Ou os olhos! Pois não é que me lembrei que o Mickey Rourke outrora, no século passado, no milénio passado teve um rosto agradável (bonito mesmo), sem parecer que tinha sido atropelado pela linha amarela do metro? Todas as 7 composições que lá circulam, em ambos os sentidos durante todo o ano. A Kim Basinger é que estava com um calorão!
Mas entretanto entrou em dieta. Para alívio da empregada da limpeza, que não entendia como é que uma menina tão magrinha fazia semelhante chiqueiro ao pé do frigorífico.
E pronto, este foi o momento do cinema do mês!
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
quarta-feira, 19 de maio de 2010
O filme da minha vida. Ou talvez não!
Está a dar na Fox Next o filme "Jogo a três mãos" (no original Bull Durham, não sei porquê) e apeteceu-me deixar uma sentida homenagem ao filme que me deixou a perceber 100% mais do que aquilo que sabia sobre baseball. Fosse toda a matemática tão simples: 100% de zero continua a ser zero! Contudo, é também o filme da famosa frase "Cute? Baby ducks are cute! I wanna be exotic, misterious!".
Outra citação engraçada:
"Your shower shoes have fungus on them. You'll never make it to the bigs with fungus on your shower shoes. Think classy, you'll be classy. If you win 20 in the show, you can let the fungus grow back and the press'll think you're colorful. Until you win 20 in the show, however, it means you are a slob. "
A definição de classe: é o que o jogador da primeira liga diz que tem classe! Lógico!
O meu interesse em baseball? Nenhum! Roupa amaricada, regras parvas e uma perturbadora semelhança com o cricket. Esse sim, assustador com as suas camisolas pipis e calças ainda mais amaricadas e uma presunção sem fim!
Então porque é que escrevi isto?
Bem, era para postar isto antes no meu Facebook, mas depois apeteceu-me elaborar (a minha capacidade de síntese é uma merda) e de qualquer modo já há muito tempo que não escrevia aqui nada. E apeteceu-me pôr uma foto de um gajo com a beleza fácil e descontraída do Tim Robbins! Fica sempre bem em qualquer lado...
Outra citação engraçada:
"Your shower shoes have fungus on them. You'll never make it to the bigs with fungus on your shower shoes. Think classy, you'll be classy. If you win 20 in the show, you can let the fungus grow back and the press'll think you're colorful. Until you win 20 in the show, however, it means you are a slob. "
A definição de classe: é o que o jogador da primeira liga diz que tem classe! Lógico!
O meu interesse em baseball? Nenhum! Roupa amaricada, regras parvas e uma perturbadora semelhança com o cricket. Esse sim, assustador com as suas camisolas pipis e calças ainda mais amaricadas e uma presunção sem fim!
Então porque é que escrevi isto?
Bem, era para postar isto antes no meu Facebook, mas depois apeteceu-me elaborar (a minha capacidade de síntese é uma merda) e de qualquer modo já há muito tempo que não escrevia aqui nada. E apeteceu-me pôr uma foto de um gajo com a beleza fácil e descontraída do Tim Robbins! Fica sempre bem em qualquer lado...
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
E tu, jovem, és uma planta ou um gato?
Comecei este post para responder a este outro da Gata. Mas depois achei que nem eu nem ela somos gajas para merecer ser reduzidas a clichés, por isso meti pernas ao caminho e comecei a escrever uma coisa completamente diferente e mais para a javardice. Como reduzir um homem a um cliché, que é bem mais giro!
Uma vez disseram-me que não se pode ter simultaneamente gatos e plantas: ou uma coisa ou outra. Quem mo disse tinha a sua razão: o gatinho que eu tinha na altura estraçalhou por completo uma orquídea lindíssima que a minha mãe me tinha dado com todo o carinho e tudo quanto era projecto de plantas naquela casa. O gato não sobreviveu muito tempo à orquídea e ainda não estou convencida de que não tenha sido o espírito da orquídea a vingar-se pelas ofensas passadas. A isso se chama uma orquídea selvagem... ou isso é o nome de um filme pornográfico? ... bem, não interessa!
Descobri recentemente que afinal o meu gato não tinha culpa pelo meu insucesso com as plantas. O que se passa é que eu sou UMA NULIDADE a tomar conta de plantas! Resumindo: tenho uma única planta de boa saúde e isso é porque me esqueci completamente dela e de a regar. Só isso é que safou a desgraçada. De onde se conclui que sou uma mulher de gatos (a morte do bicho está explicada cabalmente atrás)!
E aí fez-se luz na minha cabeça: há homens que são plantas e outros que são gatos.
Assim, os gato são independentes, fofos, lindos e vêm ter connosco para alimentação e mimo. Mas querem e gostam de atenção e devolvem toda essa atenção e carinho sob a forma de companhia, brincadeira, um ronronar sensual, pêlo fofo e uma magnífica funcionalidade como botija para os pés ou outra qualquer parte do corpo que decidam aquecer quando se deitam na cama ou no sofá connosco. Um homem-gato é, portanto, um sonho!
Uma planta, em contrapartida, não faz companhia, não se mexe, nem sempre é bonita e quanta mais atenção e carinho se lhe dá... mais depressa ela vai com o carago! Ainda por cima, algumas têm espinhos ou são venenosas. Ora isto é a descrição de muito homem que para aí anda!
Jovens frequentadores deste tasco e outros que não têm esse bom gosto: que tipo de homem são vocês? Gatos ou plantas?
E pronto, em honra da orquídea selvagem aqui fica a Carré Otis para se regalarem. Era para elevar o nível do tasco e em vez de mamas e um corpo escultural apresentar um objecto de design e colocar a famosa cadeira do filme Orquídea Selvagem onde se sentou o Mário Soares numa mui cultural visita às Caraíbas... com o Mário Soares com o rabo lá alapado (só para fazer de turn-off), mas depois tive pena de vocês e deste blogue porque já há muito tempo que não tinha mamas.


... e daí o filme com a cadeira não era o Emanuelle?
... e era pornográfico ou erótico? E qual é a diferença?
(Também podia ter posto uma imagem do Mickey Rourke, mas isso seria crueldade pura!)
Uma vez disseram-me que não se pode ter simultaneamente gatos e plantas: ou uma coisa ou outra. Quem mo disse tinha a sua razão: o gatinho que eu tinha na altura estraçalhou por completo uma orquídea lindíssima que a minha mãe me tinha dado com todo o carinho e tudo quanto era projecto de plantas naquela casa. O gato não sobreviveu muito tempo à orquídea e ainda não estou convencida de que não tenha sido o espírito da orquídea a vingar-se pelas ofensas passadas. A isso se chama uma orquídea selvagem... ou isso é o nome de um filme pornográfico? ... bem, não interessa!
Descobri recentemente que afinal o meu gato não tinha culpa pelo meu insucesso com as plantas. O que se passa é que eu sou UMA NULIDADE a tomar conta de plantas! Resumindo: tenho uma única planta de boa saúde e isso é porque me esqueci completamente dela e de a regar. Só isso é que safou a desgraçada. De onde se conclui que sou uma mulher de gatos (a morte do bicho está explicada cabalmente atrás)!
E aí fez-se luz na minha cabeça: há homens que são plantas e outros que são gatos.
Assim, os gato são independentes, fofos, lindos e vêm ter connosco para alimentação e mimo. Mas querem e gostam de atenção e devolvem toda essa atenção e carinho sob a forma de companhia, brincadeira, um ronronar sensual, pêlo fofo e uma magnífica funcionalidade como botija para os pés ou outra qualquer parte do corpo que decidam aquecer quando se deitam na cama ou no sofá connosco. Um homem-gato é, portanto, um sonho!
Uma planta, em contrapartida, não faz companhia, não se mexe, nem sempre é bonita e quanta mais atenção e carinho se lhe dá... mais depressa ela vai com o carago! Ainda por cima, algumas têm espinhos ou são venenosas. Ora isto é a descrição de muito homem que para aí anda!
Jovens frequentadores deste tasco e outros que não têm esse bom gosto: que tipo de homem são vocês? Gatos ou plantas?
E pronto, em honra da orquídea selvagem aqui fica a Carré Otis para se regalarem. Era para elevar o nível do tasco e em vez de mamas e um corpo escultural apresentar um objecto de design e colocar a famosa cadeira do filme Orquídea Selvagem onde se sentou o Mário Soares numa mui cultural visita às Caraíbas... com o Mário Soares com o rabo lá alapado (só para fazer de turn-off), mas depois tive pena de vocês e deste blogue porque já há muito tempo que não tinha mamas.


... e daí o filme com a cadeira não era o Emanuelle?
... e era pornográfico ou erótico? E qual é a diferença?
(Também podia ter posto uma imagem do Mickey Rourke, mas isso seria crueldade pura!)
terça-feira, 20 de outubro de 2009
"És um homem com mamas"
Esta e outra frase foram a única coisa de jeito no filme "morrer como um homem". O homem com mamas era Tónia, travesti e... bem, homem com mamas, porque não fez a mudança de sexo! A outra frase de jeito foi:
"Uma mulher sem dores nos pés não está completa!"
Refira-se que esta última não foi dita por uma mulher a sério mas por um homem vestido de mulher e com uns saltos aí de 10 cm (ou mais). E não concordo: uma gaja a sério encontra o equilíbrio entre uns saltos desconfortáveis mas estupidamente elegantes de agulha para quando está bem e/ou precisa de ser extra-sexy, uns com mais sustentação (mas que a façam mais alta) e uns rasos ou mesmo chinela quando precisa de dar corda aos sapatos ou verdadeiramente tem dor de pés. As gajas já têm a sua quota-parte de dor, não precisam de mais do que a necessária!
A história do filme conheci-a dos jornais e, tanto quanto me lembro, estava bastante fiel. Mas o problema é o do costume dos filmes portugueses: actuações um pouco forçadas e momentos demasiado parados de vez em quando. Mesmo sendo um filme triste e por vezes melancólico. E as músicas... aaaaaaaaaaagh!
Quanto à temática em si, vou atirar uma bomba: não sei o que leva alguém a querer ver um homem vestido exageradamente de mulher a imitar uma mulher a cantar (frequentemente em play-back). Que um homem se queira vestir de mulher ou ser mulher eu compreendo, porque faz parte de todas as partidas que a natureza prega às suas criaturas e que faz esbater a fronteira entre o macho e a fêmea. Que deveria ser uma fronteira marcada, mas nem sempre é. Ninguém tem culpa nem deve ser apontado por ser diferente. Mas isso não é o mesmo que apreciar a espécie de freak-show que são espectáculos de travestis.
Em resumo:
1. Para a próxima vez que não tenha nada que fazer, vou-me deitar a dormir ou a fazer crochet!
2. Este filme entrou para a minha curta (mas preocupantemente crescente) lista de filmes "quero o meu dinheiro de volta".
3. A minha onda de azar com filmes alternativos tem que ser contrariada com uma série muito grande de "Hollywoodices" cheias de efeitos especiais. É que isto anda a passar do exagero com filmes alternativos que não prestam!
Só para terminar, vejam se não é preferível a Sandra Bullock e a outra cidadã que está a imitar a Tina Turner (não sei o nome da actriz) a um gajo vestido de gaja.

"Uma mulher sem dores nos pés não está completa!"
Refira-se que esta última não foi dita por uma mulher a sério mas por um homem vestido de mulher e com uns saltos aí de 10 cm (ou mais). E não concordo: uma gaja a sério encontra o equilíbrio entre uns saltos desconfortáveis mas estupidamente elegantes de agulha para quando está bem e/ou precisa de ser extra-sexy, uns com mais sustentação (mas que a façam mais alta) e uns rasos ou mesmo chinela quando precisa de dar corda aos sapatos ou verdadeiramente tem dor de pés. As gajas já têm a sua quota-parte de dor, não precisam de mais do que a necessária!
A história do filme conheci-a dos jornais e, tanto quanto me lembro, estava bastante fiel. Mas o problema é o do costume dos filmes portugueses: actuações um pouco forçadas e momentos demasiado parados de vez em quando. Mesmo sendo um filme triste e por vezes melancólico. E as músicas... aaaaaaaaaaagh!
Quanto à temática em si, vou atirar uma bomba: não sei o que leva alguém a querer ver um homem vestido exageradamente de mulher a imitar uma mulher a cantar (frequentemente em play-back). Que um homem se queira vestir de mulher ou ser mulher eu compreendo, porque faz parte de todas as partidas que a natureza prega às suas criaturas e que faz esbater a fronteira entre o macho e a fêmea. Que deveria ser uma fronteira marcada, mas nem sempre é. Ninguém tem culpa nem deve ser apontado por ser diferente. Mas isso não é o mesmo que apreciar a espécie de freak-show que são espectáculos de travestis.
Em resumo:
1. Para a próxima vez que não tenha nada que fazer, vou-me deitar a dormir ou a fazer crochet!
2. Este filme entrou para a minha curta (mas preocupantemente crescente) lista de filmes "quero o meu dinheiro de volta".
3. A minha onda de azar com filmes alternativos tem que ser contrariada com uma série muito grande de "Hollywoodices" cheias de efeitos especiais. É que isto anda a passar do exagero com filmes alternativos que não prestam!
Só para terminar, vejam se não é preferível a Sandra Bullock e a outra cidadã que está a imitar a Tina Turner (não sei o nome da actriz) a um gajo vestido de gaja.

domingo, 23 de agosto de 2009
Johnny... desculpa, mas não és o Jude!
O outro título para este post podia ser "estou farta de mau cinema", mas estaria a ser repetitiva. É que ultimamente parece que não acerto com uma, quer em filmes alternativos quer em filmes mais comerciais! Exceptuando o Bruno, só dei tiros ao lado. Pois fui ver o Inimigos Públicos, com o Johnny Depp e o Christian Bale. E não recomendo!
Gosto moderadamente do Christian Bale. Gostei que ele tivesse feito de assassino psicopata em American Psycho. Um filme relaxante, sem dúvida: assassinatos sem sentido (só porque o tipo está aborrecido), desmembramentos, motosserras, o mau não é punido nem é apanhado... espectáculo! Enervante acho a mania que o Christian partilha com outros actores britânicos de se fazer de santo em contraponto com os colegas americanos. Ter participado no filme Capitão Corelli (outra perda de tempo) também não ajudou à causa dele (embora ter visto o rabo dele no filme tenha sido possivelmente o único momento interessante do filme). E temos sempre o Batman, que fica bem em qualquer lado! Alguém o devia pôr era num filme de vampiros: ele tem uns caninos enormescos!

