteira e só depois me apercebi da piada.
Já agora, o cartão é válido por 1 ano, por isso vou continuar com ele na carteira a ver se lhe dou uso (e se não der, ele é lindo de qualquer modo, por isso não parece mal). Com sorte entretanto lembro-me de guardar o passaporte noutro lado qualquer. Já agora, Ludwig, ficas a saber que eu também me vi um bocado aflita com a porra do sensor numa ocasião. Não esfreguei, mas enervei-me um bocado quando aquela porra me começou a apitar no autocarro e eu com a certeza de que tinha um bilhete válido.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Dei uma rapidinha a Lisboa - parte 1
Por falta de tempo não vou escrever agora texto. Mas deixo duas fotos. A primeira, tirada ao pé de minha casa prova que eu vivo no meio dos parolos. Alguém sabe o que isto é? Se eu disse que era dia 1 de Maio, ajuda?



A outra fotografia foi tirada ao pé do largo da Graça e é de um gatinho amoroso e roliço (como se quer um gatinho) por quem me enamorei. Estava sossegadinho no parapeito a gozar os rendimentos, de olhos fechados e nariz no ar a cheirar o delicioso aroma de sardinhas que vinha algures de longe. E ainda diz o outro que as pessoas não são animais! Às vezes o problema não é esse: o problema é que não temos categoria para tanto!
Como dizia eu já há um tempo, everybody wants to be a cat!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
