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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O mistério dos minutos desaparecidos

Abro a porta de casa às 8 da manhã para sair porta fora. Mais um minuto ou dois, eventualmente, se me esqueço de uma porcaria qualquer, se demorei mais tempo a vestir o casaco ou outros pequenos imprevistos.

Desço à garagem e pego no carro. Nada de extraordinário. Até hoje admirava-me como é que a minha viagem da porta de casa ao carro parecia demorar 5-6 minutos, porque me parecia excessivo! Mesmo porque não costumava ser assim!

Até que tive a presença de espírito para olhar para o relógio do carro e o comparar com o do telemóvel: o primeiro estava adiantado quase 3 minutos em relação ao do telemóvel e era por este que eu controlava a chegada! E isto já deve durar desde a mudança da hora... há... bué!

Levantar-se primeiro e acordar depois dá nisto...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Manual de instruções para fazer um bom saco de ginástica

1. Acordar cedo;

2. Tirar tudo do saco e deitar para lavar;

3. Colocar devidamente dobrada e acondicionada uma toalha para os aparelhómetros de musculação e uma para o banho;

4. Acomodar na secção correcta as sapatilhas;

5. Escolher criteriosamente uma t-shirt e umas calças ou calções e colocá-las no saco;

6. Acondicionar num saquinho de toilete shampoo, gel de banho, hidratante para o corpo e rosto e borrachas para o cabelo (porque estou com uma juba de todo o tamanho). O hidratante para o cabelo fica para aplicar em casa;

7. Colocar este saquinho dentro do saco principal de modo a não estragar o equilíbrio do conjunto;

8. Num outro saquinho colocar uma muda de roupa interior e o soutien de ginástica (a gravidade tende a ser mais destrutiva sob influência esforço intenso) e acondicionar ainda este saquinho no principal;

9. Acrescentar um saquinho para a roupa transpirada;

10. Fechar o saco grande e colocar uma garrafa de água ao pé para não esquecer.

Depois de todo este minucioso exercício, tomar pequeno-almoço.

Finalmente.. sair pela porta fora, deixando o saco de ginástica no chão, em vez de o meter na mala do carro, que é onde era suposto ele ir!

NOTA: Não estou com tantas paneleirices: simplesmente atiro para lá para dentro umas coisas. Mas isto é o meu lado dramático e exagerado a falar!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Decisions, decisions, decisions...

Estava a tentar decidir-me entre escrever um post com as mentiras mais frequentes dos homens e um com as lições de fufas para mulheres homem-sexuais que vi numa revista há um tempo.

Depois de ter chorado com o das mentiras (as mentiras fazem-me chorar) e ter concluído que não valia a pena, acabei por me decidir a escrever o das fufas... mas não sei da revista e não decorei as lições (excepto uma que por acaso...)! Ora porra! Detesto decisões!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Rapunzel - parte 3

Há uma eternidade escrevi a parte 1 e depois a parte 2 da minha própria versão da Rapunzel, versão século XXI. Aliás, ocorre-me que se fosse hoje os irmãos Grimm talvez não escrevessem contos de fadas mas contos de fo... ora bem, não era para aqui!

Entretanto perdi-me em coisas que doem e moem mas não matam (e a apreciar o rabo do Sadeek, por isso não foi tudo mau!), mas vou retomar a história. Isto apesar de vocês conhecerem o final: fui salva!

Ia eu na parte em que os meus vizinhos decidiam o meu destino. Mesmo! Descoberta a nesga estreitinha (mmm... que sugestivo!) na janela, vislubrou-se uma janela (passe a redundância) de oportunidade para salvar o vosso legume preferido. Se não preferido, pelo menos o mais badalhoco, se bem que ultimamente pareço mais uma cebola por causa das lágrimas (acontece aos melhores).

Os vizinhos começaram a falar imediatamente em quem a tinha maior! E um sacou de uma desapontadoramente pequena. Escada, naturalmente! Não dava! Pensei que estava perdida e que estavam a perder tempo precioso que podiam estar a usar a chamar a polícia ou os bombeiros. Mas uma mulher não devia subestimar o valor dos acessórios! No caso não se tratou de um vibrador nem sequer de algum esquema marado para aumentar o tamanho. Para falar verdade... o acessório, meus amigos era a escada!