Já o Johnny é um habitué em filmes pouco usuais, estranhos ou mesmo completamente alucinados: Eduardo mãos de tesoura, Pirata das Caraíbas (embora a falta de higiene corporal neste me impressione), Charlie e a fábrica de chocolate e (o meu preferido) Sweeney Todd! Gostei muito da maneira como o moço era hábil na navalha. E como comeu o Sasha Baron Cohen, embora de uma maneira inteiramente distinta do sentido do filme Bruno. Os talentos canoros não eram os melhores, mas isso agora não interessa nada!
E tudo isto para dizer que... o Inimigos Públicos é uma valente merda! Tem cenas de tiroteio e tal, perseguições e fugas essencialmente mal filmadas (fiquei tonta a dada altura). E é mais ou menos tudo! Chorei o dinheiro que dei por um filme tão fraco! O cinema devia ter um livro de reclamações e parte do dinheiro devia ser devolvido quando o filme não nos agradasse. Este era dos casos em que se justificava o reembolso!

E porquê o título? Porque se o filme fosse com o Jude Law o grau de insatisfação com o filme estaria atenuado pela beleza extrema do actor. Continuaria um filme fraco, mas com uma paisagem mais catita ao menos! E o Johnny é giro, mas... é mesmo só girinho, mais nada! Tem cara de quem ainda bebe leitinho do biberão (apesar dos 46 anos que leva já no pêlo) e está a ficar com a pele envelhecida, o que não é nada bom!

Outro motivo para o título: uma excelente desculpa para colocar uma foto do Jude Law! Que fica sempre bem em qualquer lado! ... deve ser cansativo ser tão bonito!
Gosto moderadamente do Christian Bale. Gostei que ele tivesse feito de assassino psicopata em American Psycho. Um filme relaxante, sem dúvida: assassinatos sem sentido (só porque o tipo está aborrecido), desmembramentos, motosserras, o mau não é punido nem é apanhado... espectáculo! Enervante acho a mania que o Christian partilha com outros actores britânicos de se fazer de santo em contraponto com os colegas americanos. Ter participado no filme Capitão Corelli (outra perda de tempo) também não ajudou à causa dele (embora ter visto o rabo dele no filme tenha sido possivelmente o único momento interessante do filme). E temos sempre o Batman, que fica bem em qualquer lado! Alguém o devia pôr era num filme de vampiros: ele tem uns caninos enormescos!

Já o Johnny é um habitué em filmes pouco usuais, estranhos ou mesmo completamente alucinados: Eduardo mãos de tesoura, Pirata das Caraíbas (embora a falta de higiene corporal neste me impressione), Charlie e a fábrica de chocolate e (o meu preferido) Sweeney Todd! Gostei muito da maneira como o moço era hábil na navalha. E como comeu o Sasha Baron Cohen, embora de uma maneira inteiramente distinta do sentido do filme Bruno. Os talentos canoros não eram os melhores, mas isso agora não interessa nada!
E tudo isto para dizer que... o Inimigos Públicos é uma valente merda! Tem cenas de tiroteio e tal, perseguições e fugas essencialmente mal filmadas (fiquei tonta a dada altura). E é mais ou menos tudo! Chorei o dinheiro que dei por um filme tão fraco! O cinema devia ter um livro de reclamações e parte do dinheiro devia ser devolvido quando o filme não nos agradasse. Este era dos casos em que se justificava o reembolso!

E porquê o título? Porque se o filme fosse com o Jude Law o grau de insatisfação com o filme estaria atenuado pela beleza extrema do actor. Continuaria um filme fraco, mas com uma paisagem mais catita ao menos! E o Johnny é giro, mas... é mesmo só girinho, mais nada! Tem cara de quem ainda bebe leitinho do biberão (apesar dos 46 anos que leva já no pêlo) e está a ficar com a pele envelhecida, o que não é nada bom!

Outro motivo para o título: uma excelente desculpa para colocar uma foto do Jude Law! Que fica sempre bem em qualquer lado! ... deve ser cansativo ser tão bonito!
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Bruno!!!
Finalmente um filme de jeito! Finalmente fui ver o Bruno!
Era mesmo o que eu precisava para me pôr a rir. E não só me ri a sério na hora como ainda me pôs a rir a caminho do carro feita tolinha! O Sasha Baron Cohen é um génio! Só não sei como é que ainda não apanhou um enxerto de porrada de alguém! ... OK, sem contar com as chicotadas da louraça swinger platinada com uns beiços descomunais, mamas XXL com um piercing em cada mamilo e tatuagens. Agora a sério: ele deve ter uma equipa que se desunha a manter a integridade física dele! Porque por várias vezes aquilo podia ter corrido mal!
Pontos fortes do filme:
- A entrevista à modelo. A sério que nunca pensei que alguém pudesse manter uma cara séria a dizer as barbaridades que ela disse. Isso ou nunca apreciei seriamente a complexidade e a coragem do acto (só aparentemente trivial) de colocar uma perna à frente da outra. Um parolo diria que isso é simplesmente caminhar. Mas não uma modelo loura a ser entrevistada pelo homem mais louco do mundo e arredores e com a cara mais séria do mundo!
- Adorei a entrevista ao Harrison Ford. Curto e grosso, mas acho que fez passar a mensagem!
- Nunca seguir indicações de relações públicas para questões de caridade (?????) que sejam louras e pareçam gémeas siamesas. Na volta não é por serem louras (e parecerem exactamente iguais), mas mesmo só por não saberem que uma frase tem um início, um meio e um fim. Com um pouco mais de ambição, algumas chegam a ter um sentido, mas trabalhemos uma coisa de cada vez (senão fica cansativo e ainda alguém acaba a ter um esgotamento nervoso).
- Está descoberto o caminho para a paz entre israelitas e árabes: o Humus! Aqui eu não me ri: eu perdi o controlo e desatei a chorar com o riso! Tanto o israelita como o palestino concordaram que o Humus é estritamente vegetariano e muito bom para a saúde. Então e isso não é um ponto muito frágil de entendimento? Eu acho que não: frágeis são possivelmente os motivos para os tipos andarem à porrada. Vá, sentem-se à mesa, comam Humus, folhas de videira, tâmaras, fallafel e comida kosher e deixem de dar tiros e pedradas uns aos outros!
- Há uma parte do filme em que estou em crer que o longo silêncio é mesmo só porque o Sasha Baron Cohen está mesmo mesmo quase a partir-se a rir! Ele quase não consegue disfarçar!
- Vou ignorar que uma mãe concordou em fazer a filha com 11 kg perder 5 kg em uma semana, nem que fosse preciso lipo-aspiração para participar numa sessão fotográfica. De novo, não sei como é que o Sasha se aguentou a provocá-la e não lhe enfiou um par de chapos. Mas esta foi o cúmulo mesmo, porque todos os outros pais disseram coisas piores que absurdas.
- Só um paneleiro teria uma t-shirt com os dizeres "o meu cú só serve para cagar" (atenção, não confundir paneleiro como homem-sexual!). Isto porque qualquer macho a sério sabe que o cú também serve para dar peidos! E que dar peidos é coisa de macho! Independentemente da orientação sexual.
- Numa altura em que parece que proliferam os posts a falar de depilação dita "total" (uma falsidade, porque total implicaria cabelo, sobrancelhas, pestanas assim como a totalidade da pintelheira), o Bruno mais uma vez foi arrojado ao abordar o tema do branqueamento anal! E pronto!
- Tirei umas ideias para mobília para a minha casa. Mas para isso têm que ver o filme!
- Vou passar a ter cuidado com o excesso de hidratos de carbono. Acreditem: segundo o filme, a coisa pode correr mesmo mal!
- Estou destreinada de alemão, mas quer-me parecer que algumas das palavras que o Bruno disse não existiam. Mas isso não invalida o facto de ele ser um "cunnunglinguist" (a cena com o fantasma do Milli também conta).
- Nunca pensei seriamente num ataque com um dildo. Nem com dois. Parece que o mundo é um lugar mais perigoso do que aquilo que eu tinha pensado. É melhor eu meter-me em artes marciais, à cautela!
- Já sentia falta de uma canção de solidariedade. Com os bons da fita e um vídeo que é só o pessoal no estúdio de gravação. Sendo os bons o Bono, Sting, Elton John e ainda o Snoop Dog! Genial!
Ou seja, recomendo seriamente o filme! Não há maneira de sair de lá mal disposto, desde que (quem as tem) ultrapasse o desconforto de algumas cenas demasiado gay!
Era mesmo o que eu precisava para me pôr a rir. E não só me ri a sério na hora como ainda me pôs a rir a caminho do carro feita tolinha! O Sasha Baron Cohen é um génio! Só não sei como é que ainda não apanhou um enxerto de porrada de alguém! ... OK, sem contar com as chicotadas da louraça swinger platinada com uns beiços descomunais, mamas XXL com um piercing em cada mamilo e tatuagens. Agora a sério: ele deve ter uma equipa que se desunha a manter a integridade física dele! Porque por várias vezes aquilo podia ter corrido mal!
Pontos fortes do filme:
- A entrevista à modelo. A sério que nunca pensei que alguém pudesse manter uma cara séria a dizer as barbaridades que ela disse. Isso ou nunca apreciei seriamente a complexidade e a coragem do acto (só aparentemente trivial) de colocar uma perna à frente da outra. Um parolo diria que isso é simplesmente caminhar. Mas não uma modelo loura a ser entrevistada pelo homem mais louco do mundo e arredores e com a cara mais séria do mundo!
- Adorei a entrevista ao Harrison Ford. Curto e grosso, mas acho que fez passar a mensagem!
- Nunca seguir indicações de relações públicas para questões de caridade (?????) que sejam louras e pareçam gémeas siamesas. Na volta não é por serem louras (e parecerem exactamente iguais), mas mesmo só por não saberem que uma frase tem um início, um meio e um fim. Com um pouco mais de ambição, algumas chegam a ter um sentido, mas trabalhemos uma coisa de cada vez (senão fica cansativo e ainda alguém acaba a ter um esgotamento nervoso).
- Está descoberto o caminho para a paz entre israelitas e árabes: o Humus! Aqui eu não me ri: eu perdi o controlo e desatei a chorar com o riso! Tanto o israelita como o palestino concordaram que o Humus é estritamente vegetariano e muito bom para a saúde. Então e isso não é um ponto muito frágil de entendimento? Eu acho que não: frágeis são possivelmente os motivos para os tipos andarem à porrada. Vá, sentem-se à mesa, comam Humus, folhas de videira, tâmaras, fallafel e comida kosher e deixem de dar tiros e pedradas uns aos outros!
- Há uma parte do filme em que estou em crer que o longo silêncio é mesmo só porque o Sasha Baron Cohen está mesmo mesmo quase a partir-se a rir! Ele quase não consegue disfarçar!
- Vou ignorar que uma mãe concordou em fazer a filha com 11 kg perder 5 kg em uma semana, nem que fosse preciso lipo-aspiração para participar numa sessão fotográfica. De novo, não sei como é que o Sasha se aguentou a provocá-la e não lhe enfiou um par de chapos. Mas esta foi o cúmulo mesmo, porque todos os outros pais disseram coisas piores que absurdas.
- Só um paneleiro teria uma t-shirt com os dizeres "o meu cú só serve para cagar" (atenção, não confundir paneleiro como homem-sexual!). Isto porque qualquer macho a sério sabe que o cú também serve para dar peidos! E que dar peidos é coisa de macho! Independentemente da orientação sexual.
- Numa altura em que parece que proliferam os posts a falar de depilação dita "total" (uma falsidade, porque total implicaria cabelo, sobrancelhas, pestanas assim como a totalidade da pintelheira), o Bruno mais uma vez foi arrojado ao abordar o tema do branqueamento anal! E pronto!
- Tirei umas ideias para mobília para a minha casa. Mas para isso têm que ver o filme!
- Vou passar a ter cuidado com o excesso de hidratos de carbono. Acreditem: segundo o filme, a coisa pode correr mesmo mal!
- Estou destreinada de alemão, mas quer-me parecer que algumas das palavras que o Bruno disse não existiam. Mas isso não invalida o facto de ele ser um "cunnunglinguist" (a cena com o fantasma do Milli também conta).
- Nunca pensei seriamente num ataque com um dildo. Nem com dois. Parece que o mundo é um lugar mais perigoso do que aquilo que eu tinha pensado. É melhor eu meter-me em artes marciais, à cautela!
- Já sentia falta de uma canção de solidariedade. Com os bons da fita e um vídeo que é só o pessoal no estúdio de gravação. Sendo os bons o Bono, Sting, Elton John e ainda o Snoop Dog! Genial!
Ou seja, recomendo seriamente o filme! Não há maneira de sair de lá mal disposto, desde que (quem as tem) ultrapasse o desconforto de algumas cenas demasiado gay!
domingo, 2 de agosto de 2009
Maravilhas do cinema alternativo
Um filme com Isaach de Bankolé Tilda Swinton, Bill Murray e Gael Garcia Bernal... só podia ser bom, certo? E um filme alternativo sempre deve acrescentar qualquer coisa à nossa cultura geral!
... e seria de pensar que aos 35 anos eu já tivesse deixado de ser inocente. Mas não!
"Os limites do controlo", no original "the limits of control" estava descrito como "a história de um homem marginal, um solitário em viagem por Espanha. Sabemos que ele está prestes a terminar um trabalho ilícito, sabemos que ele tem um destino, nada mais. A sua viagem percorre Espanha, mas percorre essencialmente a sua consciência.
Com personagens sem nome, encarnadas por um leque invejável de actores (Isaach De Bankolé, Tilda Swinton, Bill Murray, John Hurt, Gael García Bernal, etc), este é um filme peculiar sobre os limites do controlo, mesmo para um profissional do crime."

