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domingo, 14 de dezembro de 2008

Estado de espírito

Há coisa de quase 2 meses a Djinn colocou a música que me apetecia ouvir e sentir no blogue dela com a mensagem "porque me apetece". Nem de propósito, andava eu a pensar colocar essa mesma música (great minds think alike?)... mas nesse preciso momento o meu estado de espírito era diametralmente oposto a esse, pelo que não me parecia bem estar a colocá-la cá. Seria um fingimento e isso não sou eu. Senti-me, contudo, feliz por ela, mesmo porque é o tipo de pessoa que merece estar dessa maneira. É um estado de espírito a que se aspira e que se trabalha continuamente para que se instale e não nos fuja por entre os dedos quando a vida nos dá as sapatadas que a vida tem que dar (porque é mesmo assim a vida e as pessoas que dela fazem parte).

Quem mora num raio de uns 30 km de mim sabe que o tempo tem estado uma merda: céu cinzento, frio, é noite praticamente às 5 da tarde, a pessoa quase não tem vontade de ir para lado nenhum e (pior que tudo) há stress de Natal e canções natalícias por todo o lado. Isto são condições perfeitas para me pôr deprimida, mas... não estou. Aliás, estou tudo menos isso, apesar de logicamente dever estar mal (ou pelo menos, menos bem)!

O que se passa é que me sinto feliz e me sinto bem. Mesmo muito bem. Ontem disse mesmo a uma amiga "neste momento sou uma excelente companhia, estou muito positiva". E sinto isso. Disse-lhe isso porque o sentia, porque (nisso e outras coisas) não sou sou capaz de mentir nem de fingir. Fez-lhe bem ouvir isso, o que é só justo, porque ela me fez sentir bem em outras alturas. E porque ela é em parte responsável pelo meu bem-estar e sabe disso.

Olhei para a minha vida neste momento e não é perfeita: tenho coisas por resolver, não estou como me imaginava em vários aspectos, não estou própria para capa de revista, mas... sinto uma espécie de tranquilidade que se foi instalando sorrateiramente por uma série de coisas que fiz ou de que me afastei. Por estar bem comigo. Por viver o dia-a-dia com optimismo e esforçando-me para estar bem comigo mesma e com os outros.

Os momentos de lamechice que tenho partilhado convosco neste blogue têm sido normalmente momentos de excesso. Momentos em que tinha que libertar um pouco da dor que sentia para que não me doesse tanto. Hoje partilho um momento feliz. Feliz só porque sim. Feliz não porque venha de um qualquer momento avassalador, mas só de tranquilidade. Não um rio revolto e espumoso, com a fúria de chegar ao mar, mas um ribeiro de águas frescas que correm sem pressa, apreciando a paisagem até ao mesmo mar.

E partilho o meu estado de espírito sob a forma da música que queria ter colocado há mais tempo. O que não tinha há quase 2 meses (longe disso) e pelo qual tenho lutado. Quer sozinha quer com a companhia de verdadeiros amigos. De pessoas pelas quais vale a pena gastar gasóleo e telemóvel.



(O vídeo oficial e que eu prefiro está aqui, mas não dá para colocar)

... e para que não acabe assim lamechas, sim, parte da felicidade deve-se a ter apanhado o rapazinho de uma loja a praticamente enterrar os olhos no meu decote, ao mesmo tempo que fazia um ar apatetado! E fez ele bem: o que é bonito é para se ver! Espero ter contribuído para a felicidade dele!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sofrer

Há uns dias dei aqui a entender que queria mal a alguém que me fez mal. Possivelmente na hora queria dizer isso mesmo e senti exactamente isso. Isso e mais um cento de outras coisas (boas e más) que hoje já tenho distância suficiente para ver melhor. Os sentimentos já estão controlados, já estou em mim, não tenho o sofrimento à flor da pele.

Este fim de semana dizia eu a alguém que queria que a pessoa que me magoou fosse feliz. Que certas atitudes que tomei com ele poderiam, de uma maneira estranha, ter contribuído para que ele tivesse a oportunidade de ser feliz precisamente por serem de rotura e confrontação. A pessoa com quem eu estava a falar perguntou-me: mas a felicidade dele é mesmo importante ou estás só a dizer isso por dizer? A pergunta foi desconcertante porque para mim a resposta era óbvia e única: sim! Quero vê-lo feliz! Quero vê-lo a ter amor próprio suficiente para tomar decisões que o tornem feliz e às pessoas que o rodeiam.