Na realidade, os meus vizinhos eram pintores de construção civil, o que me fez recordar outros tempos (ver este, este, este, este e este post, e ainda este por estar ilustrado e ainda mais porco)! Suponho que isto seja solidariedade entre pares. E enquanto eu, nos meus tempos de pintura de construção civil andava de trincha na mão, a molhar o pincel e com uma fixação pelo cabo da vassoura (se não acreditam leiam os posts: é tudo verdade e eu escrevi pior que isso ainda!), eles eram mais kitados: tinham ANDAIMES! Ora a escada era o acessório porque os meus colegas de actividade montaram a estrutura dos andaimes até chegar à janela e a escada serviu para a encostarem.

O café nunca viu semelhante agitação (não desde o dia em que roubaram a máquina do tabaco à noite, mas isso é outra história e o tabaco faz mal de qualquer modo) e a malta estava extasiada a ver os preparativos de salvamento. Eu mesma quase me esqueci que era a estrela da companhia, a dama indefesa a ser salva pelo príncipe num andaime branco: não fosse estar presa na varanda, assistiria ao espectáculo com gosto (se bem que era capaz de fazer um intervalo para fazer uma mijinha, mas na varanda era um pouco exposto).

E eis que finalmente aparece o meu salvador entrando pela minha janela dentro. E ouço do lado de fora "cuidado que ele mete directamente da mão para os bolsos" e um coro de risos. Engraçadinhos! Mas realmente, quando a casa for assaltada, já sei de um candidato para o assalto! Reparem que a construção civil pode estar em crise, mas os seus profissionais são perfeitamente adaptáveis e escoam com facilidade para outras especialidades: apesar do excesso de oferta há sempre lugar para mais um gatuno! Sobretudo quando está tão bem equipado!

O clímax da história: o meu salvador a salvar-me!! O verdadeiro conto de fadas! Numa curiosa reviravolta do conceito, nesse dia antes da meia-noite fui a correr na minha carruagem feita de abóbora buscar um príncipe... e ele mais tarde transformou-se num sapo...

domingo, 26 de outubro de 2008

QUe tipo de pessoa...

... regressa ao lar, às 3 da matina para descobrir que perdeu a chave de casa? Depois de vasculhar o carro, a bolsa e os bolsos do casaco continua sem encontrar a chave... para a encontrar pendurada na caixa do correio, porque realmente a última coisa que fez antes de sair de casa foi verificar o correio!

Uma pessoa assim NÃO pode ser uma pessoa normal! Simplesmente porque não! Ainda bem que os ladrões dessa terra têm um mínimo de brio profissional e são sérios!

Eu às vezes penso que há gente muito estranha à superfície da terra...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Rapunzel - parte 2

No último episódio desta saga, escrito quando eu estava com a cabeça um bocadinho mais no sítio (se é que alguma vez a tive), tinha eu acabado de me aperceber que estava fechada na minha própria casa, um pouco como a Rapunzel, mas com o cabelo mais curto e tinha chegado à conclusão de que tinha que pedir ajuda a alguém que não ao vizinho do lado.

Estava perfeitamente equipada para um período de reclusão: toda transpirada da lida da casa, sem protector solar (era hora de almoço) e armada de limpa-vidros e jornal! Pena o jornal já estar todo ensopado, senão daria para ler as notícias.

Acenei por piedade aos frequentadores da esplanada, que um por um (que era para ser mais humilhante) se aperceberam que estava uma dama em sarilhos a acenar da varanda. Não sei exactamente porquê, mas lembrei-me da exposição que vi na Alfândega do Porto há montes de anos sobre tortura e pena capital. Um dos métodos de tortura era expor o condenado na rua e os vizinhos atirarem-lhe coisas e insultá-lo com o coitado indefeso. Mas como não foi nesse dia que eu cantei em altos berros no duche, safei-me de uma saraivada de tomates podres. Mas não perco pela demora!