Continua a parecer interessante? Desenganem-se! Eu conto já o filme, para o caso de alguém se sentir tentado!
Aliás, eu escrevo 90% dos diálogos já.
- Você não fala espanho, pois não?
- Dois cafés em chávenas separadas.
- O Universo não tem centro nem arestas.
- Os diamantes são os melhores amigos das mulheres.
- Quem se achar importante que visite o cemitério. Aí verá que o mundo é só um punhado de terra.
E resume-se mais ou menos a isto!
Ah, e tal, estás a exagerar!
... não, não estou mesmo! A sério! Resume-se praticamente a isto! E olhem que estou a falar de 116 minutos de filme.
O resto do filme é o Isaach com o seu rosto anguloso a alternar entre um fato azul, um outro cinzento e um outro ainda castanho. Todos com o mesmo corte e aparentemente do mesmo material. De certeza que teria algum significado artístico, mas eu não descortinei qual (possivelmente porque ia adormecendo a meio do filme). Fato com o qual dorme e faz um exercício matinal que eu não sabia o que era, mas sei agora que é fotossíntese. Mesmo quando a Paz de la Huerta (mas quem raio tem um nome destes?) dorme com ele vestida só com o equipamento de série com que vinha da barriga da mãe. Ou seja: nada! Bem, não exactamente nada: também usa óculos pretos de massa!
Então e quais eram os limites do controlo? Não sei. Possivelmente não adormecer com a seca do filme. E daí, na volta essa era a explicação para os dois cafés seguidos. E conto-vos também o fim do filme: ele mata o Bill Murray? E porquê? Não sei! Possivelmente por não ter gostado de qualquer coisa nos "Anjos de Charlie". E ficam a saber que uma guitarra dá imenso jeito para matar alguém: é só retirar-lhe uma corda e enforca-se um tipo na boa! Uma pancada com a guitarra também seria giro, mas suponho que fizesse mais barulho e dependesse da dureza dos cornos do visado.
Já há muito tempo que não ia ver um filme tão mau! O que não deixa de ser irónico, dado o título e conteúdo do meu último post...
... e seria de pensar que aos 35 anos eu já tivesse deixado de ser inocente. Mas não!
"Os limites do controlo", no original "the limits of control" estava descrito como "a história de um homem marginal, um solitário em viagem por Espanha. Sabemos que ele está prestes a terminar um trabalho ilícito, sabemos que ele tem um destino, nada mais. A sua viagem percorre Espanha, mas percorre essencialmente a sua consciência.
Com personagens sem nome, encarnadas por um leque invejável de actores (Isaach De Bankolé, Tilda Swinton, Bill Murray, John Hurt, Gael García Bernal, etc), este é um filme peculiar sobre os limites do controlo, mesmo para um profissional do crime."

Continua a parecer interessante? Desenganem-se! Eu conto já o filme, para o caso de alguém se sentir tentado!
Aliás, eu escrevo 90% dos diálogos já.
- Você não fala espanho, pois não?
- Dois cafés em chávenas separadas.
- O Universo não tem centro nem arestas.
- Os diamantes são os melhores amigos das mulheres.
- Quem se achar importante que visite o cemitério. Aí verá que o mundo é só um punhado de terra.
E resume-se mais ou menos a isto!
Ah, e tal, estás a exagerar!
... não, não estou mesmo! A sério! Resume-se praticamente a isto! E olhem que estou a falar de 116 minutos de filme.
O resto do filme é o Isaach com o seu rosto anguloso a alternar entre um fato azul, um outro cinzento e um outro ainda castanho. Todos com o mesmo corte e aparentemente do mesmo material. De certeza que teria algum significado artístico, mas eu não descortinei qual (possivelmente porque ia adormecendo a meio do filme). Fato com o qual dorme e faz um exercício matinal que eu não sabia o que era, mas sei agora que é fotossíntese. Mesmo quando a Paz de la Huerta (mas quem raio tem um nome destes?) dorme com ele vestida só com o equipamento de série com que vinha da barriga da mãe. Ou seja: nada! Bem, não exactamente nada: também usa óculos pretos de massa!

Então e quais eram os limites do controlo? Não sei. Possivelmente não adormecer com a seca do filme. E daí, na volta essa era a explicação para os dois cafés seguidos. E conto-vos também o fim do filme: ele mata o Bill Murray? E porquê? Não sei! Possivelmente por não ter gostado de qualquer coisa nos "Anjos de Charlie". E ficam a saber que uma guitarra dá imenso jeito para matar alguém: é só retirar-lhe uma corda e enforca-se um tipo na boa! Uma pancada com a guitarra também seria giro, mas suponho que fizesse mais barulho e dependesse da dureza dos cornos do visado.
Já há muito tempo que não ia ver um filme tão mau! O que não deixa de ser irónico, dado o título e conteúdo do meu último post...
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Será a vida curta demais para maus filmes?
Jude... sabes como gosto de ti! És lindo todos os dias (fins de semana, dias santos e feriados incluídos). Mas... ontem estive a ver-te no "O amor não tira férias" que tinha guardado na minha box fantástica (e cujo comando deu o berro, já agora) e... olha, não sei se a vida realmente não será curta demais para maus filmes! Por isso não leves a mal tenha engatado na conversa no computador ao mesmo tempo, porque realmente o filme... simplesmente não era interessante e os meninos com quem eu estava na conversa eram!
O teu filme era... fraquinho! Entretinha e tal, mas o argumento era um "niquinho" forçado demais! Previsível? Naaaaaaaaaaaaah! Nem um bocadinho. Ou seja, não gostei! Ainda por cima, com tanto sexo entre ele e a Cameron Diaz e não se vê nada do teu magnífico... talento! E isso tem que ser pecado em alguma religião!
Mas môr... continuas lindo!


Ainda a semana passada fui ver "a proposta" com a Sandra Bullock e um cidadão com excelente aspecto mas que não sei o nome. O filme tinha como vantagem, entre outras coisas, mostrar o cidadão com pouca roupa e todo transpirado e... simplesmente nú a dada altura do filme! A imagem abaixo também mostra que a Sandra Bullock também esteve em grande! Para que conste, fui ver "a proposta" porque cheguei tarde para o "Bruno", que quero mesmo ver e o mais rápido possível!

Claro que "a proposta" é previsível, mas tem grandes momentos de humor! Como o personagem Ramon que parece ter o dom da ubiquidade e todas as picardias entre os pombinhos. Não dei o tempo, o gasóleo e o dinheiro do bilhete por inteiramente perdidos, portanto. Felizmente "o amor não tira férias" teve um pequeno impacto ambiental: foi em casa mesmo. E não paguei bilhete!
Além de tudo, fiquei a saber pela Cameron Diaz que é mais provável uma mulher de 35 anos ser vítima de um atentado terrorista do que casar... e eu não quero ser vítima de um ataque terrorista! Em contrapartida, com a Sandra Bullock fiquei a saber que quando for ao Alaska não posso ter um cão lá fora porque senão as águias levam-no. Ao cão ou ao telemóvel! E nunca se sabe quando é que eu poderei ir ao Alaska. Espero não sofrer é lá um ataque terrorista, claro!
Portanto não sei se a vida é curta demais para maus filmes ou se de vez em quando até sabe bem para desenjoar. E vocês, o que pensam?
E Sadeek... o Jude não é roto!!!
O teu filme era... fraquinho! Entretinha e tal, mas o argumento era um "niquinho" forçado demais! Previsível? Naaaaaaaaaaaaah! Nem um bocadinho. Ou seja, não gostei! Ainda por cima, com tanto sexo entre ele e a Cameron Diaz e não se vê nada do teu magnífico... talento! E isso tem que ser pecado em alguma religião!
Mas môr... continuas lindo!


Ainda a semana passada fui ver "a proposta" com a Sandra Bullock e um cidadão com excelente aspecto mas que não sei o nome. O filme tinha como vantagem, entre outras coisas, mostrar o cidadão com pouca roupa e todo transpirado e... simplesmente nú a dada altura do filme! A imagem abaixo também mostra que a Sandra Bullock também esteve em grande! Para que conste, fui ver "a proposta" porque cheguei tarde para o "Bruno", que quero mesmo ver e o mais rápido possível!