Nada disso invalida o mal que ele me fez e mantenho que não o perdoo pelos mesmíssimos motivos. Por esse me afasto: por amor a mim... que mereço! Paradoxalmente quero que ele sofra as consequências do que fez. É estranhamente um acto de amor: ele tem que compreender a gravidade do que fez para que o assunto fique resolvido e possa seguir em frente. Claro que com a liberdade de resolver as coisas bem... vem a liberdade de as resolver mal. Mas a escolha não é minha. A responsabilidade não é minha. Só posso ficar a torcer pela felicidade dele à distância.

Quero-lhe bem, mas afasto-me. Até um dia ou até nunca mais. Eu fiz parte do caminho dele e ele do meu. Saí mais rica de ter partilhado uma parte da minha vida com ele e espero ter contribuído nem que um pouquinho para lhe colocar um sorriso no rosto. Ele que fica tão bonito a sorrir!

Não fico bem com os outros a sofrer, mas tenho também que me preservar. Fica bem, que eu também fico...

sábado, 18 de outubro de 2008

É claro que às vezes pensar que se fez bem...

... é inteiramente diferente de se ter feito bem! Mas porque é que eu sou tão complicada? Porque é que as coisas são tão complicadas quando na realidade podem ser tão simples? E têm que ser tão simples!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Melancolias

Uma das tarefas a que me propus antes de ir de férias foi fazer backups das fotos no computador. Tem que ser e devia ter sido feito há mais tempo, porque acumulei fotos de 1 ano e tal, o que é um perigo.

Uma foto tem muito associado, e este ano esteve cheio de reviravoltas na minha vida. Olhei com nostalgia para muitas das fotos que guardei.

Acabei por concluir que por vezes é melhor fazer como fiz hoje: só guardar, sem grande critério. Eventualmente apagar uma por outra que claramente não está ali a fazer nada, mas só mesmo a ocupar espaço. Mais tarde, com tempo, paciência e método organizá-las de modo a que façam todas sentido.

Sobretudo há que reconhecer que nem sempre ficamos bem na fotografia... mas é assim a vida! Tem que se seguir em frente, porque o tempo não pára!


E para quem está a perguntar: não, ainda não fiz a mala!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Das lamechices e outras - parte 2

Ainda nem li bem o que escrevi há pouco, mas acho que não respondi ao que foi comentado.

Por partes:

"Com tranquilidade disse...

Abobrinha,

Sobre as cornadas da vida, como sabe, ainda não deu nem recebeu todas. E ainda bem. É a prova de que vive vivendo.Triste seria passar impune às cornadas... aos encantos e desencantos do dia-a-dia."

Verdade. Apanha-se cornadas todos os dias (já disse que o meu signo é touro?). Mas há dias em que um encontrão se sente como um atropelamento por um camião TIR. Ainda não domino inteiramente a arte de pôr uma cara de circunstância e sorrir e alhear-me do que sinto. Quando estou bem (o que vai sendo a maioria dos dias) é bom porque tendo a espalhar boa disposição. Quando estou mal, vê-se à transparência. Mesmo online, o que é assustador e me faz sentir assustadoramente exposta!

Para quem é tão exagerada e tão teatral, sou muito fraquinha quando é a sério. Como auto-defesa tenho que me esforçar mais!

"indomável disse...

'Bobrinha, já i algures que as mulheres hoje são mais desinibidas mas ocas... [....]

A badalhoquice mostra o lado feminino que tem andado escondido por tanto tempo [...]

A lamechice revela quem temos revelado sempre, o nosso lado mais sensível [...]

[...] isso faz de nós os seres completos que os senhores homens adoram mas que temem, por sermos tão complicadinhas.

Ainda assim, como diria um amigo, é melhor que sejamos complicadas do que ocas, don't u think so my dear?"

A badalhoquice é o meu lado brincalhão e provocador. A lamechice está conotada com o lado sensível, de facto. O problema é que muita gente exagera na dose desta última ao ponto de lhe tirar o significado. O limite são as novelas com histórias de fazer chorar as pedras da calçada, com histórias de sentimentos exagerados (fingidos?) e que fazem pessoas imaginar sentimentos que na realidade só queriam ter mas não sentem. Fingir perante os outros é mau, mas fingir perante nós mesmos é verdadeiramente desonesto!

Acho que já respondi ao que os homens pensam e querem e dizem. Não são de confiar, na sua maioria (como em tudo, há excepções, e quando as há são extraordinárias).

Às vezes ser oca e superficial tem as suas vantagens, mas isto sou eu a ver o mundo com os meus óculos negros.

"Joaninha disse...

"[...]Afinal sempre tens um lado lamechas. [...]

Agora só tens é de o encarar de frente, ser lamechas não é tão mau como parece, ou como está conotado hoje em dia."