O pessoal foi acordando, mas ninguém se queria convencer que tinha que fazer alguma coisa. Até que uma senhora se foi aproximando e perguntando o que se passava. Disse-lhe para chamar os bombeiros, mas para antes ligar ao meu pai, porque obviamente tinha que se rebentar a porta. Diz-me a senhora para escrever o número de telemóvel do meu pai... mas com quê? Eu não tinha planeado exactamente ficar fechada do lado de fora da minha própria casa! A intenção foi boa!

Agora se começa a ver a fibra de um povo! E vê-se como? Pela capacidade de improviso de dobrar as regras. Refira-se que por esta altura aquela secção da rua estava em peso à janela a mandar bitaites (mas esta gente não é capaz de ver uma pessoa ser humilhada em paz?).

"Os bombeiros não, que isso aconteceu ao meu primo Chico e ele teve que pagar uns cento e tal euros"

"Trepa-se à varanda e rebenta-se a porta!"

"Parte um vidro!"

"Não há mais ninguém com chave de casa?"

"E a janela da cozinha, está aberta? Ou outras janelas?"

A isto chama-se na gíria brainstorming e é a base de grandes decisões. Trabalho de grupo! O verdadeiro evento corporativo versão proletário (já lá vamos). Aliás, as totós das formadoras do "Magalhão" deviam ter prendido uns professores numa varanda alta e desafiado os outros professores a tirarem-nos de lá. O que ia ser giro, porque tenho a certeza que se descobriria um grupo a conspirar para deixar lá um colega a morrer de fome e frio, mas isso são outras conversas.

Lá em baixo a turba conspirava quando eu revelei que tinha uma nesga de uma janela aberta. Foi pura sorte e mesmo azelhice, porque pensei que a tinha fechado por causa da brilhante ideia de o vizinho do lado ter decidido grelhar um peixinho, arrastando a porra da fumaça para minha casa. Arejar a casa é uma coisa; defumá-la é outra inteiramente diferente.

Nesta altura eu tinha perdido o controlo à coisa (eu diria que o perdi quando me fechei do lado de fora da varanda, mas é uma opinião) e nunca mais se falou em chamar bombeiros, polícia ou mesmo o meu progenitor. Lá em baixo uma catraia de 7-8 anos guichava "ficou fechada do lado de fora! Ficou fechada do lado de fora!", o que me fez pensar nas maravilhas da maternidade. Nomeadamente no hábito chinês de dar certo e determinado destino às fêmeas da descendência. Aliás há-de ver que nestes dias andei muito maternal (tenho outro post no meu moleskine, que escrevi para não me conter de estrafegar a prole de outra criatura (apesar de ter a certeza que ela me agradeceria).

E por agora é tudo, porque me está a acabar a bateria e tenho que ir pregar para outra freguesia.

I'll be back... é uma ameaça!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Rapunzel - Parte 1

Gosto de contos de fadas, mas a Rapunzel nunca foi assim um favorito. Mas foi o primeiro que me ocorreu há um tempo quando estava a limpar os vidros da minha casa.

Limpar os vidros não tem nada que saber: é só saber lutar Karaté! E aqui se distingue um trintão de um cidadão mais novo, porque um trintão se recorda claramente do Ralph Macchio magricela, com as calças de cintura muito subida, ainda com a voz esganiçada de adolescente a cortar um bonsai ("what come from inside, always right"), ir a um baile de máscaras vestido de chuveiro, a apanhar porrada de criar bicho de maus vestidos de esqueletos e depois ser cravado para lavar os vidros do stand de usados do Mr. Miagui (só pode, porque não sei onde é que ele arranjou tanto carro) para aprender Karate. Também havia uma cena com uma mosca, mas nada de sexo, o que justifica como é que os trintões sairam todos meios abanados do capacete.



Havia ainda o Peter Cetera a cantar "I am a man/ Who will fight/ For your honour" todo de preto num cenário de quarto japonês lindíssimo enquanto mexia as mãos como se estivesse a cantar fado, fazia esgares como se estivesse a arrear o calhau e se mexia de forma suspeita! E agora que reparo bem, tinha os dentes quase tão brancos como os do Paulo Portas. E para tornar óbvio como sou velha, eu vi isto em VHS (podia ser pior: podia ter visto em Beta). E via este próximo vídeo no Europe Television, possivelmente no Countdown com o Adam Curry... estou velha, nitidamente!