Claro que "a proposta" é previsível, mas tem grandes momentos de humor! Como o personagem Ramon que parece ter o dom da ubiquidade e todas as picardias entre os pombinhos. Não dei o tempo, o gasóleo e o dinheiro do bilhete por inteiramente perdidos, portanto. Felizmente "o amor não tira férias" teve um pequeno impacto ambiental: foi em casa mesmo. E não paguei bilhete!
Além de tudo, fiquei a saber pela Cameron Diaz que é mais provável uma mulher de 35 anos ser vítima de um atentado terrorista do que casar... e eu não quero ser vítima de um ataque terrorista! Em contrapartida, com a Sandra Bullock fiquei a saber que quando for ao Alaska não posso ter um cão lá fora porque senão as águias levam-no. Ao cão ou ao telemóvel! E nunca se sabe quando é que eu poderei ir ao Alaska. Espero não sofrer é lá um ataque terrorista, claro!
Portanto não sei se a vida é curta demais para maus filmes ou se de vez em quando até sabe bem para desenjoar. E vocês, o que pensam?
E Sadeek... o Jude não é roto!!!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Porque é que a Eu Mesma é uma má influência
Eu nunca pensei...
Não esperava isto de mim! Estou decepcionada, desiludida. Triste mesmo! Cheguei ao fim da linha!
A verdade é que eu... é que eu fui... eu vi... (aaaaaaaaaaah.... respira fundo)...
... estas confissões custam-me...
Pronto, vou fazer como naqueles pontos mais sensíveis da depilação: respirar fundo e puxar com convicção de uma só vez!
Here goes:
Eu fui ver o "Ele não está assim tão interessado"!!! Eu, a ver uma comédia romântica em público e a pagar bilhete não é normal! Quando muito vejo em casa dos meus pais, à borlix na televisão e escondida de toda a gente e porque não há mesmo mais nada de interessante no resto da televisão! Mas a Eu Mesma enrolou-me com grande categoria e eu fui ver (até me custa dizer) uma comédia romântica!!! Isto vai requerer muito pensamento positivo e visualizar-me no Fantasporto e ver cabeças a rolar, facadas e outros "mimos" parecidos.
OK, agora que saí do armário tenho que dizer que gostei! O filme estava muito bem feito. Ia dizer que saía dos clichés, mas não posso dizer isso, precisamente porque... os explorou! E era isso que tinha que fazer! Ri-me imenso e até tive um "precoce": antes mesmo de o filme começar estava a dar a apresentação do "fast and furious" (ou assim uma coisa) e a cena do Vin Diesel a fazer passar o bólide por debaixo de um camião aos saltos e em chamas no meio de um desfiladeiro fez-me explodir de riso no meio de uma multidão que possivelmente estaria a achar aquilo plausível.
O filme estava super bem feito, o que a dada altura me fez temer pelo "happily ever after" do fim. Mas aí a coisa foi bem feita: não acabaram todos "bem". Ou acabaram? Bem pode ser uma mulher ficar devolvida a si mesma à sua procura. Sobretudo não é conto de fadas estar numa relação a ser enganada à fartazana.
Mas o que me tocou mais foi a cena em que a Gigi interpreta mal os "sinais" dados pelo Alex e faz a triste figura de se atirar a ele. Quando apanha tampa, e ainda não recuperada da humilhação, diz-lhe na cara o que mulher nenhuma lhe tinha dito: qualquer coisa como que podia sofrer com as rejeições e mesmo fazer figuras parvas. Mas ao tentar encontrar a pessoa certa estaria sempre mais perto que o Alex, que mantinha uma distância sempre. Tudo bem que não se magoava, mas... não tentava sequer!
Suponho que o segredo esteja algures no meio: não jogar sempre à defesa, mas também não se expôr de maneira que seja como pôr-se a jeito para apanhar porrada emocional. O equilíbrio aqui, como em tudo, é sempre o mais complicado! Mas desistir é uma má opção. Não tentar também. E tentar encontrar o ponto certo para desistir quando alguma coisa não vai lá nem com uma calçadeira. Para estar livre para uma pessoa que nos aprecie mesmo. Mantendo sempre a dignidade.
Não esperava isto de mim! Estou decepcionada, desiludida. Triste mesmo! Cheguei ao fim da linha!
A verdade é que eu... é que eu fui... eu vi... (aaaaaaaaaaah.... respira fundo)...
... estas confissões custam-me...
Pronto, vou fazer como naqueles pontos mais sensíveis da depilação: respirar fundo e puxar com convicção de uma só vez!
Here goes:
Eu fui ver o "Ele não está assim tão interessado"!!! Eu, a ver uma comédia romântica em público e a pagar bilhete não é normal! Quando muito vejo em casa dos meus pais, à borlix na televisão e escondida de toda a gente e porque não há mesmo mais nada de interessante no resto da televisão! Mas a Eu Mesma enrolou-me com grande categoria e eu fui ver (até me custa dizer) uma comédia romântica!!! Isto vai requerer muito pensamento positivo e visualizar-me no Fantasporto e ver cabeças a rolar, facadas e outros "mimos" parecidos.
OK, agora que saí do armário tenho que dizer que gostei! O filme estava muito bem feito. Ia dizer que saía dos clichés, mas não posso dizer isso, precisamente porque... os explorou! E era isso que tinha que fazer! Ri-me imenso e até tive um "precoce": antes mesmo de o filme começar estava a dar a apresentação do "fast and furious" (ou assim uma coisa) e a cena do Vin Diesel a fazer passar o bólide por debaixo de um camião aos saltos e em chamas no meio de um desfiladeiro fez-me explodir de riso no meio de uma multidão que possivelmente estaria a achar aquilo plausível.
O filme estava super bem feito, o que a dada altura me fez temer pelo "happily ever after" do fim. Mas aí a coisa foi bem feita: não acabaram todos "bem". Ou acabaram? Bem pode ser uma mulher ficar devolvida a si mesma à sua procura. Sobretudo não é conto de fadas estar numa relação a ser enganada à fartazana.
Mas o que me tocou mais foi a cena em que a Gigi interpreta mal os "sinais" dados pelo Alex e faz a triste figura de se atirar a ele. Quando apanha tampa, e ainda não recuperada da humilhação, diz-lhe na cara o que mulher nenhuma lhe tinha dito: qualquer coisa como que podia sofrer com as rejeições e mesmo fazer figuras parvas. Mas ao tentar encontrar a pessoa certa estaria sempre mais perto que o Alex, que mantinha uma distância sempre. Tudo bem que não se magoava, mas... não tentava sequer!
Suponho que o segredo esteja algures no meio: não jogar sempre à defesa, mas também não se expôr de maneira que seja como pôr-se a jeito para apanhar porrada emocional. O equilíbrio aqui, como em tudo, é sempre o mais complicado! Mas desistir é uma má opção. Não tentar também. E tentar encontrar o ponto certo para desistir quando alguma coisa não vai lá nem com uma calçadeira. Para estar livre para uma pessoa que nos aprecie mesmo. Mantendo sempre a dignidade.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Outras frases célebres de cinema que já passaram no Abobrinha
Tinha a ideia de que falava bastante de cinema neste tasco. E é verdade: basta ir à etiqueta "cinema" para o constatar. Não tentem ir à etiqueta "badalhoquice": aquilo é um poço sem fundo!
Dos tempos em que o blogue Lavandaria ainda era o Roupa para Lavar (no Expresso) e o meu blogue tinha dias e pouca independência ainda, fiz o resumo possível do "Short bus". De onde retirei as seguintes frases:
"- 70% das mulheres têm dificuldades em atingir o orgasmo
- 70% dos homens são uns idiotas!"
"os filmes que aqui se mostram são horríveis, mas quanto mais incompreensíveis e seca são, mais inteligentes os que os vêem pensam que são!"
"As mulheres vêm aqui e /&%$/%$$/(&)()/ (partes irrepetíveis que descrevem actos que os preclaros sabem) e depois têm a lata de ir comer qualquer coisa e dizer que são veganas!"
Grande filme! Excelente para ver com um bloco de apontamentos na mão.
Do Persépolis tirei uma frase que já fazia parte de mim mas eu não tinha verbalizado. Do filme falei neste e neste post. O primeiro fala do filme em si. O segundo de quando me testaram os limites e eu sofri que nem um animal. E saí mais forte (e a coisa ainda era pior do que eu tinha pensado... quando pensei que não podia ficar pior!).
"Tu as l'option d'ètre intégre!"
A outra frase que me marcou, válida no mesmo contexto de dor, desta vez no Crying Games:
"It's not in your nature"
Curiosamente a Sexykiller usou a mesma fábula que o personagem do Crying Games para justificar os seus instintos assassinos. Mas aqui a expressão "mulher de tomates" não era para ser levada à letra...
Directamente de África, concretamente do filme Madagascar chegam-nos pérolas de sabedoria... OK, e de algum disparate também, num feel-good post sem merdas como "ah, e tal, hoje vou abraçar o mundo e beijá-lo como se fosse uma amante e depois vamos dançar a valsa até ao pôr do sol e fazer o amor a noite toda" (eeeeeeeeeek, de repente fiquei agoniada):
"Dá-me uma dentadinha no rabo, Maurício"
"o gatinho gosta de peixe"
"just smile and wave!"
E pronto, acho que ficou demonstrado que gosto de cinema. E que há muitos e bons filmes para ver!
Dos tempos em que o blogue Lavandaria ainda era o Roupa para Lavar (no Expresso) e o meu blogue tinha dias e pouca independência ainda, fiz o resumo possível do "Short bus". De onde retirei as seguintes frases:
"- 70% das mulheres têm dificuldades em atingir o orgasmo
- 70% dos homens são uns idiotas!"
"os filmes que aqui se mostram são horríveis, mas quanto mais incompreensíveis e seca são, mais inteligentes os que os vêem pensam que são!"
"As mulheres vêm aqui e /&%$/%$$/(&)()/ (partes irrepetíveis que descrevem actos que os preclaros sabem) e depois têm a lata de ir comer qualquer coisa e dizer que são veganas!"
Grande filme! Excelente para ver com um bloco de apontamentos na mão.
Do Persépolis tirei uma frase que já fazia parte de mim mas eu não tinha verbalizado. Do filme falei neste e neste post. O primeiro fala do filme em si. O segundo de quando me testaram os limites e eu sofri que nem um animal. E saí mais forte (e a coisa ainda era pior do que eu tinha pensado... quando pensei que não podia ficar pior!).
"Tu as l'option d'ètre intégre!"
A outra frase que me marcou, válida no mesmo contexto de dor, desta vez no Crying Games:
"It's not in your nature"
Curiosamente a Sexykiller usou a mesma fábula que o personagem do Crying Games para justificar os seus instintos assassinos. Mas aqui a expressão "mulher de tomates" não era para ser levada à letra...
Directamente de África, concretamente do filme Madagascar chegam-nos pérolas de sabedoria... OK, e de algum disparate também, num feel-good post sem merdas como "ah, e tal, hoje vou abraçar o mundo e beijá-lo como se fosse uma amante e depois vamos dançar a valsa até ao pôr do sol e fazer o amor a noite toda" (eeeeeeeeeek, de repente fiquei agoniada):
"Dá-me uma dentadinha no rabo, Maurício"
"o gatinho gosta de peixe"
"just smile and wave!"
E pronto, acho que ficou demonstrado que gosto de cinema. E que há muitos e bons filmes para ver!
domingo, 8 de março de 2009
Feel-good movie o c***!
Tive um dia destes mais uma prova de que um filme não é só o que o realizador, os actores e a restante panafernália de gente que o fez querem que seja: o filme é muito o que quem o vê sente. Tinham-me dito (e está anunciado) que o "Quem quer ser milionário" era um feel-good movie, que a pessoa saía de lá bem disposta... e eu saí de lá meia agoniada!
Recordo que já aqui afirmei que acho filmes com cabeças cortadas, motosserras, sangue a jorrar e outros que tais relaxantes. Mantenho o que disse. Vi também o "Trainspotting" como se estivesse drogada (coisa que nunca estive) e achei-o o máximo, embora friamente falando o filme seja perfeitamente horrível e retrate várias realidades horríveis, com uma banda sonora brilhante.

Recordo que já aqui afirmei que acho filmes com cabeças cortadas, motosserras, sangue a jorrar e outros que tais relaxantes. Mantenho o que disse. Vi também o "Trainspotting" como se estivesse drogada (coisa que nunca estive) e achei-o o máximo, embora friamente falando o filme seja perfeitamente horrível e retrate várias realidades horríveis, com uma banda sonora brilhante.Mete-me impressão a maneira como o apresentador humilha o concorrente porque é o menino do chá do call centre (nem categoria nem cultura para assistente tem!). Na realidade ele é bem pior que isso: uma criatura que só está viva e íntegra por uma qualquer piada do Universo. Só pode, porque por lógica não é! Mas o que me desarmou profundamente foi a história de vida do protagonista, representativa da de um número inaceitável de seres humanos. Conflitos religiosos, ganância pura e simples, desrespeito pelo ser humano e pelo que ele tem de mais frágil: as crianças e as mulheres.
A cena em que uma criança é cega para conseguir mais esmolas fez-me controlar para não chorar (quando cheguei ao carro já não me aguentei) e marcou-me. Ver as crianças na lixeira, sujas, tratadas como objectos deu-me vontade de saltar para dentro do ecrã, pegar nelas, levá-las para casa e tomar conta delas (OK, sinto o mesmo quando vejo o Jude Law em filme, mas aí os instintos são diferentes... embora envolvam vagamente crianças... concretamente a sua fabricação por métodos naturais). Deu-me vontade de sorrir a alegria das crianças e a sua inacreditável capacidade de brincar e divertir-se e fazer asneiras que adulto nenhum teria imaginação para fazer. Mesmo no mais abjecto bairro de lata do mundo. Para crescerem cedo demais, quando no nosso mundinho há trintões ainda a jogar criquete na pista de aterragem de aviões e se esquecem de que têm que crescer e sentir felicidade nas responsabilidades que a idade traz consigo.
O filme está bem feito, de facto há ali a ascenção social e a força de toda uma nação de pobres que querem que um dos seus tenha sucesso, mas... a parte da história das crianças, por ser plausível, mexeu comigo! E a saída de tanto milhão de criaturas da miséria não é (como os milhões de rupias que levou para casa o protagonista Jamal) uma questão de destino: é algo por que tem que se lutar! Não só no próprio país, mas no mundo inteiro. E recordo o que disse o menino cego de voz de ouro (a mesma voz que o tramou em primeiro lugar): "Tu e eu somos iguais, mas tu tiveste sorte". E nós não somos diferentes de quem nasceu num bairro de lata em Bombaim (ou Mumbai, é a mesma coisa!): simplesmente nascemos no lado certo do mundo e com a pele mais clara.
Curiosamente o filme que seleccionaria como feel-good é... Milk! Objectivamente falando, mete-me nojo a realidade que retrata: tratar quem tem uma orientação sexual adulta mas desviante (OK, pode não ser a melhor palavra, mas para o caso não é grave) como pedófilo. E tratá-los como pedófilos só porque dá jeito para os retirar da vista e da vida de quem vive "como Deus quer": tendo filhos e um lar com duas pessoas de sexo diferente. Ou seja: treta da pior espécie, porque amor é amor, sexo é sexo e cada qual sabe do seu, desde que seja consensual e adulto. E homossexualidade e pedofilia não são filhos nem enteados.
E com tudo isto, porque é que me senti bem com o filme? Porque retrata algo a que não se volta. Não se volta porque uma maioria confortável de pessoas já não acha bem que se trate homossexuais daquela maneira. Não que se sintam confortáveis com a ideia (ouvi manifestações de nojo nas cenas íntimas no filme), mas isso não é o mesmo que ostracisar seres humanos como eles mesmos... mas que estranhamente se sentem sexualmente atraídos pelo mesmo sexo.
Saí do filme com a nítida sensação de ter ouvido muitos dos argumentos que ouvi dos fundamentalistas dos anos 70 em San Francisco, mas em português e de altas figuras da igreja católica (e não só) no nosso país. Mas por cada pessoa que os ouve, há um número confortável de pessoas (de tendências sexuais diversas) com vontade de os mandar para sítios pouco católicos. E que quando pressionada é capaz de fazer ver que semelhante descriminação é inaceitável.
Não digo, como é óbvio, que não se deva fazer leis contra criaturinhas como o James Franco poderem ser homem-sexuais! Tolerância é uma coisa, mas hoje é dia da mulher e isto é um homem em condições. Curiosamente é um menino de ascendência... portuguesa! E eu dizia-lhe a ascendência se o apanhasse a jeito! Já o Sean Penn pode virar quando quiser: é feio todos os dias, sempre foi e a idade não o melhorou nem um bocadinho!

Conclui-se facilmente que Deus tem um sentido de humor um pouco doentio quando fez esta criatura com a tendência sexual errada! Mas eu nunca tive ilusões de que o mundo fosse justo!

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
"Dá-me uma dentadinha no rabo, Maurício"
Uma dentadinha no rabo? Isto virou a S&M? Não exactamente (ainda não!).
Esta é a frase com que, no Madagascar 1 o rei Julian justifica a dentadinha no rabo do Alex ao Marty. Há um problema: o rei Julian e o Maurício são lemures. O Alex é um leão! Não é preciso explicar a diferença, pois não?
Isto a propósito da razoabilidade do que se pede. Não é razoável pedir uma dentadinha no rabo a um leão. Sobretudo quando ele está com fome. Sabe quem viu o filme que o Alex disfarça fingindo que não está a dar dentadinhas mas a contar as riscas e conclui que o Marty é preto com riscas brancas e não branco com riscas pretas (o que é hilariante porque a voz do Marty é a do Chris Rock). Pedir uma dentadinha no rabo ao Maurício, contudo, é inócuo! Porque é um lemur. Não um leão que já não tem quem lhe faça a manicura e lhe dê bifes no zoológico de Nova Iorque.
Sabe quem viu a história que o Alex acaba por querer comer carne. O que se resolve só por magia de desenho animado: há sempre sushi! Porque um gato não é vegetariano e, por sorte, "o gatinho gosta de peixe".
Para quem se perdeu, o que eu quero dizer é que não é razoável dizer uma coisa e querer outra. O que é razoável é pedir o que se quer o que é lógico e seguro para nós mesmos. O Crest, por exemplo, pediu um tau-tau. Qual é o pior que podia acontecer? Ouvir "não". Eu disse que sim, mas eu sou "segura" porque não o conheço e estou a 2500 km ;) Mas se ele não pedisse, não ouvia o "sim". E porque é que ele pediu? Porque queria! Em tudo o que têm que ser os outros a dar-nos (ou seja, que não depende de nós), há que pedir para se ter o que se quer. Não assumir que se vai ter por "se merecer"... se essa pessoa gostar o suficiente de nós.
Podemos pedir uma dentadinha no rabo ou fidelidade a um doce lemur: é seguro, é razoável e lógico. Mas se nos metemos com um leão... a coisa pode piar fino, porque um leão é um carnívoro feroz! Nem sequer um doce gatinho. E como se distingue um leão de um lemur? Bem, não é uma ciência exacta. Mas não é com certeza confiando cegamente em alguém só porque existe algures um príncipe encantado. Ele até existe, mas nem todos os homens o são. A maioria não é! E depois, há o príncipe encantado do Shreck... a voz dele é a do Rupert Everett... e toda a gente sabe como é o Rupert Everett...

