O Natal e a parolice a ele associado (e o mau humor que este causa em abóboras com défice de luz) fizeram com que lamentavelmente se perdesse o fio à meada desta saga de posts. Eu gosto de sagas porque me permitem javardar o mesmo assunto sem ter que puxar pela imaginação. Pensar custa! E o lucro que retiro deste estabelecimento não sei se justifica.
Ora em tempo idos escrevi estes delírios. Entretanto descobri que as carraças se podem parecer muitíssimo com o Pavilhão Atlântico, desde que estejam a trepar pelas minhas calças acima. Nessa altura também não consigo bem distinguir carraças de baratas, pelo que qualquer coisa com muitas patas assumia esse tipo de proporções.
E estamos conversados de baratas e carraças. Vamos às bananas, que é o que interessa.
Isto, meus caros, é a prova de que nem tudo o que se relaciona com a banana é fálico, tem conotação sexual ou mesmo é interessante. Prova ainda que não era seriamente expectável que quem teve a sua infância nos anos 70 e início dos 80 fosse minimanente apertado da moleirinha. E como proibir os YouTube não é necessariamente uma deriva fascizante e/ou fascizóide: pode ser simplesmente uma medida de higiene pública! Abram a ligação por vossa conta e risco. E podem amaldiçoar quem me ensinou a colocar vídeos nos posts.
Para me redimir, isto são bananas fufas. Não sei porquê, mas se perderem tempo a imaginar algo que as relacione com fufas pode ser que apaguem da cabeça a ligação do José Cid com as bananas.
Como arte é tudo e tudo é arte, um monte de bananas também é arte se alguém decidir que assim é. E como eu sou uma divulgadora de arte, não podia deixar de escapar este... esta... o... coiso... ... isto é uma instalação ou uma performance? Quer dizer, podemos dizer que estas bananas se estão a "bananar" umas às outras à fartazana! Ou seja, isto é um bacanal (ou um bananal!)! Não mostrem isto às vossas crianças!
E depois "40 000 bananas piled up in public places"... isto é exibicionismo! Claro que se pode ir muito longe com o verbo "piled". Sobretudo quando está "up"! Que é como o "piled" está bem! Oiéeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee! Esperamos pelas "60 000 bananas piled up in public places"... isso sim vai ser uma moca!Dito isto, as bananas "piled up" são obra de uma criatura de nome cristão Doug Fishbone. Ter uma espinha de peixe a fazer arte não augura nada de bom em primeiro lugar. Mas "what's in a name?"... bem, neste caso... o peixe come carne. Ou por outra, antes comesse! Faria com que não brincasse com a comida e sobretudo não fizesse um auto-retrato com carne de Kebab! Sim, é isto mesmo. Ou uma "instalação" (ou performance) onde um jovem árabe americano está sentado com ar inexpressivo. Digo eu que era falta de bananas (ou o pagamento seria insuficiente).

Se alguém tiver dúvidas que isto é arte, leiam isto: "I made a classical self-portrait out of gyro meat, rotating on a cooking machine in the middle of the gallery, which touched upon issues of death and decay, artistic vanity and notions of tradition and scandal in today’s gimmick-oriented art climate. " Com uma explicação tão fatela e tão rebuscada, quase caiu fora da classificação de arte (ou seja, fico quase nas bordas), mas recuperou o estatuto com o inverosímil da coisa. Mesmo assim acho que não é suficientemente conceptual. Ou seja, fraquinho!
O Andy Warhol também se dedicou às bananas, mas nós sabemos todos o que é que ele queria! Ganhar dinheiro à custa de pacóvios, o que é que vocês estavam a pensar?
Para death e decay, temos um dente podre! Que é arte! Se eu disser que é arte (eu tenho que arranjar uma cunha em Serralves!). O dente podre ainda nos remete para o mau hálito e a podridão humana não acompanhada de morte mas de uma inalienável degradação física e moral. A única morte de indivíduos envolvida com um dente podre é da hipótese de alguma macaca lhe comer a banana!Voltando às bananas e a comer a banana (de preferência de alguém sem instalações ou performances de dentes podres), não podemos usar bananas assim a torto e a direito. Esta cidadã parece empunhar uma banana como uma arma. Dito isto, com uma farpela tão ridícula, eu também deitaria a mão ao que pudesse usar como arma: para me defender agressivamente dos risos descontrolados que tal figura causasse!

Uma banana não pode ser trincada assim sem mais demoras. Tem que ser saboreada! Tem que se lhe sentir o gosto. Aos poucos, com a ponta da língua de início. Delicadamente, muito delicadamente.

Para seguidamente se proceder à deglutição do fruto do pecado! Completamente descascado! Come-se até ao pau! Sem faca e garfo: à selvagem mesmo! Cuidado com os dentes, que isso é material sensível!

Por último, e como ainda tenho uma figura de Natal para queimar, deixo-vos uma cidadã descascada. Não estorva e fica bem em qualquer lado. E depois, o Natal é quando o Homem quiser... mas eu preferia que não fosse em dia nenhum do calendário!

