O mesmo se passa com terramotos emocionais: hoje fui apanhada por uma réplica. Menos intensa que as seguintes e comigo já em terreno mais firme e sem edifícios que possam cair à minha volta e ferir-me. Ou por outra, ao menos não me ferir tanto quanto o abalo com que não contava e para o qual não me consegui preparar tão bem como devia. Porque as emoções são terreno de grande risco sísmico por natureza e quando menos se espera o chão treme e ruge debaixo dos nossos pés. E deita tudo abaixo.
Hoje deixo-me chorar. Só chorar! Sentir só por sentir, para não me negar o sentimento de dor e perda que me deitou abaixo há um tempo e que quer instalar-se de novo (mas eu não deixo). Sentir para não me negar a solidão, a tristeza que sinto e que foi causada pelo terramoto. Sentir, tendo a certeza de que fiz bem em causá-lo. De que a destruição foi, apesar de tudo, seja construtiva. Um recomeço, com uma construção mais firme, mais estudada, sobre estruturas mais sólidas. Preparada para outros abalos e outras réplicas.
Permito-me chorar para que amanhã já não seja nada. Para que amanhã a terra esteja serena, porque é dia em que tristezas não são permitidas. Amanhã é dia três vezes feliz.
Mas neste preciso momento... estou imensamente frágil...