A vida real não tem a magia do desenho animado, mas tem a magia da sinceridade e honestidade de algumas pessoas. E depois... há sempre sushi! E mesmo sushi vegetariano!E há sempre a abordagem dos pinguins: "just smile and wave!".

NOTA: Parte do que escrevi deve fazer sentido. Mas ao menos as figuras são fixes e tem um quarentão de 49 anos... OK, é gay, mas é lindo à mesma! E o que perdeu em rigou ganhou em ligeireza!
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Filmes da minha vida
Sou mais cinéfila que uma pessoa de música. Não tenho o filme da minha vida e não me obriguem a escolher 5 filmes que me marcaram porque a resposta é que nenhum deles me marcou. Eventualmente uma coisita por outra me lembra algo ou me dá uma lição.
Também não sou de ter frases célebres de filmes e aborrece-me coisas como fixar frases do estilo "we'll always have Paris" ou "you do know how to wistle, don't you? Just put your lips together and blow". Mas que merda é esta? O que é que isto quer dizer? Encontro mais significado no "now I understand the divorce" da Carrie quando viu a exiguidade do armário de sapatos da casa nova (que estava à venda por causa de um divórcio), mas isso é porque eu não sou bem apertada do juízo (se é que havia dúvidas).
Contudo, hoje duas frases me vieram à ideia de dois filmes altamente alternativos.
"It's not in your nature"
Disse o personagem que interpretava o Forrest Whitaker no "Jogo de lágrimas" (Crying game) a propósito de um terrorista do IRA se excitado com a fotografia da namorada dele. Algumas pessoas com o bom gosto e sorte de terem apanhado este filme sabem que a boazona da namorada do moço era uma mulher de tomates (literalmente)... mas enganava bem!
"Tu as l'option d'ètre intégre!"
(quem perceber mais de francês que eu que me corrija por favor se me enganei)
Sábias palavras da avó da Marjane no filme Persepolis (ver este post), que se aplicam a tudo e todos (mulheres de tomates incluídas).
Acho que toda a gente deve ver estes dois filmes, por estas lições de vida e pela qualidade dos filmes em si. OK, e também para distinguir um transsexual quando têm um à frente (é que aquilo estava muito perfeitinho, enganava qualquer um!).
Vendo ou não os filmes, permanecer fiel à sua própria natureza é essencial para se ser feliz e fazer os outros felizes. Claro que isto pressupõe reconhecer qual é a sua própria natureza. E em qualquer situação, ser íntegro! Nem quando apetece não ser e quando é a opção que mais custa!
Hoje, com grande dor fiz as duas coisas. É agri-doce porque a via mais fácil pareceria (e seria certamente) mandar ambos estes princípios às malvas. Mas mantive-me firme e sei que foi a melhor opção. Estou a sofrer, fiz sofrer, mas as coisas vão-se resolver e no fim vai haver gente feliz com lágrimas. Eu estou lavada em lágrimas, mas sei que (globalmente) fiz bem. Não se pode pedir mais! Fico sozinha, mas não fui contra a minha natureza e não perdi a integridade. E não perdi a fé nos outros nem (mais importante) em mim!
Estou só mas estou bem. Estou a sofrer que nem um animal mas estou estranhamente bem! E pus em palavras o princípios que norteiam a minha vida e espero manter até morrer bem velhinha. Nem que me custe muito... nem que fique sem mais lágrimas para chorar...
Não era esta a versão da música que me recordo, mas esta serve para ilustrar (tem ali um som metálico a mais, mas não faz mal). Ouçam a música que é linda!
Também não sou de ter frases célebres de filmes e aborrece-me coisas como fixar frases do estilo "we'll always have Paris" ou "you do know how to wistle, don't you? Just put your lips together and blow". Mas que merda é esta? O que é que isto quer dizer? Encontro mais significado no "now I understand the divorce" da Carrie quando viu a exiguidade do armário de sapatos da casa nova (que estava à venda por causa de um divórcio), mas isso é porque eu não sou bem apertada do juízo (se é que havia dúvidas).
Contudo, hoje duas frases me vieram à ideia de dois filmes altamente alternativos.
"It's not in your nature"
Disse o personagem que interpretava o Forrest Whitaker no "Jogo de lágrimas" (Crying game) a propósito de um terrorista do IRA se excitado com a fotografia da namorada dele. Algumas pessoas com o bom gosto e sorte de terem apanhado este filme sabem que a boazona da namorada do moço era uma mulher de tomates (literalmente)... mas enganava bem!
"Tu as l'option d'ètre intégre!"
(quem perceber mais de francês que eu que me corrija por favor se me enganei)
Sábias palavras da avó da Marjane no filme Persepolis (ver este post), que se aplicam a tudo e todos (mulheres de tomates incluídas).
Acho que toda a gente deve ver estes dois filmes, por estas lições de vida e pela qualidade dos filmes em si. OK, e também para distinguir um transsexual quando têm um à frente (é que aquilo estava muito perfeitinho, enganava qualquer um!).
Vendo ou não os filmes, permanecer fiel à sua própria natureza é essencial para se ser feliz e fazer os outros felizes. Claro que isto pressupõe reconhecer qual é a sua própria natureza. E em qualquer situação, ser íntegro! Nem quando apetece não ser e quando é a opção que mais custa!
Hoje, com grande dor fiz as duas coisas. É agri-doce porque a via mais fácil pareceria (e seria certamente) mandar ambos estes princípios às malvas. Mas mantive-me firme e sei que foi a melhor opção. Estou a sofrer, fiz sofrer, mas as coisas vão-se resolver e no fim vai haver gente feliz com lágrimas. Eu estou lavada em lágrimas, mas sei que (globalmente) fiz bem. Não se pode pedir mais! Fico sozinha, mas não fui contra a minha natureza e não perdi a integridade. E não perdi a fé nos outros nem (mais importante) em mim!
Estou só mas estou bem. Estou a sofrer que nem um animal mas estou estranhamente bem! E pus em palavras o princípios que norteiam a minha vida e espero manter até morrer bem velhinha. Nem que me custe muito... nem que fique sem mais lágrimas para chorar...
Não era esta a versão da música que me recordo, mas esta serve para ilustrar (tem ali um som metálico a mais, mas não faz mal). Ouçam a música que é linda!
Outra coisa que eu não tenho por hábito é prestar atenção às letras. Mas vou abrir uma excepção, porque estou tão sensível e por se encaixar quase que nem uma luva ao espírito do que me aconteceu.
"I know all there is to know about the crying game
I've had my share of the crying game
First there are kisses, then there are sighs
And then before you know where you are
You're sayin goodbye
One day soon I'm gonna tell the moon about the crying game
And if he knows maybe he'll explain
Why there are heartaches, why there are tears
And what to do to stop feeling blue
When love disappears
I know all there is to know about the crying game
I've had my share of the crying game
First there are kisses, then there are sighs
And then before you know where you are
You're sayin goodbye
Don't want no more of the crying game
Don't want no more of the crying game
Don't want no more of the crying game
Dont want no more of the crying game"
E digam-me lá se isto realmente parece um gajo! Mas é!