Joaninha

Antes fosse lamechice pura e dura, mas não é! E hoje não me sinto capaz de encarar grande coisa de frente. Para falar verdade, uma opção é mesmo desaparecer um tempo, porque ando mais instável que o fundo do mar do Pacífico (diz um amigo meu, que mora para aquele lado que de vez em quando aquilo dá uns tremeliques). Isto passa, porque eu sei que passa, mas ando instável e isso é um facto! E não costumo fazer bem a ninguém nessas alturas. Muito menos a mim mesma.

Tenho que parar e pensar. É daquelas alturas que nunca mais chega ao fim de semana para desligar!

Das lamechices e outras - parte 1

Indomável, Joaninha e Com Tranquilidade

Isto era para ser 3 comentários, mas estava a ficar comprido e ia ser repetitivo, por isso condensei em 1 único post. Não quer dizer que esteja a ganhar capacidade de síntese, atenção (isso é uma acusação grave!): significa que o assunto em si possivelmente merecia um post para ser desenvolvido.

Os homens têm a mania que as mulheres são complicadas e que nunca sabem o que querem. O que se passa é que eles é que não sabem o que querem e frequentemente dizem o oposto do que querem!

Contudo, os homens têm uma coisa superior a nós... quer dizer, geralmente, porque 33 anos de vida deram-me bagagem para fazer "generalizações mas sem particularizar". Ora bem, isto em português corrente (porque olhando para o que eu escrevi parece não fazer sentido, embora faça) significa que por muitas generalizações que se possam fazer, elas não passam de linhas gerais para ver cada pessoa por aquilo que ela é (ou seja, individualmente) e não servem para enfiar pessoas em caixinhas ao primeiro sinal de que têm características que apontam em determinado sentido! Dito de outra maneira (e isso já tem sido repetido à exaustão), cada pessoa é muita coisa e muitas coisas ao mesmo tempo.

Dizia eu que os homens têm uma coisa superior a nós: sabem chutar para canto! Se uma gaja não lhes dá bola, é porque é uma de muitas coisas: bonita demais, feias demais, nada de especial; gorda demais, magra demais, assim-assim demais; esperta demais, burra que nem um cepo, nada de especial; fria demais, apaixonada demais, nem muito nem pouco, mas muito pelo contrário.

Há limites, como duas avéculas que comentaram no blogue do Luíz Carvalho (no Expresso) os "seios disformes" da Soraia Chaves ou o facto de ser a rapariga perfeitamente desinteressante sem os artifícios de maquilhagem. Reproduzo este último comentário porque é potentíssimo: "Já a vi ao vivo de dia, num dia normal que é quando se deve apreciar a beleza de uma mulher, sem truques de fotografia e maquilhagem. Foi uma desilusão...". Muito se pode dizer a este respeito (chamar avécula ao fulano é a abordagem mais simpática e mais rápida), como por exemplo perguntar-lhe o que é "apreciar a beleza de uma mulher". Isto é muito objectificante!

Dito isto de alguns (Muitos! Muitos mesmo!) homens, não quero ser assim! A maioria das mulheres não quer ser assim! Não quero um objecto: quero um companheiro, um igual, e isso é complicadíssimo de encontrar! Também não quero ser o objecto de ninguém, o que me parece mais que razoável. Mas tudo isto envolve uma componente de sorte demasiado grande: parecendo que não, há duas pessoas envolvidas, sendo que há cerca de 3 biliões de homens e 3 biliões de mulheres no mundo (será que se eu for para a China as minhas probabilidades aumentam?) e cada vez menos homens disponíveis. Além de interessantes e interessados já serem poucos. E mesmo quando tudo parece conjugar-se para funcionar, há sempre uma areiazinha (ou seixo ou calhau mesmo!) a emperrar a porra da engrenagem!

Por tudo isso me parece quase impossível que um companheiro encaixe nas minhas muitas/poucas exigências. Mas estou a expor-me demais e não estou inteiramente confortável com isso. Sobretudo quando online todos os gatos são pardos e eu nem o meu nome dou! Às vezes corro riscos, mas não sei se têm compensado.

Por isso, Joaninha, sou gaja. Sou gaja demais para meu próprio bem e isso não me tem compensado. Mas não sei ser de outra maneira! E não sei se quero. Já há muito que cheguei à conclusão que o sofrimento é a única constante na vida, mas essa constatação também não me tem feito favores nenhuns e em algumas alturas traz só mais sofrimento. E sim, estou a sofrer mesmo muito de momento (lá está: sou sensível demais).

Acrescento só que escrevi tudo isto em "escape livre" e vou carregar em "publicar mensagem" sem ler. É por isso natural que haja partes que não fazem sentido e ideias que ficaram a meio (ou menos) ou que me arrependa de ter escrito partes. Se for o caso, mais tarde nego tudo. Mas agora tinha mesmo que ter isto do coração para fora.

Lamento muito, mas até virar o disco ainda vão ter que aturar com algumas lamechices! É o que a casa gasta!