Onde é que eu ia? Ah, nos vidros! Fácil: é só fazer como o Daniel: wax on, wax off (para fins dramáticos vamos fingir que encerar um carro é o mesmo que lavar os vidros)! Quanto ao movimento estamos conversados: wax on, wax off. O resto é mais complicado e exige mais ciência, como descobri às minhas próprias custas.

Os vidros têm dois lados: o de dentro e o de fora. Vamos definir o lado de dentro como aquele que consiste da interface vidro/aconchego do lar e o de fora como a interface mundo cruel exterior/vidro. Há que ter um certo rigor nestas coisas, senão ficam mal entendidos. Limpei todos os vidros de todas as janelas da casa (ambas as interfaces, como convém), sendo que a parte de dentro não tinha espinhas mas a parte de fora implicava risco da minha própria vida porque implicava encavalitar-me perigosamente no parapeito (o que me lembrou da história de uma ex-vizinha fufa, mas não vamos desconversar). E vocês a pensar que a vida de uma dona de casa era fácil e isenta de perigos!

Quando todos os outros vidros estavam imaculados, dirigi-me resolutamente à varanda. E foi aqui que o drama se desenrolou...

A parte de dentro dos vidros não teve assunto. A parte de fora seria à partida mais agradável porque o dia estava lindo e implicaria à partida menos risco que as janelas, já que não havia necessidade de perigosos números de equilibrismo... enganador!

Ora limpava eu os vidros do lado de fora, com determinação, empenho, um jornal e limpa-vidros quando ouço um seco e metálico "tric". Fiquei a olhar para a porta e pensei "se não fosse tão estúpido pensar uma coisa destas, diria que acabei de me trancar do lado de fora da varanda"... mas é claro que seria um pensamento parvo! Como seria absurdo que eu, de facto, estivesse trancada na varanda da minha própria casa... o que se veio a verificar verdade depois de vários safanões na porta... porque ela não abria!

Se eu fosse um pouco mais louca desataria a cantar e a dançar o Rapunzel da Daniela Mercury (se alguém encontrar o vídeo, avise-me), porque o conto de fadas traduzia a minha situação: fechada numa torre por uma bruxa má (no caso, eu). Pensando bem, teria sido até sensato, porque seria chamada uma brigada de intervenção psiquiátrica urgente, o que me resolveria o problema de estar fechada na minha própria varanda da minha própria casa (entrar de novo seria outro problema, que eu resolveria em devido tempo). Mas se eu fosse a Rapunzel, teria cortado as tranças e usado as mesmas para descer em vez de ficar à espera do atado do príncipe que nem uma merda de uma escada sabe arranjar. Mas o meu cabelo não estava assim tão comprido, pelo que não era uma opção.

E agora? Senti vontade de rir pelo ridículo da situação e ocorreu-me várias coisas: fingir que não se tinha passado nada a ver se o assunto se resolvia sozinho, ficar ali sem dizer nada a ninguém até que dessem pela minha falta e me viessem procurar, atirar-me abaixo da janela, partir um vidro para entrar ou chamar ajuda. Felizmente a sensatez e o realismo prevaleceram e optei pela última.

Tentei chamar o meu vizinho debruçando-me pela janela e chamando-o... quando me apercebi que não sabia o nome dele nem da mulher! E chamei "ó vizinho!!!!"... nada! Eu ouvia-o, mas ele não me ouvia. Está visto que Doors às 7 da manhã de domingo aos berros afectam a audição!

Por sorte um dos meus medidores de qualidade de vida é a proximidade de uma padaria. Eu tenho qualidade de vida nesse particular porque há uma em frente à minha... varanda (vou fingir que não é relevante que o pão seja uma merda, o que dá cabo do critério de qualidade de vida). E, consciente do ridículo, esbracejei e pedi ajuda.

(continua)

E agora, como é que a Abobrinha se vai safar desta?? Aceita-se apostas!