domingo, 13 de julho de 2008
Querem saber como poupar € 5.20???
Fácil: não vão ver o "Funny Games - U.S". Um remake de um filme que passou há uns 10 anos no Fantasporto e que eu não vi (pensei que era coreano mas afinal era austíaco), prometia violência e terrores inimagináveis. Vulgo, sangue, que eu acho relaxante quando é ficção.
Na realidade, Funny games não é violento, não é tenso, não é nada! Não se vê nada, não há tortura, não se vê ninguém morrer nem sofrer horrores, praticamente não se vê sequer sangue. Só saltei uma vez e isso foi porque bateu uma porta.
Foi um dos filmes mais seca que já vi na minha vida e quero poupar-vos a esse suplício! Para dormir, durmo em casa! Nem os olhinhos do Michael Pitt me mantiveram acordada. Possivelmente porque ninguém fica bem de calções brancos, t-shirt branca e luvas brancas. Que não é o mesmo que fazer o teste da calça branca.
Que seca!
Na realidade, Funny games não é violento, não é tenso, não é nada! Não se vê nada, não há tortura, não se vê ninguém morrer nem sofrer horrores, praticamente não se vê sequer sangue. Só saltei uma vez e isso foi porque bateu uma porta.
Foi um dos filmes mais seca que já vi na minha vida e quero poupar-vos a esse suplício! Para dormir, durmo em casa! Nem os olhinhos do Michael Pitt me mantiveram acordada. Possivelmente porque ninguém fica bem de calções brancos, t-shirt branca e luvas brancas. Que não é o mesmo que fazer o teste da calça branca.
Que seca!
terça-feira, 10 de junho de 2008
Reacção inesperada ao "sexo e a cidade"
Fui ver o "Sexo e a cidade" bem disposta e saí a chorar. Chorei o caminho todo para casa e chorei em casa. Não era a reacção que eu nem a Sarah-Jessica Parker estivéssemos à espera, mas foi o que saiu. Como ela diz em vários momentos no filme, não era razão mas emoção. No meu caso razão e emoção apontam os dois para o mesmo sentido: o que não quero. E como resultado saí da sala a chorar, o que não é normal.
Vão ver o filme, que é excelente, merece ser visto e tem situações e trocadilhos bestiais. Quando eu estiver em condições sou capaz de o descrever como ele merece.
Mais ninguém teve a reacção que eu tive, o que reforça a minha tese de que sou maluca. Completamente. E começa a deixar de ter piada. Mas sou eu e sou velha demais para mudar ou para me aceitarem como sou. Eu incluída.
Eu sabia que devia ter ido ver o massacre da moto-serra ou outra coisa romântica parecida. Mas pensei honestamente que estava a salvo como "Sexo e a cidade". Já me enganei antes...
Vão ver o filme, que é excelente, merece ser visto e tem situações e trocadilhos bestiais. Quando eu estiver em condições sou capaz de o descrever como ele merece.
Mais ninguém teve a reacção que eu tive, o que reforça a minha tese de que sou maluca. Completamente. E começa a deixar de ter piada. Mas sou eu e sou velha demais para mudar ou para me aceitarem como sou. Eu incluída.
Eu sabia que devia ter ido ver o massacre da moto-serra ou outra coisa romântica parecida. Mas pensei honestamente que estava a salvo como "Sexo e a cidade". Já me enganei antes...
domingo, 25 de maio de 2008
Como eu não fui ver o Ironman
A última vez que fui ao cinema foi quando fui ver o Persépolis, como vos contei aqui. Já lá foi há um tempito e eu andava meia comichosa para ir de novo ao cinema, por isso lá fui eu direita ao Arrábida que, para quem não sabe, tem 20 salas (lisboetas, roam-se!).
Ora quantidade e qualidade não são sinónimos e depois de tudo espremido não havia um de jeito. E eu com vontade de ver sangue. Ainda estive para ver um em que o presidente americano era baleado (ao menos alguém apanhava um tiro), mas estava muito em cima da hora e fiquei na dúvida se o tipo bateria a bota. Acabei por me decidir por outra especialidade que também aprecio muitíssimo: efeitos especiais! Ou seja, Ironman!
O filme era às 21:25 h na sala 11. Entrei e cheguei à única conclusão lógica possível quando vi a sala cheia de lugares vazios: ena, cinema comercial é para os parolos! Eu sou a única a querer ver isto! Não quero saber: eu sou parola e quero ver o ironman!
Às 21:25 h entra um casalito. Afinal há mais parolos! Mas o filme não começa. Lógica como sou deduzo: pois, estão à espera que entre mais gente! E de facto entrou, o que provou que havia uma certa lógica na coisa. E continuei a pensar no que me afligia nesse momento (e antes e depois do filme) e que não era quando começaria o Ironman... e continuei a pensar durante mais 20 minutos.
Quando se apagam as luzes, às 21:45 h começam as apresentações ainda a meia-luz e quando se apagam as luzes começa... um filme diferente. Ora eu tinha entrado na sala 11 de certeza, pelo que toda aquela gente tinha de certeza entrado ao engano para ver outro filme que não o Ironman e, por incrível coincidência, o pessoal do cinema começou a passar o tal outro filme. Ou então tinham-me dado o bilhete para o filme errado! Nunca me ocorreu outra coisa, porque sou uma pessoa lógica!
O filme em si era perturbador. Chama-se " a desconhecida" e é italiano. Fala da história de uma daquelas mulheres de que se ouve falar muitas vezes mas ao mesmo tempo não o suficiente: uma imigrande ucraniana que caiu nas malhas de redes de prostituição. E é mais que abusada, com violência e humilhação desumanas e tratada como um animal de criação intensiva, obrigada a engravidar e dar os filhos, que são vendidos. Na história ela segue quem pensa ser a filha mais nova (mas depois corre mal).
Não vou descrever o filme todo porque seria muito extenso. Ao menos alguém morreu no filme (mais que uma pessoa até), que era o que eu pretendia para relaxar. O filme tinha algumas pequenas inconsistências, o que agradeci porque me fez permanecer na confortável sensação de que aquilo seria apenas ficção (quando a realidade é bem pior). As cenas de exploração sexual não são sensuais mas brutais. E mesmo assim completamente escondidas, o que me poupou o desconforto físico que senti no "4 meses, 3 semanas e 2 dias".
Tenho lido demais sobre este mercado de sexo alimentado de mulheres de países de Leste. Infelizmente tudo o que li bate o filme aos pontos. Apesar de tudo foi um bom filme. E com 20 minutos de atraso não valia a pena ir tentar ver o Ironman. Por isso estão a ver: nem que eu queira ver cinema comercial, o alternativo persegue-me. Mas podia ser pior: podia ter tropeçado num filme de Manoel de Oliveira! Mas aí saía antes que ficasse com o resto do cabelo branco do tédio. Já tenho que chegue, muito obrigada!
Quando finalmente saí da sala apercebi-me porque é que não tinha visto o Ironman: porque eu, completamente distraída, tinha entrado na sala 14. O filme para o qual eu tinha comprado bilhete era na sala 11! Gente burra é outra coisa! E a lógica é um lugar estranho...
Ora quantidade e qualidade não são sinónimos e depois de tudo espremido não havia um de jeito. E eu com vontade de ver sangue. Ainda estive para ver um em que o presidente americano era baleado (ao menos alguém apanhava um tiro), mas estava muito em cima da hora e fiquei na dúvida se o tipo bateria a bota. Acabei por me decidir por outra especialidade que também aprecio muitíssimo: efeitos especiais! Ou seja, Ironman!
O filme era às 21:25 h na sala 11. Entrei e cheguei à única conclusão lógica possível quando vi a sala cheia de lugares vazios: ena, cinema comercial é para os parolos! Eu sou a única a querer ver isto! Não quero saber: eu sou parola e quero ver o ironman!
Às 21:25 h entra um casalito. Afinal há mais parolos! Mas o filme não começa. Lógica como sou deduzo: pois, estão à espera que entre mais gente! E de facto entrou, o que provou que havia uma certa lógica na coisa. E continuei a pensar no que me afligia nesse momento (e antes e depois do filme) e que não era quando começaria o Ironman... e continuei a pensar durante mais 20 minutos.
Quando se apagam as luzes, às 21:45 h começam as apresentações ainda a meia-luz e quando se apagam as luzes começa... um filme diferente. Ora eu tinha entrado na sala 11 de certeza, pelo que toda aquela gente tinha de certeza entrado ao engano para ver outro filme que não o Ironman e, por incrível coincidência, o pessoal do cinema começou a passar o tal outro filme. Ou então tinham-me dado o bilhete para o filme errado! Nunca me ocorreu outra coisa, porque sou uma pessoa lógica!
O filme em si era perturbador. Chama-se " a desconhecida" e é italiano. Fala da história de uma daquelas mulheres de que se ouve falar muitas vezes mas ao mesmo tempo não o suficiente: uma imigrande ucraniana que caiu nas malhas de redes de prostituição. E é mais que abusada, com violência e humilhação desumanas e tratada como um animal de criação intensiva, obrigada a engravidar e dar os filhos, que são vendidos. Na história ela segue quem pensa ser a filha mais nova (mas depois corre mal).
Não vou descrever o filme todo porque seria muito extenso. Ao menos alguém morreu no filme (mais que uma pessoa até), que era o que eu pretendia para relaxar. O filme tinha algumas pequenas inconsistências, o que agradeci porque me fez permanecer na confortável sensação de que aquilo seria apenas ficção (quando a realidade é bem pior). As cenas de exploração sexual não são sensuais mas brutais. E mesmo assim completamente escondidas, o que me poupou o desconforto físico que senti no "4 meses, 3 semanas e 2 dias".
Tenho lido demais sobre este mercado de sexo alimentado de mulheres de países de Leste. Infelizmente tudo o que li bate o filme aos pontos. Apesar de tudo foi um bom filme. E com 20 minutos de atraso não valia a pena ir tentar ver o Ironman. Por isso estão a ver: nem que eu queira ver cinema comercial, o alternativo persegue-me. Mas podia ser pior: podia ter tropeçado num filme de Manoel de Oliveira! Mas aí saía antes que ficasse com o resto do cabelo branco do tédio. Já tenho que chegue, muito obrigada!
Quando finalmente saí da sala apercebi-me porque é que não tinha visto o Ironman: porque eu, completamente distraída, tinha entrado na sala 14. O filme para o qual eu tinha comprado bilhete era na sala 11! Gente burra é outra coisa! E a lógica é um lugar estranho...
quinta-feira, 1 de maio de 2008
O Porto na vanguarda da Cultura
Afinal era isto que andavam a fazer os putos do Carolina Michaelis! E a escola compreendeu? Não! (continua um dia destes)
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Persepolis ou o elogio da liberdade
Antes de mais faço notar que este post pode ser alterado amanhã ou depois. É que está a ser escrito em "escape livre" e pode não ficar do meu agrado ou demasiado superficial.
É sabido que aqui a cabeça de Abóbora volta e meia vai ver filmes alternativos. Já aqui descrevi um par deles (classificados em "cinema") e tanto quanto me lembro gostei de todos os que aqui descrevi. O cinema alternativo também me tem feito chorar dinheiro deitado fora (fora gasóleo), mas se uma pessoa não se arrisca também só vê porras mais ou menos Hollywoodescas. Não sendo bom nem mau, nem sempre me satisfaz e eu ando com falta de paciência para coisas demasiado convencionais.
Fui ainda ver o Darjeeling Limited, mas isso fica para outras núpcias. Mas fica o aviso aos meninos que é uma excelente oportunidade de durante 5 segundos ver a Natalie Portman de meias... só!
Persepolis é a história de vida de Marjane Satrapi, uma artista iraniana com 38 anos e uma mulher linda, como tenho ideia que todas as iranianas são. Faço notar a idade, dado que Marjane é contemporânea de muitos leitores deste estabelecimento (não muito distante da minha idade). A semelhança e diferença da vivência dela em relação a nós faz-me pensar.
Marjane nasceu numa família moderna, educada e politicamente activa, com ligações à esquerda. Em criança viajou para a Europa, foi fã do Bruce Lee e do tio que lutou contra o Xá da Pérsia. Tinha como ambição de futuro ser profeta e depilar as pernas.
Em criança ainda, respirou o ambiente revolucionário que levou ao derrube do Xá da Pérsia, o que incluiu ouvir falar de prisões e torturas na primeira pessoa. Tudo levado com naturalidade, encenando manifestações proletárias no seu quarto e soltando uma exclamação de admiração perante a prisão do seu tio ter demorado mais tempo que a do pai de uma amiga. Seria certamente mais revolucionário!
Criança assiste ainda incrédula à prisão e assassinato político do seu tio (manda Deus embora da sua vida temporariamente, por não ter feito nada), que tanto admira, à revolução islâmica que a cobre de cima abaixo com um véu que não pode mostrar os seu lindíssimos cabelos negros, à guerra Irão-Iraque que leva uma fatia muito grande da juventude do seu país e do vizinho sem que se saiba sequer bem porquê e ao clima de medo interno que faz com que amigos e vizinhos sejam presos e mortos. Ao mesmo tempo viveu festas, álcool e tabaco dos pais proibidos pelos revolucionários (e diligentemente escondidos), ouviu Bee Gees e Abba escondidos nas vestes de corvo que a obrigavam a usar e comprou Iron Maiden no mercado negro com dinheiro emprestado dos pais.
Ser refilona e contestatária pode ser um problema numa república islâmica, pelo que é mandada para Viena para estudar. Marjane identifica-se com os contestatários na escola francesa de Viena, como seria de esperar. Mas contestatários só à superfície: todo o estilo é pura má língua e não ter mais que fazer. Não é ser contestatário nem anarquista: é estar aborrecido! Num desabafo Marjane põe tudo em perspectiva: "sabiam que há pessoas que dão a sua vida pela liberdade?". Ela sabe: alguns são da sua família, outros amigos da família.
Cresce e faz-se mulher no meio de uma crise de identidade típíca de adolescente, mas agravada pelo facto de estar numa Europa despreocupada e frívola (como uma sociedade saudável deve ser) mas não se sentir dali. Muda-se de casa várias vezes até aterrar na casa de uma vienense que vive com um cão escanzelado, estúpido todos os dias, que não está familiarizado com o conceito de casa de banho e que lhe monta a perna. À falta de melhor, serve, mas acha que há algo de profundamente errado com aquela mulher.
A sua beleza não deixa indiferentes alguns jovens. Enquanto um descobre que é homossexual graças a ela, outro perde-se de amores por ela... até que ela o descobre na cama com outra, o que lhe deixa o coração despedaçado. Marjane, que sobreviveu a uma revolução, a uma guerra e a um choque cultural, quase morre do abandono a que se votou devido a este desgosto de amor e da bronquite que contrai depois de 2 meses na rua no Inverno.
Volta a casa, depois das promessas dos pais de não lhe fazerem perguntas. O regresso a casa implica olhar para trás e cair numa depressão profunda, da qual sai com a ajuda de medicamentos e de fazer as pazes com Deus.
A vida na Faculdade de Teerão como aluna de artes é complicada mas curiosa: como é que se aprende a desenhar um nú feminino coberto de cima abaixo com um pano preto? Marjane não perdeu a mania de ser refilona e questionar a autoridade de professores. Numa cena bestial, levanta-se a protestar contra véus mais longos e vestidos mais largos, argumentando que como estudante de artes necessita de liberdade de movimento e que os colegas homens têm toda a liberdade para usar seja o que for, o que lhes pode dar a volta à cabeça. O que, atendendo a que a moda é roupa tão justa que faz quase falar fininho, é chato.
Isto é uma coisa, mas dar a mão em público a um homem que não é da sua família daria direito a umas vergastadas ou a uma multa. Paga a multa, decidem que a solução é casar. Assim, sem mais. O que se revela um erro, dado que o marido é um totó e ela não teve tempo para verificar isso dado o pouco tempo que teve para o descobrir.
Marjane desfruta de uma liberdade clandestina, indo a festas proibidas, pelas quais arrisca a vida. Esse risco revela-se mais que teórico para um amigo que morre a fugir da polícia a fugir de uma festa onde não era suposto estar com mulheres. Nessa altura decide divorciar-se, por recomendação da avó progressista e que encara as coisas com uma naturalidade e rigor desarmantes. A única coisa que pede a Marjane é que seja íntegra nas suas escolhas, porque temos sempre escolha.
