Claro que também estava inteiramente livre para me enfiar pelo mar adentro sem que ninguém se desse sequer conta tão cedo. Não haveria muita gente que me sentisse a falta e não passaria de uma nota de rodapé na vida de todos. É o destino de muita gente não passar de uma nota de rodapé na vida dos outros (ou menos), mas se se vai pensar assim quando tal as praias mais parecem o garrafão da ponte 25 de Abril em hora de ponta, para o pessoal se atirar ao mar. Se bem que eu ainda não tenha percebido porque é que tem um garrafão numa ponte, sobretudo quando o pessoal bêbedo pode cair da ponte abaixo com mais facilidade.
Não sou regra geral mulher de mar, sou mais de rio, de mato e de serra. O ruído do mar não me acalma. A dada altura, quando andei no Reiki (long story...), disseram-me para ir para o pé do mar meditar. Ao fim de 5 minutos vim-me embora porque estava a ficar nervosa com o “basqueiro” do mar a bater contra as rochas. Não sou grande coisa a meditar. E desisti do Reiki. Mas de vez em quando gosto e aprecio o vento a soprar-me nas trombas, a pôr-me o cabelo em desalinho e o cheirinho a sal.
Não tenho grandes momentos mágicos na praia. Com excepção de quando eu e uns amigos no 11º ano planeamos passar a noite na praia para ver o nascer do sol. Para passado 1 hora ganharmos juízo porque estava um frio de morrer e fomos para casa onde estava quentinho e conversamos a noite toda.
Mas tenho um momento mágico ao pé do rio. Um momento em que o tempo parecia suspenso enquanto eu ouvia o rio correr e o telemóvel toca e era quem eu queria que estivese ao pé de mim. Naturalmente a magia seria maior se a presença não fosse só com um romântico "pi-pi", de aviso de mensagem, mas cada qual é o que merece. Mas foi real e foi mágico. Mas já passou.
O plano inicial era fazer a minha caminhada no passadiço de madeira que vai de Espinho até Valadares e substituir assim a hora e tal de ginásio a que me tinha baldado, mas depois olhei para uns meninos a jogar vólei na praia e apeteceu-me meter os pés na areia. Que não tenha reparado se eles eram assediáveis indicia que estou em baixo de forma.
Tirei os sapatos e caminhei em direção à rebentação. Lá está, não aprecio a areia seca por aí além, mas estava a saber-me bem. Gosto declaradamente da areia molhada e firme e da sensação de massagem nos pés. E de olhar para a sombra e ter a ilusão que tenho as pernas tão compridas.
Nessa altura arregacei as calças e deixei que as ondas me viessem molhar os pés e os tornozelos. E foi aqui que molhei as calças, como é óbvio: uma onda mais atrevida e menos bem calculada “chapiscou” o rolinho que tão cuidadosamente tinha feito para cima. Mas não faz mal: nem sempre é mau que uma mulher esteja molhada. Pelo menos é o que diz a Cosmopolitan, mas eu ainda não entendi muito bem o que é que isso quer dizer.
E caminhei na direção em que caminharia no passadiço. A praia só para mim. Uma espécie de SPA privativo à vista de toda a gente. Fui e vim, a tirar fotografias a mim e só ao acaso. Fui e voltei depois de uma caminhada relativamente longa, sempre de casaco vestido porque estava já frio.
Apetecia-me entrar no mar, que estava sereninho. Claro que entraria para sair. Mas como o mar no Norte é muito forte, não tinha quem me acudisse em caso de dificuldade e eu não tenho intenções suicidas, deixei-me estar onde estava. E depois, não tinha fato de banho, por isso as opções seriam toda vestida ou de cuecas. Nenhuma das quais me agradava por aí além. Mas aceita-se piadas acerca da espuma das ondas que me banhavam os pés.
O sol passou de dourado e intenso a laranja, até que se extinguiu. Sentei-me a observar essa passagem e tirei fotografias que sei perfeitamente que não são de todo fieis ao momento, porque são é precisas técnicas especiais para fotografar o sol. Mas é o que há e nem ficou muito mau. As fotografias que tirei de mim com a luz certa têm uma cor dourada que gosto, mas essas não as ponho aqui. Também não ficaram muito bem, por isso não punha na mesma.
Fiquei na praia até ser praticamente noite. E já sei qual vai ser o ginásio improvisado meu ponto G fechar para férias. Só não vou nadar: a mensalidade daquela piscina grande deve ser caríssima!
Voltei para casa com os pés frios, cheios de areia e com aquele formigueiro característico de ter andano na areia. De novo apeteceu-me chorar, mas consegui afastar esse sentimento. Mais uma vez.
Nota: Não tive nada que ver com isto!