A avó é uma figura marcante em Marjane. É a senhora sempre bem arranjada e bem cheirosa. Cheira sempre bem porque todos os dias colhe flores de jasmim e os coloca no soutien, flores que caem todas as noites magicamente quando o tira para dormir. Tem os seios firmes porque os mergulha todos os dias durante 10 minutos em gelo. Odeia o regime que impõe tantos limites de liberdade às mulheres. E diz com um desarmante naturalidade à neta que o primeiro casamento é só para que o segundo dê certo.
De novo se decide que não há ambiente para que Marjane fique em Teerão e ela vai para França, onde acaba a história.
Marjane não vai a Teerão desde 2000 e não volta porque não sabe o que aconteceria. Tem toda a família no Irão e não quer falar em voltar.
Esta mulher é muito parecida connosco na maneira de pensar. E conseguiu ser quem é num regime horrível e sanguinário, sob orientação de uma família progressista. Penso no que seria se não tivesse crescido em liberdade e no que da sociedade me prende ainda. Não tenho ilusões nem nunca tive de que nasci numa altura privilegiada e num país igualmente privilegiado, com liberdade. Não tomo a liberdade por garantida e aborrece-me que haja quem veja radicalismos ideológicos e/ou religiosos com liberdade.
Tenho uma simpatia que não consigo explicar pelo Irão e pelos iranianos e este filme permitiu-me duas coisas: aprender mais sobre uma outra cultura e aperceber-me da minha enorme ignorância sobre a história e cultura dos outros. Eu, que digo como piada que a História é uma Ciência inútil porque não se aprende nada (dado que se repetem os mesmos erros vezes sem conta), reconheço que é necessária para compreender o que somos e para onde vamos. Para dar valor ao que temos, relativizando-o. E nós somos privilegiados! Com toda a crise económica (aliás, uma constante em toda a História, alternando com períodos de abundância), com todos os limites de liberdade, somos livres! A maioria da população mundial de hoje e do passado não pode gabar-se do mesmo.
Só para descontrair, o filme tem ainda a pior interpretação de "Eye of the tiger" de todos os tempos, a banda sonora da recuperação de Marjane da depressão pós-Viena. O que não é propriamente surpreendente, dado que a voz de Marjane no filme é da Chiara Mastroianni, que acumula funções como filha de Catherine Deneuve e Marcelo Mastoianni (prova de que dois pais bonitos não fazem necessariamente filhos bonitos) e totó como o mau gosto de fazer um filme de Manoel de Oliveira em que também entra o Pedro Abrunhosa (a carta, 1999). Pior ainda, não sabe a diferença entre um sinal de beleza e uma verruga no queixo!
É sabido que aqui a cabeça de Abóbora volta e meia vai ver filmes alternativos. Já aqui descrevi um par deles (classificados em "cinema") e tanto quanto me lembro gostei de todos os que aqui descrevi. O cinema alternativo também me tem feito chorar dinheiro deitado fora (fora gasóleo), mas se uma pessoa não se arrisca também só vê porras mais ou menos Hollywoodescas. Não sendo bom nem mau, nem sempre me satisfaz e eu ando com falta de paciência para coisas demasiado convencionais.
Fui ainda ver o Darjeeling Limited, mas isso fica para outras núpcias. Mas fica o aviso aos meninos que é uma excelente oportunidade de durante 5 segundos ver a Natalie Portman de meias... só!
Persepolis é a história de vida de Marjane Satrapi, uma artista iraniana com 38 anos e uma mulher linda, como tenho ideia que todas as iranianas são. Faço notar a idade, dado que Marjane é contemporânea de muitos leitores deste estabelecimento (não muito distante da minha idade). A semelhança e diferença da vivência dela em relação a nós faz-me pensar.
Marjane nasceu numa família moderna, educada e politicamente activa, com ligações à esquerda. Em criança viajou para a Europa, foi fã do Bruce Lee e do tio que lutou contra o Xá da Pérsia. Tinha como ambição de futuro ser profeta e depilar as pernas.
Em criança ainda, respirou o ambiente revolucionário que levou ao derrube do Xá da Pérsia, o que incluiu ouvir falar de prisões e torturas na primeira pessoa. Tudo levado com naturalidade, encenando manifestações proletárias no seu quarto e soltando uma exclamação de admiração perante a prisão do seu tio ter demorado mais tempo que a do pai de uma amiga. Seria certamente mais revolucionário!
Criança assiste ainda incrédula à prisão e assassinato político do seu tio (manda Deus embora da sua vida temporariamente, por não ter feito nada), que tanto admira, à revolução islâmica que a cobre de cima abaixo com um véu que não pode mostrar os seu lindíssimos cabelos negros, à guerra Irão-Iraque que leva uma fatia muito grande da juventude do seu país e do vizinho sem que se saiba sequer bem porquê e ao clima de medo interno que faz com que amigos e vizinhos sejam presos e mortos. Ao mesmo tempo viveu festas, álcool e tabaco dos pais proibidos pelos revolucionários (e diligentemente escondidos), ouviu Bee Gees e Abba escondidos nas vestes de corvo que a obrigavam a usar e comprou Iron Maiden no mercado negro com dinheiro emprestado dos pais.
Ser refilona e contestatária pode ser um problema numa república islâmica, pelo que é mandada para Viena para estudar. Marjane identifica-se com os contestatários na escola francesa de Viena, como seria de esperar. Mas contestatários só à superfície: todo o estilo é pura má língua e não ter mais que fazer. Não é ser contestatário nem anarquista: é estar aborrecido! Num desabafo Marjane põe tudo em perspectiva: "sabiam que há pessoas que dão a sua vida pela liberdade?". Ela sabe: alguns são da sua família, outros amigos da família.
Cresce e faz-se mulher no meio de uma crise de identidade típíca de adolescente, mas agravada pelo facto de estar numa Europa despreocupada e frívola (como uma sociedade saudável deve ser) mas não se sentir dali. Muda-se de casa várias vezes até aterrar na casa de uma vienense que vive com um cão escanzelado, estúpido todos os dias, que não está familiarizado com o conceito de casa de banho e que lhe monta a perna. À falta de melhor, serve, mas acha que há algo de profundamente errado com aquela mulher.
A sua beleza não deixa indiferentes alguns jovens. Enquanto um descobre que é homossexual graças a ela, outro perde-se de amores por ela... até que ela o descobre na cama com outra, o que lhe deixa o coração despedaçado. Marjane, que sobreviveu a uma revolução, a uma guerra e a um choque cultural, quase morre do abandono a que se votou devido a este desgosto de amor e da bronquite que contrai depois de 2 meses na rua no Inverno.
Volta a casa, depois das promessas dos pais de não lhe fazerem perguntas. O regresso a casa implica olhar para trás e cair numa depressão profunda, da qual sai com a ajuda de medicamentos e de fazer as pazes com Deus.
A vida na Faculdade de Teerão como aluna de artes é complicada mas curiosa: como é que se aprende a desenhar um nú feminino coberto de cima abaixo com um pano preto? Marjane não perdeu a mania de ser refilona e questionar a autoridade de professores. Numa cena bestial, levanta-se a protestar contra véus mais longos e vestidos mais largos, argumentando que como estudante de artes necessita de liberdade de movimento e que os colegas homens têm toda a liberdade para usar seja o que for, o que lhes pode dar a volta à cabeça. O que, atendendo a que a moda é roupa tão justa que faz quase falar fininho, é chato.
Isto é uma coisa, mas dar a mão em público a um homem que não é da sua família daria direito a umas vergastadas ou a uma multa. Paga a multa, decidem que a solução é casar. Assim, sem mais. O que se revela um erro, dado que o marido é um totó e ela não teve tempo para verificar isso dado o pouco tempo que teve para o descobrir.
Marjane desfruta de uma liberdade clandestina, indo a festas proibidas, pelas quais arrisca a vida. Esse risco revela-se mais que teórico para um amigo que morre a fugir da polícia a fugir de uma festa onde não era suposto estar com mulheres. Nessa altura decide divorciar-se, por recomendação da avó progressista e que encara as coisas com uma naturalidade e rigor desarmantes. A única coisa que pede a Marjane é que seja íntegra nas suas escolhas, porque temos sempre escolha.
A avó é uma figura marcante em Marjane. É a senhora sempre bem arranjada e bem cheirosa. Cheira sempre bem porque todos os dias colhe flores de jasmim e os coloca no soutien, flores que caem todas as noites magicamente quando o tira para dormir. Tem os seios firmes porque os mergulha todos os dias durante 10 minutos em gelo. Odeia o regime que impõe tantos limites de liberdade às mulheres. E diz com um desarmante naturalidade à neta que o primeiro casamento é só para que o segundo dê certo.
De novo se decide que não há ambiente para que Marjane fique em Teerão e ela vai para França, onde acaba a história.
Marjane não vai a Teerão desde 2000 e não volta porque não sabe o que aconteceria. Tem toda a família no Irão e não quer falar em voltar.
Esta mulher é muito parecida connosco na maneira de pensar. E conseguiu ser quem é num regime horrível e sanguinário, sob orientação de uma família progressista. Penso no que seria se não tivesse crescido em liberdade e no que da sociedade me prende ainda. Não tenho ilusões nem nunca tive de que nasci numa altura privilegiada e num país igualmente privilegiado, com liberdade. Não tomo a liberdade por garantida e aborrece-me que haja quem veja radicalismos ideológicos e/ou religiosos com liberdade.
Tenho uma simpatia que não consigo explicar pelo Irão e pelos iranianos e este filme permitiu-me duas coisas: aprender mais sobre uma outra cultura e aperceber-me da minha enorme ignorância sobre a história e cultura dos outros. Eu, que digo como piada que a História é uma Ciência inútil porque não se aprende nada (dado que se repetem os mesmos erros vezes sem conta), reconheço que é necessária para compreender o que somos e para onde vamos. Para dar valor ao que temos, relativizando-o. E nós somos privilegiados! Com toda a crise económica (aliás, uma constante em toda a História, alternando com períodos de abundância), com todos os limites de liberdade, somos livres! A maioria da população mundial de hoje e do passado não pode gabar-se do mesmo.
Só para descontrair, o filme tem ainda a pior interpretação de "Eye of the tiger" de todos os tempos, a banda sonora da recuperação de Marjane da depressão pós-Viena. O que não é propriamente surpreendente, dado que a voz de Marjane no filme é da Chiara Mastroianni, que acumula funções como filha de Catherine Deneuve e Marcelo Mastoianni (prova de que dois pais bonitos não fazem necessariamente filhos bonitos) e totó como o mau gosto de fazer um filme de Manoel de Oliveira em que também entra o Pedro Abrunhosa (a carta, 1999). Pior ainda, não sabe a diferença entre um sinal de beleza e uma verruga no queixo!
domingo, 3 de fevereiro de 2008
4 meses, 3 semanas e 2 dias
Quem procura badalhoquices, não leia este post. Este é sério. Sério demais. Ponderei seriamente se devia escrevê-lo, mas decidi que queria partilhá-lo com vocês.
A mania do cinema alternativo (que já me fez chorar uns quandos bilhetes) fez-me ir na sexta à noite ver este filme romeno, de título 4 meses, 3 semanas e 2 dias. Obviamente a sala estava cheia de lugares vazios (mas isso não me impediu, como nunca me impediu antes). Tinha lido vagamente que era sobre duas mulheres que iam tratar de um aborto na Roménia de 1987, onde tanto a contracepção como o aborto eram proibidas.
A memória é curta, e se hoje a Roménia é o país de adopção (temporária?) da Gipsy Queen e da Lula, o lugar de muitas novas oportunidades, de deslocalização de empresas que há poucos anos estavam mais a ocidente, há não tantos anos assim um monstro de nome Ceausescu governava aquele cantinho de mundo. Um monstro que se descobriu mais tarde tinha orfanatos com crianças depositadas a destinos piores que a morte.
A história do filme em si é simples: uma estudante universitária está grávida e a colega de quarto da residência vai com ela para a ajudar a abortar. Aborto mais que proibido e punido com prisão. O procedimento implica contactar o homem que fará o servicinho, arranjar um quarto de hotel e pagar-lhe (a isso iremos mais tarde).
Uma nota para as várias voltas que o filme dá, mostrando a pobreza dos cenários (o que me leva a pensar que o país ainda será assim), a corrupção de um mercado negro estudantil onde se arranjam cigarros a pílulas a sabonetes. E ainda a paranóia securitária, com bilhetes de identidade com detalhes como a residência temporária e que os cidadãos transportam consigo permanentemente. Mas a pobreza era pior ainda.
Quando no quarto do hotel com o homem que vai fazer o aborto, há uma sucessão de entendidos, mal-entendidos e subententidos: foi dito que era uma gravidez de 2 meses, mas é afinal de talvez mais de 4, as duas raparigas não são irmãs e o pagamento não é o que se pensava.
O primeiro momento em que considerei abandonar a sala deu-se no início da conversa: fala-se de como se faz o aborto e o que acontece. Não pensem que havia pormenores sórdidos a serem discutidos. Muito pelo contrário, a incerteza de tudo aquilo estava a dar cabo de mim: podia demorar 4 horas ou 3 dias, não disse bem o que era "a sonda", o que levava, dava a entender que podia sangrar muito ou pouco e que podia ou não correr mal e não disse "quanto" dóía nem muito bem o que fazer se algo corresse mal (nem o que "correr mal" significava). Ou seja, não se ficou a saber nada. Mas não devia passar-se nada, porque afinal muita gente já tinha feito isso. E não era discutível recuar.
Enquanto parte de mim queria gritar para o ecrã: POR FAVOR, NÃO FAÇAS ISSO (um gesto, para dizer o mínimo inútil, tanto por ser ficção como por não ser da minha conta), parte de mim estava a tentar controlar uma reacção física violenta que me pôs a considerar seriamente abandonar a sala.
Juro que fiquei seriamente enjoada (e isto nunca me aconteceu num filme): tive uma leve queda de tensão, e o jantar embrulhou-se-me no estómago. Considerei ir apanhar ar, eventualmente esvaziar o estómago, mas consegui ficar porque a conversa saiu daquele tema para virar para o pagamento e para o facto de o homem ter sido enganado: o tempo de gravidez não era os 2 meses combinados, mas talvez mais de quatro. A grávida embrulhou, embrulhou, o homem fez o mesmo e eu não me apercebi que o que ele estava a tentar dizer que a única coisa que queria como pagamento era comer as duas. Coisa que a amiga da grávida se apercebeu e se sacrificou pela amiga (mais tarde percebi porquê). Sorte estava com o período, pelo que não engravidaria. A devoção com que cada uma delas tomou banho depois do que fez (de novo, não se vê nada, mas sente-se a humilhação, a impotência e o desespero no ar, de tão densos que eram) é impressionante.
Nova cena que quase me fez decididamente sair pelo cinema fora: a coisa em si. É relativamente gráfico: o homem abre uma mala em que tem coisas como uma agulha de tricot (quase juro que não andaria a fazer uma camisola), uma navalha e luvas não estéreis (que palavra tão curiosa!). Tira um tubo que limpa com um líquido desinfectante (sabe Deus onde é que aquilo já esteve), insere-o na vagina da moça e usa-o para colocar um líquido qualquer que não diz o que é (e também não interessava: o aborto é para ir para a frente e é mesmo, independentemente de tudo). Acho que esta parte é bastante gráfica, mas não juro porque parte desta cena vi-a com a mão à frente dos olhos, que tirava para ler as legendas e verificar se já tinha acabado.
Quando ele sai ficam só as duas. A colega de quarto da grávida, depois da descarga de adrenalina que foi tudo o que aconteceu, fraqueja e começa a inquirir a amiga do porquê de tantas mentiras e imprecisões, ao que a outra responde de maneira vaga. Fica a dúvida se houve inocência ou intencionalidade. Mas não interessa: estão nisto juntas e é para ir até ao fim. Eu como espectadora ainda tenho um vislumbre de esperança que se decida tirar "a sonda", mas é evidente que não é isso que acontece.
As cenas seguintes são mais leves qualquer coisa: a colega de quarto da grávida vai ao aniversário da mãe do namorado. Apercebe-se (porque já se tinha apercebido, afinal é por isso que está onde está) de que poderia ser ela. Confronta o namorado com ter pensado só nele e no prazer dele um dia quando desafiou a sorte ao não interromper o coito a tempo e confronta-o com o que faria se fosse ela a engravidar. A resposta vaga e desajeitada dá-lhe a certeza que já tinha: ele nunca tinha pensado seriamente no assunto e era menino para se acobardar na hora. Fica-se a saber porque é que, apesar de todas as mentiras ela não fica zangada com a colega de quarto: se fosse ao contrário, a outra ajudá-la-ia. O que era mais que o que o namorado faria.
Ao chegar ao quarto dá-se a cena que me deveria ter impressionado mais... mas eu já estava anestesiada: o feto saiu. E de novo há pequenas subtilezas de gestos e de palavras. Se por um lado a mãe diz que "aquilo" já saiu e coloca "aquilo" no chão da casa de banho, longe da vista, quando ambas se debruçam sobre "aquilo" olham-no com um ar que é tudo menos indiferente. A imagem mostra um feto pequenino, uma criança em miniatura, mas nesta altura eu já não sinto nada por "aquilo": todo o resto do filme já me anestesiou para aquele momento.
Há um último problema: livrar-se do bebé para que não seja encontrado. A mãe pede para ela "o" enterrar (já não é "aquilo", mas "ele"), para não o deitar numa lixeira. Dignidade escusada, mas que parece significar muito. A colega de quarto pega-lhe com um carinho e um cuidado desnecessários e mete na bolsa. Claramente não planeou nada daquilo e acaba por fazer o que mandou o homem horroroso que fez aquilo: deitar de um tubo do lixo a partir do último andar, para que o corpinho se desfaça e não possa ser detectado.
No fim do filme as duas amigas estão juntas a jantar com um ar comprometido. E fazem um pacto de silêncio: nunca mais se vai falar no assunto.
Saí do filme semi-arrependida de o ter ido ver. Eu sou contra o aborto... e por assim ser votei "sim" no referendo. Faz sentido? Não! Senti-me mal das duas vezes que votei no referendo (ambas as vezes "sim"), e senti-me igualmente mal com o resultado deste (também de ambas as vezes). Porque qualquer das opções estava pura e simplesmente errada. Mas não faz sentido uma mulher ter que passar por uma coisa destas. Crime nenhum justifica esta humilhação, este perigo. Perigo de vida! No caso, a contracepção era mesmo proibida; no nosso país não era antes do referendo, mas mesmo assim as coisas acontecem. A ter que ser mesmo, que ao menos se faça uma coisa errada (no MEU ponto de vista, como EU acho que veria as coisas, mas nunca estive na situação, pelo que EU não posso pensar como reagiria) na segurança relativa de um consultório médico. Onde poderá haver alguém que faça mudar de ideias e/ou ajudar a que o mesmo não volte a suceder. Sobretudo, longe de vampiros como este homem, a que uma mulher tem que se sujeitar porque está ou pensa que está vulnerável.
Ser mulher é complicado e maravilhoso. Não creio que homem nenhum visse o filme como eu o vi: não seria capaz! Um por outro conseguiria sentir algo semelhante (são esses homens tão poucos como maravilhosos e um deles é meu pai), mas nunca se conseguiria identificar com a situação daquela maneira.
A parte boa é que eu vi o filme com um misto de optimismo e cautela (o filme abalou-me mas não me deitou abaixo, ao ponto de eu ter completado as respostas ao consultório sexual depois de chegar a casa do cinema). Por um lado, aquela Roménia já não existe. Ao ponto de eu me ter esquecido que existia. Por outro lado, a História está cheia de exemplos de retrocessos nos direitos dos homens. E então das mulheres nem se fala. Em sintonia com o livro que estou a ler e com questões que tenho acompanhado em blogues onde se aprende mais do que aqui, a febre religiosa leva o mais das vezes a que as mulheres sejam culpadas de tudo e mais alguma coisa: a mulher sempre foi a fonte de pecado, e sendo assim tem que arcar com as culpas do que efectivamente fez, do que poderia ter feito e com o que fizeram todas as mulheres.
Por outro lado, a nossa sociedade ocidental judaico-cristã mas tendencialmente laica permite avanços (digo, retrocessos) com "respeitar" culturas (porque associadas a religiões) que impoem a mulheres casamentos arranjados e usos de burkas ou simplesmente lenços na cabeça. Liberdade religiosa é uma coisa, mas temos que definir o que é liberdade pessoal. E o que é a nossa liberdade pessoal na nossa sociedade (não é o mesmo que racismo ou intolerância, mas os nossos valores). Quando é que isto evoluirá para forçarem as nossas mulheres a usarem véus também? Pode parecer rebuscado... mas também o foram regimes que já cairam e outros que ainda não.
Livre é esta sociedade em que uma mulher escreve badalhoquices, apesar de pela piada e a reserva do resto da sua vida se esconder atrás de um nickname. Quando se queixaram da nossa sociedade (que tem imensos defeitos), lembrem-se disso.
E hoje, para relaxar, vi o Sweeney Todd: tinha montes de sangue e mortes, mas era tudo a fingir e fruto da imaginação livre e delirante do meu amigo Tim Burton.
Amanhã ou depois escreverei outro post mais ligeirinho e de volta ao estilo deste blogue.
A mania do cinema alternativo (que já me fez chorar uns quandos bilhetes) fez-me ir na sexta à noite ver este filme romeno, de título 4 meses, 3 semanas e 2 dias. Obviamente a sala estava cheia de lugares vazios (mas isso não me impediu, como nunca me impediu antes). Tinha lido vagamente que era sobre duas mulheres que iam tratar de um aborto na Roménia de 1987, onde tanto a contracepção como o aborto eram proibidas.
A memória é curta, e se hoje a Roménia é o país de adopção (temporária?) da Gipsy Queen e da Lula, o lugar de muitas novas oportunidades, de deslocalização de empresas que há poucos anos estavam mais a ocidente, há não tantos anos assim um monstro de nome Ceausescu governava aquele cantinho de mundo. Um monstro que se descobriu mais tarde tinha orfanatos com crianças depositadas a destinos piores que a morte.
A história do filme em si é simples: uma estudante universitária está grávida e a colega de quarto da residência vai com ela para a ajudar a abortar. Aborto mais que proibido e punido com prisão. O procedimento implica contactar o homem que fará o servicinho, arranjar um quarto de hotel e pagar-lhe (a isso iremos mais tarde).
Uma nota para as várias voltas que o filme dá, mostrando a pobreza dos cenários (o que me leva a pensar que o país ainda será assim), a corrupção de um mercado negro estudantil onde se arranjam cigarros a pílulas a sabonetes. E ainda a paranóia securitária, com bilhetes de identidade com detalhes como a residência temporária e que os cidadãos transportam consigo permanentemente. Mas a pobreza era pior ainda.
Quando no quarto do hotel com o homem que vai fazer o aborto, há uma sucessão de entendidos, mal-entendidos e subententidos: foi dito que era uma gravidez de 2 meses, mas é afinal de talvez mais de 4, as duas raparigas não são irmãs e o pagamento não é o que se pensava.
O primeiro momento em que considerei abandonar a sala deu-se no início da conversa: fala-se de como se faz o aborto e o que acontece. Não pensem que havia pormenores sórdidos a serem discutidos. Muito pelo contrário, a incerteza de tudo aquilo estava a dar cabo de mim: podia demorar 4 horas ou 3 dias, não disse bem o que era "a sonda", o que levava, dava a entender que podia sangrar muito ou pouco e que podia ou não correr mal e não disse "quanto" dóía nem muito bem o que fazer se algo corresse mal (nem o que "correr mal" significava). Ou seja, não se ficou a saber nada. Mas não devia passar-se nada, porque afinal muita gente já tinha feito isso. E não era discutível recuar.
Enquanto parte de mim queria gritar para o ecrã: POR FAVOR, NÃO FAÇAS ISSO (um gesto, para dizer o mínimo inútil, tanto por ser ficção como por não ser da minha conta), parte de mim estava a tentar controlar uma reacção física violenta que me pôs a considerar seriamente abandonar a sala.
Juro que fiquei seriamente enjoada (e isto nunca me aconteceu num filme): tive uma leve queda de tensão, e o jantar embrulhou-se-me no estómago. Considerei ir apanhar ar, eventualmente esvaziar o estómago, mas consegui ficar porque a conversa saiu daquele tema para virar para o pagamento e para o facto de o homem ter sido enganado: o tempo de gravidez não era os 2 meses combinados, mas talvez mais de quatro. A grávida embrulhou, embrulhou, o homem fez o mesmo e eu não me apercebi que o que ele estava a tentar dizer que a única coisa que queria como pagamento era comer as duas. Coisa que a amiga da grávida se apercebeu e se sacrificou pela amiga (mais tarde percebi porquê). Sorte estava com o período, pelo que não engravidaria. A devoção com que cada uma delas tomou banho depois do que fez (de novo, não se vê nada, mas sente-se a humilhação, a impotência e o desespero no ar, de tão densos que eram) é impressionante.
Nova cena que quase me fez decididamente sair pelo cinema fora: a coisa em si. É relativamente gráfico: o homem abre uma mala em que tem coisas como uma agulha de tricot (quase juro que não andaria a fazer uma camisola), uma navalha e luvas não estéreis (que palavra tão curiosa!). Tira um tubo que limpa com um líquido desinfectante (sabe Deus onde é que aquilo já esteve), insere-o na vagina da moça e usa-o para colocar um líquido qualquer que não diz o que é (e também não interessava: o aborto é para ir para a frente e é mesmo, independentemente de tudo). Acho que esta parte é bastante gráfica, mas não juro porque parte desta cena vi-a com a mão à frente dos olhos, que tirava para ler as legendas e verificar se já tinha acabado.
Quando ele sai ficam só as duas. A colega de quarto da grávida, depois da descarga de adrenalina que foi tudo o que aconteceu, fraqueja e começa a inquirir a amiga do porquê de tantas mentiras e imprecisões, ao que a outra responde de maneira vaga. Fica a dúvida se houve inocência ou intencionalidade. Mas não interessa: estão nisto juntas e é para ir até ao fim. Eu como espectadora ainda tenho um vislumbre de esperança que se decida tirar "a sonda", mas é evidente que não é isso que acontece.
As cenas seguintes são mais leves qualquer coisa: a colega de quarto da grávida vai ao aniversário da mãe do namorado. Apercebe-se (porque já se tinha apercebido, afinal é por isso que está onde está) de que poderia ser ela. Confronta o namorado com ter pensado só nele e no prazer dele um dia quando desafiou a sorte ao não interromper o coito a tempo e confronta-o com o que faria se fosse ela a engravidar. A resposta vaga e desajeitada dá-lhe a certeza que já tinha: ele nunca tinha pensado seriamente no assunto e era menino para se acobardar na hora. Fica-se a saber porque é que, apesar de todas as mentiras ela não fica zangada com a colega de quarto: se fosse ao contrário, a outra ajudá-la-ia. O que era mais que o que o namorado faria.
Ao chegar ao quarto dá-se a cena que me deveria ter impressionado mais... mas eu já estava anestesiada: o feto saiu. E de novo há pequenas subtilezas de gestos e de palavras. Se por um lado a mãe diz que "aquilo" já saiu e coloca "aquilo" no chão da casa de banho, longe da vista, quando ambas se debruçam sobre "aquilo" olham-no com um ar que é tudo menos indiferente. A imagem mostra um feto pequenino, uma criança em miniatura, mas nesta altura eu já não sinto nada por "aquilo": todo o resto do filme já me anestesiou para aquele momento.
Há um último problema: livrar-se do bebé para que não seja encontrado. A mãe pede para ela "o" enterrar (já não é "aquilo", mas "ele"), para não o deitar numa lixeira. Dignidade escusada, mas que parece significar muito. A colega de quarto pega-lhe com um carinho e um cuidado desnecessários e mete na bolsa. Claramente não planeou nada daquilo e acaba por fazer o que mandou o homem horroroso que fez aquilo: deitar de um tubo do lixo a partir do último andar, para que o corpinho se desfaça e não possa ser detectado.
No fim do filme as duas amigas estão juntas a jantar com um ar comprometido. E fazem um pacto de silêncio: nunca mais se vai falar no assunto.
Saí do filme semi-arrependida de o ter ido ver. Eu sou contra o aborto... e por assim ser votei "sim" no referendo. Faz sentido? Não! Senti-me mal das duas vezes que votei no referendo (ambas as vezes "sim"), e senti-me igualmente mal com o resultado deste (também de ambas as vezes). Porque qualquer das opções estava pura e simplesmente errada. Mas não faz sentido uma mulher ter que passar por uma coisa destas. Crime nenhum justifica esta humilhação, este perigo. Perigo de vida! No caso, a contracepção era mesmo proibida; no nosso país não era antes do referendo, mas mesmo assim as coisas acontecem. A ter que ser mesmo, que ao menos se faça uma coisa errada (no MEU ponto de vista, como EU acho que veria as coisas, mas nunca estive na situação, pelo que EU não posso pensar como reagiria) na segurança relativa de um consultório médico. Onde poderá haver alguém que faça mudar de ideias e/ou ajudar a que o mesmo não volte a suceder. Sobretudo, longe de vampiros como este homem, a que uma mulher tem que se sujeitar porque está ou pensa que está vulnerável.
Ser mulher é complicado e maravilhoso. Não creio que homem nenhum visse o filme como eu o vi: não seria capaz! Um por outro conseguiria sentir algo semelhante (são esses homens tão poucos como maravilhosos e um deles é meu pai), mas nunca se conseguiria identificar com a situação daquela maneira.
A parte boa é que eu vi o filme com um misto de optimismo e cautela (o filme abalou-me mas não me deitou abaixo, ao ponto de eu ter completado as respostas ao consultório sexual depois de chegar a casa do cinema). Por um lado, aquela Roménia já não existe. Ao ponto de eu me ter esquecido que existia. Por outro lado, a História está cheia de exemplos de retrocessos nos direitos dos homens. E então das mulheres nem se fala. Em sintonia com o livro que estou a ler e com questões que tenho acompanhado em blogues onde se aprende mais do que aqui, a febre religiosa leva o mais das vezes a que as mulheres sejam culpadas de tudo e mais alguma coisa: a mulher sempre foi a fonte de pecado, e sendo assim tem que arcar com as culpas do que efectivamente fez, do que poderia ter feito e com o que fizeram todas as mulheres.
Por outro lado, a nossa sociedade ocidental judaico-cristã mas tendencialmente laica permite avanços (digo, retrocessos) com "respeitar" culturas (porque associadas a religiões) que impoem a mulheres casamentos arranjados e usos de burkas ou simplesmente lenços na cabeça. Liberdade religiosa é uma coisa, mas temos que definir o que é liberdade pessoal. E o que é a nossa liberdade pessoal na nossa sociedade (não é o mesmo que racismo ou intolerância, mas os nossos valores). Quando é que isto evoluirá para forçarem as nossas mulheres a usarem véus também? Pode parecer rebuscado... mas também o foram regimes que já cairam e outros que ainda não.
Livre é esta sociedade em que uma mulher escreve badalhoquices, apesar de pela piada e a reserva do resto da sua vida se esconder atrás de um nickname. Quando se queixaram da nossa sociedade (que tem imensos defeitos), lembrem-se disso.
E hoje, para relaxar, vi o Sweeney Todd: tinha montes de sangue e mortes, mas era tudo a fingir e fruto da imaginação livre e delirante do meu amigo Tim Burton.
Amanhã ou depois escreverei outro post mais ligeirinho e de volta ao estilo deste blogue.
domingo, 29 de julho de 2007
Lady Chatterley em imagens 2
O corno, Sir Clifford (agora imaginem a coisa com sotaque francês!!!). Dá para ter pena do homem, mas até é uma personagem simpática.

O criado, Oliver Parkin. As fotos não o favorecem, mas o moço até é bem parecido: tem um certo "je ne sais quoi"!

A Lady Chatterley, antes de soltar a franga (mas o chapéu é giro!) e depois de soltar a franga.


O criado, Oliver Parkin. As fotos não o favorecem, mas o moço até é bem parecido: tem um certo "je ne sais quoi"!

A Lady Chatterley, antes de soltar a franga (mas o chapéu é giro!) e depois de soltar a franga.

As imagens e mais podem ser encontradas em
www.kino.com/ladychatterley
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